segunda-feira, 31 de outubro de 2005

  Digressão falha

Fim de noite perfeito: chá com bolachinhas, sentada no pufe, lendo...

Pena que o livro era ruim, o chá estava quente demais, e fui interrompida pelo interfone quando estava prestes a começar a divagar... :P

(Garanto que o resultado seria diferente se eu tivesse sucumbido à ditadura da alienação e estivesse com um copão de coca-cola, uma generosa fatia de pizza e uma revista de fofocas... ;)



  Gilmore Girls

Mais ou menos plagiando quem mais ou menos me plagiou, o assunto de hoje é Gilmore Girls. Na verdade não é bem um plágio, pois ao plagiar quem me plagiou estou de fato anulando o plágio, posto que é impossível plagiar-se a si mesmo, sob pena de chegar-se ao cúmulo de realizar um auto-processo por indenizações morais [?!] (Estou confusa :P)
Enfim, o objetivo deste post é sensibilizar um eventual fã para que me ajude a retomar o projeto do site sobre a série, que há quase dois está completamente abandonado. Se você se reconhecer em alguns sintomas abaixo... parabéns! Você tem sangue Gilmore correndo nas veias (e ainda não sei como fazê-lo crer que, por isso, deve me ajudar... talvez por alguma tosca alusão à necessidade de solidariedade humana! :D pense nas crianças pobres da África e no quanto o mundo seria mais belo se todos ajudassem-se uns aos outros \o/).
Portanto, caros leitores (escrevo no plural, com medo de represálias :P), espero vosso apoio nessa engrenada.
Aliás, foi mexendo no site (entrevistas, traduções, colunas, matérias) e escrevendo sobre Gilmore Girls (e sobre "Ed" e "Maybe It's Me" também) para o Séries Online que comecei a me interessar pelo Jornalismo. Devo meu futuro profissional às garotas Gilmore! (ou não, caso o destino dê uma reviravolta doida e eu passe a gostar de Direito e vire uma advogada insensível e inescrupulosa).
Então, eis a lista:

Você sabe que assiste Gilmore Girls demais quando...

- Começa a falar como a Lorelai.
- Começa a se livrar do dinheiro porque a Rory disse que ele torna as pessoas fúteis.
- Faz duas festas no seu aniversário.
- Se recusa a comer abacate e qualquer outra comida que tenha "confraternizado com o inimigo".
- Sempre que alguém te beija, você diz "Obrigado(a)".
- Passou a tomar café o dia inteiro, esperando que isso a torne uma Gilmore.
- Vai numa cafeteria todos os dias às 16:12 [essa é antiga; a Lorelai fazia isso nas primeiras temporadas]
- Começa a só sair de casa com um livro na bolsa.
- Sonha em ir à Stars Hollow, mesmo sabendo que as Gilmore Girls não moram lá de verdade. [e que Stars Hollow não existe... :P]
- Na hora de comprar frutas no supermercado, rola elas no chão para ver se estão aguadas.
- Passou a achar que franceses têm medo de cisnes.
- Fica surpreso quando alguém chega na hora certa para um encontro.
- Chama seus professores de Norman.
- Num momento difícil, diz que um derrame seria providencial.
- Compra um franguinho e põe o nome de Stanley se for macho ou Stella se for fêmea.
- Mettalica passou a ser sua banda favorita. [é a banda favorita de Lorelai]
- Passou a guardar seus CDs embaixo do chão.
- Passou a achar que remoer mágoas queima calorias.
- Fez a lista dos seus 5 maiores inimigos.
- Coloca seu nome na sua filha.
- Quer fazer um enterro para o seu gato quando ele morrer.
- Não quer internet a cabo, porque prefere dançar e fazer sanduíches enquanto espera pela conexão convencional.

- Quer mais? Visite o site :D

Se você não se identificou com os sintomas, não fique triste... dá para acessar a [tosca] lista de dicas de como se tornar uma garota Gilmore! E se, mesmo assim, você ainda não estiver satisfeito com o resultado (pombas, você é chato ein? :P), na seção de testes há outros métodos [felizes] para determinar se você é uma garota Gilmore :D

E.. er... mesmo que você chegue a conclusão que não tem nada de Gilmore na veia... Se estiver a fim de ajudar, entre em contato ;) Os fãs da série agradece[ria]m =)




domingo, 30 de outubro de 2005

  Anedotas de relógios

Estou com medo do meu relógio de parede da sala. Ele fazia um tique-tique macabro e nunca marcava a hora exata. Então resolvi mexer nos ponteiros para ver se melhorava, e a coisa só piorou. Agora, o ponteiro das horas fica imóvel, inerte, abandonado à própria sorte no número 6 (que é o número mais ao sul do relógio). E o rotineiro tique-tique deu lugar a um barulho mais bizarro, como se o ponteiro dos segundos tremesse de pavor a cada vez que passasse pelo número 6. É um silvo semelhante ao de uma chaleira fervente. Assustador. Se o relógio fosse digital, eu acharia que é uma bomba! Aliás, preciso me preocupar com quando for o dia 06/06/06, às 6 horas e 6 minutos e 6 segundos??
Mas apesar de tudo, ainda acho que vale muito mais a pena usar minha única pilha para manter um relógio que só marca os minutos do que usá-la no controle remoto de uma televisão que só pega canais abertos -- aliás, por que o nome do controle é controle, se no fundo o cidadão telespectador não tem a mínima liberdade de escolha; ele não decide o que ver pelo que gostaria de assistir, e sim pelo que está disponível para que se veja..
Enfim... como o medo do relógio era tanto, resolvi procurar sobre relógios no Google, e ver se me tranqüilizava (afinal, eles nada mais são que seres inanimados que giram). Minha pesquisa encontrou desde o tosco e famoso conselho atribuído a Paulo Coelho, em Brida, que diz:

"Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia"

No caso do meu relógio, ele consegue estar certo durante 2 horas por dia. Ele é superior ao relógio de Brida! Durante 8% do dia ele está certo. Mas como eu não estou acordada às 6 da manhã para saber, é como se o relógio só estivesse certo durante os 4 dias da semana em que estou em casa às 18h para presenciar o "fenômeno"... Então é como se em somente 2% do total de tempo da semana eu pudesse perceber que ele está certo. E esses dois por certo ainda o tornam bem mais útil que a televisão...

A frase abaixo é interessante, mas não consegui contextualizá-la (é incrível como esses sites de frases conseguem jogar um monte de citações aleatoriamente em uma página, sem se importar em dizer de onde elas surgiram!!)

"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem." (Marcel Proust)


Uma piadinha clássica da turma dos relógios é a que diz:

"Que horas são quando o relógio bate treze badaladas?"
Uma hora? Duas horas? Nããão... São horas de mandar o relógio para o conserto... :P
(por algum estranho motivo, eu adorava essa piadinha na infância... )

Em uma "antologia de leis de Murphy", a lei 141 estatui:
141. Lei de Segal
Um homem com um relógio sabe que horas são. Um homem com dois relógios nunca tem certeza.

E é verdade... palavra de quem sai de casa sempre com dois relógios (o de pulso e o do celular). Acho que eu nem preciso do da sala...
Há também uma versão "estatística" da piada acima num site de anedotas de matemática... A diferença é que o estatístico faz a média entre as horas :P


Para os mais científicos, este site explica como funciona um relógio de sol. Desisti de tentar entender lá pelo terceiro parágrafo... :P

Algumas piadinhas aleatórias:

Daquelas do tipo "Qual é o nome do filme?":
A namorada deu um relógio com sua foto para o namorado. Qual é nome do filme?
"Quem vê cara não vê que horas são!"


P: Sabem por que é que não se pode ir a selva às 6 horas?
R: É a hora em que os elefantes praticam paraquedismo.

(Alguém me explica o humor dessa piada? -- ela é fruto da pesquisa por "piada às 6 horas")

Como se diz "relógio de pulso" em somaliano?
Relógio de cintura

Eu não sabia que existia uma categoria de "Piadas de Somaliano". Somália é meu país no Orkut :D

Frase feliz (e sem graça):
Se tempo fosse dinheiro, meu relógio seria milionário!

Uma piada relativamente sem graça (mas que envolve relógios):
Um americano, um japonês e um português estavam no alto de um prédio e combinaram que tacariam seus relógios e quem conseguisse pegar o relógio antes de cair e quebrar no chão ganharia a disputa. Daí o americano tacou, desceu mas quando chegou já era tarde demais. Daí o japonês tacou, desceu e deu na mesma. Aí o português tacou, foi pra casa, jantou, dormiu, tomou café, voltou para o prédio e quando estava lá embaixo ele pegou o relógio caindo. O americano e o japonês perguntaram como ele fez aquilo e o português respondeu:
- Eu atrasei meu relógio 12 horas.


A piada a seguir tem diversas variantes, conforme o site de piadas que se acessa... No lugar do Bush no terceiro relógio, há até versões mais recentes que colocam o Marcos Valério!
Um cidadão morreu e foi para o céu. Enquanto estava em frente a São Pedro nos Portões Celestiais, viu uma enorme parede com relógios atrás dele.
Ele perguntou:
- O que são todos aqueles relógios?
São Pedro respondeu:
- São Relógios da Mentira. Todo mundo na Terra tem um Relógio da Mentira. Cada vez que Você mente, os ponteiros de seu relógio movem-se.
- Oh!! - exclamou o cidadão - De quem é aquele relógio ali?
- É o de Madre Teresa. Os ponteiros nunca se moveram, indicando que ela nunca mentiu.
- E aquele, é de quem?
- É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros só se moveram duas vezes, indicando que ele só mentiu duas vezes em toda a sua vida.
- E o Relógio do Bush, também está aqui?
- Ah! O do Bush está na minha sala.
- Ué - espantou-se o cidadão, - por quê?
E São Pedro, rindo-se:
- Estou usando-o como ventilador de teto.



Três anedotinhas felizes:

Q: Why did Silly Billy sit on a clock?
A: Because he wanted to be on time!


Q: Why did the man throw the clock out the window?
A. Because he wanted to see time fly.


Pearl: When the clock struck 12 last night, I said to myself, "Pearl, everything is coming your way!"
Earl: That's a great way to start the New Year! What did you do after that?
Pearl: I quickly pulled into the correct lane!


A página diz que são piadas enviadas por crianças de 9 a 14 anos... Dê um desconto pela falta de humor :P


Essa é fraquinha também:

The talking clock
While proudly showing off his new apartment to friends, a college student led the way into the den.
"What is the big brass gong and hammer for?" one of his friends asked.
"That is the talking clock", the man replied.
"How's it work?" the friend asked.
"Watch", the man said then proceeded to give the gong an ear shattering pound with the hammer.
Suddenly someone screamed from the other side of the wall...
"KNOCK IT OFF, YOU IDIOT! It's two o'clock in the morning!


Outra bem básica (e intraduzível!):

Why shouldnt you tell a secret around a clock?
Because time will tell.


Mais uma sem graça...

Un policía le pregunta al ladrón:
¿Usted por qué le robó el reloj a la señora?
Y el ladrón contesta:
Yo no le robé ningún reloj, ella me lo dio.
¿En qué momento ella le dio el reloj?
Y el ladrón responde:
En el momento que le mostré la pistola.



Esta talvez ganhe no quesito 'falta de humor'... Ou de tão idiota consiga ainda provocar risos :P

- Mirá allá adelante... ¡hay un reloj en el suelo!
- Es mío. ¡Siempre se me adelanta!


Neste link há uma crônica terrivelmente conformista, profundamente ideológica, não recomendável para pessoas sensíveis e acríticas :P -- mas é bonitinha e fala de relógios :D


Também encontrei um livro muito legal de Lewis Carroll (pseudônimo de Charles L. Dodgson, autor de "Alice no País das Maravilhas") sobre lógica. Um problema de relógios:
Os Relógios Loucos de Carroll - Qual dos relógios regista o tempo mais fielmente? Um que se atrasa um minuto por dia ou um que não funciona?
Solução:
O relógio que se atrasa um minuto por dia dá a hora exata de dois em dois anos, pois como se atrasa um minuto por dia só voltará a estar certo depois de se atrasar doze horas, o que só acontece ao fim de 720 dias.
O relógio que está parado está certo duas vezes em cada vinte e quatro horas. Por isso o relógio que melhor regista o tempo é o que está parado.

