terça-feira, 31 de julho de 2007

  Formas alternativas de buscar por informação

Como encontrar músicas usando o del.icio.us:*
1. Entre em “http://del.icio.us/tag/system:filetype:mp3”. Isso irá mostrar uma lista com todas as mp3s que estejam salvas no del.icio.us.
2. Para buscar música de um artista em específico, acrescente “+NomedoArtista” ao final da URL inicial (http://del.icio.us/tag/system:filetype:mp3+NomedoArtista)
3. Para ouvir, basta clicar no nome de cada uma das músicas. Para salvar uma cópia, clique com o botão direito do mouse sobre o link e escolha “Salvar destino como”.

Essa é apenas uma das formas – e, certamente, não a mais eficiente - de procurar por mp3 sugeridas pelo resultado para “How to Download Free Music” do Mahalo. Na página, há ainda várias outras sugestões interessantes de como encontrar música gratuita na internet.

O Mahalo é uma espécie de sistema de busca cuja proposta é elaborar manualmente páginas de resultado para os 10.000 termos mais procurados na internet. A julgar por alguns dos resultados que já podem ser encontrados, o Mahalo tem tudo para mudar nossa forma de buscar informações na web em um futuro próximo. (O Marcus também fez um post sobre o Mahalo algum tempo atrás).

Outra proposta interessante é a do Hakia, um sistema de busca que procura por semântica. A idéia é apresentar a resposta para o que se procura já na página de resultados, mas sem que haja intervenção humana. Funciona bem em inglês. Entretanto, é só tentar procurar por algo em algum outro idioma que os resultados se tornam desastrosos.

O Powerset, com lançamento previsto para setembro, também é (promete ser) um sistema de busca inovador. A aposta é no modelo open source para construção do sistema. (A página do buscador traz um formulário para que os interessados em acompanhar o desenvolvimento do produto se cadastrem).

Assim como esses sistemas, há muitas outras novas alternativas pipocando por aí. Tudo para tentar derrubar a ditadura do PageRank e acabar com o monopólio do Google!

(Falando nisso... enquanto não aparecem buscadores inteligentes em português, que tal economizar luz usando o bom e velho sistema do Google?)

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* tradução livre a partir do resultado equivalente no Mahalo

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Para aqueles não abrem mão de usar o bom e velho Google: não percam este post da Carla, sobre dicas de como obter melhores resultados em qualquer sistema de busca.

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  Termos jurídicos absurdos, parte 8

Consolidação – nas relações civis, diz-se que há consolidação quando o que já era dono de uma parte se torna dono do todo (ou porque comprou a parte do(s) outro(s), ou por qualquer outro motivo)

Exemplo de aplicação na vida prática:

“Estavam todos discutindo, mas eu comecei a falar sobre girafas e consolidei a conversa”

(Okay, o termo consolidação já tem bastante utilidade prática por conta própria... :P)
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Outros termos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

  Comprando um remédio

Eu estava em casa, sem nada para fazer, e tive a brilhante idéia de fazer papel de palhaça ir na farmácia que fica na esquina onde moro para comprar um remédio (na verdade, estava atrasada para chegar na aula, mas isso é detalhe). Cheguei lá e não tinha. Aí o vendedor ligou para outra farmácia da mesma rede, confirmou com o ser do outro lado da linha que o produto estava disponível no estoque da outra loja, e me remeteu ao outro endereço. Cinco quadras adiante, na outra farmácia da mesma rede, chego e pergunto pelo mesmo remédio. O vendedor disse que estava em falta. Então repito toda a situação, digo que o vendedor da outra farmácia tinha ligado para lá e garantiram que o produto estava disponível no estoque. Aí o vendedor, num brilhante gesto de generosidade, ligou para outra loja da rede, uma terceira farmácia de mesmo nome. E sim, supostamente lá teria o remédio que eu procurava. Mas dessa vez não caí na armação deles. Não, eles não me remeteriam a cinco quarteirões adiante mais uma vez, para chegar lá e descobrir que há uma quarta farmácia da mesma rede e que talvez tenha o remédio. E depois me remeteriam à quinta, à sexta... Sabe lá se não seriam infinitos estabelecimentos, num total monopólio de nosso tempo e dinheiro. Reclamei – de leve – da falta de consideração do estabelecimento com seus clientes, e fiz o caminho de volta até minha casa, com a promessa de parar em qualquer farmácia que tivesse no meio do caminho para comprar o remédio. Duas quadras adiante (ou a três quadras da farmácia da esquina da minha casa, como preferir) encontrei uma farmacinha simpática que nunca tinha visto. Entrei, pedi o remédio. E em menos de 30 segundos já estava saindo do estabelecimento com o medicamento em mãos. Simples, rápido, fácil, prático. E garanto que eles não têm várias farmácias interligadas em rede para remeter os clientes na vã ilusão de encontrar logo o alívio para seus sintomas mais insistentes...
Dica para funcionários de farmácias: não façam uma asmática cuja doença se manifesta por esforço físico continuado caminhar várias quadras para comprar o refil do inalador. Vocês correm o risco de perder a cliente para uma farmacinha pequena que fica apenas três quadras adiante.
Máximas de experiência: nem sempre o lugar mais perto de casa representa a melhor opção para comprar alguma coisa.

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domingo, 29 de julho de 2007

  Hipertexto

“Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos
(Pierre Lévy em As Tecnologias da Inteligência)

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sexta-feira, 27 de julho de 2007

  Ateísmo como mito

Ontem na faculdade tivemos uma aula interessante sobre a relação entre mitos e ciência. Várias reflexões acerca das múltiplas conexões existentes entre os dois assuntos foram suscitadas. Ambos se relacionam em situações como, por exemplo, no fato de que a ciência pode partir dos mitos para tentar descontruí-los, ou, no sentido inverso, quando os mitos aparecem como óbices ao desenvolvimento da ciência.

Lá pelas tantas, a discussão tomou um rumo religioso. Passou-se a discutir deus e o mistério da vida. Aí o professor começou a criticar os ateus. Não os ateus em geral, e sim aqueles que simplesmente negam a existência de deus, mas sem que tenham uma explicação para isso – para o professor, essa espécie de crença seria um mito muito mais forte que o de alguém que crê em deus, porque a crença do não crer (a força que se faz para não acreditar, mesmo sem motivo) requer muito mais esforço.

Daí comecei, ali mesmo na aula, a repensar meus conceitos. Por que, afinal, não creio em deus? Passei a fazer um esforço mental para recordar os argumentos principais de Umberto Eco no simpático debate com o padre Carlo Maria Martini na obra “Em que crêem os que não crêem”. Lembrei que Eco defendia que os que não crêem em deus ao menos crêem em alguma coisa, talvez não tão sobrenatural, mas algo que dê sentido às suas vidas. Lembrei também que tinha parcialmente concordado com isso à época em que li o livro*.

