domingo, 30 de julho de 2006

  Centenário de Mário Quintana

“A esperança é um urubu pintado de verde”


Mário Quintana, escritor alegretense que completaria 100 anos hoje, se estivesse vivo.

A frase-poema-readaptação-inteligente-de-provérbio faz parte do livro “Lili inventa o mundo” (o livro que mais vezes li na infância). Para quem quer saber um pouco mais sobre o autor, recomendo dar uma olhada na “entrevista” publicada na Zero Hora deste domingo: a grande sacada do jornal foi se dar ao trabalho de selecionar trechos das obras dele, de modo que o questionário padrão da contracapa da revista Donna ZH (encartada na Zero Hora de domingo) pudesse ser aplicado ao “imortal” Mário Quintana. O resultado é bastante interessante.




  Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos

A ONG SaferNet Brasil criou um serviço online para que se efetuem denúncias anônimas contra crimes virtuais ou violações de direitos humanos praticadas pela Internet, como a distribuição de pedofilia, o racismo, e outras formas de discriminação. O site www.denunciar.org.br funciona em parceria com o Ministério Público Federal de São Paulo (estado-sede de grande parte dos provedores de Internet do Brasil). O objetivo é promover o uso seguro das Tecnologias da Informação e Comunicação, e criar as condições para que os direitos humanos sejam preservados nesses novos meios. O site conta com uma equipe de profissionais das áreas de Direito e Informática. A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos entrou no ar no dia 30 de janeiro de 2006, e a parceria com o MPF foi assinada em 29 de março de 2006.
Em termos gerais, qualquer denúncia que envolva crimes contra direitos humanos com ação penal pública incondicionada pode ser encaminhada através do site. Entretanto, se o crime for de ação penal pública condicionada a representação, ou de ação penal privada (que requer que se apresente uma queixa-crime frente à autoridade policial), a denúncia não pode ser feita diretamente pelo site. Mas a ONG disponibiliza em seu site um roteiro detalhado, explicando que atitudes a pessoa vítima desse tipo de crimes deve tomar. Alguns dos crimes que se enquadram nessa categoria são os crimes ameaça (art 147 do Código Penal), de ação pública condicionada a representação (parágrafo único do art. 147), e calúnia (atribuir falsamente a prática de um crime a alguém, art. 138 do CP), difamação (atribuir fato ofensivo à reputação de alguém, art. 139 do CP) e injúria (atribuir qualidade negativa que ofenda a dignidade de alguém, art. 140 do CP) de ação privada (art. 145 do CP: mediante queixa).
É a partir de iniciativas como essa que poderão se estabelecer as bases de um verdadeiro Direito no Ciberespaço :)

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  365° post

Curiosidade inútil: se meu blog fosse uma unidade de tempo, e cada post correspondesse a um dia, hoje meu blog estaria completando um ano :) Bem ou mal, consegui cumprir a meta implícita a toda pessoa que tem um blog: postar uma vez por dia (semana que vem meu blog completa 1 ano).




sábado, 29 de julho de 2006

  Newseum

Eis um forte candidato ao título de "meu site favorito de todos os tempos": Newseum - The Interactive Museum of News. O destaque fica para a seção "Today's Front Pages", que reúne numa mesma página a capa de mais de 500 jornais ao redor do mundo. Tem até as capas dos jornais Correio do Sul, de Bagé, e Diário Popular, daqui de Pelotas. O site também mantém um arquivo que armazena capas de datas nas quais tenham ocorrido fatos marcantes, como 27 de dezembro de 2004 (Tsunami) ou 12 de setembro de 2001 (ataque às torres gêmeas). Bastante útil como ferramenta de consultas para comparar e acompanhar o que veiculam a cada dia as capas dos diferentes jornais do mundo :)
-- Obs.: O site foi encontrado por acaso.




sexta-feira, 28 de julho de 2006

  Da dificuldade de se chegar a um consenso

Uma das muitas coisas que aprendi nas aulas de Direito Internacional Público da faculdade foi o fato de que é extremamente difícil chegar à unanimidade nas decisões da Sociedade Internacional. Há tantos interesses diferentes em conflito, que o máximo a que se pode chegar é a um consenso, a um meio termo que agrade a quase todas as partes. De fato, os livros de DIP ensinam que a única regra unanimemente aceita no Direito Internacional (e, mesmo assim, com ressalvas) é a de proibição do uso da força nas relações internacionais – mas essa regra só vale para as negociações em tempos de paz!
Para garantir que ao menos um consenso possa ser estabelecido, certos artificialismos precisam então ser adotados. Uma maneira de garantir que todos os Estados possam emitir sua opinião de forma igualitária é assegurar que o voto de cada país tenha o mesmo peso nas negociações internacionais. Os votos têm pesos iguais, mas os países não o são. Cria-se uma espécie de igualdade artificial, que desrespeita as diferenças de tamanho, economia e população entre os diversos países do mundo, em nome de uma igualdade formal, de uma espécie de “direito de ser tratado igual aos demais”, apesar das diferenças.
É nesse ponto que os livros costumam trazer como exemplo de exceção/adequação à regra da igualdade (depende do ponto de vista adotado) o fato de que os cinco países integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas possuem o direito de veto, ao passo que aos demais países essa prerrogativa é negada. A justificativa para isso seria simples: a ONU foi criada logo após a Segunda Guerra Mundial. Sua tarefa era a de assegurar a paz mundial. Ora, para cumpri-la, nada mais sensato que se delegasse essa função aos países vencedores do conflito, pois estes supostamente seriam os países mais fortes. Para que eles lutassem em prol da paz, eles mereciam receber alguns privilégios em troca. Mesmo assim, nem mesmo o direito de veto dos países integrantes do Conselho de Segurança da ONU feriria a igualdade entre os países da Sociedade Internacional, pois a decisão de criação de tal órgão obedeceu ao princípio da igualdade insculpido na determinação de que a cada país corresponda um voto. Essa também foi uma decisão votada e aceita por consenso entre os países integrantes/fundadores da ONU.

Enfim... tudo isso são meras reflexões aleatórias (não me preocupei em certificar-me da veracidade dos fatos) que me surgiram após ver esta imagem, descoberta por acaso, via StumbleUpon. Será que desta vez vão jogar toda a teoria do Direito Internacional para o ralo, e deixar que os interesses de uma minoria (supostamente mais forte) prevaleçam sobre os dos demais (os pobres e fracos representantes de todo o resto do mundo)?

- Para aqueles que, como eu, ainda estão (re)lutando para tentar entender por que está acontecendo esse conflito entre Líbano em Israel, sugiro dar uma olhada na série de postagens do blog Brainshrub.com (também descoberto por acaso).

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quinta-feira, 27 de julho de 2006

  Global Voices Online

O site Global Voices Online apresenta uma iniciativa ousada. Trata-se de um projeto de mídia cidadã, que conta com o apoio do Berkman Center for Internet & Society da Escola de Direito de Harvard. Segundo o site, o objetivo é criar uma fonte de dados úteis para que jornalistas do mundo inteiro possam usar em suas histórias informações fornecidas por blogueiros e podcasters de todos os lugares do mundo.