(Meu relógio tá com tudo então, os minutos e os segundos ainda estão funcionando!)


E, para finalizar, a obra clássica surrealista de Salvador Dalí:



A propósito, alguém aí pode me informar que horas são?




sábado, 29 de outubro de 2005

  Novo livro

Após uma volta recorde de 3 min e 17 segs em torno da Feira do Livro de Pelotas, saí de lá com "Memória de minhas putas tristes", de Gabriel García Márquez. Foi a decisão de compra mais rápida que já tomei na vida :P
Mas vou ter de esperar um pouco para começar a ler. Há outras 4 obras inarredáveis no topo da minha eterna lista de leituras :~ :)

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  Viva o meio-termo!

"Senado aprova texto, mas interpretação dada pelo governo federal garante a manutenção do cultivo do fumo." (ZH, 28/10/05)

Interessante a saída encontrada por nossos felizes e descansados parlamentares quanto a adesão do Brasil à Convenção-Quadro contra o tabagismo. Depois de ter deixado nas mãos da população uma decisão crucial (mas inútil) como a questão do comércio de armas de fogo e munição no país, desses deputados e senadores podia se esperar de tudo...
Uma das poucas coisas [de útil e relevante para a vida] que aprendi na disciplina de Direito dos Tratados na faculdade foi que não basta ao país signatário assinar uma determinada convenção internacional; toda assinatura precisa passar ainda pelo crivo dos parlamentos nacionais.

"Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
" (CF/88)

O Brasil já havia assinado o acordo em 2003, e recentemente o ratificou. Mas o fez de forma inusitada: ao invés de concordar ou discordar do que estava escrito, encontrou uma maneira de interpretá-lo de forma diferente, de modo a possibilitar que o cultivo de tabaco continue no país, embora concorde em estimular o fim do tabagismo... (Vá entender esses parlamentares...)

"A aprovação no Senado só foi possível graças a um compromisso assumido pelo governo federal de manter as políticas de incentivo à fumicultura e o direito dos agricultores de plantarem o produto". (ZH)

Para tanto, valeram-se de uma brecha no acordo, visto que em nenhum momento ele dispõe expressamente sobre a proibição do plantio do fumo, ou de políticas que incentivem o cultivo do mesmo. Assim, nosso feliz país não deixará de incentivar o plantio de tabaco... embora tenha acordado que lutará para fazer com que cada vez menos pessoas fumem (redução da oferta e do consumo, com medidas simples como a proibição do fumo em lugares fechados e restrições à publicidade de cigarros -- coisas, aliás, que o Brasil já vem fazendo desde a assinatura do acordo). Ou seja, valeram-se do famoso "jeitinho brasileiro" para resolver a questão. Pelo menos o país também apoiará produtores que pretendam trocar de cultura.
No final das contas, agradaram a todos e a ninguém -- nem as pessoas deixarão de fumar, nem o plantio deixará de se realizar. Mas tudo bem. Nenhum país deveria ratificar plenamente (sem interpretações felizes) esse acordo até que o tio Bush concordasse em acabar com o plantio de fumo e a indústria de cigarro em seu país. Do contrário os EUA ficarão livres para deter o monopólio do cigarro no mundo, sem concorrências. Sim, porque acabar com as culturas de tabaco em países [eternamente] "em desenvolvimento" é fácil. Mas acabar com o consumo de cigarros não é tão simples assim. O constante aumento no preço das carteiras de cigarro mostra que, não importa o preço, quem fuma paga o quanto for necessário. Mesmo que tenha de importar de forma ilegal o produto (pense nos consumidores de drogas ilícitas, como a maconha... será que alguém se importa com a origem do narcótico que está comprando?). Então é melhor mesmo manter, ao menos por mais algum tempo, o plantio de tabaco no país e a indústria nacional de cigarros (subsidiárias das americanas... diga-se de passagem... ao menos geram empregos para o país :D e sustentam várias famílias que vivem do plantio).

Só não entendi ainda como o governo pretende reduzir a oferta e o consumo de tabaco e ao mesmo tempo manter os incentivos para a produção e o cultivo do mesmo[?!] Porque alguém vai ter de consumir o que for produzido... E exportar para os outros 167 países signatários do acordo também não é solução...




quinta-feira, 27 de outubro de 2005

  Sobre livros

"Há livros que são agradabilíssimos de ler, mas sobre os quais é impossível escrever: porque mal são expostos ou comentados, damo-nos conta de que eles se recusam a ser traduzidos na proposição 'este livro diz que'." (Umberto Eco, Viagem na Irrealidade Cotidiana, pg. 289)

Buenas. Vamos tentar. O objetivo dessa série de posts (de hoje até, sei lá, o fim de semana, talvez) é falar de todos os livros que gostei de ler, mas nunca tinha antes conseguido traduzir esse gosto em palavras -- como se a palavra escrita tivesse um poder tal ao ponto de acabar com a magia das reminiscências da leitura. Como se o texto tivesse a capacidade de dissipar a lembrança daquilo que foi lido... :P O que gostei no Umberto Eco é que ele faz com que você se sinta normal por pular páginas entediantes de livros longos, ou interpretando de maneira peculiar algo que todo mundo entende como uma [outra] determinada coisa...

Bom, enfim... o livro de hoje vai ser o próprio "Viagem na Irrealidade Cotidiana". É meio injusto começar com ele, porque foi o último livro que li (aliás, nem sequer terminei; falta ler o último ensaio :P). Mas a grande vantagem é que tudo ainda se encontra fresquinho em minha memória :D

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Umberto Eco, com seu humor fino e inteligente, consegue transformar qualquer coisa em assunto. Em "Viagem na Irrealidade Cotidiana" há diversos textos do autor, sobre os mais variados temas, que vão desde fictícias discussões com personagens de livro sobre a pena de morte, até severas críticas ao fenômeno dos museus de cera nos Estados Unidos, passando pela descrição irônica de rituais de candomblé no Brasil, e culminando com textos extremamente críticos acerca da Comunicação.
O que Eco faz é mostrar que há muito de irreal (ou de "hiperreal", como no caso do museu de cera :P) em basicamente tudo o que acontece à nossa volta. E ele o faz usando o ponto de vista da Semiótica, o que torna tudo mais interessante.
Eco fala até de Roland Barthes (e no mesmo ensaio ainda fala de Foucault, inclusive com citações de "Vigiar e Punir"); e quando ele fala de Lévy (crítica aos "novos filósofos") cita obras como "1984" (George Orwell, um dos livros que mais gostei de ler ultimamente) e "Admirável Mundo Novo" (Aldous Huxley, terceiro livro da minha lista de leituras, logo após "Apocalípticos e Integrados", também de Umberto Eco, e "Aula", de Roland Barthes)...
A citação a seguir é de "Os Novos Filósofos". A crítica de Eco nesse ensaio centra-se no fato de que Bernard Henry Lévy chegou à tosca conclusão de que o Proletariado não existe, já que nunca o viu andando por aí...

"Repare-se nas magníficas conseqüências destrutivas que se poderiam tirar desse procedimento de massacre epistemológico: o número não existe (foi inventado por Pitágoras e por Peano, nunca se viu o número andando pelo pátio de uma igreja), não existem nem o triângulo (um golpe de força de Euclides), nem a Ursa Maior, pois foi um astrônomo que traçou as linhas que ligam as estrelas, que até então estavam tranqüilas no seu canto. Do átomo de Bohr, então, é melhor que nem se fale. Em poucas palavras, Lévy descobriu que a ciência é feita de abstrações e de conceitos, ou seja, que a Estrutura é Ausente, e seus nervos não agüentaram." (pg. 312)

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quarta-feira, 26 de outubro de 2005

  E a saga continua...

"O maior limão do mundo." (minha irmã; sexta-feira passada)



terça-feira, 25 de outubro de 2005

  Vida pós-referendum

No fim, o referendo não foi tão inútil (apesar de seguir tudo como está). Ganhou o não, não muda nada para o comércio de armas de fogo e munição. Mas o que muda é a posição da população diante da temática da criminalidade.
Por intermédio do referendo, deu-se a oportunidade às pessoas de participarem da elaboração do texto da lei. Pode ser que não tenha sido possível acabar com a criminalidade, mas o povo refletiu bastante sobre a temática, e está apto a cobrar do Estado ações efetivas -- mediante manifestação se preciso --, para que sua segurança seja assegurada.
A mídia se deu mal. Achei que a Globo fosse acabar convencendo as massas a votar pelo sim, mas pelo visto a campanha feliz e meiga deles não deu muito certo. Se bem que em todo o resto do que vi, li ou ouvi (na verdade, li, li e reli, porque não vejo TV nem ouço rádio :P) percebia-se, ao menos implicitamente, uma certa "quedinha" pelo não, de extremos como a Veja (e suas capas nada imparciais) a coisas mais sutis como as abordagens sistemáticas da ZH. Só a Globo foi idiota :P
Claro que ia ser perfeito um mundo sem armas, um mundo de dedos cruzados num gesto de paz e amor, onde ao fim todos se dessem a mão num abraço grupal, ao som de John Lennon e com o perfume de flores no ar. Mas o povo brasileiro [ainda] não está preparado para isso. Há um longo caminho pela frente, que inclui investimentos em saúde, segurança e educação. Mas não é impossível: apenas vai ser difícil chegar lá (mas quem disse que a vida tinha que ser fácil? :P).

P.S.: Em respeito aos que chegam aqui procurando por coisas as mais absurdas em buscadores (este post é em homenagem ao infeliz que chegou aqui em busca do resultado final da telesena de primavera), resolvi retomar a temática do blog (sabe.. aquela do título... ius - direito + communicatio - comunicação? :P). Portanto, assistam à queda do número de "eus" nas mensagens, para a ascensão da incessante busca pela impessoalidade :D

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domingo, 23 de outubro de 2005

  Viagem na viagem

Pela primeira vez em muito tempo percorri o trajeto Pelotas-Bagé de dia e numa janela do lado oposto ao do motorista. A paisagem era tão diferente que cheguei a me questionar, mais de uma vez, se estava no caminho certo. Eu não ia me espantar nem um pouco se o ônibus viesse a parar em um país de primeiro mundo. Tudo parecia tão fora do comum que nem parecia o mesmo trajeto que percorro cerca de uma vez a cada quinze dias. Talvez porque em outras viagens estivesse sempre tão interessada em buscar o silêncio para a leitura (ou viajasse do outro lado, como preferirem) eu perdia de apreciar a bela paisagem.
Muitas das cenas eu queria poder envolver em papel laminado para consumir mais tarde, a conta-gotas... Campos verdes, flores amarelas, céu azul (qualquer possível analogia com a bandeira do Brasil terá sido mera coincidência)... A vaca que sorriu ao ver o ônibus passar (meu egoísmo acusa: ela sorria para mim, aquele sorriso era MEU!), ruminando um lanchinho gostoso... O lago que reflete o sol.... e que em algum pontinho ínfimo do sol, lá longe, bem longe, eu tinha a certeza de que o lago também estava sendo refletido... A casinha à beira do banhado, com árvores atrás e um gramado coberto de florezinhas amarelas ao lado... é lá que eu gostaria de morar... lá o tempo parece não passar. Tudo era tão meigo, e ao mesmo tempo tão perturbador.
E enquanto o mundo lá fora parecia sorrir a cada detalhe, o mundo a 80km/h estava um verdadeiro caos. Para variar, o ônibus estava lotado. Pessoas de pé, equilibrando-se a cada curva da estrada. Nos bancos ao lado do nosso (eu + minha irmã), havia um casal com uma menininha que a princípio parecia ser meiga, calma, dócil... (tudo é perfeito a priori). Mas lá pelo meio da viagem ela resolveu ser criança. Gritava, um misto entre "mãe" e "ai" (okay, talvez fosse apenas 'aaaaaaaaaaaahhh' disforme), e se escondia embaixo do banco. Sabe-se lá o que passava na cabeça desse ser, mas talvez ela estivesse imaginando que debaixo do banco havia uma caverna assustadora e escura, um lugar para onde ela não queria ir, mas que o sacolejo do ônibus a impedia que não fosse. Demorou um bom tempo para que os pais da criança percebessem que talvez a criança estivesse pedindo desesperadamente que a resgatassem, e a tirassem da entrada da caverna antes que a escuridão a sugasse. Depois de um tempo, voltou a reinar a calmaria. Mas daí metade do ônibus já tinha deixado de dormir com os gritos estridentes da garota, e outra metade (eu! eu!) abandonara a leitura para poder apreciar melhor o momento. É uma experiência surreal sair do meio de uma descrição de cultos de Candomblé no Brasil, por Umberto Eco em "Viagem pela Irrealidade do Cotidiano", para voltar ao mundo real e perceber que a viagem que se está fazendo é completamente doida (dentro e fora do livro).