Quando já estava quase desvendando o mistério da revelação divina, quase (re)encontrando um sentido na vida (e enquanto o professor continuava a atacar os ateus-rebeldes-sem-causa), eis que uma colega minha decide lembrar a todos que eu sou atéia. Todos os olhos se voltaram a mim (sensação de deja vù), e, sob pressão (talvez numa tentativa desesperada de se livrar logo de tanta atenção), não consegui balbuciar uma explicação melhor que “Não acredito em deus, mas não tenho argumentos”. Pronto. Virou obrigação moral minha a partir de agora encontrar argumentos para a não-crença. Preciso acreditar em alguma coisa, nem que seja no poder irrestrito do nosso próprio esforço para mudar nossas vidas...

Detalhe. Note que a discussão toda se deu em uma universidade católica. Mesmo que eu tivesse argumentos, talvez não fosse lá muito saudável expô-los.

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* Auto-citando-me, sobre o livro:

“O diálogo é de alto nível, e ainda é complementado pela participação de outros intelectuais europeus. A conclusão que parece chegar o livro é a de que, mesmo aqueles que não crêem (em uma revelação divina), ainda precisam acreditar em alguma coisa. Até o mais ateu dos ateus precisa acreditar que está vivo. Precisa crer que é um ser humano. Precisa confiar nos indivíduos. Do contrário, sua vida estaria perdida. Também é interessante ver/perceber que em muitos pontos ateus e crentes concordam, sem que isso afete como realmente pensam”
(eu, em dezembro de 2005 - reparem que, em 2005, eu também tinha colocado a expressão "alguma coisa" em itálico)

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quinta-feira, 26 de julho de 2007

  De como fui abduzida

Eu estava dirigindo por uma estrada de chão, próxima à minha cidade, sozinha no carro, à noite, sem que passasse qualquer outro veículo pelo caminho. De repente, uma luz forte se aproximou, e era tão intensa, tão poderosa, que me fez parar o motor do carro (ou o motor do carro parou sozinho porque a luz era intensa demais?). Era uma luz azul, realmente intensa, brilhante. Tomada por uma força repentina, decidi sair do carro e seguir em direção à tal luz azul. Afinal, azul é minha cor preferida. Não sei ao certo o que aconteceu, só lembro que a luz brilhava muito (já mencionei que era uma luz intensa?). Depois, não lembro de mais nada. Só sei que cheguei ao meu destino com um atraso de quatro horas. E senti sonolência, muita sonolência.
Quer dizer, eu nem tenho como ter certeza de que fui abduzida, porque só me lembro do clarão. O resto são memórias, reminiscências, lapsos de rememoração, algo como ter em mente a imagem fixa de criaturas de aproximadamente meio metro de altura, seres marrons, com pele com consistência de uma casca de árvore, e três olhos (sim, três olhos).
Mas isso também não quer dizer muita coisa. Afinal, toda e qualquer experiência humana é subjetiva.

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Versão alternativa: Fiquei dois dias sem postar empolgada lendo os primeiros capítulos de Harry Potter and the Deathly Hallows.

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Pronto. Escolham a versão em que quiserem acreditar.

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Da série “desculpas esfarrapadas para se dar quando não se tem um motivo concreto para ter deixado de postar por dois dias”.

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terça-feira, 24 de julho de 2007

  Como escrever uma história de ficção 2.0

Quer pegar carona do sucesso de Harry Potter (72 milhões de cópias vendidas em apenas 24 horas) e escrever seu próprio livro de ficção? O Read/WriteWeb traz a dica bem-humorada de como escrever uma história utilizando-se apenas de recursos baseados na Web 2.0.

Há apenas uma ressalva a ser feita: o NaNoWriMo não é tão maluco assim. E, ao menos no ano passado, eles tinham uma parceria com o Lulu.com, o que permitia receber uma cópia impressa da história gratuitamente. Aliás, essa semana o segundo leitor terminou de ler minha história de 2006 (a partir da única-cópia-impressa-que-existe-no-universo). Ele deu algumas dicas de como melhorá-la (seria o cúmulo da pretensão querer ter escrito uma obra perfeitamente bem acabada em 30 dias), e se entusiasmou em escrever uma história também :) Ah, e ele reclamou do final. Eu odeio ter que terminar histórias, daí geralmente ou faço um final muito nada a ver, que encerre de vez a trama, ou então deixo o final em aberto, o que deixa aquela sensação de "tá, mas e o fim?". Na nanonovel em questão, fiquei com a primeira opção.

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segunda-feira, 23 de julho de 2007

  A relatividade da história

ou... “tome cuidado com o que você diz por aí”.

O general Maximiliano Hernández Martínez teria afirmado uma certa vez que “É um crime maior matar uma formiga que um homem, porque o homem reencarna, ao passo que a formiga morre definitivamente”. A frase pode ser perfeitamente lógica, mas seu conteúdo é um absurdo. Para entendê-la melhor, é preciso analisar o contexto histórico em que foi proferida (e também o que passava pela cabeça do maluco que disse isso).

Martínez foi ditador de El Salvador no período entre 1931 e 1944. Seu governo foi marcado por atitudes sangüinárias de extermínio, em especial relacionadas ao racismo (índios, negros e palestinos). Argumentar que o homem reencarna certamente é um bom caminho para justificar uma mortandade massiva. Mas, apesar de sacrificar vidas humanas, o general respeitava um monte a natureza e os outros animais. Martínez era um teósofo. A Teosofia é uma espécie de saber que procura estabelecer uma relação entre Filosofia, Religião e Ciência. Segundo o site da Sociedade Teosófica do Brasil, a teosofia não é nem um credo, nem uma religião – embora tenha servido como embasamento para a criação de algumas correntes, como os movimentos Wicca e New Age. A partir disso, também é possível entender outra pérola proferida pelo ditador, “É bom que as crianças andem descalças. Assim recebem melhor os eflúvios benéficos do planeta, as vibrações da terra. As plantas e os animais não usam sapatos”, em resposta a uma oferta de doação de sapatos a alunos carentes de escolas públicas em seu país.

Também não dá para se basear apenas nisso e achar que o cara era completamente maluco. Afinal, ele também disse que não acreditava na história, porque “A história é feita pelos homens e cada homem tem sua paixão favorável ou desfavorável”.

A frase das formigas é citada no livro “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano. Galeano se refere a Martínez como “un brujo vegetariano y teósofo”, e enumera algumas outras de suas maluquices, como o costume de enviar notas de condolências aos pais de suas vítimas, ou o relógio de pêndulo que usava para sinalizar se sua comida estava ou não envenenada.

