sábado, 30 de junho de 2007

  Ainda dá tempo de mudar o mundo?

O Fórum Municipal de Educação em Direitos Humanos (aqui haveria um link se eu não tivesse sido tão relapsa e esquecido de colocar a notícia relativa ao Fórum no site do projeto) funcionou como uma navalhada na minha vida acadêmica. Nele, descobri que nunca fiz uma extensão universitária de verdade, uma vez que em nenhum momento tive contato direto com a população. Quanto a pesquisas, sempre soube que nunca fiz uma pesquisa de verdade. Desde hoje, passo a achar também que foram todas pesquisas sem qualquer relevância prática. Nosso projeto experimental, também, não apresenta interesse social. Na hora do almoço, fiz um breve discurso acerca das potencialidades do uso do Second Life na educação, fruto de quase um semestre de leituras e investigações, o que uma colega minha que nunca usou a ferramenta conseguiu desconstruir com apenas quatro palavras: “e a exclusão digital?”. Basicamente, é como se todas as minhas experiências universitárias até hoje tenham sido em vão. Embora elas tenham contribuído para que eu aprendesse – bastante – é possível dizer que até o momento não contribuí em nada para o mundo. E isso assusta.
Felizmente, ainda dá tempo de mudar alguma coisa. Ou não. Quem disse que todo estudante universitário precisa necessariamente (querer) mudar o mundo?

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sexta-feira, 29 de junho de 2007

  A importância dos metadados

“Actuellement, les moteurs de recherche utilisent le texte comme sa propre métadonnée en travaillant sur le plein texte. C'est une immense régression par rapport à tout le travail réalisé depuis deux ou trois siècles par les bibliothécaires et les documentalistes. Un retour à la préhistoire” (Le Monde)

Pierre Lévy trabalha atualmente em uma pesquisa que visa criar uma metalinguagem para categorizar dados. A idéia é criar um sistema para metadados que independa dos idiomas falados no mundo, o que contribuiria para facilitar a busca por informações na Internet. A linguagem proposta por Lévy é a IEML, Information Economy Meta Language.

Esse recurso permitiria explorar ainda mais a idéia de inteligência coletiva através do ciberespaço (Lévy propôs, há quase vinte anos atrás, que a interconexão de computadores permitiria um aprimoramento da inteligência coletiva, uma vez que as pessoas poderiam interagir entre si através da Internet), já que a IEML permitiria que informações sobre um determinado assunto pudessem ser mais facilmente encontradas na Internet, independentemente do idioma em que se encontrassem, em uma procura semântica bem mais complexa que a utilizada pelos atuais sistemas de busca.

Exageros e entusiasmos à parte, a proposta é a de que até 2010 essa metalinguagem possa ser posta em prática.

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Assunto paralelo: o AOL News reformulou recentemente sua página. Qualquer semelhança com um blog não será mera coincidência. Até as editorias foram transformadas em “tags”.

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quinta-feira, 28 de junho de 2007

  Ação X Emoção

Acordou. Quis voltar a dormir. Bocejou. Relutou. Irritada, deu-se por vencida. Esfregou os olhos. Esticou os braços. Levantou. Deu dois passos. Suspirou. Desligou o despertador. Apreciou o silêncio novamente. Dirigiu-se ao banheiro. Abriu o armário. Bocejou. Pegou a escova. Colocou a pasta. Escovou os dentes. Enxaguou a boca. Foi até a sala. Abriu a janela. Viu o sol. Sentiu o vento. Sorriu. Caminhou até a cozinha. Colocou água e pó de café na cafeteira. Abriu a geladeira. Pegou os frios. Fechou a geladeira. Parou no balcão. Partiu o pão. Preparou um sanduíche. Voltou à geladeira. Guardou os frios. Ouviu a cafeteira apitar. Serviu uma xícara. Mordeu o sanduíche. Tomou um gole de café. E percebeu que era domingo...

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Ao abrir a janela, certa manhã, Lili sentiu-se renovada. Esperava ver um dia feio, nublado e cinza, como houvera sido os outros da mesma semana. Mas, para sua surpresa, quando abriu a cortina deparou-se com um maravilhoso dia de sol. Não era um dia quente, deveras, mas o solzinho tímido cismava em aparecer por entre as nuvens, e ninguém poderia tirar de Lili a idéia de que aquele seria um grande dia. Sentiu o aroma suave das flores. Ouviu o piar dos pássaros, há dias abafado pelo tilintar das chuvas. Era tão lindo ver o sol novamente que desejava secretamente que chovesse mais vezes, só para poder desfrutar novamente de momentos mágicos como aquele. Estava prestes a ter uma epifania quando lembrou-se de que precisava correr. Tinha acabado de acordar, e no entanto já estava tremendamente atrasada.