[inclua aqui um espaço temporal de uma noite, uma madrugada e uma manhã, recheado de baboseiras da vida cotidiana, como jantar, dormir, acordar e almoçar...]

Já depositei meu voto (direto, secreto, universal, personalíssimo, e tudo o mais que diz no artigo 14 da Constituição Federal) no referendum. Espero que o meu candidato ganhe! :P (apesar de eu ser completamente contra esse referendo -- aliás.. por que eu votei? Por que resolvi encarar mais de 6 horas de viagem para votar em algo inútil?) -- E, como diz a Veja de daqui alguns dias (é bizarro recebê-la em casa antes das bancas).... acabou a brincadeira. Agora vamos falar sério: o que pode ser feito para de fato reduzir a criminalidade no país?

-- Daqui a pouco pego meu ônibus de volta. Torçam para que a viagem seja irreal. No livro ou no mundo à minha volta.

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sábado, 22 de outubro de 2005

  Dilemas morais II

Um dos palestrantes de ontem de noite (o da visão teológica, provavelmente) propôs sem querer um problema bem interessante para aplicar a teoria dos jogos.
Digamos que você esteja com um revólver carregado (esse exemplo seria duplamente ilegal no mundo feliz da vitória do SIM, mas tudo bem) e resolva atirar contra uma porta. Aí um amigo seu, em quem você confia plenamente, vem e diz estar seguro de que há uma pessoa atrás daquela porta. Você está prestes a desistir de atirar quando outro grande amigo seu vem e diz que, na verdade, não há ninguém atrás da porta, e o que o outro viu foi apenas uma sombra. Você confia plenamente nos dois. E aí, você atira ou não atira contra a porta? :P
Estamos então diante de 4 possibilidades de desfecho. Você pode atirar e ter alguém (-1), atirar e ser uma sombra (+1), não atirar e ser uma sombra (0) ou não atirar e ser alguém (+1).
O somatório nos mostra que é preferível não atirar (+1) do que atirar (0). Legal, não? Agora, alguém me explica o que isso tudo tem a ver com o aborto?! :P

--

Dúvidas sarcásticas à parte, esse Simpósio de Bioética foi bastante interessante. Valeu a pena sair da cama no sábado de manhã tão cedo. Apesar de o debate não ter podido ser pleno -- faltou, em ambas as oportunidades, alguém que fosse radicalmente a favor dos temas abordados --, teve ao menos a relevância de ser qualificado. Tanto o aborto quanto a eutanásia são questões complexas que não envolvem apenas as pessoas diretamente envolvidas (mãe e filho no primeiro, paciente terminal no segundo).
No caso do aborto, até que ponto a autonomia da mãe pode sobrepor-se à autonomia do filho? Desde que momento um ser humano é considerado humano e goza de direitos? Acabei me convencendo que o ideal é analisar o caso concreto. Eu sou radicalmente contra o aborto, jamais o realizaria. Mas não posso tirar o direito de alguém fazê-lo, principalmente nos casos de aborto sentimental (casos de estupro) ou anencefalia (aliás, nunca tinha visto uma foto de feto anencéfalo antes... é assustador... não sei como eu imaginava que fosse antes -- talvez com uma cabeça normal, mas oca -- mas ver um ser quase humano com uma cabeça pela metade foi uma experiência chocante).
No caso da eutanásia (e suas diversas variantes, que, no fim, são tudo a mesma coisa), também acho que vai sempre depender da análise do caso concreto. Eu não gostaria de ter minha vida abreviada. Por mais que se possa vir a sofrer com procedimentos médicos degradantes, é vida. Não se está atenuando um sofrimento, pois a pessoa não sentirá alívio -- e sim morrerá. Não sentirá mais nada. Não viverá. Ponto. Mas não posso impedir que alguém que prefira a morte à vida deixe-se morrer em paz.
Enfim, ambas as questões são muito controversas. E somente um debate amplo na sociedade (papel da mídia!!) pode fazer com que as pessoas tomem suas decisões de maneira mais consciente. Só assim essas condutas extremas poderiam ser liberadas. Até lá, só proibindo e contando com o esclarecimento [supostamente parcial] do médico de cada caso (e com o amparo da lei para os casos mais extremos).

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  Dilemas morais

Durante a palestra de hoje do "II Simpósio Sul-Rio-Grandense de Bioética" (pretexto pomposo para matar aula de Perspectiva Ético-Antropológica) eu só conseguia pensar em uma única questão fundamental:

O que o Snoopy faria em caso de morte cereBrown?

--

O tema dos debates era o aborto. Amanhã (também conhecido como "hoje de manhã") vão falar sobre a eutanásia. É interessante ouvir diferentes pontos de vista acerca de temas tão controversos (início e fim da vida...) :D



sexta-feira, 21 de outubro de 2005

  Sobre o nada

Até do nada é possível surgir algo:

"O nada terá sido uma espécie de animal indomável que a liberdade humana pressupôs, sempre que se sonhou absoluta." (Luís Carmelo em Nove Aforismos de Nada)



quinta-feira, 20 de outubro de 2005

  Ação X Emoção

Acordou. Quis voltar a dormir. Bocejou. Relutou. Irritada, deu-se por vencida. Esfregou os olhos. Esticou os braços. Levantou. Deu dois passos. Suspirou. Desligou o despertador. Apreciou o silêncio novamente. Dirigiu-se ao banheiro. Abriu o armário. Bocejou. Pegou a escova. Colocou a pasta. Escovou os dentes. Enxaguou a boca. Foi até a sala. Abriu a janela. Viu o sol. Sentiu o vento. Sorriu. Caminhou até a cozinha. Colocou água e pó de café na cafeteira. Abriu a geladeira. Pegou os frios. Fechou a geladeira. Parou no balcão. Partiu o pão. Preparou um sanduíche. Voltou à geladeira. Guardou os frios. Ouviu a cafeteira apitar. Serviu uma xícara. Mordeu o sanduíche. Tomou um gole de café. E percebeu que era domingo...

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Ao abrir a janela, certa manhã, Lili sentiu-se renovada. Esperava ver um dia feio, nublado e cinza, como houvera sido os outros da mesma semana. Mas, para sua surpresa, quando abriu a cortina deparou-se com um maravilhoso dia de sol. Não era um dia quente, deveras, mas o solzinho tímido cismava em aparecer por entre as nuvens, e ninguém poderia tirar de Lili a idéia de que aquele seria um grande dia. Sentiu o aroma suave das flores. Ouviu o piar dos pássaros, há dias abafado pelo tilintar das chuvas. Era tão lindo ver o sol novamente que desejava secretamente que chovesse mais vezes, só para poder desfrutar novamente de momentos mágicos como aquele. Estava prestes a ter uma epifania quando lembrou-se de que precisava correr. Tinha acabado de acordar, e no entanto já estava tremendamente atrasada.



  Conspiração

Parece idiota, mas no início do ano assinalei no calendário do meu celular a data de 20/10/05 (porque os números estão dispostos numa exata razão inversa de 2, e achei que era uma data bonitinha -- esteticamente falado). Vinte do dez do cinco. O que será que vai acontecer quando estivermos na metade da segunda hora, naquele momento do seu primeiro e vinte e cinco centésimos de segundo...?



  Harry Potter às avessas

Minha cicatriz do queixo tá coçando.



terça-feira, 18 de outubro de 2005

  O cunhado infiel

Isto é uma história irreal. Qualquer semelhança com pessoas, fatos ou acontecimentos reais poderá não ter sido mera coincidência (mas, mesmo assim, faça de conta que é :P).