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sábado, 21 de julho de 2007

  The 5k

No ano de 2000, um concurso de sites na web inovou a forma de se pensar em webdesign. Para ganhar, ao invés de usar complexos códigos em html, ou explorar ao máximo os incipientes recursos de java e flash da época, o the 5k convidava seus concorrentes a pensar em algo bem mais simples. A regra era fazer um site que tivesse, no máximo, 5kb - o equivalente a 5120 bytes. Para competir, era preciso usar o máximo de criatividade para condensar uma idéia original em tamanho tão ínfimo. De nada adiantava fazer um site bonito esteticamente, mas que não tivesse utilidade prática nenhuma (de fato, a competição contemplava categorias como "funcionalidade", "aparência", entre outras, para compensar o trabalho daqueles que se dedicavam a apenas um aspecto em suas produções minimalistas). O vencedor, escolhido por um júri de especialistas no assunto, era o indivíduo que conseguisse fazer a página que melhor conseguisse resumir todos esses requisitos em 5kb de conteúdo. Havia prêmios em separado para aqueles que fizessem a página inteira usando apenas html e os que também se utilizassem de outros recursos.

Histórico do 5k

A partir de uma breve consulta à WayBack Machine do Internet Archive, encontrei as informações relativas ao concursos dos anos 2000, 2001 e 2002. Em todos eles é possível acessar a lista e o resumo dos participantes e vencedores, mas, infelizmente, não é possível acessar a página de nenhum dos competidores. Ainda de acordo com o Internet Archive, a partir de 2003 passou a aparecer na página principal do site do 5k uma nota avisando que os criadores do site não teriam mais tempo para atualizá-lo. Em 2004, a competição teria migrado para este endereço. Em 2005, o site saiu do ar. E, desde 2006, ele tem esse mesmo visual que possui hoje.

Exemplos de sites em 5k

2000

No ano de 2000, a página do concurso estava localizada em outro endereço (diferente do the5k.org). Por isso, ainda é possível acessar uma lista de alguns dos sites participantes.
O site vencedor foi uma loja virtual completa em 5kb.

Alguns sites interessantes:
Tetris
Jogo Guerra (baralho)
Poema "The great figure", de William Carlos Williams
Galeria de arte
Faça seu próprio quadro de Mondrian
Paródia da famosa obra de Magritte
Teste vocacional

2002

Três dos sites participantes:
Jogo de xadrez
Pixel Ninja
Jogo de ação em primeira pessoa


Em 2001 ou 2002 (não sei o ano ao certo) cheguei a fazer um site para concorrer no 5k. Era uma galeria de fotos de Gilmore Girls em 5kb. A página não está mais no ar, mas as imagens utilizadas são as que constam no menu à direita desta página - os desenhos foram feitos no Paint.

Outros sites realmente muito pequenos

A idéia de fazer sites de tamanho reduzido não é só do 5k. Há outras páginas que seguem essa tendência.

Dentro de uma perspectiva minimalista ao extremo, há o Guimp, que se auto-intitula o menor site do mundo. O conteúdo inteiro é exibido em um quadradinho de 18x18 pixels. Há até mesmo um blog inteiro dentro dele.

Há ainda o TinyApps, um site que reúne softwares realmente muito pequenos, como programas de e-mail, navegadores, comunicadores instantâneos, editores html, editores gráficos, entre outros. Como exemplo, há o TinyPiano, ou um piano na tela do seu computador por apenas 24kb :)

Para ir além

Mais informações sobre o 5k podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

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sexta-feira, 20 de julho de 2007

  Post-calhau

A probabilidade de se ter uma idéia original do que escrever em um post é inversamente* proporcional ao tempo livre disponível. (Mas diretamente proporcional à vontade de se encontrar um assunto).



* A justificativa é simples:
Quanto mais tempo se tem, mais chance se tem de ser acometido repentinamente por uma crise crônica de síndrome do cursor piscando na tela vazia (tipo eu, agora) – o que, em casos extremos, pode levar a posts estranhos (como este).

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

  Google poderá ter que indenizar usuário do Orkut

Segundo esta notícia, houve uma decisão condenando o Google a pagar indenização a um usuário do Orkut que teve o perfil clonado. A decisão foi em primeira instância, o que significa que o Google ainda pode recorrer. Mas... em termos práticos, isso significa que, se alguém cria um perfil falso que ofenda um terceiro, ou crie 'comunidades' falando mal de alguém, a rede social onde tudo isso acontece pode ter a obrigação de indenizar. Em que mundo a gente vive?

Fazendo analogia com um blog, é como se alguém sofresse uma ofensa em post ou em comentário (respectiva e analogamente, em perfil de orkut ou em comunidades) pudesse culpar o proprietário da ferramenta que hospeda o serviço (Blogger, Wordpress, e coisas do tipo)???

Claro que a situação envolvendo o Orkut foi bastante peculiar, pois o juiz reconheceu que houve litigância de má fé por parte do Google. Litigância de má fé é o 'termo jurídico absurdo' utilizado quando umas das partes faz de tudo para atrasar o andamento do julgamento. No processo em questão, a Google Brasil afirmava o tempo todo que os dados do Orkut só poderiam ser acessados a partir da Google Inc., e que, portanto, seria preciso oficiar à sede norte-americana da empresa pra se obter alguma informação.

Outro fato interessante é que no processo foi reconhecida a natureza de consumo na relação entre o usuário lesado e a Google - o que justifica a aplicação de dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, bem mais rígidos que o Código Civil brasileiro. A relação de consumo¹ foi identificada pois o Orkut possui anúncios, o que leva a ganhos indiretos por parte da empresa com a manutenção do cadastro do usuário (ainda não processei essa informação direito, mas, ao menos aparentemente, faz sentido).

Por isso tudo, estou achando que alegar que seria possível responsabilizar civil ou penalmente *apenas* quem pratica o ato pelas ofensas à honra praticadas contra terceiros ou por terceiros em comentários de blogs² é completamente insano. No mínimo, pelo Judiciário brasileiro, seria caso para responsabilidade do dono do blog (independente de quem praticasse o ato), ou então, por mais absurdo que possa parecer, a culpa recairia sobre a empresa que disponibiliza o serviço. Forçando a barra, daria para alegar uma espécie de co-responsablização entre a empresa e o dono do blog (ou entre o dono do blog e o terceiro que fez o comentário, dependendo do caso), seguindo o que diz a Lei de Imprensa (para isso, seria preciso ainda admitir que um blog é um veículo de imprensa!).

Entretanto, como o Direito se constrói basicamente por correntes de pensamento (há sempre os que defendem A, os que defendem B, e os que defendem um meio termo possível entre A e B), nada impede que se defenda tudo ao contrário do que diz atualmente a jurisprudência (tipo, vou me filiar à "corrente B da responsabilização em blogs" :P).

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¹ Não sei se sei fazer essa distinção, mas... há relação de consumo quando um fornecedor de um produto ou serviço o faz profissionalmente, como quando uma empresa que vende bicicletas oferece o produto a um potencial comprador. Entretanto, não seria relação de consumo se um colecionador de bicicletas decidisse vender um de seus exemplares para outra pessoa. Nesse caso, tanto vendedor quanto comprador seriam sujeitos com iguais condições sócio-econômicas (tipo, não há um lado teoricamente mais forte e um lado teoricamente mais fraco).

² O que eu pretendo fazer em um trabalho para a faculdade (que provavelmente nunca vai ser lido, diga-se de passagem).