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Postado originalmente em 20 de outubro de 2005

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quarta-feira, 27 de junho de 2007

  reversus




A partir de hoje, prometo que não falo mais de Second Life aqui neste blog :)

(Okay. Prometo que não falo tanto assim de Second Life... nada de prometer o que não se pode cumprir :P)

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terça-feira, 26 de junho de 2007

  Caso Cicarelli

A princípio, o vídeo da Cicarelli poderá voltar para a Internet, ela não terá direito a indenização nenhuma, e ainda terá que arcar com as despesas do processo. Melhor sentença impossível. Ainda dá para recorrer da decisão.

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domingo, 24 de junho de 2007

  Sentir-se estranha em um lugar antes familiar

Hoje passei por um daqueles momentos em que tudo o que a gente mais quer é ter o manto de invisibilidade de Harry Potter à mão, ou então poder cavar um buraco e enterrar o pescoço dentro da terra.

Fui a uma reunião do Lions com meu pai. Fazia tempo que eu não ia. Eu tinha belas recordações de infância de outras reuniões que fui, algo bucólico, e até um pouco romântico. Os pais levavam seus filhos às reuniões, e a gente ficava correndo e brincando pelos campos da Associação Rural de Bagé. Era divertido. Só que hoje antes de sair de casa eu não me dei conta de um detalhezinho importante: eu cresci. E foi só depois que cheguei lá que percebi isso.

É mais ou menos assim: fui em busca de recordações da infância, mas acabei chegando a um lugar estranho em que a minha presença contribuía para diminuir drasticamente a média de idade de todo o povo lá presente. Algo como: grande demais para brincar com crianças (e, dessa vez, nem tinha crianças), mas pequena demais para interagir com os mais velhos (ou melhor: eles é que não queriam levar a sério alguém com metade da idade deles!).

Era um daqueles lugares em que a gente chega, dá uma olhada ao redor, e tudo o que quer fazer é encontrar uma cadeira bem no cantinho, sentar lá, e torcer para ninguém notar a nossa presença.

Poderia ser pior. Sim, poderia. E foi. O prato principal era churrasco. E eu odeio carne vermelha.

Concentrei-me na tarefa de tornar-me invisível (algo como o que Hiro faria em uma situação semelhante, exceto pelo fato de que eu tinha o tempo todo a consciência de que não conseguiria quebrar a barreira do espaço-tempo), e até consegui dominar a tarefa de passar despercebida por boa parte do tempo (sim, sentei numa cadeira em um cantinho). Mas na hora do almoço em si não tive como me esconder. Fui obrigada a sentar a uma mesa. E todo mundo que passava por mim perguntava por que eu não tinha um suculento prato de carne na minha frente. Foi aí que comecei a chamar atenção, não por fazer algo, mas por não fazer o que todo mundo estava fazendo. “Nem uma saladinha?”.

Levantei-me e peguei um pedaço de pão. Por alguns instantes, tive paz. Mas assim que terminou meu pedaço de trigo processado, as reclamações voltaram. “É por isso que é tão magrinha...”

Servi-me de sobremesa. “Isso, tem que comer para ficar forte”. Mas assim que terminei, voltaram as críticas. “Não vai repetir? É muito pouco doce para uma menininha saudável”.

Fora isso, até que consegui me divertir bastante em um almoço de comemoração do aniversário de alguns associados, e também de um casal que recentemente virou avô. Saí de lá sabendo todas as dicas possíveis do que pode contribuir para aumentar a pressão sangüínea. Bebida alcoólica demais é ruim para a pressão. Churrasco malpassado, também. Carne salgada demais, então, vixi, melhor passar longe. Só não entendi direito a situação do doce, porque embora todos estivessem preocupados com a pressão sangüínea na hora de servir-se de carne, todo mundo abusou do doce. Será que também os mais velhos empregam a lógica do “tomar coca-cola light com torta de chocolate anula as calorias do doce”?

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sábado, 23 de junho de 2007

  MySpace + Second Life

Imagine poder reunir em um só lugar a possibilidade de navegar por ambientes virtuais em 3D, como no Second Life, com as características de uma rede social, como no MySpace. Isso já é possível com o Kaneva.

Nele, você cria uma rede de amigos, participa de comunidades, compartilha fotos, vídeos e músicas, e preenche um perfil, que é seu cartão de visitas para os outros usuários. Além disso, pode ainda criar um avatar, personalizá-lo, e habitar um ambiente virtual com as mesmas características do Second Life (em 3D, alguns recursos gratuitos, e promessa de monetarização futura).