Dorisgleison vinha arquitetando seu plano há meses. Estava decidido a matar Tércio desde o dia que o vira sair do bordel acompanhado de duas loiras. Na verdade, nem bem lembrava o motivo que o implantara essa certeza de que o cunhado deveria morrer -- se a raiva por saber que sua irmã estava sendo traída por um canalha infiel, ou se pela inveja de vê-lo andar pelas ruas altas horas da madrugada acompanhado de duas mulheres estonteantes enquanto ele bebia cerveja com amigos fracassados na calçada.
Dorotéia estava grávida, e isso pesou bastante na decisão de Dorisgleison de matar o marido da irmã. Mas ele resolveu que seria mais fácil trabalhar e sustentar o nascituro do que ver a moral da família ameaçada. Além do mais, ao invés de estar provendo o sustento da esposa, Tércio estava freqüentando bordéis de madrugada, o que reforçava a cafajestice do rapaz.
A idéia era simples. Como não tinha acesso a armas de fogo (isso mesmo -- esta história situa-se no hipotético, utópico e maravilhoso mundo da vitória do SIM \o/), e matá-lo a facadas ou estrangulamento seria óbvio demais, Dorisgleison decidiu que iria envenená-lo. Conseguiu com o Seu Jangão da esquina uma boa quantia de veneno de ratos sob o pretexto de, bem, matar ratos (que outra desculpa usaria? "preciso de um pouco de veneno para que eu possa matar o marido da minha irmã" era impraticável). Aí era só arranjar uma maneira de colocá-lo na comida, e Tércio morreria de forma lenta e sufocante (como dizia em letras garrafais no rótulo do produto, logo abaixo de uma caveira macabra e assustadora).
O problema era conseguir envenenar apenas a comida do cunhado. Não queria cometer o engano de matar a própria irmã, ainda mais estando ela grávida! Um duplo homicídio causaria remorso suficiente para umas três ou quatro vidas.
Dorisgleison era crente. E, para garantir sua entrada no paraíso, doou uma quantidade considerável de seus rendimentos para a Igreja, de modo que o pastor lhe assegurara um terreno no céu. Mas não queria arriscar. Lera no texto sagrado que matar os pais era crime escabroso, que levava direto ao inferno, sem escalas. E quanto a matar irmãs? Por tão caro, não valeria a pena arriscar.
Então ele decidiu que a única forma de executar seu plano seria colocar o veneno diretamente no prato de Tércio (e não na panela de comida, como o concebido originalmente no plano de assassinato, esboçado em um guardanapo de bar durante uma noite de bebedeira). Como não queria que o crime acontecesse depois que seu sobrinho nascesse (e dado o adiantado estágio da gravidez), Dorisgleison passou então a visitar sua irmã em ritmo regular, de modo a captar os detalhes que envolvessem o processo de preparação de alimentos. A irmã passou a desconfiar da presença do irmão quase todos os dias para almoçar, mas não reclamava. Afinal, era família. E família serve para essas coisas.
No começo, Dorisgleison sentia-se incomodado na presença do cunhado adúltero, mas com o tempo acostumou-se. Ao cabo de 2 meses, ele já tinha um esquema mental perfeito de como se processavam as refeições na casa da irmã, que incluíam desde as variantes do começo ao fim do mês (logo depois do pagamento, havia fartura na mesa, e à medida que se aproximava o fim do mês, a comida rareava), nos diferentes dias da semana (domingo era sempre o dia em que a comida era menos farta, em comparação aos demais dias da semana, e quarta-feira era dia de fazer feijão, que era requentado e retrabalhado ao longo dos demais dias da semana, e vinha a acabar novamente só lá na segunda-feira, quando esgotava-se também a criatividade de Dorotéia em fazer pratos com feijão requentado) e nos diferentes horários de refeição (o almoço era mais elaborado, enquanto que o jantar era sempre bem mais simples -- muitas vezes havia apenas um prato). Dorisgleison também observou que o cunhado tinha o estranho costume de separar a comida por cores no prato, e comer a salada na ordem das cores do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo e verde -- e provavelmente seguiria comendo azul, anil e violeta, caso houvessem verduras e legumes com essas cores). E também percebeu que Tércio parava de comer o feijão lá pela terceira ou quarta versão requentada, dando seu prato para o cachorro quando a esposa não estivesse olhando. Isso era importante, pois Dorisgleison não queria correr o risco de desperdiçar uma dose cavalar de veneno para ratos num cachorro bobo e patético como o Bob (onde já se viu, cachorros que gostam de feijão requentado?).
Dorisgleison decidiu que poria o veneno em algo vermelho -- assim o cunhado morreria mais rápido. Decidiu também que o melhor dia era quinta-feira, de preferência logo no começo do mês -- e na hora do almoço! Então Dorisgleison escolheu a data de 9 de março (de 2006, para já estar vigorando o patético resultado do referendo do Desarmamento :P) para dar fim à vida do cunhado. Visitou a irmã, como de costume. Foi-se ficando para almoçar. Falava de política e corrupção, de vez em quando, para disfarçar o nervosismo incipiente. E, por fim, inventou a esfarrapada desculpa de que devia aprender a fazer comida para parar de importunar a irmã, e foi para a cozinha observá-la a cozinhar. Dorisgleison até fingia estar prestando atenção, inclusive fazia perguntas bobas para manifestar interesse (do tipo, "quantas colheres de sopa equivalem a uma xícara de chá?") e seus olhos brilharam -- feito criança que ganha o brinquedo que esperava no Natal -- quando viu sua irmã pegar um punhado de tomates para montar a salada. Certo que aquilo seria a primeira coisa que Tércio ingeriria na refeição! Dorisgleisson, a partir de então, observou e analisou cada movimento da irmã meticulosamente, e, por fim, sugeriu que ela já montasse os pratos para servir à mesa, para facilitar a distribuição igualitária dos alimentos entre os que iriam comer (como o irmão era sempre muito justo, Dorotéia não objetou sua interferência, e seguiu a estranha sugestão como um conselho de um sábio irmão mais velho). Tércio chegou em casa no horário de costume (12h17), com um guarda-chuva debaixo do braço e reclamando que não chovera como dissera a previsão do tempo no dia anterior. Sentia-se um verdadeiro palhaço quando carregava o guarda-chuvas em dias de sol (...mas isso não vem ao caso) :P
Os pratos já estavam prontos, tapados com outros pratos e tinham sido posicionados delicadamente pelas mãos de Dorotéia no forno do fogão, enquanto esperava pelo marido. A idéia apareceu-lhe como um estalo, e Dorisgleisson ofereceu-se para levá-los à mesa enquanto marido e mulher conversavam na sala. Perfeito. Era só colocar a dose de veneno nos tomates de um dos pratos e posicioná-lo no lugar do cunhado à mesa. A única testemunha seria o idiota do cachorro (e, como isto não é um conto infantil, o cachorro não sabe falar). Dorisgleison apressou-se em colocar o veneno no tomate, e cuidou para que o mesmo se dissolvesse antes de dirigir-se à mesa. O tomate perdeu um pouco de sua cor (talvez por conta do efeito cáustico do veneno, mas isso é apenas uma presunção subjetiva), e Dorisgleison disfarçou colocando um pouco de feijão requentado com farofa por cima do tomate, cuidando para que parecesse displicentemente colocado, como uma verdadeira obra do acaso.
Na mesa, Dorisgleison lembrou-se de colocar o prato ligeiramente bagunçado na cabeceira. E então chamou a irmã e o irmão para comerem.
Dorisgleison não tinha muito interesse em comer. Ficou observando o cunhado, que se demorava muito em começar, como se pressentisse que iria morrer naquele dia, ao mesmo tempo que sabia que ele não tinha como sequer imaginar isso. Por um instante, ao ver a cara de sonso do cunhado diante do prato de comida, sentiu um pouco de pena, e quase se arrependeu do que estava prestes a acontecer. Mas em seguida a imagem dele saindo com as duas loiras do cabaré lhe voltou à mente, e detestou novamente o marido da irmã com todas as suas forças.
Finalmente, Tércio decidiu-se a comer. Começou pelo tomate, como previra Dorisgleison, que vibrava silenciosamente, aguardando o momento em que estivesse sozinho para poder celebrar.
Após a primeira garfada, Tércio pediu à mulher que fosse buscar sal na cozinha -- seus tomates estavam com um gosto estranho. Dorotéia prontamente atendeu. Não se sabe por que cargas d'água Dorisgleison resolveu ir junto à cozinha, mas Tércio ficou sozinho na sala, numa cena deprimente, saboreando seu tomate vermelho esmaecido ao som da TV caquética ao fundo.
E, quando Dorisgleison e Dorotéia estavam na cozinha, ouviram um estrondo muitíssimo alto, como se um avião estivesse caindo logo ao lado. Imediatamente, nuvens de poeira espalharam-se pela cozinha, e tudo de repente ficou cinza. O teto da sala desabou, e Tércio morreu esmagado.

Moral da história: em virtude de causa absolutamente independente e superveniente, Tércio morreu, mas Dorisgleison foi inocentado :D

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Conto em homenagem à semana oficial de recuperar aulas perdidas de Direito Penal: terça, quarta, quinta e sexta-feira \o/

P.S.: Para refletir:
- O cachorro sobreviveu?
- Tércio come beterraba?
- Alguém é fiel hoje em dia? :P
- Se Dorisgleison matasse a irmã por engano ele mereceria ser preso (erro sobre o agente não exclui a tipicidade), ou bastaria o remorso como pena para o resto da vida?
P.P.S.: Não sei escolher nome de personagens.
P.P.P.S.: O excêntrico exemplo "colocar veneno na comida de alguém e essa pessoa morrer em virtude de um desabamento exclui a imputabilidade" foi dado pelo professor hoje em sala de aula :P (A conduta de "A", embora ilícita, não é condenável, pois não foi causa direta do resultado morte em "B")
P.P.P.P.S.: Encare o texto também como uma leve crítica à fofíssima campanha do Sim pelo Desarmamento. Vai dizer que não é meigo um mundo onde as pessoas, ao invés de se matarem com armas de fogo, utilizem-se de meios alternativos felizes -- como mesas, garrafas de vidro, facas, rojões, arco-e-flecha, pedaços de pau e tomates envenenados -- para se ferirem uns aos outros?! :D
P.P.P.P.P.S.: Viva o post scriptum! \o/

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"Mas os textos nem sempre são tão maldosos e, em geral, tendem a conceder ao leitor o prazer de fazer uma previsão que se revelará correta." (Umberto Eco, em "Seis Passeios pelos Bosques da Ficção")

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domingo, 16 de outubro de 2005

  Nota rápida sobre o horário de verão

Eu estava achando que o tempo estava passando muito devagar [don't you hate the gerund?! :P], até me dar conta que hoje começava o horário de verão -- e tudo de repente ficou uma hora mais tarde.
Quero meus 60 minutos de volta!!



  Eu vi um coelho branco!

"Sentada, com os olhos fechados, quase acreditou estar ela mesma no País das Maravilhas, mesmo sabendo que quando abrisse os olhos novamente tudo voltaria a ser a chata realidade de sempre..."


Cheguei à conclusão que eu devia ter lido Alice no País das Maravilhas antes.

Como?

Tudo começou numa tarde ensolarada (sempre são ensolaradas as tardes das estórias! [oh!]) com uma inocente pesquisa sobre o que é Análise do Discurso. Aí no site onde obtive a resposta, encontrei um artigo legal, intitulado "Do Texto ao Hipertexto" de Alberto Lins Caldas (o blog dele é muito legal também... fala da liberdade de expressão e outros assuntos que também me interessaram). A epígrafe do artigo continha um trecho do livro Alice no País das Maravilhas, e ao longo do texto o autor retomava a análise do excerto apresentado.
Saí de lá com destino ao Google, onde procurei por sites que tivessem o livro "O Príncipe", de Maquiavel, para download. Acabei caindo no site da Biblioteca do Futuro da USP (que é bem legal, tem de tudo, até livros em áudio -- mas não tinha o livro que eu queria, ironicamente) e por curiosidade dei uma espiada na seção de livros traduzidos. Uma das poucas tradições disponíveis era Alice no País das Maravilhas, e, lembrando do artigo que eu tinha lido antes, resolvi baixar o livro e ler. Aí percebi que nunca na minha infância eu tinha lido essa versão (a original) do livro, e sim meras adaptações toscas, em desenho animado, filmes, livrinhos com figurinhas e tudo o mais. Aí me arrependi por ter crescido (longitudinalmente) tão depressa e quase saí correndo e gritando desesperadamente aos quatro cantos na esperança doida de que o grande maquinista dessa piada (a vida só pode ser uma piada!) me ouvisse e parasse essa roda gigante que é o mundo para que eu pudesse descer, voltar um pouquinho no tempo, apreciar a paisagem, e depois continuar rodando. Mas tudo bem. Ainda vou superar isso :P
Daí fui pesquisar sobre pensamento lateral para postar aqui no blog, e indo de site em site, parei num que recomendava o acesso ao site de um autor de livros de lógica (famoso por dar dicas para exames psicotécnicos) em cuja página inicial me deparei com frases e cenas do filme/livro Alice no País das Maravilhas, incluindo o gato do sorriso e o sorriso do gato.
O mundo dá voltas -- e eu estou tonta.

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Enfim... Alice no País das Maravilhas.

A história original é alegre, divertida. Pinta um mundo infantil bastante utópico, uma terra onde agir ainda não traz conseqüências. Você chega num lugar estranho, bebe uma garrafa de um líquido esquisito, e fica em tamanho reduzido. Mas aí é só dar-se conta que, se comer o bolo que estava no chão, você pode voltar a crescer. Mas cuidado! Se você não se controlar (porque o bolo é muito bom!) você pode crescer demais e bater com a cabeça no teto. E não adianta chorar, pois então você vai produzir um rio de lágrimas, e, quando voltar a diminuir de tamanho após pegar o leque e as luvas de coelho que passou correndo, terá de nadar muito para encontrar a saída. Não é um mundo perfeito? Não seria legal se tudo isso fosse possível? E é. A lição de Alice no país das maravilhas é que, na imaginação e nos sonhos, tudo pode acontecer! :D E Alice sente-se tão envolvida na história que chega a achar estranho quando as coisas acontecem de modo natural :P
Além disso, o livro é cheio de reflexões filosóficas, como na conversa de Alice com a lagarta roxa:

" Quem é você?”, perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.


Ou no papo toscamente ambíguo com o Gato:

“O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
“Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
“Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
“...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
“Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”


Alice é arrogante, e como toda historinha infantil, o livro tem músicas toscas e personagens bizarros antropomorfizados (coelho branco, falsa tartaruga, duquesa, rainha e rei de copas, chapeleiro, lebre de março :P). Mas, mesmo assim, o livro é muito legal -- do tipo que eu gostaria de ter lido na infância (*suspiro*) :P




E, como diz um outro artigo [tosco, mas legal] que encontrei por aí, sobre criatividade e inovação, "talvez seja essa uma alternativa, voltarmos a pensar como crianças para termos de volta o lado lúdico perdido."

Antes que eu enlouqueça... alguém tira do meu alcance a possibilidade de acessar sites altamente contagiantes como Wikipedia e Google?

