domingo, 9 de dezembro de 2007

  Sentimento de pertença a um lugar

Em nosso dia-a-dia conturbado, por mais que a gente passe o tempo inteiro viajando, por mais que se fique alternando entre um lugar e outro, e por mais que os lugares pareçam todos iguais, há sempre um lugar que podemos chamar de “nosso lugar”. É aquele espaço ou ambiente para o qual sempre queremos voltar, não importa onde estejamos. É o lugar que consideramos como nosso “lar’.

Os navegadores de Internet – e muitas páginas da web - também se utilizam dessa metáfora, ao estabelecer como “Home” um lugar previamente definido por nós (no caso dos navegadores) ou pela organização (no caso dos sites). Supõe-se que o Home seja um lugar que nos agrade tanto que queiramos sempre voltar para lá.

Supostamente, o lugar de nossas origens, onde plantamos nossas raízes, deveria ser o lugar para onde sempre queremos voltar. Deveria. De tanto que passo o ano alternando entre duas cidades, cheguei a um ponto que já acho que não pertenço a lugar algum. Circulei pelas ruas de Bagé esta semana, e não encontrei sequer um rosto familiar. Os lugares já não são os mesmos, as pessoas já não são as mesmas, tudo é diferente, embora tudo permaneça igual. Até em casa da minha família – a mesma casa de antes – já não me parece um lar. Meu antigo quarto virou um lugar um tanto cavernoso, frio, inóspito. As paredes seguem no tom azul desmaiado – mas ao invés de acolhedoras, parecem que vão me sufocar. As camas são as mesmas, apesar de estarem em outra posição. Mas não são as minhas coisas que estão sobre a escrivaninha. Não são meus os livros que estão na estante. Aquele lugar não pertence mais a mim, não é mais meu lugar.

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Crise existencial suscitada por um formulário bobo de cadastro em um site. Lá tem o campo “Cidade”. Como preencher? De que cidade eu sou? Vale onde nasci, onde estou, ou onde passo a maior parte do ano?

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Update 10/12 – o Sérgio fez uma análise interessante via comentário: “Ou ainda pode ser fruto desse fenômeno que a psiquiatria moderna insiste em não analisar a depressão pós ano letivo”.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

  Metas para os próximos dias

- Parar o tempo e/ou fazer com que os dias tenham mais horas.
- Adquirir o dom da onipresença.
- Resistir à tentação de assinalar “mark all as read” nos mais de mil feeds atrasados no Google Reader.
- Começar e terminar de escrever um livro.
- Voar ou teletransportar-se de um lugar a outro (perder tempo com deslocamento é para os fracos).
- Ler dez livros ao mesmo tempo e colocar lista de leituras em dia.

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domingo, 21 de outubro de 2007

  Relativamente em dia

Resolvi tirar o fim de semana para colocar em dia tudo o que estava pendente em termos de faculdades. Fiz duas peças, redigi dois textos, rascunhei um projeto, li o que precisava ler, preparei uma apresentação, enviei trocentos e-mails, e estou pronta para mais uma semana de aulas.

Em contrapartida, vida social em declínio, blog às moscas, leituras furtivas mais-que-atrasadas, e quarto na maior bagunça. Bagunçada também está minha área de trabalho no PC. Vou salvando todos os arquivos por lá, e depois preciso encontrar tempo paciência para distribuí-los em felizes pastinhas hierarquizadas.

Paradoxo existencial: é impossível dar conta de tudo.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

  O mundo é de quem fazia

Lembram do tempo em que criar uma página no hpG era de graça? Lembram do tempo em que o IG se chamava Internet Grátis, e disponibilizava um horrendo serviço de e-mail (o ieG – Internet e-mail Grátis), além de espaço gratuito para construir sites? Não tenho o direito de reclamar, porque aproveitei ao máximo minha fase de inspirações criativas em ebulição. Criei muitas páginas no tempo em que o hpG ainda era grátis (ainda é; há uma versão, limitada a 5Mb e ao uso do FTP pela web, para quem quiser criar uma página totalmente web 1.0 e sem graça) e em outros serviços gratuitos de hospedagem. Muitas delas já se perderam pelo caminho. Outras tantas ainda estão no ar. A web 1.0 pode até parecer sem graça... mas ela permitia dar vazão a uma excessiva criatividade. Aprender a se destacar era essencial.

