sábado, 8 de outubro de 2005

  Sobre patos e Disney

O livro "Para ler o Pato Donald - Comunicação de massa e colonialismo", de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, é uma das críticas mais famosas ao grande império infantil construído por Walt Disney. Os autores chilenos falam mal de tudo, das cores dos cenários até à ausência de sexo na vida das personagens, e acabam exagerando em certos pontos. Mesmo assim, a leitura do livro é interessante. Principalmente para os fãs do universo Disney que tenham um mínimo de senso crítico.
Não dá para simplesmente concordar com tudo o que está dito na obra. Mas muito do que está ali é bem interessante. Os autores falam da ausência de estruturas familiares (há tios, sobrinhos, avós... jamais pais e mães; há casais de eternos namorados, mas parece que nenhum animalzinho tem coragem de assumir compromissos fixos), da falta de relações de produção no trabalho (há uma verdadeira exaltação do consumo; "só há setor primário e terciário no universo de Disney"), e de coisas toscas como o fenômeno da multiplicação dos gêmeos e trigêmeos (há uma predisposição enorme a fazer tríades de sobrinhos, com o exemplo clássico de Huguinho, Zezinho e Luizinho), e o culto ao ócio, que é apresentado nas historinhas como tudo o que mais pode se desejar na vida. Estranhamente, os autores elogiam bastante o personagem Mickey, por ser o único que não rege suas ações em função de si, mas sim pelos outros (o que poderia ser suficiente para taxá-lo de "tolo"). Por acaso o Donald é menos interessante por ser meio atrapalhado, ou o Tio Patinhas não merece relevo por ser avarento -- o que poderia ser traduzido por simples consciência [talvez um pouco exagerada] do valor do dinheiro? Ressalve-se: estamos falando de literatura infantil. Estamos falando de histórias em quadrinhos. Tem que ter um pouco de eufemismo, um pouco de antropomorfização... (talvez Disney tenha exagerado no número de patos, ou em certas suavizações da realidade do mundo, mas mesmo assim... é uma história infantil... ninguém ia querer uma criança de 7 anos aprendendo a ler e ao mesmo tempo refletindo sobre os princípios do marxismo...).
Não sei se todas as historinhas da Disney seguem esse tipo de linha teórica (a análise dos autores restringiu-se a edições chilenas de pouco antes da publicação do livro, em 1971), mas é interessante notar que tipo de coisa as crianças andam lendo na infância. Claro que não é o caso de condenar toda e qualquer HQ e declarar o fim da confiança nos meios de comunicação de massa. O ideal seria que todos tivessem consciência para selecionar aquilo que lêem :) (num mundo perfeito talvez isso fosse possível...).

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Comentários:

Anonymous Carol disse:
o q vc pretende q seus filhos leiam? :P
 
Blogger Gabriela Zago disse:
n sei, mas não vai ser livros didáticos ou histórias em quadrinhos... ou literatura infantil.... acho q vo inventar histórias para eles :P huuahua
 
Blogger Alessa Rovere disse:
Estou lendo esse livro também.... estou perdendo a confiança no Pato Donald, mas ainda confio na Mônica!
auiahuiahuiaha

bjos
 


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