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Obs.: Dica -- mais uma "maravilha tecnológica" descoberta via StumbleUpon... se você vai ao Google em busca de uma simples definição de algo pode pesquisar mais rapidamente usando o comando "define:" antes do termo a ser pesquisado. Isso poupa bastante o tempo perdido, porque pelo método de pesquisa tradicional você precisaria abrir vários sites até encontrar exatamente aquilo que busca. Ainda são poucas as definições disponíveis em português, mas sempre que procuro em inglês encontro o que necessito. Exemplo: pesquisa de "define:ASCII" dá como primeiro resultado "American Standard Code for Information Interchange" (Yes, nós temos bananas -- seguido de definições em português :P).
E o mais legal de tudo é que ele procura definições também dentro da Wikipedia :D

Três vivas para o Google! \o/ \o/ \o/

Obs.: Nenhum animalzinho foi sacrificado ou entrou em extinção para a elaboração deste post, mas foram acessados e lidos pelo menos vinte e três sites :P

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  Pensamento lateral

Num dia entediante qualquer cliquei no botãozinho do StumbleUpon e caí num site sobre Lateral Thinking (Pensamento Lateral). Lá havia uma breve explicação do que se trata, seguido de 20 probleminhas para serem resolvidos, com solução.
Segundo Edward de Bono, o pensamento lateral é a geração de soluções novas para problemas antigos. É a capacidade de adotar perspectivas diferentes para resolver os impasses do dia-a-dia. Enfim, é pensar diferente, mesmo diante de coisas comuns :)
Como na página que visitei já constavam as soluções dos problemas apresentados, não perdi muito tempo pensando em cada uma, e corri logo para ver a resposta -- por isso que das 20 só acertei 1. Mas como vocês que visitam este blog têm todo o tempo do mundo para pensar e refletir num domingo cinza e nublado como hoje... vou colocar as duas primeiras questões, sem resposta (e sem o link para a página que contém as respostas... :P rá!). Aí se alguém tiver interesse é só entrar em contato via comentário, scrap, sinal de fumaça [em dia nublado?], ou, sei lá, código morse [?], que forneço a respota correta... :D

1. Um homem mora no décimo andar de um prédio. Todo dia ele usa o elevador para descer até o térreo e ir trabalhar, ou fazer compras. Quando ele volta para casa, ele pega o elevador até o sétimo andar, e sobe de escada até seu apartamento no décimo andar. Ele odeia subir escadas, então por que ele faz isso?

2. Um homem entra num bar e pede para o atendente um copo d'água. O atendente aponta uma arma para o homem. O homem diz "obrigado" e sai. Explique.

[Obs.: Ri muito com a resposta da primeira. E a segunda, apesar de parecer absurda, tem uma resposta tremendamente lógica.]



sábado, 15 de outubro de 2005

  O plano malévolo da biblioteca da UCPel

É incrível o descaso da Universidade "Caótica" de Pelotas (UCPel) com relação aos livros. Antes eu achava que a Biblioteca de lá tinha um bom acervo de obras, e apreciava o fato de elas serem relativamente atualizadas (se comparadas às da pré-histórica Biblioteca da Faculdade de Direito/UFPel). Mas foi só eu resolver começar a ler esses livros para perceber que a realidade não é bem assim.
Como se não bastasse o fato (já bastante desencorajador) de a esmagadora maioria dos livros vir com anotações, trechos sublinhados, orelhas, marcas as mais diversas e manchas voadoras não identificadas, há uma lei de Murphy que diz que a vontade de ler um livro é inversamente proporcional às chances de encontrá-lo disponível para locação.
Hoje depois da aula de Perspectiva Ético-Antropológica fui com a Alessa na Biblioteca Central procurar alguns livros sugeridos pela minha mãe, e outros tantos que estavam na minha interminável lista de leituras. De todos que procurei (e não foram poucos!), só encontrei 3. Um deles só estava disponível na biblioteca de Jaguarão! (arrã... quem sabe eu vou lá buscar??), outro não foi localizado nas estantes (incompetência dos atendentes ou negligência dos alunos? :P), e o terceiro era o menos favorito da lista de "prováveis leituras de final de semana", mas tudo bem: ao menos ele existe. Peguei também um livro de um autor sugerido por minha mãe, mas não exatamente o livro que ela disse para eu ler (porque não tinha, é óbvio).
Mas o que mais chama a atenção é que não são livros raros, ou absurdos. Há falta de livros-chave para um curso de Comunicação Social! "1984" é um clássico de George Orwell. "Obra Aberta" do Umberto Eco está até na relação de bibliografia básica da disciplina de Semiótica!! "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, é outro clássico! Aliás, dias desses digitei na telinha localizadora de livros da biblioteca todos os títulos das bibliografias básicas de Semiótica e Teoria da Comunicação II. Não encontrei nem metade dos livros! E, pela lei de Murphy, os que não encontrei eram exatamente os que eu mais tinha interesse em ler. Estou começando a achar que isso é um plano maligno e malévolo para me fazer enlouquecer a partir da tentativa de me obrigar a ler livros com títulos sem graça e que nunca teria interesse em locar, mas acabo pegnado por total falta de opção... (Conspiração pura! :P).

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sexta-feira, 14 de outubro de 2005

  Ideologia nos meios de comunicação de massa

Um livro interessante que terminei de ler no feriado foi "Ideologia e Cultura Moderna", do sociólogo inglês John B. Thompson. Em uma linguagem simples, o autor esboça uma teoria social crítica, na qual coloca os meios de comunicação de massa numa posição central da vida moderna, dando especial ênfase à ideologia, presente tanto na mídia quanto nas relações intersubjetivas.
A ideologia aparece como algo que "serve para estabelecer e sustentar relações de dominação e, com isso, serve para reproduzir a ordem social que favorece indivíduos e grupos dominantes". Nesse sentido, "interpretar a ideologia é explicitar a conexão entre o sentido mobilizado pelas formas simbólicas e as relações de dominação que este sentido ajuda a estabelecer e sustentar". Comunicação de massa, por sua vez, aparece como "a produção institucionalizada e a difusão generalizada de bens simbólicos através da transmissão e do armazenamento da informação/comunicação". "Com o surgimento da comunicação de massa, o processo de transmissão cultural torna-se cada vez mais mediado por um conjunto de instituições interessadas na mercantilzação e circulação ampliada das formas simbólicas."
O que mais gostei na obra é que o carinha repete tudo tantas vezes que a gente acaba entendendo pelo cansaço. Isso é bom porque não há necessidade de ficar indo e voltando para tentar entender e associar o que foi dito em capítulos anteriores com o que está sendo explicitado no momento. Claro que isso faz com que o livro tenha lá suas mais de 300 páginas, mas quem se importa? :P O importante é finalizar um livro com o sentimento de que se aprendeu alguma coisa, independente do tempo que se levou para lê-lo... ;)
Ironicamente, o livro dá ênfase aos três dos meios de comunicação que eu mais odeio (rádio e televisão, na questão da comunicação de massa, e telefone, no tocante a comunicação intersubjetiva). Basicamente, de tudo o que o autor fala no livro, só me interesso realmente pela imprensa escrita. E em todo o tempo de leitura reinou aquele sentimento de "tá, mas e a internet?" (o livro foi escrito num período em que a Internet como meio de comunicação de massa ainda estava no plano das idéias -- 1990). Mesmo assim, o livro é muuuito bom.
Atualmente, o autor está pesquisando sobre as inovações na indústria de publicação de livros nos Estados Unidos e Inglaterra -- meio viajante, mas parece legal :) Fiquei com vontade de ler "Books in the Digital Age", obra dele publicada este ano, mas garanto que vai levar ainda uns bons mil anos para chegar aqui no Brasil... :/

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  Google Alerts

Servicinho interessante esse do Google Alerts. Você inclui temas que gosta e todo dia/semana o Google te envia e-mails contendo excertos de notícias que incluam a palavra desejada... Bastante útil.
No meu resumo de Technology de hoje vieram várias notas falando sobre a futura fusão dos MSN e Yahoo! Messenger. Até que ponto a união de empresas virtuais em gigantescos "conglomerados" pode ser prejudicial para o desenvolvimento da internet?? Ah, enfim... vai ser útil a união dos dois :P Pra que ter um monte de parafernália comunicativa se a gente no fundo acaba usando só uma? :)


P.S.: 100° post... Yay! *<:P~

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quarta-feira, 12 de outubro de 2005

  Fragmentos

Sabe quando você está fisicamente em uma festa, mas sua cabeça passa longe, bem longe? Sabe quando todos à sua volta bebem e você só consegue pensar em dormir? E, ironicamente, eu cheguei em casa agora e liguei o computador. Vá entender o que se passa nas minhas camadas internas de pensamento ¬¬
Estou notando que meu blog está se desvirtuando cada vez mais de seu caminho. O que há de jurídico ou jornalístico em postar sobre mim ou sobre sofás? :P
Aliás, até ius communicatio é um título equivocado. Eu não sabia que isso era uma expressão latina que quer dizer "comunicação de direitos" -- minha intenção era significar exatamente o oposto -- Direito de comunicar.
Antes que eu comece a postar receita de bolos (ou algo mais meloso ainda), vou começar a restringir o quantidade de textos. Afinal, a escolha dos assuntos a serem tratados aqui no blog merece contar com os requisitos do due process of law (aquele que assegura o direito à ampla defesa e ao contraditório). A regra é simples: um menor número de posts para uma maior qualidade dos mesmos. Nem vou submeter minha decisão a referendo (já que tá na moda usar dispositivos constitucionais sérios para consultas inúteis) porque minha única leitora assídua pode ser facilmente influenciável (é fácil ganhar uma eleição quando só se tem um único eleitor para convencer). :P

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Se nem eu mesma consigo ser fiel ao que proponho, como posso pretender influenciar as pessoas na futura e hipotética profissão de jornalista ou advogada? É, está na hora de rever meus conceitos... :P

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Falando em influenciar pessoas... a aula de hoje de Filosofia Geral e Jurídica estava bastante interessante (nunca pensei que eu fosse dizer isso um dia!)... O tema era a liberdade psicológica. Tipo, como podemos ser livres para pensar se nosso próprio cérebro, atuando por intermédio do superego, já cerceia nosso direito de pensar e expressar-se? Ele atua como uma espécie de censor moral, filtrando aquilo que pode emergir do inconsciente em direção à nossa consciência. Assim, a liberdade de expressão precisa se submeter ao jugo não só dos demais seres vivos em sociedade (regras de convivência apenas -- já que, tecnicamente, não há censura formal no Brasil), mas também de um dos próprios componentes de nossa psique!! De acordo com o professor de Filosofia (e com as teorias freudianas), basta que entendamos como funcionam os mecanismos da psique humana (em especial, os do superego) para que possamos pensar mais livremente (ao menos pensar -- a decisão de expressar-se, entretanto, ficará ainda submetida aos juízos de valor do ego (consciente). Também não dá para extrapolar e sair por aí postando em blogs anônimos :P É preciso ter coragem para afirmar aquilo que se diz!! Não basta a criatura se sentir livre para pensar, e depois não ter coragem de assumir aquilo que exteriorizou. Se não for para ser assim, então não tem por que se preocupar em driblar os censores morais naturais do superego...



segunda-feira, 10 de outubro de 2005

  Blogs anônimos

Site idiota que explica como entrar para a blogosfera e postar anonimamente. Um dos princípios da liberdade de expressão é poder dizer o que pensa (mas requer também que se tenha a capacidade de assumir aquilo que se diz...) Qual a graça de postar sem assinar? A liberdade de expressão termina onde acaba a coragem de se expressar de forma não-anônima.
Além disso, postar de forma anônima parece tão trabalhoso que o melhor mesmo é só dizer aquilo que se tem coragem de assinar (e guardar para si aquilo que não se tem envergadura moral para assumir publicamente)... :P

Obs.: encontrado via StumbleUpon.com.



sábado, 8 de outubro de 2005

  Propostas de referendos

Com a aproximação do utilíssimo referendo do desarmamento, passei a refletir sobre a urgência da realização de consultas populares acerca de temas igualmente relevantes para o interesse nacional... Pena que os governantes não se dão conta disso...

O referendo de armas de fogo deve ser realizado no Brasil?
Porque ninguém se questionou sobre a relevância de fazer uma pergunta cretina dessas à população nacional.

O comércio de veículos automotores deve ser proibido no Brasil?
Dizem que mata menos que as armas de fogo, mas quem acredita? Todos têm o direito de andar nas ruas sem ter medo de ser atropelado por algum motorista inescrupuloso! Nem que isso signifique ter de voltar a períodos pré-históricos onde o único meio de transporte eram os cavalos (e torcer que ninguém promova campanhas contra o maus tratos aos animais!)...