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

  Analfabetismo funcional em SAC

Pergunta enviada no dia 16/07 para o e-mail de SAC da Americanas:

Dúvida: Tempo de entrega"Se eu comprar um notebook hoje pela internet, com pagamento pelo cartão, quanto tempo mais ou menos ele levará para chegar ao interior do Rio Grande do Sul? Consta na página que o produto em questão está disponível no estoque da loja"


Resposta recebida hoje, dois dias depois (tarde demais: o computador já foi comprado, via Dell).

RE: Dúvida: Tempo de entrega"Prezado Cliente,
Agradecemos o seu contato e aproveitamos esta oportunidade para informar que para efetuar a compra em nosso site é necessário seguir os seguintes procedimentos:Localizar o produto que você deseja, incluir o produto na sacola de compras e clicar no botão COMPRAR - COLOCAR NA SACOLA. Faça seu cadastro (caso não tenha), escolha o endereço de entrega, a forma de pagamento e para finalizar confirme a compra. Para maiores informações acesse o link: [endereço]
Qualquer dúvida estaremos a sua disposição.
Ter você como cliente é uma enorme satisfação.
Para mais informações sobre o nosso site acesse o nosso link de auto-ajuda [mesmo endereo de antes].
Americanas.com agradece o contato.
Atenciosamente,
[Nome do indivíduo que respondeu (!?) à minha pergunta]"



A situação merece um printscreen.


Veja bem, a parte principal da minha pergunta era: "Quanto tempo?". A resposta explica COMO comprar, e ainda por cima em um tom que praticamente admite que o interlocutor (no caso, eu) é um completo analfabeto digital (eu seria incapaz, por exemplo, de deduzir por conta própria que para comprar o produto tem que clicar no botão 'COMPRAR')
E de que adianta eles colocarem à disposição para responderem as dúvidas, se são incapazes de responder o que é efetivamente perguntado? Pensei em ser feliz e mandar novamente a mesma pergunta - só como teste. Será que vão enviar a exata mesma resposta?
(Se bem que, forçando a barra, até dá para dizer que esse procedimento descrito no e-mail responde a minha pergunta, porque, ao finalizar a compra, o site informa o tempo estimado para a entrega)
Ainda bem que nunca comprei nada na Americanas.com.

A eficiência do SAC da Americanas só não ganha do Fale Conosco do Terra, que já fez algo relativamente pior.

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terça-feira, 17 de julho de 2007

  Princípio da ponderação entre espetáculos

Pelo princípio da ponderação entre espetáculos, com o acidente da TAM, o Pan provavelmente irá perder grande parte do espaço que vinha ocupando na mídia de massa. É assim que a lógica da mídia funciona: um espetáculo novo absorve o anterior. E a probabilidade de se sobrepor aos demais é diretamente proporcional ao número de vítimas.

Apesar da tragédia, minha veia investigativa já pensa em aproveitar o tempo livre decorrente das férias para analisar as notícias sobre o fato. Sádico demais? Há aspectos interessantes decorrentes da busca pelo tempo real, como esta manchete do Terra. Na tevê tem havido bem mais deslizes que no jornalismo online. Também dá para notar a força do jornalismo colaborativo - grande parte das fotos do Terra e do Estadão foram enviadas por leitores.

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Update - acompanhe a evolução da cobertura online e colaborativa a partir do Intermezzo.

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18/07 - Ainda sobre o acidente:
- Fiz um post parecido sobre o avião da Gol que caiu em setembro passado.
- E o André lenvantou algumas das pérolas da tragédia de ontem, citando, por exemplo, este post do Alex Primo sobre uma notícia do ClicRBS anunciando a morte de alguém que não morreu...

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O acidente também permitiu um exemplo prático do "jornalismo wikipediniano" em ação. A página da Wikipédia sobre o acidente, atualizada por vários colaboradores anônimos simultaneamente, apresenta um relato completo da tragédia, e recebe novos dados em tempo real.

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Outro post antigo relacionado, desta vez sobre espetáculo.

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Update - 11/08 - já que o Terra resolveu ser feliz e mudar o título da notícia quase um mês depois do acidente, fica aqui o link para o post do Marmota com um printscreen da manchete errada.

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  Medidas profiláticas

Em farmacologia, o uso profilático de um medicamento significa tomá-lo antes de desenvolver a doença, como uma medida para evitar que a doença se manifeste. No senso comum, o tempo todo adotamos medidas profiláticas para evitar que algo de ruim nos aconteça - que vão desde atos que impeçam doenças, como sair de casa agasalhado em dia frio para evitar uma gripe, a atos que evitem coisas mais abstratas, como evitar passar por debaixo de escadas ou quebrar espelhos para impedir, ahm, mau agouro.

Na web, Profilactic (sim, o nome é terrível) é uma página totalmente baseada na Web 2.0 cuja premissa é evitar que as pessoas tenham uma crise de identidade digital. A página tem um visual totalmente Web 2.0, com linguagem 2.0¹, e, para completar, desde o dia 13 de julho, está em uma versão 2.0.

Basicamente, a idéia é muito mais interessante na teoria do que na prática. Mas o Profilactic funciona assim: como em toda rede social, você se cadastra, cria um perfil, adiciona amigos e participa de comunidades preenche uma lista com as contas que você tem nos diferentes sites. A página tem suporte para vários sites, como Pownce, Twitter, Tumblr, Flickr e 43things. Para esses sites, basta colocar seu nome de usuário, e o próprio Profilactic se encarrega de importar os dados necessários. Mas, na prática, dá para incluir manualmente qualquer página que você tenha cadastro, o que permite que se acrescente blog, fotolog, e qualquer outra coisa na qual você algum dia tenha se cadastrado por mera curiosidade mesmo com o risco de nem se lembrar que o site existe alguns dias depois.

Depois de preencher esses dados, o site monta um mashup com toda essa informação, misturando fotos, textos, desenhos, metas, frases e tudo o mais que você tenha produzido na web em uma página única, que pode inclusive ser assinada e distribuída via feed para seus amigos. Também dá para fazer um mega feed que reúna toda a produção de todo mundo que você conhece (claro que isso só vale se as pessoas que você conhece também tenham conta no Profilactic). Basicamente, como toda ferramenta Web 2.0, só tem graça se mais gente também usar.

Na teoria, até que o site é interessante. Na prática, eles esqueceram que, ao se criar uma nova conta na web, está-se intensificando a crise de identidade, e não atenuando-a - tenho certeza de que daqui uns 10 dias, no máximo, eu já vou ter esquecido que o Profilactic existe. Assim como eu já tinha esquecido que possuía conta em muitos dos sites para os quais o Profilactic oferece suporte. Esse é o problema da Web 2.0: há muitas idéias bacanas proliferando por aí. Mas os desenvolvedores de produto esquecem que as pessoas não têm tanto tempo assim para administrar múltiplas contas, em múltiplos sites, para múltiplos objetivos diferentes.