A idéia é legal, mas até aí não entendi qual é a inovação. Que eu saiba, é possível preencher um perfil, adicionar amigos e participar de grupos também no Second Life (embora não seja possível ter um avatar e passear por ambientes 3D no MySpace). Talvez o diferencial do Kaneva seja justamente o de pôr em destaque ambas as funcionalidades – de forma que o avatar represente a pessoa real (já que o perfil do site costuma ser o da pessoa real) e não um personagem criado para habitar mundos virtuais e muitas vezes dissociado das características físicas e comportamentais do indivíduo por trás do bonequinho (o que é totalmente possível no Second Life).

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  Marketing, diversão e educação no Second Life

Second Life é só um joguinho? Claro que atualmente só se entusiasmam com a ferramenta as empresas (para jogadas de marketing) e os jovens (para, ahm... finalidades hedonísticas). Mas até que há uma certa perspectivazinha de futuro para uso na educação (o que no Brasil caminha ainda a passos muito lentos).
Enquanto isso, nada como reunir empresários para tratar os avatares-consumidores como ratinhos brancos a girar como cobaias em um laboratório experimental.

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  Processo eletrônico

Nesta sexta-feira foi julgado o primeiro recurso eletrônico dirigido ao STF. A tendência é que cada vez mais os processos passem para o ambiente digital. Com isso, economiza-se não só em papel, como também há uma significativa diminuição no tempo de tramitação do processo. No caso do recurso do STF, o tempo total de tramitação foi de 17 dias.

Quem já trabalhou em secretaria ou cartório do Judiciário sabe bem como funciona. Cada fase do processo precisa ser registrada, assinada, lavrada, certificada e datada para que seja válida. E isso toma tempo. Os processos precisam esperar dias e dias até que a fase seguinte seja acionada.

Para que um processo que chegou das mãos do advogado de uma das partes chegue até a sala do juiz para uma decisão, por exemplo, o processo precisa passar pelo recebimento no balcão, recebimento na secretaria, despacho de conclusão, remessa dos autos conclusos ao juiz, e só então alguém pode pegar a pastinha do processo e levar para a sala ao lado (da secretaria para o gabinete do juiz). Nessa brincadeira toda, o processo passa por várias mãos, e sucedem-se vários dias.

Mas a parte mais divertida é quando um advogado pede cópia do processo. Aí então o estagiário que estiver por perto precisa ficar uma tarde inteira plantado ao lado da fotocopiadora para tirar xerox página por página, frente e verso (sim, eu já passei por isso). Com o processo eletrônico, acaba tudo isso. Todos podem ter uma cópia digital e acessá-la quando bem entederem, os estagiários podem voltar a lidar exclusivamente com o Direito, e o ideal da tramitação célere do processo fica cada vez mais perto de ser atingido.

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

  Mais tempo

Em um mundo ideal, os dias teriam mais horas, ou as horas levariam mais tempo para passar. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. E o tempo livre seria usado para atividades lúdicas, voltadas ao lazer - jamais para trabalhar mais.

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quarta-feira, 20 de junho de 2007

  Correria

Cansei de brincar de fazer duas faculdades :P

Tenho três trabalhos para entregar hoje, dois para amanhã. Não fiz a prova de hoje de manhã porque dormi até meio dia. Dormi até meio dia porque virei a madrugada fazendo um dos trabalhos para hoje à noite. E não vai me sobrar tempo para fazer qualquer coisa hoje de tarde. Alguém tem horas sobrando? Pago um preço bem especial. É só até o final do semestre, depois devolvo :D

(sim, eu sempre deixo tudo para a última hora)

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terça-feira, 19 de junho de 2007

  O aluno ideal

O aluno ideal é aquele que assiste a todas as aulas, participa ativamente das discussões, sempre tem algo de relevante para dizer sobre qualquer assunto, nunca se atrasa, está sempre de bom humor e leva os estudos a sério.

O aluno ideal compra todos os livros da bibliografia básica de cada disciplina, e ainda se arrisca a ler pelo menos partes das referências que constam na bibliografia complementar. Ele mantém uma biblioteca atualizada em casa com as obras mais importantes relativas às temáticas que lhe agradam – o aluno ideal possui interesses específicos, embora consiga facilmente dominar uma conversa sobre qualquer assunto.

O aluno ideal estuda um pouco da matéria a cada dia, de modo que, quando chega a época de provas, ele só precisa retomar o que já foi apreendido ao longo do semestre.

O aluno ideal dá tudo de si em atividades extras e trabalhos acadêmicos. Ele se dedica ao máximo não pela nota, mas pelo conhecimento que aquela tarefa poderá lhe proporcionar.

