sábado, 22 de outubro de 2005

  Dilemas morais II

Um dos palestrantes de ontem de noite (o da visão teológica, provavelmente) propôs sem querer um problema bem interessante para aplicar a teoria dos jogos.
Digamos que você esteja com um revólver carregado (esse exemplo seria duplamente ilegal no mundo feliz da vitória do SIM, mas tudo bem) e resolva atirar contra uma porta. Aí um amigo seu, em quem você confia plenamente, vem e diz estar seguro de que há uma pessoa atrás daquela porta. Você está prestes a desistir de atirar quando outro grande amigo seu vem e diz que, na verdade, não há ninguém atrás da porta, e o que o outro viu foi apenas uma sombra. Você confia plenamente nos dois. E aí, você atira ou não atira contra a porta? :P
Estamos então diante de 4 possibilidades de desfecho. Você pode atirar e ter alguém (-1), atirar e ser uma sombra (+1), não atirar e ser uma sombra (0) ou não atirar e ser alguém (+1).
O somatório nos mostra que é preferível não atirar (+1) do que atirar (0). Legal, não? Agora, alguém me explica o que isso tudo tem a ver com o aborto?! :P

--

Dúvidas sarcásticas à parte, esse Simpósio de Bioética foi bastante interessante. Valeu a pena sair da cama no sábado de manhã tão cedo. Apesar de o debate não ter podido ser pleno -- faltou, em ambas as oportunidades, alguém que fosse radicalmente a favor dos temas abordados --, teve ao menos a relevância de ser qualificado. Tanto o aborto quanto a eutanásia são questões complexas que não envolvem apenas as pessoas diretamente envolvidas (mãe e filho no primeiro, paciente terminal no segundo).
No caso do aborto, até que ponto a autonomia da mãe pode sobrepor-se à autonomia do filho? Desde que momento um ser humano é considerado humano e goza de direitos? Acabei me convencendo que o ideal é analisar o caso concreto. Eu sou radicalmente contra o aborto, jamais o realizaria. Mas não posso tirar o direito de alguém fazê-lo, principalmente nos casos de aborto sentimental (casos de estupro) ou anencefalia (aliás, nunca tinha visto uma foto de feto anencéfalo antes... é assustador... não sei como eu imaginava que fosse antes -- talvez com uma cabeça normal, mas oca -- mas ver um ser quase humano com uma cabeça pela metade foi uma experiência chocante).
No caso da eutanásia (e suas diversas variantes, que, no fim, são tudo a mesma coisa), também acho que vai sempre depender da análise do caso concreto. Eu não gostaria de ter minha vida abreviada. Por mais que se possa vir a sofrer com procedimentos médicos degradantes, é vida. Não se está atenuando um sofrimento, pois a pessoa não sentirá alívio -- e sim morrerá. Não sentirá mais nada. Não viverá. Ponto. Mas não posso impedir que alguém que prefira a morte à vida deixe-se morrer em paz.
Enfim, ambas as questões são muito controversas. E somente um debate amplo na sociedade (papel da mídia!!) pode fazer com que as pessoas tomem suas decisões de maneira mais consciente. Só assim essas condutas extremas poderiam ser liberadas. Até lá, só proibindo e contando com o esclarecimento [supostamente parcial] do médico de cada caso (e com o amparo da lei para os casos mais extremos).

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Comentários:

Blogger If I need you I'll just use your simple name disse:
concordo contigo... é complicado generalizar o Direito. Analisar o caso concreto é sempre o mais correto. Acho que os que são 100% contra questões como o aborto são homens, mulheres inférteis, a igreja ou pessoas que nunca presenciaram, seja na vida pessoal ou como profissional do direito, qualquer situação do tipo.
PS: valeuzão pela dica da foto! Salvou sua mamy!
 


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