“At a time when the international English-language media ignores many things that are important to large numbers of the world’s citizens, Global Voices aims to redress some of the inequities in media attention by leveraging the power of citizens’ media” (trecho do site)

Para tornar a idéia possível, um grupo de editores fica encarregado de reunir o que as pessoas do mundo estão postando em seus blogs sobre determinados assuntos de interesse para a mídia local, e essas opiniões são então reunidas em postagens na página inicial do site. O site possui editores divididos por regiões do globo, e por idioma falado. Dessa forma, a informação local é levada para a esfera global, e, ao menos em tese, todo mundo pode não só saber o que anda acontecendo em todo o mundo, como também toma conhecimento da opinião que as pessoas diretamente envolvidas têm sobre o caso. As postagens são em inglês, e no idioma dos blogs de onde são coletadas as opiniões. Simples, não? Por conta da idéia original, o projeto é um dos finalistas da edição 2006 do prêmio Knight-Batten para inovações na área de Jornalismo.
Um exemplo para tornar tudo mais claro: um assunto que tomou conta da mídia brasileira até mais ou menos o final da semana passada foi o caso von Richthofen. A partir do Global Voices Online, pessoas de outras partes do mundo puderam tomar conhecimento do que estava acontecendo, e também o que os blogueiros brasileiros estavam pensando sobre o fato. (Aliás, foi a partir dessa postagem que tomei conhecimento da existência do Global Voices Online...).
Só espero que a idéia de mídia cidadã não dê tão certo ao ponto de anular a necessidade de existência de jornalistas.

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  Livro: O Enigma do Quatro

Comecei a ler “O Enigma do Quatro”, de Ian Caldwell & Dustin Thomason, terça-feira, numa crise de tédio provocada pela total falta do que fazer à tarde. O que primeiro me chamou a atenção para a leitura é um pequeno comentário na contracapa do livro, assinado por Nelson DeMille, e que diz “Se Scott Fitzgerald, Umberto Eco e Dan Brown se juntassem para escrever um romance, o resultado seria O Enigma do Quatro”. Tentador, não? A curiosidade me instigou à leitura, mas, após ter ultrapassado o limiar da página 100, começo a acreditar que isso seja uma propaganda extremamente enganosa.
As analogias possíveis com Fitzgerald, Brown e Eco, ao que parecem, não ultrapassam o nível da obviedade – a semelhança com Umberto Eco e Dan Brown poderia estar no interesse por livros antigos que escondam segredos, como em O Nome da Rosa (Eco) e O Código da Vinci (Brown), e Scott Fitzgerald, embora eu nunca tenha lido nenhuma obra inteira dele (comecei a ler The Great Gatsby ano passado, mas abandonei-a antes da metade), é até mesmo citado no livro, mais de uma vez.
A história do livro gira em torno das tentativas de dois estudantes universitários em desvendar os segredos do misterioso livro Hypnerotomachia Poliphili, um texto real, da época da Renascença, que tem alimentado a curiosidade de muitos estudiosos ao redor do mundo. Os personagens de O Enigma do Quatro são descritos nos mínimos detalhes, e o clima de mistério em torno do livro antigo é mantido o tempo inteiro. A intercalação entre fatos passados e fatos presentes na narração é muito bem feita, e as descrições dos ambientes são pormenorizadas.
Mas, sei lá, parece que tem algo nesse livro que não me atrai. Talvez os diálogos se arrastem desnecessariamente, talvez eu esteja me sentindo frustrada por ter lido 100 páginas e nada de realmente importante ter acontecido, talvez eu esteja me sentido traída por não encontrar outras semelhanças mais profundas com o estilo de Umberto Eco, ou talvez a tradução do livro não seja lá muito boa... O fato é que eu esperava algo de extraordinário, e até agora o livro não me surpreendeu. Não que toda história tenha que necessariamente surpreender seu leitor, mas até o momento parece que ainda não saí dos fatos narrados na orelha do livro.
Não é por falta de temáticas interessantes - há várias menções a outros autores e fatos históricos interessantíssimos, as personagens principais são estudantes na época de elaboração de suas teses acadêmicas, o que em tese deveria me interessar -, mas este livro é um forte candidato para ser o primeiro do ano a ter sua leitura deliberadamente abandonada (talvez adiada, para um tempo em que eu esteja “mais madura” e possa desfrutar melhor dos fatos narrados...). De qualquer modo, não tenho ainda subsídios para dizer se o livro é bom ou ruim. De repente, lá pela página 200, o livro dá uma guinada e coisas mega interessantes começam a acontecer (nunca se sabe :P). Já abandonei a leitura de O Nome da Rosa mais de uma vez no passado, e hoje ele é um dos meus livros favoritos Nada impede que isso não vá acontecer também com o Enigma do Quatro... (se bem que se predomina o Fitzgerald eu estou ralada! :P). Até lá, acho que prefiro usar o meu tempo livre para ler outras coisas...

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quarta-feira, 26 de julho de 2006

  Fim das férias

(Querido diário...) Talvez seja um pouco tarde para falar sobre o fim das férias, mas no fundo sinto que estou tendo dificuldades para encarar essa “nova realidade”. Acho que levei tanto tempo para me acostumar a estar em férias, que agora está sendo difícil reconhecer que elas terminaram.
No início, tive que fazer força para conseguir descansar. Mas depois de alguns dias de férias, já estava acostumada a acordar meio-dia, não fazer absolutamente nada durante a tarde, procurar o que fazer à noite, e ir dormir bem tarde. Foram apenas doze dias de férias total, mas acho que posso dizer que descansei de verdade.
Entretanto, por mais que meu cérebro demore para se conscientizar do fato, minhas aulas recomeçaram na segunda-feira. Desde então, tenho tentado manter a mesma rotina de férias. Mas no fundo sinto que preciso voltar a me dedicar aos estudos. Pode parecer bobagem alguém se preocupar com isso no terceiro dia após a volta às aula em uma das faculdades (supostamente, na mais fácil das duas), mas quero só ver como vai ser semana que vem, quando recomeçarem as aulas do Direito – lá as matérias são anuais, e todo retorno às aulas é acompanhado de doses elevadíssimas de conteúdo: os professores tentam – inutilmente – recuperar o tempo perdido no semestre anterior, concentrando seus esforços na primeira semana de aula depois das férias (sim, altíssimo nível de malevolosidade)! Não quero entrar na semana que vem com esse ritmo desleixado e preguiçoso de agora. Alguém aí sabe a fórmula infalível para recuperar a vontade de estudar? :P Gahhh... É por isso que odeio férias. Gosto de desacelerar de vez em quando. Mas férias, paralisação total por vários dias... por que é tão difícil voltar ao ritmo de antes depois que se pára completamente?
Percebi que o nível de preguiça estava crítico quando ontem, na aula de Planejamento Gráfico (no laboratório de informática, diante de computadores conectados à Internet), passei o tempo todo lendo e-mails, esboçando respostas às mensagens lidas, visitando sites, digitando no Word o que o professor falava, e, bem, fazendo a tarefa proposta. Como é impossível fazer várias coisas ao mesmo tempo e se dedicar bem a todas elas, minha montagem de uma página de jornal em busca de harmonia gráfica com quadradinhos coloridos ficou terrível, não consigo me lembrar de nada do que eu tenha lido nos e-mails de ontem, a resposta do e-mail – ainda bem que não mandei na hora – ficou sem sentido, e há inúmeras interrogações no que digitei durante a aula. Preciso de atenção. Preciso me concentrar em uma única coisa de cada vez. Preciso sair do ritmo de férias e voltar ao perfil padrão de estudante sem graça - por mais doloroso que isso seja. -- E também preciso voltar a postar regularmente aqui no blog :P Tento escrever, mas os assuntos parece que me escapam...

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segunda-feira, 24 de julho de 2006

  Mais correntes felizes do Orkut

Mais uma corrente que tenho recebido várias vezes por e-mail/mensagem pelo sistema do Orkut nos últimos dias:

FOI PUBLICADO PELA REVISTA VEJA DE 10/06!!!
Pelo fato de haverem muitos profiles não ativos e pelo grande número de fakes existentes, o orkut está limpando seu cadastro. Todas as pessoas que não repassarem essa mensagem em 48 horas terão seu profile deletado e só poderão se recadastrar após um mês. JÁ FOI CONFIRMADO E O GOOGLE JÁ ESTÁ AGINDO!!! Mande para não ter seu orkut deletado.