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¹ Linguagem Web 2.0

Linguagem feliz e pseudodivertida também seria uma tendência da Web 2.0? Essas são algumas das frases com as quais me deparei ao explorar o site pela primeira vez:
"Please log in below to finish the setup process. It gets much more fun after this. We promise."
"NOTE: Required fields are marked with an *. All other fields are optional... but you're really pretty lazy if you don't fill them out."
"BTW, if you wanna see how it works, just click this link."
A seção de FAQ do site também traz umas sacadinhas bem-humoradas, como nas respostas às questões "Why is this FAQ so out of date?", "Why did you pick such a stupid name?", e "How do I know that you won't sell info about me to some evil corporation?".

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sábado, 14 de julho de 2007

  Pensamento não-linear

Não sei o que há de errado comigo, mas, ultimamente, meus pensamentos todos têm saído de forma totalmente não-linear. É como se uma coisa fizesse lembrar outra coisa que tivesse a ver com outra coisa que se relacionasse com outra coisa que, por sua vez, despertasse em mim a lembrança de alguma outra coisa, que -- legal! nunca tinha reparado o quanto essa florzinha ao lado do monitor é interessante. Bem verm- Um gato miou no telhado? Poxa, já é 14 de julho. Em seguida recomeçam as- não posso me esquecer de responder aquele e-mail! Quer saber? Vou fazer isso agora mesmo. Mas, espere aí, onde é que eu estava mesmo? Ah, sim, estou escrevendo um post para o -- o que aquela caixa faz na estante dos livros?? Eu, hein, que coisa mais sem noção. Esse escritório está uma bagunça. E não é culpa minha, porque, tecnicamente, eu não mor- por que as pessoas nessa foto de 1994 estão vestidas com roupas esquisitas? Será minha percepção que é diferente agora? (as roupas não deveriam parecer esquisitas à época em que a foto foi-- E se a porta do armário cair, será que bate na minha cabe- POR QUE RAIOS A IMPRESSORA ESTÁ LIGADA? Ah!, lembrei, tenho que terminar de baixar aquele dicionário para continuar a tra- Não, eu NÃO quero passar o antivírus agora. Computador com vontade própria, era só o que -- opa. Já ia me esquecendo de revisar minha parte do rel- Já sei! Já sei!!! Tive uma idéia ótima para um post. Se bem que... eu já não estava escrevendo um? Sobre o que que era mesmo? (...)

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sexta-feira, 13 de julho de 2007

  Infração virtual, julgamento real

E para não fugir totalmente da temática 'oficial' deste blog...

A empresa Eros, especializada em produtos para, ahm, diversão sexual, iniciou um processo contra Volkov Catteneo por violação de copyright. Até aí não há nada demais na história, exceto pelo fato de que a Eros cria produtos virtuais, e que Volkov Catteneo é, na verdade, um avatar de Second Life.

O processo, iniciado no começo deste mês, corre em uma vara cível da Flórida. Representantes da empresa de produtos adultos virtuais alegam que o avatar em questão teria encontrado uma forma de violar o impedimento de se fazer cópias dos produtos feitos pela Eros.

Embora a Linden Lab tenha uma mentalidade quadrada e mantenha o código do Second Life fechado (o futuro é open source), a propriedade intelectual é resguardada a tal ponto no Second Life que a cada um é assegurado todos os direitos sobre suas criações. São os criadores dos produtos que decidem se ele será copiável livremente, ou se terá acesso restrito. É possível, por exemplo, determinar a aquisição mediante pagamento em L$, mas com uma cláusula que impeça a reprodução do produto.

As cópias não autorizadas feitas por Catteneo estariam provocando uma diminuição nas vendas (e, conseqüentemente, uma perda nos lucros em dinheiro real) da empresa Eros. E é nesse ponto que a questão se torna relevante para se acionar o Judiciário: embora se trate de um mundo virtual, lida-se com dinheiro real.

Quanto ao réu, consta no processo apenas o nome do avatar, e uma presunção de que se trata de um cidadão americano. Não se tem maiores detalhes sobre Catteneo, e, por isso, os advogados da Eros solicitam que a Linden Lab ou o PayPal liberem dados do usuário.

E aí, o Second Life "é só um joguinho"?
(Talvez, para levar a sério a demanda, seja preciso abstrair o fato de que se trata de uma empresa que vende produtos sexuais em um ambiente virtual tentando processar um avatar, algo que soaria totalmente absurdo alguns anos atrás, mas que poderá se tornar rotina, à medida que novos e complexos ambientes virtuais surjam... O futuro digital é bizarro)

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  Colocando a inteligência coletiva para funcionar

Nada como a Web 2.0 e o espírito de colaboração - e uma boa dose de inventividade.
O InviteShare funciona assim: você se cadastra, solicita convites para sites que só aceitam novos usuários mediante convite, alguém atende a sua solicitação e, em troca, você precisa também compartilhar seus convites. Nada mais justo. E eficiente (pelo menos do ponto de vista dos usuários; os desenvolvedores talvez não fiquem lá tão contentes).
Em termos práticos:
Solicitei um convite para o Pownce há umas 3 ou 4 semanas atrás a partir do formulário na capa do site oficial. E nada de resposta, até hoje.
Fiz agora há pouco um cadastro no InviteShare, solicitei um convite para o Pownce, e, em menos de 1 minuto, o convite já tinha chegado por e-mail. Agora tenho que compartilhar meus convites com outras pessoas que o solicitem através do InviteShare. Só isso. Melhor do que pagar fortunas no eBay, ou então esperar eternamente pelo convite oficial que nunca veio.
Claro que para receber outros convites a tarefa não vai ser tão fácil assim. A regra básica de funcionamento do InviteShare é: quanto mais convites você envia, melhor sua posição na lista de espera para receber o próximo convite (para outros sites, no caso - ninguém vai ser insano de pedir vários convites para testar o mesmo serviço).
A idéia de compartilhar convites deu tão certo que o site existe há apenas 5 dias e já tem mais de 6 mil usuários.

Via Read/WriteWeb.