A página da minha turma de 7ª série do Ensino Fundamental (!), criada no Geocities (ainda no tempo em que os endereços eram baseados em regiões geográficas reais), gerou uma grande confusão, e tivemos que remover boa parte do conteúdo porque a bibliotecária-barra-professora de Ciências – que tinha acesso diário à Internet – visitou a página um belo dia e percebeu que tínhamos uma coluna para falar mal dos professores. As críticas rolaram soltas pela instituição, e antes que alguém pudesse nos processar por injúria ou difamação expulsar da escola, tiramos a página sobre os professores do ar. Algum tempo depois, a diretora da escola nos chamou para fazermos sugestões de como reformular a página da escola – depois que ela constatou que a “página da turma 171” fazia mais sucesso que o próprio site da escola. O motivo? Tínhamos até bate-papo! Em 1999, bate-papos como o do UOL e do Terra eram os lugares mais freqüentados da Internet. Forçando um pouco a barra, ter um site com bate-papo era o mesmo que seguir as tendências da Web 2.0 hoje em dia...

Também criei muitas páginas no hpG... Principalmente sobre seriados. Meu tosco site de Gilmore Girls continua no ar até hoje - ele foi estranhamente recolocado em um novo diretório dentro do mesmo servidor, ganhou um novo endereço, mas segue no ar. Meio capengo, mas continua lá. Para um site que já teve mais de mil visitas diárias, a modesta média de 50 por dia deixa muito a desejar. Mas considerando que a página não recebe nenhuma grande atualização desde 2004... 50 visitas por dia para um site deixado às moscas, em um endereço obscuro, de um fan site sobre uma série que já acabou, é um índice relativamente elevado.

Conheci muita gente através do site de Gilmore Girls. E o site também foi fundamental para que eu viesse a optar, anos depois, pelo curso de Jornalismo.

Mas meu fanatismo por Gilmore Girls não rendeu apenas um site. Cheguei ao extremo de fazer um segundo site sobre a série, em inglês (e que está no ar até hoje, mesmo com todos os terríveis erros de gramática, ortografia, regência e concordância) e assinar com o nome do cachorro (Lia Z.!), só para poder concorrer duas vezes a um “prêmio” para fan sites sobre seriados. E o mais bizarro de tudo – ganhei com o site fake e perdi com o original.

Eu era uma fã tão estranha de seriados que não me contentava em ter um único site sobre cada série – tinha vários. Só de Friends eram três. O Explosão Friends (?) ainda está no ar [reparem no aviso de ‘melhor visualizado com Explorer 4 ou superior’]. O Clube Friends era o mais forte – junto a ele eu também administrava uma lista de discussões por e-mail sobre a série. Mas não tinha paciência de acompanhar as discussões (fazia parte do fato de contar com conexão discada, limitada a 20 horas mensais), e em seguida a lista começou a despencar. Depois ela foi assumida pela equipe do Friends-Brasil.com (que já não existe mais, por sinal). A lista de Gilmore Girls sobreviveu apenas até o começo deste ano.

Fiz páginas sobre outros seriados. Charmed, Mad About You, The Drew Carey Show, Party of Five, Popular, Ed... Todas elas não existem mais. Também não existe mais a seção de colunas do site Séries Online. A BrasNet é outra que virou lenda. Até hoje mantenho algumas das amizades virtuais feitas através do #gilmoregirls e do #smallville.

Mas nenhum site ganha deste. Criado no bloco de notas do Windows, ocupando no máximo 10kb de espaço em disco, e com um bando de estranhos cadastrados. Nem foi preciso divulgar.