Detalhe: será que ninguém que repassa essa mensagem se dá ao trabalho de verificar se ao menos existe uma Revista Veja de 10/06??? Foi a primeira coisa que pensei em fazer quando recebi essa mensagem; dei uma olhada na Veja de 07/06, e na de 14/06, não encontrei nada, e declarei a corrente um mero boato. Simples. O que leva alguém a repassar correntes por e-mail sem ao menos se dar ao trabalho de verificar a veracidade dos fatos ali apresentados? Falta um pouco de desconfiança neste mundo... :P
(P.S.: como toda corrente, esta tem uma repressão – se não repassar, a pessoa vai perder o perfil e, como punição, terá de ficar um mês sem poder se recadastrar no Orkut – uau! que pena horrível por ser negligente e não repassar a mensagem! – e tem também um argumento de autoridade para torná-la crível: uma publicação na fictícia revista Veja de 10/06. Esse povo que faz correntes absurdas para espalhar terror por e-mail está cada vez mais criativo.)

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sábado, 22 de julho de 2006

  Julgamento teatralizado

Acho um absurdo essa cobertura massiva que a mídia tem dado ao julgamento do caso Richthofen. Admito que se trata de um caso que abalou o país quando aconteceu (afinal, um filho matar os pais é operar uma verdadeira inversão no papel de submissão que aquele geralmente deve exercer em relação a estes), e que uma certa repercussão já era de se esperar. Mas o tanto que a mídia tem falado sobre o caso nos últimos dias (sem mencionar o quanto falou no lapso de tempo entre o assassinato e o julgamento) já tem extrapolado os limites do razoável!
Gente rica não costuma matar os pais. Isso talvez explique o intenso interesse em cima do caso quando ocorreu. E talvez justifique também a necessidade de que a mídia mostre o que aconteceu com os culpados após o crime. Há uma máxima jornalística que diz que quando um cachorro morde um homem, isso não é notícia (a menos que o cão seja um Pitbull e a mordida seja suficiente para arrancar o braço ou a perna do sujeito, mas isso não vem ao caso... se bem que até isso já tem virado rotina nos tempos em que a gente vive...); entretanto, quando um homem morde um cachorro, pelo inusitado da situação, isso é notícia. Talvez o caso não teria tantos holofotes apontados em sua direção, não fosse esta uma família rica e tradicional, não fosse fútil o motivo do crime, não tivessem os assassinos um relacionamento tão próximo com suas vítimas...
Entretanto, o excesso de cobertura beira o voyeurismo. Já se sabe quase tudo sobre a vida de Suzane. O que o Fantástico não mostrou, os outros programas, canais e veículos se encarregaram de tornar explícito. Até mesmo o Julgamento está sendo transmitido de forma escancarada.Uma nova forma de Jornalismo está sendo inaugurada: o gerundismo. Ao invés de esperar pelo desfecho do acontecimento, a cobertura acontece em tempo real. Ela cobre o fato acontecendo. Assim, os repórteres, embora não possam entrar no local de Julgamento, transmitem ao vivo da fachada do fórum informações atualizadas sobre o andamento do processo. Chegou-se ao cúmulo de um jornal televisivo (SBT, 21/07/06) exibir uma animação em 3D tentando mostrar mais ou menos o lugar que cada um dos envolvidos supostamente ocupa na Sala de Julgamento.
Não pude evitar de relacionar o modo pelo qual a mídia está cobrindo o caso com a história do livro que estou lendo, "O Processo" de Franz Kafka. No livro, o personagem K. está sendo processado, e o processo se arrasta por um grande espaço de tempo. Tanto no livro, quanto na cobertura midiática kafkanina do caso Richthofen, a ênfase é dada ao processo, ao julgamento em si, e não ao resultado. Pouco importa o resultado finalístico do crime que está sendo julgado (a morte do casal), pouco importa se Suzane vai ser condenada ou não. O que todo mundo parece querer saber no momento (ou “o que a mídia parece estar querendo forçar as pessoas a querer saber”, como preferir) é como está sendo o Julgamento: se ela se defendeu, se ela chorou ou não, o que disse o policial que chegou primeiro ao local do crime em seu depoimento. A diferença do livro em relação ao caso televisivo da vida real, é que no livro, K. a princípio nem ao menos sabe porque está sendo processado. Mas isso não o impede de se deixar levar pelo processo, ao ponto de às vezes até mesmo se esquecer o absurdo da situação em que está envolvido. A ênfase nos ritos do Judiciário é tanta que o motivo que o levou a ser detido acaba ficando em um segundo plano. Ele se defende, mesmo sem saber por que é acusado. No caso da vida real, todo mundo (todos os brasileiros) sabe bem o motivo que levou Suzane e os irmãos Cravinhos ao julgamento teatral em que estão envolvidos. Mas se esquece, deixa-se levar pela mídia.
Com essa transformação do fato em algo que está acontecendo, talvez a mídia esteja colaborando para que as pessoas se esqueçam que isso tudo é um crime real, que envolve pessoas reais. Será que o papel da mídia não deveria se resumir a mostrar o resultado do fato (“Suzane foi condenada”, “Suzane foi absolvida”, “Suzane foi abduzida por seres verdinhos que se acredita serem oriundos de Marte”, sei lá, minha vida não vai mudar com ou sem esse veredicto), e não o andamento da situação? Não bastasse o fato de a morte do casal ter abalado a vida da família, a cobertura midiática pode estar destruindo o que sobrou de dignidade na vida dessas pessoas...
Enfim, tudo isso é para dizer que o julgamento (finalmente) está terminando nesta madrugada, e Suzane e os irmãos Cravinhos foram condenados -- neste momento, são quase 2 horas da manhã, e ainda não definiram as penas -- Será que precisavam ter feito toda essa verdadeira “enrolação midiática", se esta é a única informação que realmente importa?

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  Verbo "googlear"

Informação do Sony Entertainment Television (televisão também é cultura!) – a Real Academia Española (RAE) poderá incluir o verbo “guglear” na edição de 2007 de seu dicionário oficial. A possibilidade foi anunciada pelo diretor da RAE, Víctor García de la Concha, ao apresentar o evento Memoria 2005 da Fundéu (Fundación del Español Urgente), no dia 18 de julho. A inclusão se justificaria pelo fato de que o uso cada vez mais intenso da Internet viria acompanhado do surgimento de termos específicos para esse meio, o que obrigaria as entidades de padronização da língua a se pronunciarem sobre eles. A idéia de criar um verbo em espanhol para a “ação de pesquisar no Google” teria surgido após a inclusão do verbo “to google” no dicionário Merrian-Webster Collegiate.
Enfim, em quanto tempo teremos o mesmo verbo aqui no Brasil? Alguém mais acha o emprego do “u” ao invés do “oo” uma espécie de agressão ortográfica visual? -- não estariam exagerando na 'espanhonolização' da palavra?