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  Lista de feeds em OPML

Fiz algumas modificações básicas no blogroll (tirei links, incluí links, voltei para o 'modo manual') e já aproveitei e acrescentei um pedaço da minha lista de feeds em um arquivo OPML. Ainda falta incluir e categorizar vááários blogs, mas já é um começo. Para alguém que até três dias atrás não tinha nem idéia do que era OPML, até que isso foi um grande avanço.
(Para entender o que é OPML e como disponibilizar sua lista de feeds em um blog, leia este post do Donizetti)

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quinta-feira, 12 de julho de 2007

  O Complô

Hoje, ao assistir ao filme "Teoria da Conspiração", não pude deixar de me lembrar d'O Complô.
Mas e o que é, afinal, O Complô?
Todo mundo sabe o que é O Complô, mas ninguém admite que sabe. O Complô é algo que está em todos os lugares, ao mesmo tempo em que não está em lugar algum. Sempre que algo dá errado, é culpa d'O Complô. Sempre que algo dá certo, também é culpa d'O Complô - porque tudo, absolutamente tudo o que acontece, só acontece porque houve intervenção d'O Complô.
A única maneira de escapar d'O Complô é estar alerta o tempo inteiro para escapar de suas artimanhas. Mas todo mundo sabe (O Complô adora generalizações) que é impossível manter a consciência o tempo todo. Daí então é só baixar a guarda minimamente e O Complô age.
Quando você vai mal na escola, mesmo tendo estudado muito, é culpa d'O Complô. Quando seu chefe pega no seu pé sem motivo (aparente - porque, para O Complô, tudo tem um motivo, embora nem sempre esse motivo seja óbvio), é culpa d'O Complô. Quando você finalmente consegue convencer alguém a sair no final de semana, também é culpa d'O Complô. Basicamente, tudo o que acontece de inusual ou diferente em nossas vidas é culpa d'O Complô. As coisas rotineiras também são obra d'O Complô, mas elas não são percebidas tão facilmente, justamente por já fazerem parte de nossa rotina.
O Complô é também conhecido por outros nomes, inclusive com desdobramentos, como nas Leis de Murphy, ou na expressão clássica de mea culpa, geralmente proferida após ter acontecido algo que seja ou não obra d'O Complô: "isso só podia acontecer comigo".

Em tempo: será O Complô o elemento impeditivo para que se construa uma máquina do tempo? (mas, do mesmo modo, se eu tiver consciência de que ele é o motivo, então, automaticamente, ele deixa de ser o motivo?)

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Não adianta. Não tem como fazer posts sérios durante as férias :P

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quarta-feira, 11 de julho de 2007

  Post-comentário


A Tina, do Universo Anárquico, fez um post sobre o aniversário dela. Empolguei-me com o assunto e fiz um comentário gigantesco sobre a passagem do tempo. Praticamente um post dentro do comentário. Para não perder o "fio da meada", resolvi reproduzir minhas palavras aqui, transformando o comentário em um post de verdade.

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Então, falemos sobre aniversário...
É importante comemorar a data e tudo o mais, pois assinala a passagem do tempo. Mas, mesmo assim, acho um pouco estranho o fato de que a gente admite a falsa-linearidade do tempo a tal ponto que, de um dia para o outro, da noite para o dia, passamos a ter outra idade. É como se o tempo passasse de repente, como se a nossa idade mudasse do nada, quando, na verdade, estamos 'crescendo', 'envelhecendo' a cada dia.
Temos uma idade em número absoluto, dedicamos um certo tempo para nos acostumarmos à idéia de que essa é a nossa idade, internalizamos o número a tal ponto que conseguimos responder com prontidão e quase sem pensar à pergunta "Qual a sua idade?" em um formulário qualquer proveniente da burocracia do mundo. Daí, sem mais nem menos, chega um determinado dia do ano a partir do qual todo o esforço em decorar a nossa idade simplesmente é perdido. Passamos a ter uma nova idade e a ter de decorar um novo número.
O aniversário assinala a data dessa mudança de idade. Mas talvez a mudança não fosse assim tão sem sentido se já tivéssemos a cultura de contar a idade não por dezenas exatas, mas com números quebrados. Algo como ter 31,5 anos, ou 57,8. Ou se, ao invés de medir o tempo por anos, contássemos a nossa idade por conhecimeto adquirido, ou por vivências e experiências. Ou talvez a idade pudesse ser medida por estado de espírito. Ou até mesmo a partir de uma média ponderada entre a idade física e a idade do espírito (com peso maior para a idade que sentimos ter; não importa muito o tempo vivido - este só serve de baliza para termos a noção de há quanto tempo estamos vivos).

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Update 12/07 - a Tina também transformou o comentário em post.

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  A desgraça alheia 'empacotada' como espetáculo para as massas

E o que eu tenho a ver com um ex-síndico que matou o morador de um prédio há 8 anos atrás? É incrível como a mídia (em especial, a televisiva) consegue transformar todo julgamento em espetáculo. A parte interessante é que isso só acontece com crimes bárbaros. Principalmente quando há registro de imagens.
Crimes bárbaros são bastante telegênicos, mesmo que as imagens que se tenha não sejam nada nítidas.

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segunda-feira, 9 de julho de 2007

  Orkut 2.0

Dentro do fenômeno de pipocação de novas redes sociais, dois novos serviços estariam sendo gestados.
O primeiro vem do Google, que patrocinou um projeto de criação de uma página que integrasse várias ferramentas em um só local, ao mesmo tempo que permitisse interação entre os usuários. -- Mas, espera aí, o Google já não tem o Orkut?
O Yahoo também teria planos de lançar uma nova rede social (embora já tenha o 360°).
Resta saber se as pessoas terão tempo de conviver com tantas ferramentas de comunicação digital ao mesmo tempo.

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  Diálogo na veterinária

Diálogo na veterinária hoje à tarde:

- Como é a primeira vez que você traz sua cachorrinha aqui, precisamos fazer uma ficha para ela.
- Ah, tudo bem.
- Nome?
- Gaby. Com ípsilon.
- E o seu nome?
- O meu nome? Er. Ahm. É...
[minha irmã intervém na conversa]
- Gabriela.
[olhar bizarro da atendente]

O que não gosto nessas situações é que geralmente não me dão a oportunidade de explicar que o cachorro já veio "de fábrica" com esse nome (compramos ela com 6 meses, e trocar de nome nessa idade seria uma crueldade com o bichinho). E que a Gaby tecnicamente não pertence a mim.
É por essas e outras que odeio quando a Gaby troca de pet shop.
Talvez eu devesse pensar em um nome alternativo para dar quando levo a cã a esses lugares. "Caqui"? "Babi"? "Aqui"? (Alguma sugestão de algo mais que rime com Gaby? :P)

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  Para entender a polêmica do Ziraldo

ou... “como transformar um assunto polêmico em meme” :P

Siga os passos:
1) Assista ao vídeo
2) Indigne-se à toa
3) Acompanhe a explicação no Contraditorium
4) Volte a gostar de um de seus autores preferidos na infância

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domingo, 8 de julho de 2007

  Muito entusiasmo, pouco uso

Este texto publicado por Clay Shirky no blog Many2Many em dezembro de 2006 (e republicado em português na revista Trópico em maio) sugere que os números de acesso ao Second Life esconderiam um dado fundamental: a taxa de desistência de uso do software é muito grande. Pelo que Shirky diz, as pessoas entrariam no Second Life movidas pela curiosidade, apenas para ver como funciona. Entretanto, a maioria não retorna. Assim, mesmo que realmente tenha havido 1 milhão de acessos nos últimos 60 dias, isso significaria muito pouco em termos práticos, na medida em que mais de 70% desses usuários jamais voltarão ao Second Life.