O que mudou nos tempos atuais? Hoje em dia fica tudo mais fácil. Com dois cliques podemos criar um blog. Não é preciso apanhar para um código html que não deu certo, ou sofrer em um limitadíssimo editor gratuito de páginas pessoais. Ganhamos em praticidade. Perdemos em improvisação. -- A vantagem é que sobra mais tempo para interagir com as pessoas :)

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

  Pára-quedismo em ação

Esses dias, durante uma aula no laboratório de informática, notei que uma colega estava fazendo sucessivas buscas no Google, ao invés de realizar a tarefa proposta. Lá pelas tantas, olho para o lado e percebo que ela está lendo este blog (reconheci imediatamente pelos toscos risquinhos azuis à direita; nota mental: já está na hora de providenciar um novo layout para o blog).

Perguntei à colega o que ela estava fazendo ali (também conhecido como "aqui"). Ela olhou para o endereço. Olhou para o nome na parte inferior do post. Olhou para mim. Olhou para a tela. E fez uma gigantesca cara de interrogação. O motivo: a colega tinha chegado ao blog pelo Google, a partir de uma busca por um livro. E estava lá, empolgada, lendo a resenha, sem nem ao menos se dar ao trabalho de conferir quem tinha colocado aquela informação na Internet... Se eu não tivesse olhado para o lado, talvez ela nem teria se dado conta de que o texto que tinha encontrado na web, na imensa e longíqua web, tinha sido escrito por alguém que, naquele momento, estava exatamente ao seu lado...

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Então quer dizer que é assim que funciona com todos os demais pára-quedistas do Google? Para eles, nós, macacos, somos uma grande massa de anônimos na web? Importa mais a informação buscada do que o local onde ela se encontra?

Com toda essa confusão de globalização e pós-modernidade (modernidade líquida, hipermodernidade, ou qualquer outro termo feliz para designar os confusos tempos que estamos vivendo), é efetivamente possível que eu esteja lendo o blog do meu vizinho sem nem ao menos saber a) que é o meu vizinho ou, pior, b) quem é o meu vizinho? Essa perspectiva assusta...

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sábado, 15 de setembro de 2007

  Em busca de idéias

Preciso urgentemente ter idéias! O normal é que elas apareçam sem ter que procurá-las. Elas costumam brotar assim, do nada, espontaneamente. (Na verdade, não é bem do nada. Elas precisam de todo um contexto especial para surgirem. Um contexto que propicie que elas surjam, ao menos aparentemente, a partir do nada. Um contexto em que não seja preciso se preocupar com nada, para que o nada gere idéias - uma mente livre de preocupações consegue ter idéias; sob pressão, não criamos, apenas reproduzimos técnicas repetidas). Quando menos se espera, eis que surge uma idéia.

Lembro de um desenho que vi muito tempo atrás (algo como 2003) no Canal Futura (nos tempos em que eu ainda assistia televisão, em que eu ainda acreditava no potencial pedagógico dos meios), no qual as idéias (graficamente representadas pela letra “i”) continham apenas uma perna. A idéia era simples. Sozinhas, as idéias não conseguiam andar. Mas apoiadas em pessoas que decidissem levá-las adiante, as idéias iam longe.

Estou disposta a apoiar uma idéia, a dar suporte a várias idéias ao mesmo tempo. O problema atual é um pouquinho mais pontual. O problema é: como ter idéias?

Mas não é qualquer idéia que me satisfaz. Tem que ser uma idéia da qual se possa participar de todo o processo criativo de gestação. Do estalo inicial à execução. Do brainstorming acidental ao elogio ou à decepção final. Posso até me sentir frustrada depois, mas o importante é que seja uma idéia própria. Uma idéia minha. Algo que, tanto faz que dê certo ou errado ao final, mas que me faça querer ir até o fim.

Alguma idéia de como conseguir isso?

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

  Intercom 2007

Sobrevivi a cinco dias sem usar computador. Mas valeu a pena. Nos últimos dias, estive em Santos, São Paulo, participando do Intercom. O Intercom reúne todo ano milhares de estudantes, professores e pesquisadores em Comunicação - são vários eventos relacionados às Ciências da Comunicação acontecendo ao mesmo tempo, como oficinas, palestras, apresentações de trabalhos e mostra competitiva.