O aluno ideal nunca leva dúvidas para casa. Ele sempre as tira diretamente com os professores, aproveitando-se do conhecimento daqueles que já estudam a mais tempo, e, portanto, sabem (ou deveriam saber) mais que seus alunos. O aluno ideal também procura saber antes das aulas um pouco sobre a matéria a ser tratada, de modo que possa estabelecer uma discussão saudável com professor e colegas sobre o assunto. Por conta disso, os professores se dividem entre os que amam e os que odeiam o aluno ideal. Uns odeiam, porque acham que o aluno está tentando competir com o mestre. Outros, mais sensatos, encaram a tarefa de ensinar como um desafio, e aprendem a lidar com a superação diária ao enfrentar os tipos de alunos ideais.

Dentre os colegas, o aluno ideal costuma ser popular. Mas assim como acontece com os professores, também os colegas se dividem entre os que admiram e os que invejam o aluno ideal.

O aluno ideal tem uma memória perfeita e consegue lembrar datas, lugares e acontecimentos com precisão, mesmo que não seja necessário decorá-las. O aluno ideal, aliás, não decora: ele entende. Esforça-se para compreender os conteúdos, de modo que, ao assimilá-los, possa depois retomá-los sempre que for preciso.

O aluno ideal procura conciliar os estudos com atividades de pesquisa e extensão. Ele compreende e atua em prol do papel social da universidade, além de ter a noção exata do quanto o conhecimento científico pode contribuir para o seu crescimento intelectual. Não obstante, o aluno ideal ainda emprega seu tempo para ajudar seus colegas e busca compartilhar seu saber com a comunidade.

O aluno ideal, idealmente, deveríamos ser todos nós. Entretanto, por conta dos prazos, da correria, das outras atividades do dia-a-dia, enfim, por vários motivos, um aluno ideal não existe - mas nem por isso deixa de ser um ideal a ser perseguido. Ele é como o horizonte ou a utopia: algo que buscamos, mas que nunca atingimos.

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* Em clima de ... várias provas, vários trabalhos, poucos dias, e a perspectiva de que não vai dar tempo de fazer tudo sem explodir!

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sexta-feira, 15 de junho de 2007

  Bacharelado em Fatos

Em qualquer ação ou peça processual, os advogados costumam ter que alegar questões de fato e de direito. As questões de fato correspondem a narrar o que aconteceu, quando, em que circunstâncias, onde, quem fez o quê e como (narrar os fatos tem mais ou menos os mesmos requisitos para se contar uma notícia, com a diferença de que não se pode inovar no lead :P). Já as questões de direito dizem respeito às normas jurídicas que amparam o pedido, ou aquilo que se quer com a ação que se está movendo. Por exemplo, se alguém bater no seu carro, nos fatos vai a descrição do acidente, e no direito vem a possibilidade de se ingressar por ação por dano material, prevista no Código Civil.

Até aí tudo bem. Mas há um autor, William Twining, que acha que os estudantes de Direito estão fazendo o curso errado. Para ele, é mais importante descrever bem os fatos que aconteceram (para poder comprovar que se tem o direito alegado) do que propriamente descrever o que a lei prevê para aquele caso (até porque é obrigação do juiz conhecer a lei, e não o contrário). Daí então ele sugere que deveríamos levar os fatos a sério e passar mais da metade da faculdade estudando fatos (e como narrá-los) ao invés de passar tanto tempo debruçados sobre o direito. Em suma: para Twining, deveríamos nos formar Bacharéis em Fatos, e não Bacharéis em Direito.

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quarta-feira, 13 de junho de 2007

  Semanas de provas

E, não adianta. A resolução blogal continua não sendo cumprida pelas universidades.

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terça-feira, 12 de junho de 2007

  Nível de nerdice

69% GeekMingle2 - Free Online Dating

Meu lado eu-adoro-fazer-testezinhos-idiotas falou mais alto.
Via A Grande Abóbora.

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segunda-feira, 11 de junho de 2007

  Crimes contra a honra em blogs

Os usuários de Internet podem e devem se proteger contra ofensas à honra realizadas na blogosfera, ou em qualquer outro ponto do ciberespaço. Há inclusive a possibilidade de responsabilização penal para esses casos.

Antes de falar dos crimes contra a honra em espécie – calúnia, injúria e difamação – é útil dizer alguma coisa sobre os tipos de honra. Em termos jurídicos felizes, tem-se a honra objetiva e a honra subjetiva. A honra objetiva é quando a ofensa é dirigida à reputação do indivíduo, ou seja, à opinião que os outros tem sobre essa pessoa. Nesse caso, é imprescindível que outras pessoas fiquem sabendo que houve a ofensa (do contrário, não houve crime). Já a honra subjetiva é quando se ofende atributos pessoais que o indivíduo acha que possui. Nesse caso, não é preciso que ninguém mais fique sabendo: basta que a vítima se sinta ofendida.