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quinta-feira, 20 de julho de 2006

  World Jump Day

É hoje, daqui algumas horas. Eu provavelmente vou estar muito ocupada, dormindo. Mas até que é uma idéia (absurda, mas) legal :)




  Digitalização das leis de Bagé

Como parte das comemorações dos 195 anos de Bagé, a Câmara de Vereadores da cidade passou a disponibilizar online todo o seu acervo legislativo para que a população possa acompanhar pela Internet as leis vigentes na cidade. A empresa que digitalizou as leis foi escolhida por licitação, e o processo todo levou bastante tempo para ser concluído. Entretanto, a data de finalização do projeto foi intencional: 17 de julho de 2006, em pleno aniversário da cidade.
O que eu achei mais legal é que está tudo bem dividido, dá para consultar por tipo de lei (complementar, ordinária, resolução, decreto), por assunto, por ano, além de pesquisa livre por palavra. O sistema torna a tarefa de localizar leis bem mais fácil que na legislação de Pelotas, por exemplo.
A organização é tal que quando uma lei revoga a outra, há link apontando para a lei revogada :) O mais divertido é que grande parte das leis que abri (a título de exemplo) são excessivamente diretas e curtas, como esta que torna facultativo o uso do cinto se segurança em Bagé (e a seguinte que a revoga). Outras leis relativamente curtas são as que regulam as placas de identificação de ruas da cidade e a que estabeleceu quando Bagé incorporou oficialmente o título bizarro de Rainha da Fronteira (estranho ou não, o título só se tornou oficial bem recentemente...). Em compensação, a lei de loteamento público (outra lei que acessei aleatoriamente para testar o sistema) é bem grandinha.
Enfim, grandes ou pequenas, o importante é que agora as leis estão ao acesso (fácil) de todos :) A partir de agora, a previsão é de que agora em até dois dias cada nova lei seja adicionada ao site. Sinais de uma lenta e tímida (mas gradual e futura) democracia digital?




quarta-feira, 19 de julho de 2006

  Livro: Angels & Demons

Pelo menos duas das minhas metas não-oficiais de férias foram cumpridas hoje. A primeira era terminar de ler o livro “Angels & Demons” (Pocket Books, 2000) de Dan Brown. A obra segue o padrão danbrowniano de suspense medíocre envolvendo altas conspirações, grupos obscuros e empresas de renome mundial. Além disso, como em Fortaleza Digital, Ponto de Impacto e O Código Da Vinci, há uma excessiva multidivisão em desnecessários mas instigantes mais de 100 capítulos. Como sempre, cada capítulo termina no ponto crucial da historieta que narra, o que faz com que o leitor não sinta vontade de parar de ler até descobrir o que acontece depois daquilo que acabou de ser lido.
A história de “Anjos e Demônios” nasce da nada original mistura entre religião e ciência. Os locais principais onde se desenrola a trama são o CERN (Conseil Europeen pour la Recherche Nucleaire, laboratório suíço responsável por grande parte das descobertas científicas mundiais, principalmente na área da fisica) e a cidade-país do Vaticano (religião, mais especificamente catolicismo, parece ser um tema recorrente na obra do autor – ao menos está presente em dois de seus quatro grandes livros). Na parte do livro que se passa no CERN, há ate mesmo uma breve menção a Tim Berners-Lee, o criador da Web. Embora a Internet seja uma criação americana, segundo o livro, poucos sabem que foi no laboratório suíço que surgiu a invenção que possibilitou que a rede se popularizasse (sou exceção à regra porque aprendi isso na faculdade? :P).
Esta é também a primeira aventura do personagem Robert Langdon (mais tarde tornado célebre em “O Código da Vinci”, e até mesmo estrela de Hollywood na pele de Tom Hanks).
Como em todas as outras obras do autor, há uma boa dose de conspiração. Neste livro, a intriga é fornecida pelo envolvimento de uma organização secreta, os Illuminati, nas mortes obscuras (outro tema recorrente na obra do autor) que acontecem ao longo do livro. Essa irmandade teria se insurgido no passado contra a Igreja Católica (e a religião em geral), e pregava que só a ciência era o caminho para se chegar à verdade. Um de seus expoentes seria o cientista italiano Galileu Galilei.
Há coisas mais absurdas que o leitor precisa aceitar, como a queda de Langdon de um helicóptero em movimento e seu restabelecimento em pouco mais de alguns minutos (ora, a justificativa é simples: para a história poder continuar, ele tinha que estar “up and running”). Robert Langdon seria um super-herói? Se não me engano, a personagem principal de Ponto de Impacto também escapa ilesa de uma queda livre a partir de um helicóptero. Seria esta outra temática recorrente na criativíssima obra de Dan Brown?
Apesar de acontecimentos interessantes e relativamente inesperados ao longo da história, o final do livro é mais ou menos previsível. (Se bem que talvez o autor não dispunha de recursos para torná-lo mais supreendente – o livro, apesar dos 165 cardinais candidatos ao papado e dos mais de 3000 funcionários residentes no CERN, tinha poucos personagens nominados – os quais, invariavelmente, dividiam-se entre as duas únicas categorias de seres humanos anunciadas pelo título do livro: ou “anjos”, ou “demônios” -- não seria legal se a vida fosse assim, tão simples: ou se é “do mal”, ou se é “do bem” --, independente de estarem do lado da ciência ou da religião. Como ao longo do livro ficou bem claro quem era a favor do quê, poucos poderiam ser os responsáveis pelo "mal supremo" ocasionado na história :)
Uma frase de um diálogo do livro que resume bem a contradição entre ciência e religião (além de ser um belo preceito de filosofia barata) é “Science can heal, or science can kill. It depends on the soul of the man using the science” (pág. 332) dita pelo camerlengo (sim, até o Papa morre!), ironicamente o maior defensor da preponderância da religião acima de tudo (leia-se ciência) ao longo do livro.
Enfim, o livro é bom, apesar de tudo.





-- Ah! A segunda meta era cortar o cabelo. Segundo o rapaz (afinal, existem homens em salão de beleza?) lá do salão (argumento de autoridade), entrei com cara de “14, no máximo 15 anos” e saí de lá com cara de “até dá para dizer que tem 20”.
P.S.: Se até lá ninguém descobrir uma forma eficiente de fazer parar o tempo (o que eu realmente gostaria que acontecesse, detesto trocar de idade), faço 20 no mês que vem.

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domingo, 16 de julho de 2006

  Inquietação

Eu queria escrever sobre as maravilhas do universo, ou sobre a experiência de viver muitos e simultâneos amores. Eu queria poder desvendar as profundezas do mar e os mistérios do oceano, a partir de uma inocente busca no Google e de um singelo post de blog. Eu queria comentar o último grande sucesso de Hollywood, ou criticar alguma produção obscura que ninguém nunca viu, mas que tem tudo para despontar como a grande promessa do ano. Eu queria abordar aspectos controversos do último livro do maior autor da atualidade, falar sobre temas relevantes, fomentar debates em áreas que todo mundo considerava até então pacíficas. Eu queria escrever sobre tudo, sobre nada, sobre o nada, sobre qualquer coisa.... Mas não consigo. Bagé (ou o “estar-em-férias”, genericamente considerado) me “desinspira”. Estou aqui, nessas férias patéticas de pouco mais de uma semana, sabotando a leitura do único livro que trouxe para ler, porque sei que no momento em que eu terminar a leitura, nada mais restará para ser feito – exceto pensar na vida. E pensar me dá medo.




sábado, 15 de julho de 2006

  Yahoo + MSN Messenger

Interessante a estratégia ‘unidos venceremos’ que começou a ser adotada pela Microsoft e pelo Yahoo! (isso tudo é medo do Google? Ou mera jogadinha rotineira de marketing?). O primeiro passo é a fusão dos softwares Yahoo! Messenger e MSN Messenger. O que vem depois? (Windows 2.0 que já venha com sinuca Yahoo! instalado no menu Iniciar > Programas > Acessórios > Jogos? :D)

“Softs agora falam entre si” – legenda abaixo de um gráfico meiguinho na reportagem sobre a fusão no Estadão...
Quanta intimidade com os programas para chamá-los de “Softs” :P E, bem, teoricamente não são eles (os “Softs”) que falam entre si, e sim alguns de seus usuários que podem agora interagir (a princípio, apenas os “escolhidos” para testar a versão beta). Mesmo assim, gostei do poder de síntese da frase :P É assim que se faz jornalismo! Se o espaço era para poucos caracteres, nada como espremer a frase para tentar dizer o máximo com o mínimo! Viva o capacidade sintética do ser humano!! :)