Até tinha computador por perto. Mas eu me recusava terminantemente a pagar o valor exorbitante cobrado pelo nosso hotel para usar no máximo meia hora de Internet. Preferi limitar-me a breves incursões virtuais via Opera Mini. Como eu não lembrava de jeito nenhum a palavra necessária para postar no blog por e-mail (e também não consegui acesso ao Blogger via mininavegador), continuei atualizando o Twitter (as três últimas atualizações do microblog aparecem ali ao lado no menu do blog – de forma tosca e um tanto caótica). Até tentei fazer uma microcobertura hiperlocalizada de uma única sessão de um evento, mas ninguém estava acompanhando, e acho que, por conta da impossibilidade de edição imposta pelo tempo real, acabei exagerando na crítica – ao menos foi uma experiência interessante. Mesmo que ninguém estivesse acompanhando :P

A única coisa talvez um tanto sem graça (ao menos para mim) no Intercom deste ano tenha sido o Intercom Júnior. Mas ano passado também foi assim. Além de nos isolarem em um prédio separado dos demais eventos (também foi assim em 2006), havia pouquíssima gente na sala (este ano, era, literalmente, só os que iriam apresentar, e o coordenador da sessão; ano passado pelo menos ainda tinha uns 3 ou 4 indivíduos constituindo uma ‘pseudoplatéia’). O agrupamento de trabalhos se dá mais ou menos por tema, o que é interessante – embora eu tenha me sentido meio deslocada para falar sobre jornalismo na Internet para uma platéia que sabe apenas sobre jornalismo. As críticas/sugestões/idéias foram todas no sentido de dar continuidade ao trabalho de forma diferente, explorando novos ângulos jornalísticos - como na idéia de estudar o enquadramento das notícias.

Enfim, cada vez me sinto mais estudante de Comunicação, e menos estudante de Direito; mais acadêmica, menos profissional. Pena que após o congresso a gente precise voltar à (ir)realidade cotidiana, não tão cheia de coisas interessantes a serem feitas ao mesmo tempo...

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Em tempo: só fui perceber que Santos é uma ilha quando já estava dentro dela. Minha noção de geografia é terrível.

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

  Um quase crime impossível

Agora há pouco eu estava no centro da cidade fazendo compras. Como o que eu queria adquirir era algo relativamente simples, e não encontrava em lugar algum, passei a entrar em lojas em que não entraria normalmente – era um ato de desespero. E, ao entrar numa dessas lojas, eis que alarme toca. As vendedoras solicitaram que a gente saísse e entrasse de novo, só para verificar se tinha tocado por nossa causa, ou por algum outro motivo. Entramos novamente, soou o alarme. Daí, em um ato de insanidade, as criaturas pediram para nos revistar antes de poder entrar na loja.

Sim, qualquer cliente em potencial já pode entrar em uma loja com mercadoria furtada. É perfeitamente lógico, racional e possível um cliente entrar na loja já com mercadoria furtada. Algo como, você pensa em furtar alguma coisa, e, pá!, a mercadoria já aparece nas sacolas que você está carregando. Veja bem, eu nunca tinha sequer entrado naquela loja antes. Seria a primeira vez que entraria para olhar alguma coisa. SERIA.

Não tenho culpa se o detector de etiquetas eletrônicas deles é hipersensível. As vendedoras é que tinham que tinham que ter tido o bom senso de ver que é completamente insano pedir para revistar uma cliente que entra na loja pela primeira vez na vida.

Minha reação foi um tanto estranha, confesso. Apontei para a cara da moça que disse que ia nos revistar, comecei a rir sem parar, e disse que seria muito menos irracional, idiota e insano procurar pela mercadoria em QUALQUER outra loja da cidade, já que aquela em específico estava negando a minha ENTRADA. Ela fez uma cara de interrogação (será que demorou para processar a insanidade do ato?) e saímos da loja. Simples. Pelotas tem um zilhão de lojas. Garanto que em qualquer outra eu encontraria muito mais bom senso que naquela.

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Há crime impossível quando, por ineficácia absoluta do meio empregado, é impossível que se consume um delito. Lojas com essas etiquetas eletrônicas são um bom exemplo disso. Por mais que a pessoa tente furtar o produto, ao sair da loja irá inevitavelmente soar o alarme, a pessoa terá sua saída barrada, e não terá havido crime algum. Nesse caso, não se pune nem sequer a tentativa de furto - porque de todo modo seria impossível sair do estabelecimento com a mercadoria.