O comércio de CDs de Funk deve ser proibido no Brasil?
É preciso acabar com esse desserviço à moral pública do país! Abaixo a popularização de músicas que desmoralizam os indivíduos em letras totalmente promíscuas!

A exibição de programas idiotas deve ser proibido na televisão brasileira?
Estou sendo forçada a ouvir Zorra Total neste exato momento, por maioria absoluta (família reunida na sala). Ninguém merece!

A existência de professores medíocres que fingem dar aulas deve ser proibida nas instituições públicas e privadas do país?
Sem comentários. Tem gente que simplesmente não tem vocação (para usar um eufemismo) para o Magistério.

A existência de segundas-feiras com chuva deve ser proibida no Brasil?
Segunda fui para a aula com dois guarda-chuvas. Um quebrou e o outro virou. Grrr.

O comércio de passagens de poltronas de ônibus muito próximas ao banheiro deve ser proibido no Brasil?
Sexta-feira viajei de guardiã do WC. Fui comprar a passagem e me restavam as melhores opções possíveis -- poltronas 44, 45, 46, 47 e 48. Escolhi a 45 porque, ao menos, era uma janela. O ruim dos ônibus é que os últimos lugares -- além do fato já suficientemente trágico de ser em frente, ao lado ou na diagonal do banheiro -- não possuem ar condicionado. De fato, eles ficam situados abaixo da central de refrigeração do ônibus e, por uma ironia viária, não dispõem de buraquinhos de saída de ar. Talvez porque aí teriam que furar o próprio ar condicionado, o que seria algo completamente tosco (mas creio que possível). Aí o ar "puro" (reciclado, aquele ar que passa por todos, mistura todos os tipos de gripes existentes e imaginárias, e retorna geladinho) vinha dos bancos da frente em baforadas inconstantes, mas revigorantes. O ruim era quando alguém abria a porta do banheiro. Aí era preciso esperar mais uns 2 ou 3 minutos para que se fosse possível respirar novamente.

O comércio de sofás pesados deve ser proibido no Brasil?
E o meu sofá segue sem os seus pézinhos...

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  Sobre patos e Disney

O livro "Para ler o Pato Donald - Comunicação de massa e colonialismo", de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, é uma das críticas mais famosas ao grande império infantil construído por Walt Disney. Os autores chilenos falam mal de tudo, das cores dos cenários até à ausência de sexo na vida das personagens, e acabam exagerando em certos pontos. Mesmo assim, a leitura do livro é interessante. Principalmente para os fãs do universo Disney que tenham um mínimo de senso crítico.
Não dá para simplesmente concordar com tudo o que está dito na obra. Mas muito do que está ali é bem interessante. Os autores falam da ausência de estruturas familiares (há tios, sobrinhos, avós... jamais pais e mães; há casais de eternos namorados, mas parece que nenhum animalzinho tem coragem de assumir compromissos fixos), da falta de relações de produção no trabalho (há uma verdadeira exaltação do consumo; "só há setor primário e terciário no universo de Disney"), e de coisas toscas como o fenômeno da multiplicação dos gêmeos e trigêmeos (há uma predisposição enorme a fazer tríades de sobrinhos, com o exemplo clássico de Huguinho, Zezinho e Luizinho), e o culto ao ócio, que é apresentado nas historinhas como tudo o que mais pode se desejar na vida. Estranhamente, os autores elogiam bastante o personagem Mickey, por ser o único que não rege suas ações em função de si, mas sim pelos outros (o que poderia ser suficiente para taxá-lo de "tolo"). Por acaso o Donald é menos interessante por ser meio atrapalhado, ou o Tio Patinhas não merece relevo por ser avarento -- o que poderia ser traduzido por simples consciência [talvez um pouco exagerada] do valor do dinheiro? Ressalve-se: estamos falando de literatura infantil. Estamos falando de histórias em quadrinhos. Tem que ter um pouco de eufemismo, um pouco de antropomorfização... (talvez Disney tenha exagerado no número de patos, ou em certas suavizações da realidade do mundo, mas mesmo assim... é uma história infantil... ninguém ia querer uma criança de 7 anos aprendendo a ler e ao mesmo tempo refletindo sobre os princípios do marxismo...).
Não sei se todas as historinhas da Disney seguem esse tipo de linha teórica (a análise dos autores restringiu-se a edições chilenas de pouco antes da publicação do livro, em 1971), mas é interessante notar que tipo de coisa as crianças andam lendo na infância. Claro que não é o caso de condenar toda e qualquer HQ e declarar o fim da confiança nos meios de comunicação de massa. O ideal seria que todos tivessem consciência para selecionar aquilo que lêem :) (num mundo perfeito talvez isso fosse possível...).

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quinta-feira, 6 de outubro de 2005

  Roland Barthes, aleatoriamente

A importância de se contextualizar mensagens...

"Todos esses jovens fotógrafos que se movimentam no mundo, dedicando-se à captura da atualidade, não sabem que são agentes da Morte."
(A Câmara Clara, de Roland Barthes, pg. 137)

Arrã. Palavra de quem morreu atropelado por uma van de lavanderia ao sair de uma aula que estava dando na universidade, pouco tempo depois da publicação do referido livro...

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Cheguei à conclusão de que é mais divertido ler Barthes do que ter que fazer análises semióticas como as sugeridas por ele em "Elementos de Semiologia".

"Ver alguém não vendo é a melhor maneira de ver intensamente o que ele não vê." (Mitologias, de Roland Barthes, pg. 32). Até porque "nada é mais apaixonante do que ver em um olhar o mundo desabrochar de um sentido." (Dentro dos Olhos, O Óbvio e o Obtuso, de Roland Barthes, pg. 281). Sem falar que "hoje em dia, as imagens são mais vivas que as pessoas." (A Câmara Clara, de Roland Barthes, pg. 173). Mas tudo bem. O importante é que a fotografia é "uma realidade da qual estamos protegidos" (A Retórica da Imagem, em O Óbvio e o Obtuso, de Roland Barthes, pg. 36).

E viva as frases descontextualizadas!! \o/

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quarta-feira, 5 de outubro de 2005

  Registro histórico

Eu entrei no Google e esqueci o que tinha ido fazer por lá. Aí decidi escrever meu nome completo e pesquisar. Hoho... Encontrei isto. Confesso que cheguei a duvidar que fosse eu... hauahuaua :P



  Estatísticas

Aniversário do blog... Êêê! *<:P (faça de conta que isso é um boneco com chapéu de aniversário...)

2 meses (61 dias)
92 posts (1,5 por dia)
90 comentários
358 visitas (desde 07/09)
Primeiro post
Post mais divertido
Menor post (5 palavras em 34 caracteres)
Maior post (1823 palavras em 8241 caracteres)

Freqüência das palavras no blog:
9 "inútil"
9 "política"
16 "enfim"
19 "Semiótica"
24 "Constituição"
88 ":P"



terça-feira, 4 de outubro de 2005

  Tudo o que você nunca quis saber sobre a Mauritânia

A professora de francês pediu que a gente fizesse uma pesquisa sobre usos, costumes e cultura de algum país francófono qualquer. Em português, é claro (considere-se que faço francês há 1 mês, e tive no máximo 5 aulas -- e foi a apenas na última que a gente aprendeu o verbo être). Para não cair no convencionalismo de escolher um país sem graça como França ou Canadá, peguei o mapa dos países francófonos do livro e me decidi a escolher o país que tivesse o nome mais bizarro. A escolha recaiu sobre a Mauritânia. Então eu passei o domingo inteiro pesquisando tudo na internet sobre um país insignificante da África. E qual é a graça de ter todo um conhecimento inútil e não poder compartilhá-lo? :P Fiquem aí com o meu trabalho (não achei quase nada de usos, costumes, e coisas do tipo; por isso o texto se detém a falar sobre basicamente TUDO que tenha a ver com o país)...

P.S.: Eu nunca tinha entrado em um site árabe antes. É bem legal, tudo aparece invertido. Até a barra de rolagem migra da direita para a esquerda da tela :P hehe... Visitem o site oficial da Mauritânia em www.mauritania.mr ;)

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Países francófonos são aqueles que de certa forma encontram-se ligados à França por laços culturais ou pelo idioma. A Mauritânia, uma ex-colônia francesa na Àfrica, recebeu muitas influências da França ao longo da sua história. A curiosidade em pesquisá-la surgiu da irreverência do nome país, e do profundo desconhecimento que normalmente se tem sobre ele.
O nome vem do fato de o território ter sido antes ocupado por mouros (Mauritânia é "terra dos mouros", em latim). E a relação com a França advém do fato de a Mauritânia ter sido colônia de exploração francesa entre 1908 (ou 1920, de acordo com a Embaixada da Mauritânia em Washington) e 1960 (a independência é comemorada no dia 28 de novembro).
A República Islâmica da Mauritânia tem 3 milhões de habitantes. É banhada pelo Oceano Atlântico a Oeste, e faz fronteira com o Saara Ocidental, Mali e Senegal. A capital do país é Nouakchott, com cerca de 600 mil habitantes. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês (utilizado basicamente para comunicações oficiais). Outras línguas e dialetos também são faladas na região, como hassniya, soninké e oulof. A religião predominante (100% da população) é a muçulmana. A moeda é a Ouguiya. A Mauritânia é uma República unitária, e seu regime de governo é o presidencialista.
O lema do país é Honneur, Fraternité, Justice (Honra, Fraternidade e Justiça), e as leis vigentes são uma combinação da lei islâmica com o código civil francês, o que reforça a influência francesa sobre a nação. Há o presidente e um Conselho de Ministros. O primeiro Ministro, escolhido pelo presidente, é Sidi Mohamed Ould Boubacar (desde 7 de agosto de 2005). O Presidente do Conselho Militar para Justiça e Democracia é Elv Ould Mohamed Vall. O presidente do país, Muauía Uld Sidi Ahmed Taya, foi deposto pelo Conselho Militar para a Justiça e a Democracia em agosto deste ano, após mais de 20 anos se mantendo no poder através de eleições fraudulentas e de um regime autoritário.
O país está localizado a noroeste da África. Dois terços do território é ocupado pelo deserto do Saara (onde predomina o clima quente e seco, e vegetação de planícies cobertas por dunas de areia). A atividade agrícola é exercida apenas numa estreita faixa de terras ao sul do país, ao longo do Rio Senegal (única fonte de água potável do país) e concentra-se no cultivo de cereais e tâmaras, além da pecuária. A extração de minério de ferro - produto do qual a Mauritânia tem uma das maiores reservas do mundo - e a pesca marítima são as principais fontes de receita. Gesso, cobre e fosfato são outros recursos naturais explorados no país.
A Mauritânia é o 28° maior país do mundo, com uma área de 1.030.700km². Os recursos aquáticos são desprezíveis (apenas 300km² da área total do país). Há 754km de litoral. Podem ocorrer tempestades de areia e ocorrem secas periódicas. As cidades concentram-se nas margens do único rio do país.
A expectativa de vida da população é baixa (52,73 anos). A taxa de alfabetização é de 41,7%. Metade da população vive abaixo da linha de pobreza. O desemprego atinge 23% da população economicamente ativa do país. E a taxa de fertilidade é de 5,94 filhos por mulher!
Em termos tecnológicos, o país vem tentando crescer cada vez mais. Em 2000, havia 20 mil linhas telefônicas e 14 mil telefones celulares, 360 mil rádios e 1 emissora de televisão. A Universidade de Nouakchott dedica-se à pesquisa de Ciência e Tecnologia, e é também quem cuida do registro de domínios .mr na internet.
A cultura do país é bastante rica. É na Mauritânia que nasceu Abderrahmane Sissako, cineasta famoso por filmes como o premiado "Heremakono" (À Espera da Felicidade) e "A Vida sobre a Terra" (este último retrata o contraste entre a Europa e a África, e o massacre econômico e cultural operado pela primeira sobre a segunda).
Os descendentes dos povos árabe e bérbere são a maioria no país. No passado, eram principalmente nômades, o que explica as influências do sul da África e do Deserto do Saara, bem como de tradições árabes, em sua cultura. O tuaregue é um dos últimos povos nômades do mundo. Alguns membros desse povo ainda vivem como pastores, atravessando o deserto do Saara em caravanas de camelos. As mulheres vestem tradicionais túnicas de índigo, que incluem o tagilmust (turbante que cobre o rosto delas a fim de protegê-las do sol) e a espada. Eles falam tamarshak, um idioma bérbere.
O hino nacional da Mauritânia foi feito a partir de um poema de Baba Ould Cheikh, um poeta e líder religioso do país. Foi escrito por volta do fim do século XIX e adotado como hino em 1960, na ocasião da independência do país. A bandeira foi escolhida em 1959. As cores verde e dourada são consideradas cores pan-africanas. O verde é a cor do Islã, e o dourado simboliza as areias do deserto do Saara. O crescente e a estrela são símbolos do Islã - maior religião do país. Seria o equivalente à cruz para o cristianismo. Esses símbolos também estão presentes nas bandeiras de vários outros países que adotam a mesma religião, como o Egito, o Paquistão, a Turquia, etc.