Em termos práticos, a calúnia e a difamação ofendem a honra objetiva – e na Internet esses crimes podem ser praticado em blogs, comunidades do Orkut, ou qualquer outro meio capaz de atingir outras pessoas. Já a injúria ocorre quando há ofensa à honra subjetiva. Nesse caso, até um xingamento por e-mail pode ser assim considerado. Mas nada impede que a injúria ocorra também em blogs, redes sociais, ou em qualquer outro espaço virtual público.

Para provar que houve o crime contra a honra, basta um printscreen. O ideal é que a página não tenha sido tirada do ar (isso facilita a identificação do autor, nos casos em que a ofensa seja anônima). Mas, na maior parte das vezes, os comentários ou posts ofensivos são tirados do ar em pouco tempo (até porque no absurdo sistema jurídico brasileiro, o próprio blogueiro pode ser responsabilizado por comentários ofensivos de um visitante contra terceiros, principalmente quando é avisado do fato e não retira o comentário do ar em tempo hábil), e o único meio de provar será ter tirado uma “foto” da página quando a ofensa ainda estava por ali (ou quando a página ainda existia – deletar uma comunidade no Orkut ou um blog inteiro é uma operação extremamente simples, por exemplo).

A calúnia se configura quando alguém imputa a outrem um fato criminoso. É mais ou menos como dizer que o fulaninho furtou dinheiro de outra pessoa. O fato em si tem que ser criminoso. Já a difamação ocorre quando há a imputação de um fato não criminoso - algo como acusar o outro de ter praticado adultério (já que o adultério não é mais considerado crime no Direito brasileiro).

Esses dois crimes ofendem a honra objetiva, e costumam ocorrer em conjunto com o crime de injúria (que é ofender os atributos físicos, morais ou intelectuais de outro indivíduo). Uma injúria com calúnia, por exemplo, pode ocorrer quando um indivíduo chama o outro de ladrão, e depois acusa de ter roubado dinheiro de outra pessoa. Ter chamado de ladrão já configura injúria (mesmo que ninguém mais ouça o xingamento). E a acusação de roubo, se chegar ao conhecimento de mais alguém (do contrário, não fere reputação nenhuma), é um crime de calúnia.

A única dúvida que tenho é se a pessoa que pratica o crime em um blog responde pelo crime comum do Código Penal (para o caso de ser considerada uma espécie de divulgação de crime contra a honra) ou pela Lei de Imprensa (nesse caso, ter-se-ia que considerar o blog como meio de comunicação). Pela redação do parágrafo 4º do artigo 3° da Lei de Imprensa, “são empresas jornalísticas, para os fins da presente Lei, aquelas que editarem jornais, revistas ou outros periódicos. Equiparam-se às empresas jornalísticas, para fins de responsabilidade civil e penal, aquelas que explorarem serviços de radiodifusão e televisão, agenciamento de notícias, e as empresas cinematográficas”. Será que (alguns) blogs não possuem um alcance tão grande que poderiam ser incluídos nessa categoria?

Por fim, cabe ressaltar que os três crimes contra a honra funcionam mediante queixa. A ação penal é privada, e só começa se o próprio ofendido procurar a autoridade judiciária.

Para compreender o outro lado: este texto do Observatório da Imprensa apresenta dicas de como um blogueiro deve proceder para evitar acusações (ou o que fazer quando já se foi acusado).

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  Termos jurídicos absurdos, parte 6

Imputação – não, não é palavrão. Apesar de conter um em seu núcleo central. Imputação é um termo usado em juridiquês arcaico-rebuscado para significar o fato de que um fato criminoso é suscetível de ser enquadrado em uma lei que o define como crime. Confuso ainda? É mais ou menos assim: Crime é o que está definido em lei como tal. Imputável é aquele a quem se pode imputar um crime. Imputar é a ação ou efeito de, ahm, enquadrar a conduta como crime (não confundir com “emputar”, que, se existisse, teria tudo para ser o verbo associado ao palavrão do núcleo da palavra). E a imputação é o resultado disso tudo.
Tem outras variações, como inimputável, que é aquele a quem não se pode imputar crime algum (exemplo: menores de idade são inimputáveis frente ao Código Penal; mas isso não impede que não possam ser imputados nas infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente).

Sintetizando...
Imputar - atribuir uma conduta criminosa a alguém

Aplicações na vida cotidiana:

- Não me imputa assim nesse tom! Eu não fiz nada!

- Você precisava ter ido àquele jantar. Era uma imputação atrás da outra, com todos se xingando uns aos outros.