Entrar na loja errada não é crime. Mas pedir para revistar alguém sem justa causa pode gerar indenização por danos morais...

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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

  Mudança numérica

O problema não é fazer aniversário. O problema não é ‘ficar’ mais velha. O problema é ter que trocar de idade. E perceber que o tempo passa.

Ah! E não menosprezem o Dia do Solteiro :)

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

  Comprando um remédio

Eu estava em casa, sem nada para fazer, e tive a brilhante idéia de fazer papel de palhaça ir na farmácia que fica na esquina onde moro para comprar um remédio (na verdade, estava atrasada para chegar na aula, mas isso é detalhe). Cheguei lá e não tinha. Aí o vendedor ligou para outra farmácia da mesma rede, confirmou com o ser do outro lado da linha que o produto estava disponível no estoque da outra loja, e me remeteu ao outro endereço. Cinco quadras adiante, na outra farmácia da mesma rede, chego e pergunto pelo mesmo remédio. O vendedor disse que estava em falta. Então repito toda a situação, digo que o vendedor da outra farmácia tinha ligado para lá e garantiram que o produto estava disponível no estoque. Aí o vendedor, num brilhante gesto de generosidade, ligou para outra loja da rede, uma terceira farmácia de mesmo nome. E sim, supostamente lá teria o remédio que eu procurava. Mas dessa vez não caí na armação deles. Não, eles não me remeteriam a cinco quarteirões adiante mais uma vez, para chegar lá e descobrir que há uma quarta farmácia da mesma rede e que talvez tenha o remédio. E depois me remeteriam à quinta, à sexta... Sabe lá se não seriam infinitos estabelecimentos, num total monopólio de nosso tempo e dinheiro. Reclamei – de leve – da falta de consideração do estabelecimento com seus clientes, e fiz o caminho de volta até minha casa, com a promessa de parar em qualquer farmácia que tivesse no meio do caminho para comprar o remédio. Duas quadras adiante (ou a três quadras da farmácia da esquina da minha casa, como preferir) encontrei uma farmacinha simpática que nunca tinha visto. Entrei, pedi o remédio. E em menos de 30 segundos já estava saindo do estabelecimento com o medicamento em mãos. Simples, rápido, fácil, prático. E garanto que eles não têm várias farmácias interligadas em rede para remeter os clientes na vã ilusão de encontrar logo o alívio para seus sintomas mais insistentes...
Dica para funcionários de farmácias: não façam uma asmática cuja doença se manifesta por esforço físico continuado caminhar várias quadras para comprar o refil do inalador. Vocês correm o risco de perder a cliente para uma farmacinha pequena que fica apenas três quadras adiante.
Máximas de experiência: nem sempre o lugar mais perto de casa representa a melhor opção para comprar alguma coisa.

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sexta-feira, 27 de julho de 2007

  Ateísmo como mito

Ontem na faculdade tivemos uma aula interessante sobre a relação entre mitos e ciência. Várias reflexões acerca das múltiplas conexões existentes entre os dois assuntos foram suscitadas. Ambos se relacionam em situações como, por exemplo, no fato de que a ciência pode partir dos mitos para tentar descontruí-los, ou, no sentido inverso, quando os mitos aparecem como óbices ao desenvolvimento da ciência.

Lá pelas tantas, a discussão tomou um rumo religioso. Passou-se a discutir deus e o mistério da vida. Aí o professor começou a criticar os ateus. Não os ateus em geral, e sim aqueles que simplesmente negam a existência de deus, mas sem que tenham uma explicação para isso – para o professor, essa espécie de crença seria um mito muito mais forte que o de alguém que crê em deus, porque a crença do não crer (a força que se faz para não acreditar, mesmo sem motivo) requer muito mais esforço.