P.S.: “sumi” da blogosfera porque fiz uma viagem no tempo e voltei ao passado (:P) – estou em Bagé, passando as férias (yay!) e aqui só tem conexão discada – resultado: retorno à ditadura da conexão somente em horários em que o telefone é mais barato.




quinta-feira, 13 de julho de 2006

  Um clipe por uma casa

Lembram do maluco canadense que queria trocar um clipe de papel por uma casa? Pois é, ele coseguiu. Um ano depois de ter dado início à idéia maluca em seu blog, Kyle MacDonald finalmente conseguiu uma nova casa para morar. Desde 12 de julho de 2005 ele vinha ofertando em seu blog na Internet coisas para serem trocadas, com o intuito de que um dia ele chegasse a ter uma casa. Tudo começou com um clipe de papel, que foi trocado por uma caneta, que, por sua vez, foi trocada por uma maçaneta, e assim por diante, até chegar num papel em um filme de Hollywood (penúltima oferta), e por fim, a casa \o/ :)
Alguém ainda tem coragem de duvidar do pontecial da Internet? :P




quarta-feira, 12 de julho de 2006

  Meme de livro

Meme descaradamente copiada do blog do Maltut:

1. Coge el libro mas cercano a ti.
2. Abre el libro por la página 123.
3. Busca la quinta frase o párrafo.
4. Postea el texto en tu journal junto a estas instrucciones.
5. No busques el libro mas guay que tengas o que puedas encontrar. Tan solo coge el más cercano.


Resultado:

“O reconhecimento gradual das liberdades civis, para não falar da liberdade política, é uma conquista posterior à proteção da liberdade pessoal”. (Norberto Bobbio em “A Era dos Direitos”)

(Obs.: leve trapaça: o livro que estava realmente mais perto de mim tinha menos de 123 páginas :P Este é o segundo mais perto)

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  Sempre à espera

Por que esperar é tão penoso? E, do mesmo modo, por que a vida parece tão sem sentido quando dela nada esperamos? Por que transformamos em verdadeiras metas de vida cada singela esperazinha na fila do banco, cada pequena conquista do dia-a-dia? Vivemos em constante espera – que a noite chegue, que o novo dia amanheça, que aquele que nos ama nos diga.... É como se estivéssemos vivendo em um constante e voluntário stand by: nossa vida só se realiza de forma plena quando está em modo de espera!




domingo, 9 de julho de 2006

  Ascensão e queda em (pouco mais de) 90 minutos

Alguém me explica como o Zidane conseguiu marcar um gol (de pênalti, mas é válido) e ser expulso na sua partida de despedida dos gramados? O cara foi o salvador da pátria no jogo contra o Brasil, e neste saiu sob vaias? (se bem que, com esta afirmação/interrogação, eu fujo um pouco da proposta do título deste post... ).
Hoje, na final da (Euro)Copa, em uma única partida, Zidane conseguiu ser o herói e o bandido. Tudo bem que o gol foi de pênalti, mas... ele definitivamente perdeu a chance de encerrar sua carreira com chave de ouro. E da pior forma possível: o rapaz mostrou ser temperamental (bonitinho, mas ordinário?). Ele devia estar sob tensão, é verdade (não deve ser nada fácil encarar a dobradinha final-de-Copa-do-Mundo-barra-final-de-carreira), mas sair dando cabeçadas assim, gratuitamente, já é um pouco demais. Zidane praticamente entregou o título para a Itália (não que a presença/ausência dele tenha feito muita diferença, mas seria mais um pênalti certo para a França – se é que o jogo chegaria aos pênaltis: nunca subestime o poder de um jogador que sai de campo expulso por dar uma cabeçada...).
Aliás, mas quem disse que sair do campo às vaias não é um belo final de carreira? Ao menos é um final de carreira inesquecível. Por um bom tempo ainda [(in)felizmente, as fofocas midiáticas não costumam durar mais do que algumas semanas] ele será lembrado pelo fiasco na sua última partida de futebol (façamos um teste: alguém ainda lembra do caso do Ronaldo na final da Copa da França? okay, talvez o que o Zidane fez não seja esquecido assim tão facilmente...).
-- E o melhor de tudo é perceber que aquela historinha da alternância entre países europeus e americanos na liderança dos Mundiais permanece... São 9 títulos para cada lado, intercalados desde que o Brasil levou dois títulos na corrida (1958-1962). Logo, (tudo indica que) vai dar Brasil em 2010 na África do Sul! (ou, pior: Argentina! De qualquer modo, tudo indica que o título virá para a América do Sul, yay! :P).

No mesmo sentido: curiosidade descoberta via UOL: "Doze anos depois de perder o tri para o Brasil, a Itália foi tri em 1982. Doze anos depois de perder o tetra também para o Brasil nos pênaltis, a Itália sagrou-se tetra e ganhou a Copa do Mundo de 2006".
-- O legal é que com o retrospecto dos títulos da Copa dá para fazer várias associações aleatórias e malucas :)

Observação: Não vi o jogo (no sentido televisivo da frase). Mas sou Itália desde criancinha (ius sanguinis, etc.)...

-- Update: sugestão da Carol - dê cabeçadas no lugar do Zidane :)




  Troca de nome

Depois de quase duas décadas expondo seu filho ao ridículo, o pai de um garoto vietnamita concordou em mudar o nome do filho, que até então se chamava “Fined Six Thousand and Five Hundred” (Multado em Seis Mil e Quinhentos), a quantia que ele teve que pagar em moeda local por ignorar a regra de se ter no máximo dois filhos no Vietnã. “Fined” era o quinto filho de Mai Xuan Can. A regra que proibia mais de dois filhos não existe mais no Vietnã, mas o governo segue estimulando seus cidadãos a constituírem famílias pequenas.
Desde 1999 autoridades locais vinham tentando convencer o pai a mudar o nome do filho por conta das constantes provocações que este recebia na escola. Recentemente, as tentativas surtiram efeitos. De “Mai Phat Sau Nghin Ruoi” o garoto, atualmente com 19 anos, passou a se chamar Mai Hoang Long (“Dragão Dourado”). Segue sendo um nome bizarro, mas ao menos é bem menos bizarro que o valor da multa. Detalhe: esta versão da notícia apresenta 6,500 dong como equivalente a 50 cents! Isso quer dizer que, com a cotação do dólar de hoje, o nome do garoto seria "Multado em Um Real e Nove Centavos"? :P Pobre garoto...

Se fosse no Brasil, a mudança de nome seria relativamente mais simples – e ele poderia ter seu nome alterado mesmo à revelia do pai. Ao menos esse é o resultado da “pesquisa” que fiz ano passado sobre a alteração do nome, para um trabalho de Direito Civil I realizado em grupo:

“Tendo em vista a importância do nome, o Estado preza pela sua permanência, aceitando modificá-lo só em apenas determinadas situações, como quando o nome é muito comum, e, por isso, a pessoa pode ficar sujeita a confusões com seus documentos ou com outras pessoas que possuem seu mesmo nome, ou quando o nome periodicamente expõe a pessoa ao ridículo”.