segunda-feira, 3 de outubro de 2005

  Como desembalar um sofá com uma tesourinha de primeira série

Chegou meu sofá novo. Tive um trabalhão para desembrulhá-lo, mas valeu a pena.
Primeiro, os carinhas da entrega chegaram beeem antes do planejado. Era para eles virem de tarde. Mas parece que 10 da manhã tem sido um horário recorrente para entregas de lojas felizes que combinam de entregar à tarde (o mesmo ocorreu com máquina de lavar, semana passada... estranho... parece um complô para não encontrar as pessoas em casa e declarar os itens comprados, pagos e carimbados como entregues... é conspiração pura!)... -- E-e... e se eu tivesse aula? Eles acham o quê, que fico a manhã inteira em casa, na maior várzea? Deu acaso de hoje ter sido a segunda chamada de Constitucional e eu já ter feito a prova... Mas tudo bem. Dessa vez passa (não que eu pretenda comprar muitos sofás nos próximos dias..).
E então os rapazes da entrega simplesmente largaram o sofá em pé, no meio da minha sala, e me abandonaram. Pelo visto eles ainda tinham muitas entregas pela frente. Os carinhas da máquina de lavar, ao menos, tiraram a embalagem dela antes de ir embora. Os do sofá foram malvados. Malévolos. Cruéis. Frios. Calculistas. Déspotas. Tiranos. [insira um adjetivo tosco aqui]
Quando me vi só, com um sofá-troglodita de 2 metros de altura embalado em um pano, um plástico e um papelão, quase me arrependi de morar sozinha há mais de um ano. Aí respirei fundo. O que fazer? Subi em uma cadeira, e percebi que o pano (o ectoplasma do sofá) estava tão bem amarrado que não haveria outra solução senão cortá-lo. E quem disse que tenho tesoura, ou qualquer outro instrumento cortante? Encontrei uma tesourinha amarela, dessas de primeira série do Ensino Fundamental (sem ponta, sem fio, sem função alguma), subi em cima de uma cadeira, e comecei a cortar. Tirar o pano foi fácil. Ele estava solto. Foi só cortar e arrancar fora. Beleza.
O estágio 2 foi partir para o papelão (mesoplasma? mesoderme?). Simples. Ele estava solto também. Foi só puxar um pouquinho ali, levantar uma pontinha aqui... E em instantes eu estava diante da maior pilha de pano e papelão já vista na vida! Se fosse São João, dava para fazer uma fogueira! (\o/)
E então é que veio a complicação. A terceira camada envoltória do sofá (endoplasma) estava grampeada (isso mesmo, grampeada!) no forro inferior do mesmo. E não eram grampos comuns, eram supergrampos criados a Toddynho! Arrancar o plástico, firme e resistente, com as próprias mãos seria impossível. Tesourinha nele! Mas quem disse que foi fácil? Nossa... Tive que recortar toda a volta do sofá. No meio do caminho, acabei colocando o sofá deitado, em sua posição final, achando que isso facilitaria o processo. Que nada! Até piorou. Descobri que não tenho força para levantar um sofá de 3 lugares por tempo superior a 3 segundos (e a 7mm do chão). Recortei o máximo que pude. O sofá ficou com umas pontinhas de plástico saindo pra fora nos lados (é impossível arrancar os megagrampos sem levantar o sofá!), mas como não pretendo receber muitas visitas nos próximos, sei lá, mil anos, vai ficar assim mesmo (a menos que eu milagrosamente adquira força nos músculos com a minha vida sedentária e aprenda gradualmente a levantar o sofá, até o dia em que consiga erguê-lo a 1 metro do chão pelo dedo mindinho e vá para o Faustão ganhar sei lá quantos mil reais no tal do Se Vira nos 30).
Com tudo feito, ainda tive que me livrar da quantidade imensa de entulho acumulada. Era tanto plástico, papelão e pano, que dava até para juntar tudo, forrar com um tecido colorido, e declará-lo um pufe. O material todo encheu até a boca um daqueles sacões de lixo (que, por sinal, são um afronta à natureza!) de 100 litros de capacidade. Por pouco consegui enfiá-lo (metê-lo, introduzi-lo, empurrá-lo 'guela' abaixo...) dentro das naves espaciais (trequinhos de separação de lixo orgânico e lixo seco, embora na hora da coleta tudo seja misturado novamente).
No fim, até foi divertido. Só achei o sofazinho meio pequenininho, esmirradinho, baixinho... bem... inho... mas quem se importa? Ao valor dele, agrega-se a possibilidade economicamente incalculável de poder dizer "Gostou? Fui eu quem instalei". E não tive jeito de conseguir encaixar os pézinhos dele na parte de baixo -- além de ser humanamente impossível erguer o sofá para este fim, quando ele ainda estava em pé também não encontrei onde encaixá-los.

Galeria de fotos:
1. pilha de plástico, tecido e papelão 2. o sofá (tã dã! :D) 3. recortando um dos lados 4. recortando o outro lado 5. os pézinhos 6. a ponta de plástico aparecendo 7. a tesourinha 8. vontade de cortar o sofá inteiro... 9. a sala, com o entulho 10. a sala, sem o entulho




domingo, 2 de outubro de 2005

  Desarmamento 3

Hoje eu estava lendo o livro "Dos Delitos e das Penas", de Cesare Beccaria (livro este que eu devia ter lido há vários meses atrás para um trabalho de Direito Penal sobre o período do humanismo, e um certo sentimento de culpa misturado com remorso por ter apresentando um trabalho sem nunca ter lido o texto antes me impeliu a lê-lo mesmo com todo o atraso, mas isso não vem ao caso...) e lá no meio dele encontrei o posicionamento do autor acerca do desarmamento (é possível enlouquecer pensando obstinadamente em um único assunto?)

"Podem igualmente considerar-se como contrárias ao fim de utilidade as leis que proíbem o porte de armas, porque apenas desarmam o cidadão pacífico, enquanto que deixam a arma nas mãos do criminoso, muito habituado a violar as convenções mais sagradas para respeitar aquelas que são somente arbitrárias. (...) Essas leis apenas servem para aumentar os assassínios, colocam o cidadão indefeso aos golpes do criminoso, que fere mais audaciosamente um homem sem armas; favorecem o bandido que ataca, em detrimento do homem honesto que é atacado."

(Diga-se de passagem, o porte de armas já está proibido no Brasil há um baita tempo... e olha que esse posicionamento é de um cara que lutava pelo fim de coisas arcaicas como penas de morte cruéis e execuções em praça pública, em 1764!!)...

De qualquer maneira, recomendo a leitura do livro. Se possível, prefiram alguma edição com tradução menos tosca que a dos livrinhos felizes da Martin Claret.

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  O fantástico mundo dos móveis

Para fazer companhia à nova máquina de lavar, acabei ganhando também uma estante e um sofá para a sala. Só que esses singelos itenzinhos novos provocaram mudanças substancias na [in]decoração do meu apartamento...
Da máquina já falei aqui. Ela reduziu em 90% o espaço útil da minha área de serviço. Mas quem se importa? :P Já lavei tanta coisa que é como se eu já tivesse ela desde sempre.
As alterações maiores foram na sala. A estante velha foi desmembrada em inúmeros pedacinhos, virando uma mesa para televisão, um baú tosco para a área de serviço e uma prateleira a mais para a estante nova. E ainda sobrou alguns pedaços de madeira, que provavelmente ganharão algum tipo de utilidade pelas mãos criativas do meu pai :P
Também foi alterada a disposição dos móveis na sala. A estante trocou de lugar com a mesa. Agora, tenho que chegar em casa ao contrário. Ao invés de abrir a porta e virar para a esquerda, colocar as coisas sobre a mesa, e migrar para a direita (em direção ao meu quarto), vou ter que abrir a porta, virar para a direita (que é o lado onde está a mesa agora) e, bem, seguir indo para a direita, porque por mais que meus pais malévolos tivessem um plano maligno de trocar a mesa de lugar, o meu quarto eles (ainda) não conseguiriam tirar de onde está (hoho). Talvez num futuro não muito remoto isso seja possível...
O sofá novo chega amanhã. Tive que ser uma boa negociadora para ganhá-lo agora. O problema era o que fazer com o velho e bizarro sofá xadrez preto e branco da sala. Meu pai conseguiu enfiar o de três lugares no "quarto de hóspedes" (ao lado de uma cama de casal -- ninguém imaginava que o quarto fosse tão grande para caber os dois lado a lado, ao comprido). Mas para não atravancar o resto da casa, vou ter que me contentar com um sofá novo e um sofá velho na sala. Menos mal que combinam. O novo sofá será branco. E minha irmã mais velha ficou de me dar um pufe de uma variante de alguma cor qualquer do arco-íris (voto no verde limão!! :D). Aí eu vou ter finalmente uma sala sem cheiro de naftalina e que tenha a minha cara (se é que é possível que alguém tenha cara de sala) :P
P.S.: Escolhi meu sofá pelo catálogo de ofertas do Ponto Frio que veio encartado na edição de domingo passado da Zero Hora. Espero que ele seja, no mínimo, parecido com o da foto :P hauhauhaua



sábado, 1 de outubro de 2005

  Desarmamento 2

Meu texto sobre o desarmamento de alguns dias atrás está horrível :P Sinto-me na obrigação de "corrigi-lo"...
Em primeiro lugar, como disse o Timm, via comentário, acabei me equivocando e esquecendo o motivo principal por esse referendo ser idiota: a votação é apenas quanto à comercialização de armas de fogo e munição. O porte já está proibido para todos, e não é objeto de votação. Mesmo que ganhe o não, as pessoas não poderão andar armada por aí. Apenas vão ter a oportunidade de adquirir armas de fogo de forma legalizada (como se a aquisição por meios ilícitos não fosse até mais fácil!).
Tem ainda o lado da pergunta cretina do referendo, que por si só já é tendenciosa. Com "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?", parece que o governo nos está induzindo a optar pelo sim. A pergunta é confusa. Fala-se em comércio, ao invés de simplesmente referir-se a "venda". O verbo, no futuro do presente, dá idéia de certeza, de algo provável de acontecer... (bem diferente do efeito de um "deveria", que passa a idéia de possibilidade)...
Há também outra grande questão a ser levantada quanto aos gastos exorbitantes em se fazer uma votação completamente desnecessária. Tudo bem que se façam referendos e plebiscitos no Brasil. Mas gastar quase 1 bilhão para votar algo que, ganhando ou perdendo, não vai mudar em nada a vida dos brasileiros? Isso vai fazer com que as pessoas passem a crer cada vez mais que a democracia participativa não funciona no país. A iniciativa popular já é uma piada. Nossos representantes no poder não têm se mostrado muito confiáveis. O que nos resta?