Daí comecei, ali mesmo na aula, a repensar meus conceitos. Por que, afinal, não creio em deus? Passei a fazer um esforço mental para recordar os argumentos principais de Umberto Eco no simpático debate com o padre Carlo Maria Martini na obra “Em que crêem os que não crêem”. Lembrei que Eco defendia que os que não crêem em deus ao menos crêem em alguma coisa, talvez não tão sobrenatural, mas algo que dê sentido às suas vidas. Lembrei também que tinha parcialmente concordado com isso à época em que li o livro*.

Quando já estava quase desvendando o mistério da revelação divina, quase (re)encontrando um sentido na vida (e enquanto o professor continuava a atacar os ateus-rebeldes-sem-causa), eis que uma colega minha decide lembrar a todos que eu sou atéia. Todos os olhos se voltaram a mim (sensação de deja vù), e, sob pressão (talvez numa tentativa desesperada de se livrar logo de tanta atenção), não consegui balbuciar uma explicação melhor que “Não acredito em deus, mas não tenho argumentos”. Pronto. Virou obrigação moral minha a partir de agora encontrar argumentos para a não-crença. Preciso acreditar em alguma coisa, nem que seja no poder irrestrito do nosso próprio esforço para mudar nossas vidas...

Detalhe. Note que a discussão toda se deu em uma universidade católica. Mesmo que eu tivesse argumentos, talvez não fosse lá muito saudável expô-los.

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* Auto-citando-me, sobre o livro:

“O diálogo é de alto nível, e ainda é complementado pela participação de outros intelectuais europeus. A conclusão que parece chegar o livro é a de que, mesmo aqueles que não crêem (em uma revelação divina), ainda precisam acreditar em alguma coisa. Até o mais ateu dos ateus precisa acreditar que está vivo. Precisa crer que é um ser humano. Precisa confiar nos indivíduos. Do contrário, sua vida estaria perdida. Também é interessante ver/perceber que em muitos pontos ateus e crentes concordam, sem que isso afete como realmente pensam”
(eu, em dezembro de 2005 - reparem que, em 2005, eu também tinha colocado a expressão "alguma coisa" em itálico)

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quinta-feira, 26 de julho de 2007

  De como fui abduzida

Eu estava dirigindo por uma estrada de chão, próxima à minha cidade, sozinha no carro, à noite, sem que passasse qualquer outro veículo pelo caminho. De repente, uma luz forte se aproximou, e era tão intensa, tão poderosa, que me fez parar o motor do carro (ou o motor do carro parou sozinho porque a luz era intensa demais?). Era uma luz azul, realmente intensa, brilhante. Tomada por uma força repentina, decidi sair do carro e seguir em direção à tal luz azul. Afinal, azul é minha cor preferida. Não sei ao certo o que aconteceu, só lembro que a luz brilhava muito (já mencionei que era uma luz intensa?). Depois, não lembro de mais nada. Só sei que cheguei ao meu destino com um atraso de quatro horas. E senti sonolência, muita sonolência.
Quer dizer, eu nem tenho como ter certeza de que fui abduzida, porque só me lembro do clarão. O resto são memórias, reminiscências, lapsos de rememoração, algo como ter em mente a imagem fixa de criaturas de aproximadamente meio metro de altura, seres marrons, com pele com consistência de uma casca de árvore, e três olhos (sim, três olhos).
Mas isso também não quer dizer muita coisa. Afinal, toda e qualquer experiência humana é subjetiva.

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Versão alternativa: Fiquei dois dias sem postar empolgada lendo os primeiros capítulos de Harry Potter and the Deathly Hallows.

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Pronto. Escolham a versão em que quiserem acreditar.

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Da série “desculpas esfarrapadas para se dar quando não se tem um motivo concreto para ter deixado de postar por dois dias”.