- Pára de me xingar, se não vou te imputar!

- Não tem graça brigar com o Carlinhos. Ele é inimputável.

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sábado, 9 de junho de 2007

  Sobre a luta de egos na blogosfera

Não sou uma blogueira lá muito experiente – basicamente, tudo que sei vem de observar outros blogs, porque meu blog é quase um nada frente à imensidão da blogosfera. Mas vou me arriscar a falar sobre um assunto espinhoso: o ego dos blogueiros.

Partindo-se do pressuposto de que todo mundo bloga por algum motivo, vou me ater a um único aspecto: quem bloga, busca fama ou reputação?

Fama é associado a celebridades, tem a ver com ser reconhecido pelo público em toda e qualquer circunstância da vida social. Para ter fama, é preciso ter presença ativa na mídia de massa tradicional.

Na Internet, o que se tem é uma espécie de ciberfama. Alguns conseguem se destacar dos demais, mas no geral essa fama só existe na Internet. Experimente falar sobre um blogueiro famoso para alguém que nunca leu um blog. A pessoa vai fazer uma cara de “quem é esse ser?” e você vai se sentir extremamente idiota tentando explicar de quem se trata (sim, eu já tentei fazer isso antes).

Mas se você falar sobre a moça que dormiu com o jogador de futebol do Flamengo e que apareceu no programa de domingo na tevê, pode ter certeza que a probabilidade de alguém saber de quem se trata é bem maior, dentro ou fora da Internet. Aí é fama. Fama instantânea, ninguém vai saber quem é essa moça daqui uma ou duas semanas, mas é fama. O que importa é que ela é passível de ser reconhecida na rua. É mais ou menos isso que define o que é ou não fama.

A fama é o que move celebridades da mídia tradicional. É aquilo que levou Andy Warhol a dizer que todo mundo terá seus 15 minutos de fama. É querer aparecer na tevê, no rádio, no jornal impresso, ou em qualquer outra manifestação da mídia de massa.

Entretanto, nem todo blogueiro quer fama. Fora alguns que possuem um ego quase lá na Lua, a maior parte das pessoas que posta na Internet procura reputação. A reputação é um conceito um tanto mais vago, que se refere à capacidade de ser reconhecido por seus pares (ou seja, outros blogueiros) como uma autoridade em um determinado assunto (aquele que é objeto do blog), mesmo que seja ser reconhecido como o maior especialista do mundo para falar sobre a sua própria vida (no caso, em blogs pessoais). A reputação do blogueiro seria uma espécie de “fama” que se estende dentro de sua própria rede social. O tanto que alcança sua própria blogosfera determinará o alcance de sua fama. Fora disso, ele é um ser comum, que tem uma vida comum, e pode andar na rua sem um monte de paparazzi na volta.

Adquirir reputação entre outros blogueiros não é fácil. É preciso visitar outros blogs, comentar outros posts, escrever sobre outros assuntos... Enfim, é preciso penetrar em todo um universo próprio em que page rank, technorati, feeds, trackback e tags são termos corriqueiros. Dependendo do alcance que se quer dar a um blog, construir uma reputação demanda tempo e dedicação.

Como se vê, a distinção entre fama e reputação é por vezes sutil. Mas, ao menos em termos gerais e extremamente vagos, a fama seria a opinião dos outros sobre você, ao passo que na reputação vale o que você acha que os outros pensam sobre a sua pessoa. Tem gente que pode se contentar em ter um blog com alcance de dois, três leitores (e terão de trabalhar para construir sua reputação perante eles). Mas tem outros que vão procurar dar vôos maiores. Só uns tantos felizes irão buscar a fama com um blog. E a maior parte acabará tendo que se contentar com um simulacro de ciberfama.

Seja em busca de fama, ciberfama ou reputação, o que importa é que todo e qualquer blogueiro, por mais que negue, por mais que esperneie e bata o pé, sempre bloga em busca de status social. E é mais ou menos isso que o faz tratar os outros cordialmente, responder a todos os comentários e e-mails e fazer de tudo para ter uma boa imagem frente aos demais. Também pode ser isso o que faz com que as pessoas pensem várias vezes antes de deixar um comentário não concordando com a opinião de um blogueiro que supostamente tem uma reputação maior (ou não). E esse medo de discordar acaba fazendo com que o blog não cumpra sua função de gerar conversação. E, ao não gerar conversação, ficamos condenados a um eterno embate vazio de egos, em que uns elogiam os outros e se colocam, uns aos outros, em pedestais. A blogosfera acaba sendo um ambiente em que todos se amam, ou fingem que se amam, quando, por dentro, o sonho de todo blogueiro é eliminar o próximo para poder, sozinho, triunfar.