Os oficiais de Registro Público podem até mesmo se recusar a registrar um nome que possa vir a expor futuramente a pessoa ao ridículo. Os casos controversos poderão ser submetidos à avaliação de um juiz (art. 55 da lei n° 6.015/73).
Além disso, a lei assegura ao indivíduo que tenha 18 anos o direito de trocar o seu nome, desde que haja um fundado motivo para tal (art. 56 da lei n° 6.015/73). Essa prerrogativa se estende por um ano após a pessoa atingir a maioridade civil (ou seja, quem faz 18 anos tem um ano para decidir livremente se troca ou não de nome). O garoto do Vietnã, se fosse brasileiro, poderia ter trocado de nome antes mesmo que seu pai resolvesse tomar uma atitude :)
Tem também a possibilidade de se poder adicionar ao nome um apelido, desde que a pessoa consiga provar (prova testemunhal) que é mais conhecida pelo apelido do que pelo próprio nome (exemplos notáveis podem ser o próprio presidente do país, Luís Inácio Lula da Silva, e a rainha dos baixinhos, que incorporou o nome Xuxa ao seu nome verdadeiro).
A seguir, eis um excerto de uma lista de nomes provavelmente ridículos, divulgada pelo INPS na década de 80, e realizada a partir de pesquisas em cartórios (A lista completa pode ser acessada neste endereço). Na época de elaboração do nosso trabalho de Direito Civil (sim, isso fazia parte do trabalho!), fiz uma espécie de seleção, e procurei incluir apenas os nomes realmente muito ridículos...

Abc Lopes, Açafrão Fagundes, Adolpho Hitler de Oliveira, Aeronauta Barata, Agrícola da Terra Fonseca, Alce Barbuda, Amado Amoroso, Amável Pinto, Amazonas Rio do Brasil Pimpão, América do Sul Brasil de Santana, Amin Amou Amado, Antônio Americano do Brasil Mineiro, Antonio Dodói, Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado, Antônio Morrendo das Dores, Antônio Querido Fracasso, Antônio Veado Prematuro, Armando Nascimento de Jesus
Bandeirante do Brasil Paulistano, Bemvindo o Dia do Meu Nascimento Cardoso, Bispo de Paris, Bizarro Assada, Brandamente Brasil
Cafiaspirina Cruz, Carabino Tiro Certo, Céu Azul do Sol Poente, Charles Chaplin Ribeiro, Chevrolet da Silva Ford, Colapso Cardíaco da Silva, Comigo é Nove na Garrucha Trouxada
Deus É Infinitamente Misericordioso, Dezêncio Feverêncio de Oitenta e Cinco, Dignatario da Ordem Imperial do Cruzeiro, Dolores Fuertes de Barriga, Domingão Sabatino Gomes
Elvis Presley da Silva, Errata de Campos, Esdras Esdron Eustaquio Obirapitanga, Esparadrapo Clemente de Sá, Espere em Deus Mateus, Éter Sulfúrico Amazonino Rios
Faraó do Egito Sousa, Felicidade do Lar Brasileiro, Francisoreia Doroteia Dorida
Garoto Levado Cruz , Gerunda Gerundina Pif Paf, Graciosa Rodela D'alho
Hericlapiton da Silva, Himineu Casamentício das Dores Conjugais, Holofontinas Fufucas
Ilegível Inilegível, Inocêncio Coitadinho, Isabel Defensora de Jesus, Izabel Rainha de Portugal
Jacinto Leite Aquino Rego, Janeiro Fevereiro de Março Abril, Japodeis da Pátria Torres, João Bispo de Roma, João Cara de José, João da Mesma Data, João de Deus Fundador do Colto, João Sem Sobrenome, Joaquim Pinto Molhadinho, José Amâncio e Seus Trinta e Nove, José Casou de Calças Curtas, José Maria Guardanapo, José Teodoro Pinto Tapado, Jotacá Dois Mil e Um
Lança Perfume Rodometálico de Andrade, Leão Rolando Pedreira, Liberdade Igualdade Fraternindade Nova York Rocha, Ludwig van Beethoven Silva, Lynildes Carapunfada Dores Fígado
Magnésia Bisurada do Patrocínio, Maicon Jakisson de Oliveira, Manganês Manganésfero Nacional, Manoel de Hora Pontual, Manoel Sovaco de Gambar, Manuel Sola de Sá Pato, Marciano Verdinho das Antenas Longas, Maria Constança Dores Pança, Maria Máquina, Maria Passa Cantando, Maria-você-me-mata, Marili Monrói ,Marlon Brando Benedito da Silva, Mijardina Pinto
Naida Navinda Navolta Pereira, Nascente Nascido Puro, Natal Carnaval
Oceano Atlântico Linhares, Oceano Pacífico, Otávio Bundasseca
Pacífico Armando Guerra, Padre Filho do Espírito Santo Amém, Pália Pélia Pólia Púlia dos Guimarães Peixoto, Pedrinha Bonitinha da Silva, Percilina Pretextata Predileta Protestante, Plácido e Seus Companheiros, Pombinha Guerreira Martins, Primavera Verão Outono Inverno, Produto do Amor Conjugal de Marichá e Maribel
Remédio Amargo, Renato Pordeus Furtado, Restos Mortais de Catarina, Rolando Caio da Rocha, Rolando Emídio da Torre da Igreja, Rolando Escadabaixo Safira Azul Esverdeada, Sete Rolos de Arame Farpado, Simplício Simplório da Simplicidade Simples, Sherlock Holmes da Silva
Última Delícida do Casal Carvalho, Último Vaqueiro, Um Dois Três de Oliveira Quatro
Veneza Americana do Recife, Vicente Mais ou Menos de Souza, Vitória Carne e Osso, Voltaire Rebelado de França

Outros nomes estranhos (provenientes de outras listas):
Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida)
Letisgo (de Let's Go)
Óliude (jogador de futebol, que atuou no Portuguesa e no Vasco, com o apelido "Capitão", e seu filho, de mesmo nome)
Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho)
Antônio Cacique de New York (juiz-presidente do TRT da 22ª Região)


P.S.: Eu não deveria estar aqui postando, e sim fora do computador estudando para a prova de Direito Civil II de amanhã o.0 Por que a matéria de obrigações é tão tediosa?

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sábado, 8 de julho de 2006

  A obsolescência da televisão

Definitivamente, assistir televisão é coisa do passado...


-- Update: o jogo já está 2 a 0 :P

-- 3 a 0 :)

-- 3 a 1... a grande vantagem de acompanhar pela Internet é não ter que aturar a narração do Galvão Bueno (nem sei se é ele quem está narrando!).

-- fim do jogo: Alemanhã em 3°, Portugal em 4° :)




sexta-feira, 7 de julho de 2006

  Cúmulo da retroalimentação midiática

Para que assistir ao último capítulo da novela se a gente pode acompanhá-lo ao vivo pelo Terra? :P




  Três telefonemas

– Você tem direito a três telefonemas.
– Como três? Não era só um?
– Isto aqui não é um filme americano. Se reclamar, perde o direito.
– Ei cara, não esquenta. Só deixa eu pensar um pouco.

Hm, vejamos. Minha mãe, definitivamente. Ela vai ficar preocupada se eu não aparecer em casa até as nove. Meu chefe. Se bem que... qual o sentido de ligar para o chefe? Ele vai perceber que algo aconteceu comigo quando eu não aparecer para o trabalho amanhã. E também ia ser meio idiota; “Alô, chefe, tô ligando para dizer que não vou aparecer no trabalho amanhã porque fui preso”. Patético. Além do mais, provavelmente alguém lá do serviço vai ficar sabendo e se encarregará de espalhar a ‘boa nova’. Serei alvo das piadinhas e fofocas do escritório por pelo menos uma semana. Depois disso vão até esquecer que eu existo, ainda bem que a memória humana não é lá essas coisas. Ahh. Maldita hora em que fui concordar em participar do assalto...
Ah, droga. Preciso ligar também para um advogado. Dizem que é para isso que permitem fazer uma ligação. Ou melhor, três. Isso é novidade para mim. Se bem que nunca fui preso antes para saber... Mas sempre achei que fosse só uma. Daí era só ligar para minha mãe, e pronto. Ter opções nem sempre é uma boa saída. Eu sempre odiava as questões de múltipla escolha em provas da escola. Principalmente quando uma das alternativas era a tal de n.d.a. E o pior é que não sei o número de nenhum advogado. Será que minha mãe sabe de algo? Se ela souber, ainda me sobra um telefonema.
Tem também a Odete e a Elisete. Por que fui inventar de sair com as duas ao mesmo tempo? Não avisar uma fica chato. Avisar as duas é impossível – só se eu abrir mão do advogado. E se eu pedisse para minha mãe avisar as duas? Ela ia achar estranho, mas.. não! A situação seria ridícula!
E se minha mãe ligasse para o advogado? Até que faz sentido. E ainda me sobrariam 2 telefonemas, o que me permitiria falar com a Odete E a Elisete. É isso, perfeito.