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sábado, 14 de julho de 2007

  Pensamento não-linear

Não sei o que há de errado comigo, mas, ultimamente, meus pensamentos todos têm saído de forma totalmente não-linear. É como se uma coisa fizesse lembrar outra coisa que tivesse a ver com outra coisa que se relacionasse com outra coisa que, por sua vez, despertasse em mim a lembrança de alguma outra coisa, que -- legal! nunca tinha reparado o quanto essa florzinha ao lado do monitor é interessante. Bem verm- Um gato miou no telhado? Poxa, já é 14 de julho. Em seguida recomeçam as- não posso me esquecer de responder aquele e-mail! Quer saber? Vou fazer isso agora mesmo. Mas, espere aí, onde é que eu estava mesmo? Ah, sim, estou escrevendo um post para o -- o que aquela caixa faz na estante dos livros?? Eu, hein, que coisa mais sem noção. Esse escritório está uma bagunça. E não é culpa minha, porque, tecnicamente, eu não mor- por que as pessoas nessa foto de 1994 estão vestidas com roupas esquisitas? Será minha percepção que é diferente agora? (as roupas não deveriam parecer esquisitas à época em que a foto foi-- E se a porta do armário cair, será que bate na minha cabe- POR QUE RAIOS A IMPRESSORA ESTÁ LIGADA? Ah!, lembrei, tenho que terminar de baixar aquele dicionário para continuar a tra- Não, eu NÃO quero passar o antivírus agora. Computador com vontade própria, era só o que -- opa. Já ia me esquecendo de revisar minha parte do rel- Já sei! Já sei!!! Tive uma idéia ótima para um post. Se bem que... eu já não estava escrevendo um? Sobre o que que era mesmo? (...)

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segunda-feira, 9 de julho de 2007

  Diálogo na veterinária

Diálogo na veterinária hoje à tarde:

- Como é a primeira vez que você traz sua cachorrinha aqui, precisamos fazer uma ficha para ela.
- Ah, tudo bem.
- Nome?
- Gaby. Com ípsilon.
- E o seu nome?
- O meu nome? Er. Ahm. É...
[minha irmã intervém na conversa]
- Gabriela.
[olhar bizarro da atendente]

O que não gosto nessas situações é que geralmente não me dão a oportunidade de explicar que o cachorro já veio "de fábrica" com esse nome (compramos ela com 6 meses, e trocar de nome nessa idade seria uma crueldade com o bichinho). E que a Gaby tecnicamente não pertence a mim.
É por essas e outras que odeio quando a Gaby troca de pet shop.
Talvez eu devesse pensar em um nome alternativo para dar quando levo a cã a esses lugares. "Caqui"? "Babi"? "Aqui"? (Alguma sugestão de algo mais que rime com Gaby? :P)

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segunda-feira, 2 de julho de 2007

  Prova amanhã

A Gaby* não quer que eu estude.



* Sim, eu tenho um cão com o mesmo nome que eu. Mas ela é Gaby com ípsilon.

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domingo, 1 de julho de 2007

  Vida corrida

Alguém mais tem a sensação de que a vida está passando e a gente simplesmente não está vivendo?

Minha meta de vida para este segundo semestre do ano (que inicia oficialmente hoje) é a de desacelerar - aproveitar mais cada momento, divertir-me mais, preocupar-me menos. Quero simplesmente chegar ao final do mês e poder pensar “eu vivi” e não “já é o mês seguinte”.

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sábado, 30 de junho de 2007

  Ainda dá tempo de mudar o mundo?

O Fórum Municipal de Educação em Direitos Humanos (aqui haveria um link se eu não tivesse sido tão relapsa e esquecido de colocar a notícia relativa ao Fórum no site do projeto) funcionou como uma navalhada na minha vida acadêmica. Nele, descobri que nunca fiz uma extensão universitária de verdade, uma vez que em nenhum momento tive contato direto com a população. Quanto a pesquisas, sempre soube que nunca fiz uma pesquisa de verdade. Desde hoje, passo a achar também que foram todas pesquisas sem qualquer relevância prática. Nosso projeto experimental, também, não apresenta interesse social. Na hora do almoço, fiz um breve discurso acerca das potencialidades do uso do Second Life na educação, fruto de quase um semestre de leituras e investigações, o que uma colega minha que nunca usou a ferramenta conseguiu desconstruir com apenas quatro palavras: “e a exclusão digital?”. Basicamente, é como se todas as minhas experiências universitárias até hoje tenham sido em vão. Embora elas tenham contribuído para que eu aprendesse – bastante – é possível dizer que até o momento não contribuí em nada para o mundo. E isso assusta.
Felizmente, ainda dá tempo de mudar alguma coisa. Ou não. Quem disse que todo estudante universitário precisa necessariamente (querer) mudar o mundo?