Espero não perder minha micro-reputação por conta desse post :P A caixa de comentários está aberta para quem queira discordar, ou contribuir, de alguma outra forma, para o debate :)


Disclaimer: como, infelizmente, nem toda idéia é original, a discussão original entre fama e reputação em blogs surgiu em uma mesa redonda sobre Internet no Celacom, em maio deste ano.

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  A eterna crônica da viagem de ônibus

Não deixa de me surpreender a quantidade de pessoas que mora na beira da estrada. (Se bem que, no dia em que eu deixar de me surpeender com algo neste mundo, o próprio viver perderá o sentido.) Sempre que pego o ônibus semi-direto no trajeto Pelotas-Bagé de dia fico totalmente impossibilitada de fazer qualquer coisa de útil (como ler, ou algo parecido), pois o ônibus precisa parar pelo menos uma vez a cada minuto, para subir ou descer alguém. Como conseqüência, ou faço uma leitura muito superficial (algo como um parágrafo do texto a cada parada brusca do ônibus, ou leitura durante o movimento, o que na prática dá no mesmo, porque a gente passa mais tempo parado do que em movimento durante o trajeto), ou então aproveito as três horas de viagem para ter uma convivência forçada comigo mesma.
Nessas horas de convivência forçada, tenho muitas e muitas idéias. Mas não tenho como salvá-las ou armazená-las para posterior consulta. O ideal seria ter a possibilidade de se poder gravar pensamentos em tempo real. Eu não iria me importar em levar o tempo que fosse para degravar três horas initerruptas de pensamentos férteis e criativos, no mais legítimo estilo fluxo de consciência :)
Triste sina: as melhores idéias surgem por acaso - e, infelizmente, elas costumam brotar quando estamos longe de um computador ou de um pedaço de papel com caneta.

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quinta-feira, 7 de junho de 2007

  Como não fazer um power point

Dicas bem-humoradas do que não se deve fazer ao se elaborar uma apresentação de slides. Via Argamassa. Lá no blog o Edison também explica por que existe a possibilidade de se
- dividir
- o
- texto
- do
- slide
- em
- tópicos.
- Vale a pena conferir :)

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quarta-feira, 6 de junho de 2007

  O fim do jornal em papel?

Segundo dados divulgados pela WAN no 60th World Newspaper Congress – e contrariando todos aqueles que ainda acham que a tecnologia vai transformar radicalmente nossa forma de se relacionar com o mundo –, a circulação de jornais impressos no mundo aumentou em 2,3 pontos percentuais em 2006. Se considerados os últimos cinco anos, o aumento acumulado foi de 9,48%. Pode ser que um dia o jornal em papel, tal qual o conhecemos hoje, possa vir a acabar. Mas, pelo visto, esse dia ainda vai demorar muito para chegar...

O congresso anual da associação mundial de jornais segue até amanhã, em Cape Town, na África do Sul. O evento reúne profissionais do mundo inteiro para discutir o atual estado da mídia impressa ao redor do globo.

O crescimento na circulação de jornais tem sido observado em quase todos os continentes, inclusive na América do Sul. Apenas na América do Norte é que os jornais impressos estão em baixa.

Se considerados os índices de circulação de jornais distribuídos gratuitamente (o que hoje representa 8% do total da circulação global de impressos), a taxa de crescimento em 2006 sobe para 4,61%. A renda publicitária com anúncios em impressos também tem aumentado. Basicamente, os números dos jornais impressos são só positivos.

Os cinco maiores mercados mundiais de jornais impressos são, em ordem, China (com 98,7 milhões de cópias vendidas diariamente), Índia (88,9), Japão (69,1), Estados Unidos (52,3 – mesmo com a queda na circulação, os EUA ainda têm a maior circulação do mundo ocidental) e Alemanha (21,1). Há muitos outros dados interessantes que podem ser consultados diretamente no site da entidade.

Para os céticos que, mesmo com a divulgação de todos esses números, ainda acreditam que o jornal impresso vai acabar, vale a pena dar uma conferida na campanha preparada pela WAN para circular em jornais impressos no mês de maio (o anúncio pode não fazer mudar de idéia, mas pelo menos contribui para divertir um pouquinho).