Vou votar não. Até porque não vejo mal nenhum em se ter um revólver em casa, para defesa própria. Na verdade, era isso que eu defendia no meu texto, sem saber que isso era o não... hauhauhaa :P

Obs.: Para quem ainda quer entender como funciona o referendo, a página do Senado sobre o assunto é bastante didática. E agradeçam ao Santo Google das Causas Impossíveis :P



  Reciclando idéias antigas

O texto abaixo foi escrito no começo do ano. A idéia era fazer uma espécie de transcrição literal do que se passava na mente de um homem momentos antes de confessar um crime. O que, é claro, ficou uma droga. Relendo percebi que tem muita contradição interna, do tipo.. Fórum aberto num sábado? ¬¬
Bom, se alguém tiver interesse em ler... vá em frente. Do contrário, valeu por ter lido até aqui :D


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Ãn... Não... Grrr. Onde é que tá essa coisa? Aaah. Ufa. Em cima da mesinha. É só levantar, desligar. Oh, hoje tem sol. Tá, eu já vi que é dia, já sei que são 7h30. Que barulho irritante! Calçar chinelos, ai meus olhos. Roarr. Pronto! Silêncio novamente. Hm. Voltar a dormir? Acordar? Argh, hoje tem aqueles lances idiotas do inventário da Linda. Escovar os dentes, cagar um pouco, ler o jornal. Jornal. Será que diz alguma coisa do crime? Porta. Barba! Acho que não fiz a barba ontem. Hm. 7h32.
Ué, cadê o jornal? Bah, que burrice, hoje é Sábado! Não tem jornal. Não. Mas e se nos outros jornais sair algo sobre o fato? Dá para comprar um ou dois na banca mais tarde. É. Vai ser isso que vou fazer. Já sei! Vou me vestir antes de fazer a barba, assim ganho tempo. Hoje preciso estar impecável. Hm... vantagens de se deixar a roupa escolhida de um dia para o outro. Odeio essa camisa verde. Mas é a mais chique que tenho. A ocasião pede. Ainda se usa calça com frisos? Era aquela tonta que via esse tipo de coisa pra mim. Nah, chinelo não, tem de ser sapato. Formalzinho. Tá quente aqui neste closet. Aqui está melhor. Grrr esse cinto. Fecha, porcaria! É. Isso. Escovar dentes, barba. Antes, vou tirar água dos joelhos. La la la. Aaah, só de enxergar aquela lâmina em cima da pia, já me dá arrepios. Nossa, quanto mijo! Sabia que não era boa idéia tomar tanta água antes de dormir. Pronto. Dentes. Aaah, essa lâmina! Pasta, escova, pasta na escova, tudum tuntz. Agora é hora da tortura. Dia sim dia não, hoje é sim, ontem foi não. Amanhã não tenho de fazer isso. Essa lâmina me lembra da Linda. Das últimas horas de Linda. Ela era tão feia, por que os pais puseram o nome de Linda? Se bem que aquela carinha, sob determinados ângulos, hmmmm. Cadê o creme?
- AI!
Droga! Me cortei. Vai ficar marcado, odeio isso. Argh. Dedo. Sangue. Não posso manchar a camisa... Linda! Aaah. Aquele monstro! Não. Será que até na morte ela vai me aterrorizar? Já não bastava o casamento forçado? - Aiii. Tssss. Outro corte. Não é possível. Preciso me concentrar. Barba. Manter a boa aparência, de marido bonzinho. Ninguém duvidará de mim na abertura do inventário. Barba bem feita, alguns cortes recentes do rosto. Isso! Tadinho, não conseguiu se concentrar. Ah que susto! Que hora pra tocar a campainha. Quem será? Ah, mas se for mais algum parentezinho tolo vindo das os pêsames, eu juro que mando longe. Onde já se viu incomodar os outros a essa hora da manhã? Devem ser o quê, umas 20 pras 8? Roupas. Que insistência! Já vou, já vou. Ahh. Claro que não ia abrir, tá trancada. Pronto. É só girar ali e.
- Meu amigo!
- Oh, que surpresa.
Que saco esse cara. Nããão. Ninguém merece. O que será que ele quer?
- Aww essa carinha. Venha cá, me dê um abraço. - Só você mesmo.
Que coisa mais gay. O que ele quer?? Será que ninguém entende que eu não sou o pobrezinho do cara que ficou viúvo de uma hora pra outra? Que a Linda não significava nada pra mim! Droga!
- Então, como está? Sinto muito pelo que aconteceu. Resolvi passar aqui logo cedo antes do trabalho pra te dar uma força, ver como você está.
- Oh, quanta consideração. Estou bem. Melhorando.
- Você tá jururu, isso sim. E em seu rosto, esses machucados? Ninguém te deu liberdade pra falar assim comigo, crioulo. - Pois é, cortei fazendo a barba. Acho que acabei me envolvendo, pensando no que aconteceu com a pobre Linda, e me machuquei.
Desculpa esfarrapada. Sorria. Ele não pode perceber. Eu estou bem. Estou cool. Tudo deu certo. Alright. Ele não tem como saber o que se passa na minha cabeça. Rá! Não faça essa cara de que sabe o que está acontecendo. Você não sabe! Não tem o direito de saber! - Sei bem como é isso. Mas logo passa. Se precisar de ajuda, pode contar comigo e com o pessoal lá do escritório. - Você sabe que isso significa um monte pra mim.
Tomara que vocês morram! Ninguém precisa de um bando de caras idiotas! Nunca mais vou precisar de vocês, bastardos! Com a herança que vou receber, serei rico. Rico. Rico! Hahaha. Ele tá olhando pra mim. Ainda. Rápido! Desvio de atenção. Ãn... Perguntar sobre o tempo? Como ele vai? - Bom, a visita era rápida mesmo, preciso ir. Ufa.
- Está bem então, fico feliz que tenha vindo. - Se precisar, é só chamar. Até mais.
- Até.
Rápido! Preciso fechar a porta. Trancafiá-la. A fechadura, a tranca de cima. AH! Some! Sai assombração! Acho que se foi. Será? Não dá para ver nada pelo olho mágico. Canalha! Cínico! Como pode fazer isso? Ele nunca gostou de mim. Ninguém daquela corja jamais deu bola para mim! Grr. Nossa, já são 10 pras 8. Não vai dar tempo de cagar. Bom, nunca desce mesmo. O tempo tá correndo. Preciso ir! Abertura do inventário às 9h. Abertura do inventário às 9h. Lanche, 15 minutos. Dá tempo. Mas e se houver trânsito? Nah. A essa hora, dificilmente. A menos que haja acidente. De manhã? Quem é que bebe de manhã é sai matando no trânsito? Hehe. Ai. Morte. Linda. Ela morreu, eu triunfei. Herança, dinheiro, money, dindim. E se alguém desconfiar? Se alguém descobrir? Não.. foi tudo bem feito.... Eles sabem! Estão adiando a hora de me mandarem pra cadeia. Só pode! Por que o Edmundo sujismundo viria aqui de manhã? Pra rir da minha cara! Só de me ver, ter certeza de que cometi... I didn't kill my wife! Ela se matou, aquela burra. Meteu a faca na própria barriga, nove vezes. Caiu. A poça de sangue. Não! Pensamentos bons. Me vestir. Café da manhã. Sair. Aliás, que belo dia lá fora. É. Está tudo tão belo.
Preciso comprar algum jornal, tomar café. Eu sou o bom, bom bom... Ah! A TV! Como eu não tinha pensado nisso antes? Deve ter alguma coisa. Café. Nah. Hohoho, noticiários matinais. Nada. Nada. Nada. Insensíveis! Oh, pobre menininho. Perdeu a mãe na enchente. Enchente em São Paulo desabriga 20 famílias e mata 3 pessoas. Coitado. Eu sempre quis ter um filho, e aquela anta nunca conseguiu ter um. Que raiva! Grrr. Ahh. Não posso perder tempo. Outro canal. Hm. Tiroteio no Rio. Nah. Oh, meu amor por você será eterno. Eu não amo o Robinson, eu amo você! Que chatice esses programas. Argh. Chega! Jornal impresso continua sendo a melhor opção. O Dia. Folha. Aquele que sempre esqueço o nome. Bah, qual é o nome mesmo? Ah ah ah. A Linda adorava. Linda. Sangue. Sofá vermelho. Não! Preciso sair logo. Cadê minha carteira? Cheguei, vi tv, tomei uísque, botei a chave no console, e a carteira deve estar... aqui! Ótimo. Carteira, chaves. Acho que isso basta. Hm. Podia 'acidentalmente' esquecer de alguma coisa, para parecer que estou atordoado. Pobre maridozinho. Isso! Mas o quê? É o bom, bom, é o bom. Que saco essa música que não sai da minha cabeça! Hmm. As chaves não dá para esquecer. Preciso do dinheiro da carteira. Ah rá! Já sei. Posso me apresentar com a roupa toda desengonçada. Dizer que era Linda quem reparava nesses detalhes, se alguém perguntar. Dá até para chorar dizendo isso. Preciso ensaiar. Cara, é perfeito! É o bom, bom. Horas? Será que dá tempo. 8h05. Ei! Eu posso esquecer do relógio e chegar atrasado. Melhor ainda! Esquecer do relógio e chegar desengonçado, com uns 10 minutos de atraso. Yes! Mas só por garantia, vou levar o relógio, e deixá-lo no carro. Isso. Cara, eu preciso dar aula! Sou expert. O máximo. Woohoo. Crime perfeito, desculpa perfeita. Ninguém desconfiou de mim em nenhum instante! Linda está morta, me dei. Eu matei uma mulher. Assassino. Crápula! Aaaaaah. Não! Chega disso! Eu vou ser feliz agora. Dinheiro, mulheres bonitas e férteis. Tá na hora de ir. Falta pouco para começar a minha nova vida. Espero que ela tenha deixado dinheiro pra mim no testamento. Que ingenuidade! Pra quem ela deixaria? Iurru. Eu sou o bom, bom, bom. Putz. Começou a chover. Vou ter que ir logo, antes que as ruas alaguem. Talvez dê para tomar café perto do fórum. Deve de ter algum lugar por lá, fala sério. Wee. Que saco ter de fechar todas essas trancas. Será que algum ladrão vai querer me assaltar antes de escurecer? Espero que esse treco não demore muito pra passar. Se bem que eu mereço ser assaltado. Haha. Ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão. Bobagem. Só falta trancar ali embaixo, girar, girar. E... esqueci a chave do carro de lado de dentro. Po, que cabeça a minha. Laralala. É o bom, bom. Onde está a chave? Ah sim, na estante do hall. Lugar de sempre. Preciso mudá-la, caso algum ladrão resolva assaltar a casa. Pelo menos o carro não leva. Nunca se sabe... Hoje em dia, tanta violência. Por que essa tranca de baixo sempre emperra? Rrrrr. O portão tá quase aberto. Hm. Yes! Meu carrinho possante. Vermelho power. Sangue. Aaah. Pensamentos aterrorizantes, não. Chega disso. Tecnicamente, eu não matei ninguém. Opa, bati a porta muito forte. Esse cheiro. Ainda tem o cheiro dessa víbora! Mas isso se resolve. O importante é que o carrão dela agora vai ser meu. Meu. Só meu. Wheel. Bye, bye, home sweet home. Hora de brilhar, no papel de o marido bonzinho. Você me matou, seu idiota! Olha aqui, olha aqui. Estou sangrando. Nada vai ser seu. Eu estou ficando louco! Alucinações, uh. Dobrar à esquerda aqui, hm, ótimo, peguei a droga do sinal no vermelho. Vai levar uma eternidade pra ficar verde de novo. Dizem que sempre que a gente olha pro carro do lado no sinal vermelho, a pessoa está tirando caca do na-. Ew! Eca. Cada coisa. Pa pa ra ra pa. É o bom, bom. Nah, qualquer coisa menos essa música. Vou para o centro, ou direto pros lados do fórum? No meio do caminho deve ter alguma banca de jornal, lanchonete para o café da manhã. É. Vou indo na direção do fórum para não perder tempo. Uau, 8h26. O tempo passa, o tempo voaaa... E a poupança Bamerindus.... nem existe mais. Sinal verde. Beleza! Aqui vou eu. O próximo milionário da parada, iúpi. Pisando fundo numa possante Porsche vermelha.


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