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domingo, 24 de junho de 2007

  Sentir-se estranha em um lugar antes familiar

Hoje passei por um daqueles momentos em que tudo o que a gente mais quer é ter o manto de invisibilidade de Harry Potter à mão, ou então poder cavar um buraco e enterrar o pescoço dentro da terra.

Fui a uma reunião do Lions com meu pai. Fazia tempo que eu não ia. Eu tinha belas recordações de infância de outras reuniões que fui, algo bucólico, e até um pouco romântico. Os pais levavam seus filhos às reuniões, e a gente ficava correndo e brincando pelos campos da Associação Rural de Bagé. Era divertido. Só que hoje antes de sair de casa eu não me dei conta de um detalhezinho importante: eu cresci. E foi só depois que cheguei lá que percebi isso.

É mais ou menos assim: fui em busca de recordações da infância, mas acabei chegando a um lugar estranho em que a minha presença contribuía para diminuir drasticamente a média de idade de todo o povo lá presente. Algo como: grande demais para brincar com crianças (e, dessa vez, nem tinha crianças), mas pequena demais para interagir com os mais velhos (ou melhor: eles é que não queriam levar a sério alguém com metade da idade deles!).

Era um daqueles lugares em que a gente chega, dá uma olhada ao redor, e tudo o que quer fazer é encontrar uma cadeira bem no cantinho, sentar lá, e torcer para ninguém notar a nossa presença.

Poderia ser pior. Sim, poderia. E foi. O prato principal era churrasco. E eu odeio carne vermelha.

Concentrei-me na tarefa de tornar-me invisível (algo como o que Hiro faria em uma situação semelhante, exceto pelo fato de que eu tinha o tempo todo a consciência de que não conseguiria quebrar a barreira do espaço-tempo), e até consegui dominar a tarefa de passar despercebida por boa parte do tempo (sim, sentei numa cadeira em um cantinho). Mas na hora do almoço em si não tive como me esconder. Fui obrigada a sentar a uma mesa. E todo mundo que passava por mim perguntava por que eu não tinha um suculento prato de carne na minha frente. Foi aí que comecei a chamar atenção, não por fazer algo, mas por não fazer o que todo mundo estava fazendo. “Nem uma saladinha?”.

Levantei-me e peguei um pedaço de pão. Por alguns instantes, tive paz. Mas assim que terminou meu pedaço de trigo processado, as reclamações voltaram. “É por isso que é tão magrinha...”

Servi-me de sobremesa. “Isso, tem que comer para ficar forte”. Mas assim que terminei, voltaram as críticas. “Não vai repetir? É muito pouco doce para uma menininha saudável”.

Fora isso, até que consegui me divertir bastante em um almoço de comemoração do aniversário de alguns associados, e também de um casal que recentemente virou avô. Saí de lá sabendo todas as dicas possíveis do que pode contribuir para aumentar a pressão sangüínea. Bebida alcoólica demais é ruim para a pressão. Churrasco malpassado, também. Carne salgada demais, então, vixi, melhor passar longe. Só não entendi direito a situação do doce, porque embora todos estivessem preocupados com a pressão sangüínea na hora de servir-se de carne, todo mundo abusou do doce. Será que também os mais velhos empregam a lógica do “tomar coca-cola light com torta de chocolate anula as calorias do doce”?

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quarta-feira, 20 de junho de 2007

  Correria

Cansei de brincar de fazer duas faculdades :P

Tenho três trabalhos para entregar hoje, dois para amanhã. Não fiz a prova de hoje de manhã porque dormi até meio dia. Dormi até meio dia porque virei a madrugada fazendo um dos trabalhos para hoje à noite. E não vai me sobrar tempo para fazer qualquer coisa hoje de tarde. Alguém tem horas sobrando? Pago um preço bem especial. É só até o final do semestre, depois devolvo :D

(sim, eu sempre deixo tudo para a última hora)

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quarta-feira, 13 de junho de 2007

  Semanas de provas

E, não adianta. A resolução blogal continua não sendo cumprida pelas universidades.

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