– Ei, amigo!
– Quem, eu?
– Não, o terceiro cara de vermelho à esquerda na cena do shopping center no filme Esqueceram de Mim 2. É, você sim. Só estamos nós dois aqui. Estou pronto para fazer os telefonemas.
– Certo. Anote os 3 números neste papel antes de ligar, para termos um registro. Vou levá-lo até o telefone. Você tem um minuto para cada ligação.

Putz. Um minuto é muito pouco.


O cara disca o primeiro número e passa o telefone para o presidiário:
“Tu... tu... tu... tu... Beep. Você ligou para a casa do Marcão”

Nãão. Minha mãe não está em casa. Pensa rápido, Marcos. Recado na secretária?


“Beep”.

– Ahm. Er- Mãe, tudo bom? Aqui sou eu, o Marcão, teu filho. Ta, tu deve saber disso. Ou ao menos desconfia, já que não é qualquer um por aí que sai te chamando de mãe. Uma das vantagens de se ser filho único é ter o monopólio de chamar uma determinada pessoa de mãe. Enfim, chega de sentimentalismo barato, não é verdade? Olha só, não tenho tempo para dar muitos detalhes, mas, lembra daquele cara que apareceu aí em casa ontem de noite? Pois é, isso vai até parecer que é piada, mas não é. Ele me meteu numa enrascada. Vou precisar da tua ajuda. É caso de vida ou morte! Se tu não fizer o que estou te pedindo posso não sair vivo daqui. E não estou exagerando! Faz o seguinte, p- [cai a ligação].

Já? Droga. Droga! Ah, a Odete que me perdoe, mas sempre preferi a Elisete mesmo...


- Liga de novo para esse primeiro número, faz favor.

“Tu... tu.... tu... tu... Desculpe, a fita desta secretária eletrônica está cheia. Tente novamente mais tarde”.

Não!!! E agora? O que eu faço? O que minha mãe vai pensar de mim? Será que eu disse o suficiente na primeira mensagem?


– Ahm, por obséquio, amigo, se o número estiver ocupado, eu posso repetir a ligação?
– Óbvio que não. É por isso que são dadas três oportunidades.
– Ah, entendi.

Pior é que faz sentido.
Último telefonema. O que eu faço? Tento ligar para casa e rezar para que alguém tenha chegado? – Pouco provável. Ligo para a Odete? Elisete? Ligo para o meu chefe? Para o Coelho? – Ele poderia avisar minha mãe, a Elisabete E a Odete. Mas não, ele avisaria o chefe também, e de quebra toda a repartição, porque o cara é fofoqueiro demais. E agora, o que eu faço? Um advogado seria uma boa – ele poderia servir para contatar todo mundo por mim. O problema é que não sei o número de nenhum. Aliás, nunca precisei dos serviços de um. E quando a gente precisa de um serviço, mas não tem um número... Já sei!


– Amigo. Esquece os números que estão aí na lista. Liga aí para o 102.

Após a discagem...

– Alô, telefonista? Eu preciso falar com um advogado...





* legenda das onomatopéias:
Beep = sinal sonoro genérico para iniciar a fala.
Tu... tu... tu... tu... = barulho de telefone chamando (cada “tu” = um toque). Se o telefone estivesse ocupado, o ruído a ser ouvido seria “tu tu tu tu tu tu”, sem intervalos ou interrupções. E, sim, são quatro porque a secretária eletrônica imaginária atende antes do quinto toque :)



  O que é "google"?

A dica é da Carol (minha fonte inesgotável de links interessantes): a próxima edição impressa do dicionário Merriam-Webster’s Collegiate trará a definição do termo “google”. Por enquanto, a palavra já pode ser encontrada na versão online do dicionário. A definição de “google” é algo como “usar o site de buscas do Google para encontrar alguma coisa”. Google é definido como um verbo transitivo (ora, quem “googleia”, googleia alguma coisa), e tem sua origem etimológica no nome do site de buscas. No site do dicionário dá até para ouvir a pronúncia correta da palavra.
Outras palavras que fazem parte do nosso dia-a-dia tecnológico também serão incluídas na nova versão do dicionário, como o termo “spyware”.
Pergunta: quanto tempo até o verbo ser definitivamente incorporado ao português? A versão brasileira será “googlear”, “googlizar”, “googlar”, “googlir”, “googlezar”, ou googl-o-quê?

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terça-feira, 4 de julho de 2006

  Seleção brasileira

O tema já está mais batido que milkshake requentado (não que se costume requentar milkshakes, mas...), mas vale a pena colocar aqui porque a piada é boa. Não sei onde encontrei esta lista, só sei que foi num blog, alguns dias atrás, quando resolvi ir de blog em blog, sem rumo, só para ver onde ia dar. Peço desculpas por não estar dando os devidos créditos a seja lá quem tenha postado isso antes em seu blog (só lembro que o blog era bem legal... e que a pessoa disse que tinha recebido a lista por e-mail – EI! quem garante que eu também não recebi por e-mail e estou colocando aqui por ter recebido diretamente da fonte primária? Brilhante! Como não pensei nisso antes?). Se alguém quiser refazer o caminho e tentar descobrir de onde tirei esta lista, fica o convite :) Parti do meu próprio blogroll, e considerando-se uma média arbitrária de 12 outlinks fornecidos a cada blog, você terá pela frente no mínimo 12¹² blogs para visitar. Vai lá, um dia você acha :) (e depois pode ainda entrar pro Guinness como pessoa que mais visitou blogs em busca de uma determinada postagem). E me perdoem se acharem a piada sem graça depois de tudo o que eu disse aqui (há sempre o risco de o humor não ser compatível, ou de alguém achar de mal gosto estar falando do Brasil na Copa quando, bem, o Brasil já não está mais na Copa. Rá! – aliás... eu tenho sangue relativamente italiano... a Itália foi para a final... como a Itália adota o critério do ius sanguinis... isso me autoriza a dizer que sou Itália desde criancinha? :P).

Eis a piada (que já deve ter perdido metade da graça depois dessa introdução idiota):

Escalação da seleção brasileira:
1 - Did are
2 - Car full
3 - look see you
4 - who one
5 - when mear son
6 - who bear to car loss
7 - add dream an no
8 - car car
9 - Who now do ( Few now mem no )
10 - Who now dream you gay you show
11 - Zero bear to
12 - who jerry scene
13 - see seen you
14 - Crisis
15 - lowis on
16 - G you bear to
17 - June in you
18 - Mean arrow
19 - G you bear to silver
20 - Rich are dream you
21 - Fried
22 - July scissor
23 - Who bean You
Treinador - Car loss all beer to pair here a

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  Aula virtual

Estou fazendo a disciplina optativa de inglês para leitura via Internet numa universidade pública. Se isso não é efeito colateral da globalização, alguém me diga o que é...