There’s nothing wrong with a service that appeals to tens of thousands of people, but in a billion-person internet, that population is also a rounding error. If most of the people who try Second Life bail (and they do), we should adopt a considerably more skeptical attitude about proclamations that the oft-delayed Virtual Worlds revolution has now arrived.
No post, Shirky ainda discorre acerca do fato de que o Second Life não seria de fato um ambiente virtual totalmente inovador, na medida em que busca inspiração em outras comunidades virtuais preexistentes. Enfim, vale a pena ler o texto completo.

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  The New7Wonders

Ontem, dia 07-07-07, foram anunciadas em Lisboa as 7 novas maravilhas do mundo. A votação foi feita durante vários meses pela Internet e por telefone. Qualquer um poderia votar pela Internet, bastando que, para isso, fornecesse alguns dados simples, como país e e-mail (e também era preciso confirmar a validade do e-mail).

Como Lynz já havia ressaltado em seu blog, esse sistema de votação era um tanto tendencioso:

“La verdad es que todo esto me parece un cachondeo y bastante poco serio, ya que una misma persona puede efectuar muchos votos mientras pague por ello. No me parece justo. Al final, resultará que las 7 maravillas del mundo moderno estarán en función del país que más dinero se haya gastado en los votos y no en funciópn del valor real que tienen estas magníficas obras patrimonio de la humanidad”

No Brasil, houve uma campanha massiva em prol do Cristo Redentor. Algo como: “veja, temos uma candidata a nova maravilha do mundo, então vamos votar para estimular o turismo no lindo e nada-violento Rio de Janeiro”. Isso talvez seja uma verdadeira política narcisística, uma vez que as campanhas pró-Cristo tentavam convencer as pessoas a votarem no monumento apenas sob o argumento da territorialidade. (Mas será que as outras candidatas, algumas mais antigas, outras mais belas, não mereceriam em iguais condições o título de maravilhas do mundo?)

Além do Cristo, outras seis atrações mundiais receberam o título de “novas 7 maravilhas do mundo”. É possível conferir a lista completa no site. Na minha humilde opinião (de alguém que não conhece ao vivo nenhuma das candidatas), a torre Eiffel não deveria ter ficado de fora. Nem as estátuas da Ilha de Páscoa. Mas talvez para isso fosse preciso aumentar a lista para bem mais que apenas sete itens.

Em tempo: já começou o período de indicações de candidatas para as novas 7 maravilhas da natureza.

Confira também a lista original das sete maravilhas do mundo.

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sábado, 7 de julho de 2007

  Filme: Um Crime de Mestre

No filme “Um Crime de Mestre” (Fracture, 2007), Hannibal, digo, Anthony Hopkins, interpreta Dr. Lecter, digo, Ted Crawford, um homem que descobre que sua mulher tem um amante. Para resolver o problema, Ted decide matar sua esposa quando ela chega em casa logo após ter se encontrado com o amante. Não, eu não estou estragando o final da história. Isso acontece logo nos primeiros 15 minutos de filme. O principal da história não é o tiro deferido contra a mulher, mas a tentativa de condenar Ted pelo crime.

Como em todo julgamento teatralizado norte-americano, há aspectos processuais penais interessantes que são destacados pelo filme. Primeiro, Ted abre mão de ser representado por advogado ou defensor público. Aparentemete, lá nos EUA isso é permitido. Mas não tente parecer cool fazendo isso no Brasil. Por aqui, só é permitida a auto-representação se a pessoa tiver número de registro na OAB. Ou seja, só pode abrir mão de constituir advogado ou de ser representado por defensor público quem já é advogado. Mas como lá isso é permitido, Ted vai em frente e tenta se defender sozinho.

O filme passa uma certa inquietação no telespectador, porque o tempo todo nós sabemos que Ted realmente deu um tiro em sua esposa (a cena é mostrada em todos os seus detalhes, e não há como contestar que foi ele mesmo quem atirou). Mesmo assim, aos poucos vamos percebendo a audácia dos planos de Ted. Seu objetivo é conseguir a absolvição a partir de aspectos meramente processuais: ninguém tem provas de que ele realmente atirou contra sua mulher, uma vez que a perícia constatou que o revólver encontrado na cena do crime não havia sido disparado em nenhum momento.

Inicialmente, a única prova que se tinha era uma confissão assinada por Ted a partir de um depoimento tomado logo após a chegada da polícia em sua residência. O detalhe é que o policial que atendeu a ocorrência era o amante da mulher de Ted (isso também é revelado nos primeiros minutos do fime; não estou estragando o final da história :P), o que abriu caminho para que Ted alegasse no julgamento que o depoimento fora tomado sob forte coação moral. Ora, uma prova tomada de forma coercitiva é considerada uma prova ilícita, e não é admitida em Direito (esse mesmo princípio é aplicado a escutas telefônicas não autorizadas pela Justiça). E, pela teoria da árvore dos frutos podres (fruits of a poisonous tree), uma prova ilícita contamina todas as demais, invalidando todo o argumento de defesa ou acusação que se baseie em tais provas. Assim, mesmo a prova mais cabal possível (a própria confissão do criminoso) não possui valor algum em termos processuais por ter sido obtida de forma inválida, o que praticamente inviabilizaria a condenação de Ted, pelo menos até que se encontrasse a verdadeira arma do crime, ou alguma outra prova igualmente eficaz.

Mas Willy Beachum (Ryan Gosling), o jovem promotor público designado para o caso, que tem um índice de 97% de condenações, não vai desistir enquanto não conseguir desvendar o mistério desse crime.

Outro aspecto processual penal ressaltado é a proibição de duplicidade de acusação (o que tem a ver com a teoria da coisa julgada) e a idéia de que não se pode modificar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, mesmo que elementos novos sejam descobertos depois. Em nome da segurança jurídica, o mesmo fato não pode ser julgado duas vezes. Mas melhor não entrar em detalhes, sob pena de, aí sim, estragar um dos aspectos mais interessantes do final do filme.

No mais, o Anthony Hopkins de “Um Crime de Mestre” é quase um Hannibal. Exceto pelo fato de que Ted não tenta comer o cérebro da própria esposa (praticamente um Hannibal sem carnificina).

---

* em cartaz até terça-feira, 10/07, no Cineart, em Pelotas

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  Perseguição canina

A Gaby, do alto de seus 15cm e 3kg, colocando a Lia, 3x maior e 10x mais velha, para correr.

Prometo que este é o último vídeo da série “elementos disformes que parecem cachorros em cenas captadas a partir de uma câmera de celular de baixíssima resolução”. Até tentei virar a tela para ver se aumentava o tamanho da imagem. Mas não. A realidade me mostrou que (ainda) não tenho um iPhone.

* Música = Bottlefly - Got 2 B Luv

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sexta-feira, 6 de julho de 2007

  Contador de tempo online no Firefox

Stumbleando por aí, encontrei uma extensãozinha de Firefox interessante. O TimeTracker instala um reloginho na barra de status que conta o tempo que a pessoa permanece com a janela do navegador aberta e ativa. Mudar do Firefox para outro aplicativo do computador suspende momentaneamente a contagem do tempo, que é retomada quando se retorna para a janela do navegador. O resultado que se obtém é uma contagem das horas diárias que se passa navegando. Chega a ser assustador.
Nas configurações, é possível ainda excetuar alguns endereços da contagem do tempo online.

Problema prático: a extensão não é compatível com algumas versões do Firefox (ou pelo menos não foi muito com a cara do acomodado Firefox em português do computador de Bagé, embora tenha funcionado perfeitamente na versão equivalente em inglês).

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  Rememoração através dos meios

“Os primeiros tópicos que atraem a atenção dos homens são aquêles que se referem às coisas que êles já conhecem. Se presenciamos algum acontecimento, seja êle uma partida de futebol, um estouro de Bôlsa ou uma tempestade de neve, logo tratamos de ler notícias sôbre êle, em primeiro lugar. Por quê? A resposta é da maior importância para a compreensão dos meios. (...) A experiência traduzida num nôvo meio fornece, literalmente, uma agradável rememoração, um delicioso play-back de um conhecimento anterior”
Marshall McLuhan em Understanding Media (São Paulo: Cultrix, 1964:239)

Isso ajuda a explicar a vontade de querer contar tudo o que acontece em nossas vidas em um blog. Também serve como possível explanação para o fato de que as pessoas que comentam em blogs tenham a tendência a relatar fatos pessoais similares ao do post em seus comentários (naturalmente, isso ocorre porque as pessoas só irão ler o post se a priori se identificarem com o assunto tratado – isso sem falar que só irão ler o blog em si se tiverem um mínimo de afinidade com as temáticas ali abordadas).

Nada como buscar explicações sobre a vida e o mundo em uma obra clássica sobre o papel dos meios... A idéia básica de Understanding Media (e que provocou uma revolução na Comunicação à época em que foi lançado) é a de que os meios de comunicação funcionariam como extensões das capacidades do homem. A televisão, o rádio, a imprensa, e tantos outros meios, atuariam como dispositivos para ampliar o alcance dos sentidos e funções humanos.

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

  Divisórias da calçada


Webcomic xkcd. Mais aqui, aqui, aqui e aqui.

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terça-feira, 3 de julho de 2007

  Meme: Área de Trabalho


Meu desktop, caótico e desorganizado (podem chamar de “legítima preguiça em acomodar arquivos em pastas”). Tenho um complexo sistema de pastas e subpastas para organizar os arquivos. Tudo parte da última pastazinha ali da área de trabalho. Só que o sistema de catalogação é tão cansativo e ramificado que muitos arquivos acabam ficando no desktop ad eternum por falta de paciência para decidir em qual pasta devo arquivá-los. O ideal seria poder separá-los por tags (também seria útil que os próprios arquivos sugerissem suas próprias tags, como no del.icio.us).

Ninguém me passou diretamente o meme, mas já vi em tudo quanto é lugar, e senti-me no direito de me apropriar da idéia. Do blogroll, tem nos blogs de André Marmota, Lynz e Maltut.

[referência obscura: post #666]

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  Termos jurídicos absurdos, parte 7

... ou "O Fantástico Mundo da Evicção"

Evicção

Diz-se que há evicção quando o comprador de uma coisa perde essa coisa para um terceiro em virtude de decisão judicial fundamentada em fato anterior ao momento da compra da coisa. Na ação de evicção, há na verdade o exercício de duas pretensões: uma do terceiro sobre o comprador (para recuperar a coisa) e outra do comprador sobre o vendedor (para receber de volta o dinheiro que pagou pela coisa).

Sujeitos da ação:
Evicto – de acordo com nosso eminente professor de Direito Civil I (UFPel, 2005), ao contrário do que à primeira vista possa parecer, o evicto “não é o marido da Evita”. Piadinhas infames à parte, o evicto é a criatura sem sorte que vem a perder a coisa na decisão judicial promovida pelo evictor.
Evictor – sob pena de ser responsabilizada pela criação de uma piada mais infame ainda que a do professor de Civil, um evictor é mais do que um sujeito de nome Victor com existência virtual. O evictor é aquele que promove a ação para tomar a propriedade da criatura sem sorte (evicto).

É mais ou menos assim: pela evicção, um carinha sem sorte compra uma casa de um sujeito boa pinta. Só que ele não sabe que o sujeito (aparentemente) boa pinta na verdade não era dono da casa. A casa era de um outro sujeito malandrão, que é dono de praticamente todo o pedaço. O carinha sem sorte não sabe disso tudo, e vai morar na nova casa. Mas o sujeito malandrão não espera muito tempo para entrar com uma ação judicial para tomar a casa do carinha sem sorte. E o carinha sem sorte perde a casa dele na Justiça, embora tenha gasto todas as suas economias para adquiri-la. Nesse caso, diz-se que o carinha sem sorte foi vítima de evicção: ele é o evicto. Já o sujeito malandrão é o evictor. Após perder a casa, para o carinha sem sorte só resta entrar com uma ação contra o sujeito (aparentemente) boa pinta que originalmente lhe vendeu a casa, para tentar reaver o dinheiro investido (já que a casa não era do boa pinta, e sim do malandrão).

Esquema prático para entender a evicção:



Confira também as partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

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segunda-feira, 2 de julho de 2007

  Absurdos da vida civil

Um contrato preliminar ocorre quando as partes se obrigam a se obrigarem a fazer algo no futuro. É o contrato celebrado previamente para garantir a celebração de outro contrato mais adiante. Como exemplo, há a promessa de compra e venda, na qual um indivíduo se compromete perante outro a adquirir um determinado objeto mediante o pagamento de um determinado preço. Nesse caso, há, em um primeiro momento, o contrato de promessa de compra e venda. Em outra ocasião, as partes celebram um segundo contrato, que irá regular a compra e venda em si. Se houver registro público dos respectivos contratos, os efeitos são diferentes: a promessa de compra e venda gera o direito real do promitente comprador (ou seja, direito oponível contra todos de que será feito o contrato previamente estipulado), ao passo que o contrato de compra e venda gera direito real de propriedade sobre o bem objeto da relação (também oponível contra todos).

Dá para resumir tudo em poucas frases, até com exemplo. Então por que no livro são mais de 30 páginas, que dão voltas e voltas, e impedem que se consiga manter a atenção do início ao fim da leitura???

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  Prova amanhã

A Gaby* não quer que eu estude.



* Sim, eu tenho um cão com o mesmo nome que eu. Mas ela é Gaby com ípsilon.

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domingo, 1 de julho de 2007

  Vida corrida

Alguém mais tem a sensação de que a vida está passando e a gente simplesmente não está vivendo?

Minha meta de vida para este segundo semestre do ano (que inicia oficialmente hoje) é a de desacelerar - aproveitar mais cada momento, divertir-me mais, preocupar-me menos. Quero simplesmente chegar ao final do mês e poder pensar “eu vivi” e não “já é o mês seguinte”.

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