O ambiente virtual das aulas é o Moodle. O lugar é bem bacana, tem até emoticons e textos coloridos em flash. O único inconveniente é ter de se deslocar cerca de 3km para ter as aulas presenciais (pelo menos 30% do curso precisa ser presencial, conforme legislação brasileira para cursos ofertados pela Internet – e isso inclui as provas, e orientações iniciais, intermediárias e finais de procedimento – afinal, em algum momento eles tinham que nos ensinar a usar a Internet :P).
A cadeira é inglês para leitura (óbvio que conversação ia ser meio difícil de fazer pela Internet :P – ao menos no estágio atual de tecnologização e largura de banda – num futuro não muito remoto, talvez?). A página tem um visual meio Orkut: perfil dos alunos, fóruns de discussão, calendário, notícias, chats. O bom é que nos dão um prazo tri elástico (uma semana, nem é tão elástico assim) e dá para fazer cada aula no horário que para nós for mais conveniente. O ruim é que a gente é obrigado a participar nas discussões dos fóruns (de pelo menos a metade delas, actually) e tem que entrar toda semana para fazer as “aulas” :) E tem também toda aquela história de ter de encontrar maneiras efetivas de se autopoliciar, já que em tese não há nenhum professor (há tutores online em vários horários por semana!) para nos obrigar a fazer as tarefas em um tempo determinado.
Mas até que é divertido (palavra de quem até agora fez uma única aula, e sequer tem certeza de que fez tudo como deveria ter sido feito). E a gente não precisa se sentir como os ratinhos brancos de laboratório a girar numa roda sem fim, porque isso já foi testado antes (ufa!) e deu certo (ufa!²).
Em tempo: consigo pensar em pelo menos 3 matérias regulares extremamente chatas que não me deixariam nada triste se fossem convertidas em aulas virtuais...

-- Update: Acho que nunca tinha escrito um post com tantos parênteses. Capacidade discursiva diminuída? Estou enferrujando por estar em férias em um dos cursos? Não sei nem nunca soube escrever? Todas as alternativas anteriores somadas e multiplicadas pelo número de Avogadro?




domingo, 2 de julho de 2006

  Viagem em silêncio

Não sei se é porque fazia tempo que eu não viajava de ônibus (ou talvez eu tenha me tornado menos crítica com o tempo), mas o fato é que na minha última ida para Bagé achei que a viagem foi demasiado tranqüila.
Antes, parecia que o ônibus tinha o poder de reunir todas as categorias possíveis de pessoas chatas em um mesmo local. Crianças choravam histericamente, pessoas sem noção conversavam em altíssimo tom de voz, o veículo parava a cada quilômetro para pegar e largar gente. O resultado disso tudo é que se tornava praticamente impossível aproveitar a viagem para colocar a leitura em dia, e no fim eu gastava 6 horas da minha vida (tempo que leva para ir e voltar de Pelotas a Bagé de ônibus) sem fazer absolutamente nada – no máximo, ouvindo inadvertidamente absurdas conversas alheias.
A viagem deste fim de semana não foi assim. Levei um livro, como de costume. E tanto na ida quanto na volta me surpreendi com um ônibus morbidamente quieto. Nenhuma criança chorando. Nenhuma paragem desnecessária. Nenhuma conversa às alturas. Ao invés de aproveitar o tempo para ler (como seria de se esperar, afinal, o ônibus estava em silêncio), resolvi utilizá-lo para refletir. Fazia tempo que não reunia todas as condições (tempo livre, silêncio absoluto, inexistência de outra opção do que fazer) para estabelecer um diálogo com minha consciência – e a viagem serviu para que metas e prioridades fossem revistas e traçadas para a minha vida.
No meio disso tudo, percebi o quanto valorizo o silêncio. Quando eu morava sozinha (e apesar das inconveniências de se morar sozinha :P), eu gostava de poder estudar a hora que eu bem entendesse, sem que ninguém pudesse interferir na minha vontade. Parei de ver televisão porque eu me irritava com o barulho. Aprendi a apreciar os momentos – cada vez mais raros – de total inércia e solidão.
Hoje, não tenho essa total liberdade. Não que a minha irmã seja uma metaleira ou algo do tipo, mas, como toda mortal normal, ela assiste televisão e escuta música de vez em quando. Já não tenho total silêncio o tempo todo. Além disso, há outras atividades a desempenhar, outras coisas para se fazer... as horas dedicáveis a leituras ou estudos ficam cada vez mais escassas. E tenho ido cada vez menos a Bagé – o que em tese, exceto por hoje, se traduziria em menos tempo para ler e refletir. Acho que estou precisando de maiores doses diárias de silêncio. Por que o mundo é assim tão barulhento? Por que temos que ser produtivos o tempo todo?




sábado, 1 de julho de 2006

  TV Digital no Brasil

O presidente Lula (finalmente) assinou nesta quinta-feira, dia 29 de junho, um decreto formalmente reconhecendo a escolha do padrão japonês como base da implementação da televisão digital no Brasil. O decreto cria o SBTVD, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, que utilizará como base o padrão japonês. Entretanto, muitas medidas ainda deverão ser seguidas até que as transmissões digitais possam ser efetivamente iniciadas.
Embora já se falasse em televisão digital há um bom tempo no país, foi só no último ano que o debate se tornou acirrado. O governo brasileiro estava dividido entre os padrões japonês (ISDB), europeu (DVB) e americano (ATSC). Essa indefinição já estava se prolongando por tempo desnecessário, pois há muito tempo já se reconhecia que o padrão japonês era o que melhor atendia às necessidades que o governo brasileiro pretendia suprir com a televisão digital (possibilidade de transmissão em movimento, utilização de tecnologia local, entre outros fatores).
A proposta é de que em até 10 anos seja realizada a total transição do padrão analógico para o digital. Até lá, os dois sistemas irão coexistir, e os brasileiros deverão ter a opção de comprar novos televisores já adaptados para a tecnologia, ou então adaptar os aparelhos que possuem, através da aquisição de retransmissores, que deverão custar em torno de 100 reais. A venda dos adaptadores deverá ser iniciada em até um ano. Dentro do mesmo prazo, deverão ser iniciadas as primeiras transmissões de TV Digital no país, inicialmente em São Paulo. A previsão é de que até julho de 2013 a TV Digital atinja todo o país, e até 2016 o sinal analógico deverá ser extinto.

(Será este o) fim da novela da TV Digital(?)

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  Propaganda do guaraná

Fatos absurdos e interpretações possíveis a partir de uma observação inocente da propaganda do Guaraná Antártica:




1. Jogar na seleção brasileira é ruim (e, por isso, ao invés de sonhos, os melhores jogadores do mundo têm pesadelos).
2. Guaraná Antartica é ruim (faz a pessoa ter pesadelos).
3. Maradona é ruim (porque não joga na seleção brasileira).
4. Guaraná Antartica em excesso pode ser prejudicial (causa alucinações).
5. Guaraná Antartica é um tradutor simultâneo (sob o efeito deste, qualquer um fala português).
6. [Ou, o que é pior...:] Maradona fala português.
7. Maradona cantando o hino nacional brasileiro.
8. Maradona vestindo a camiseta da seleção brasileira.
9. Qual o nexo de causalidade que se pode estabelecer entre sonhar em jogar na seleção e beber guaraná Antártica? (quem bebe sonha, ou quem sonha bebe? Mas, em ambas as hipóteses, onde entra o fator “ser um dos melhores jogadores do mundo”?)

A propaganda é divertida, apesar de tudo.
Parece meio sem sentido falar de futebol depois que o Brasil foi eliminado da Copa, mas.... Ah, enfim... o Brasil que Zidane!

Obs.: o que (ainda) não tem no YouTube?


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