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terça-feira, 5 de junho de 2007

  Falta de foco

Ontem, apresentando o projeto de projeto experimental (algo como... “resuma tudo o que foi planejado durante o semestre em 5 minutos* de exposição oral”), fiquei meio frustrada porque não tenho um objetivo definido na vida acadêmica. É mais ou menos assim: meus colegas apresentaram seus trabalhos com uma certa paixão, com aquele ar de certeza de que é aquilo que pretendem fazer para o resto da vida. Nós não. Estamos empolgadas com a idéia, mas nenhuma de nós pretende passar a vida toda em função disso.
Com o término da faculdade se aproximando, preciso pensar em temas para TCCs e coisas do tipo. Mas estou tendo uma dificuldade imensa em definir o que quero fazer. Muita coisa me interessa, e não consigo estabelecer um foco. Já está quase certo que a grande área dos meus estudos será a Internet (algo como direito no ciberespaço, crimes virtuais, jornalismo online, enfim, cibercultura). Mas escolher uma única coisa para aprofundar está sendo difícil. Também não vou querer definir tudo o que vou fazer para o resto da vida no 4° ano de faculdade :P Mas seria bom ter um objetivo definido. Admiro as pessoas que conseguem ter alguma certeza na vida.
(Okay, nem todo mundo sabe o que quer, e é preciso aprender a conviver com isso)

* Como o trabalho era em dupla, meu tempo total de fala foi de 2,5 minutos. Como levo pelo menos 1,5 minuto para parar de gaguejar e começar a dizer algo com sentido (e isso vale não só para apresentação de trabalhos como para qualquer tipo de conversa), meu tempo de total de exposição com conteúdo não foi superior a 1 minuto. Basicamente, quando fui começar a dizer algo de relevante, meu tempo acabou, e já era a vez do trabalho seguinte. Limitações temporais deveriam ser abolidas :P

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segunda-feira, 4 de junho de 2007

  Procura-se

Nossa superprodução midiática*. O filme é tosco, a trilha sonora é por vezes tediosa, tem cenas muito longas, mas... conseguimos concretizar a idéia de fazer uma câmera subjetiva de um cachorro :) Já era para estar no YouTube bem antes, mas só agora conseguimos uma cópia em DVD do curta.

* produzido em caráter experimental por alunos de Comunicação, para a disciplina de Cinema, em novembro de 2006 na UCPel

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domingo, 3 de junho de 2007

  Mac X Microsoft

A religião dos sistemas operacionais, por Umberto Eco. Para ele, o Macintosh seria católico, porque ensina passo a passo como os fiéis devem proceder. Já o MS Dos seria protestante, mais especificamente do tipo calvinista, pois as decisões de como proceder cabem aos fiéis. As primeiras versões do Windows seriam um tanto anglicanas, porque ainda permanecia a possibilidade de se retornar ao Dos e começar tudo de novo. A distinção toda teria se complicado de vez com o lançamento do Windows 95. Perdemos a piada. Mas continua a disputa...

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  Guerra digital

Os moradores da Estônia encontraram uma maneira interessante de protestar contra a retirada de uma estátua (real) de uma cidade portuária do país. Ao invés de violência nas ruas, os estonianos optaram por protagonizar um ataque digital de grandes proporções. No lugar de armas, uma avalanche de dados. No lugar de soldados, bots comandados remotamente a partir de várias partes do mundo. O cenário era o ciberespaço, mas as conseqüências dos atos tiveram reflexos no mundo real.

Os ataques conseguiram impedir o acesso a vários sites estratégicos, como as páginas relativas aos órgãos do governo, a página do principal banco do país, e os sites de alguns jornais diários. Pode parecer pouco, mas para um país em que os habitantes praticamente respiram Internet, um parlamentar ficar dois dias sem e-mail é quase motivo suficiente para iniciar uma crise política.

Mesmo que não consiga impedir a retirada da estátua, essa guerra digital abre precedentes para que os sistemas de segurança dos diferentes países comecem a considerar a necessidade de investir mais em proteção na web. A preocupação com os ataques apareceu até em editorial do NYTimes. Os atos de cibervandalismo ocorreram entre abril e maio deste ano.

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sábado, 2 de junho de 2007

  Driblando a censura

Hugo Chávez resolveu encarnar a figura de ditador malévolo e cruel (com um atraso de 40 anos em relação às demais ditaduras latino-americanas, mas tudo bem) e tirou a emissora Radio Caracas Televisión (RCTV) do ar nesta semana (acusando-a de atos contra o governo). Mas ele não se deu conta de que atualmente vivemos na era da Internet. Sim, a emissora perdeu o sinal de concessão para transmissão via sinal de televisão na Venezuela. Mas a RCTV encontrou uma maneira alternativa de continuar transmitindo – e de manter seu público. Os principais programas do canal estão sendo transmitidos pela Internet, como as novas edições do telejornal El Observador, carro-chefe da emissora, que podem ser acompanhadas pelo YouTube. Claro, não é a mesma coisa. Programas muito longos precisam ser fracionados (para se adaptar às exigências do site), e a imagem precisa ter menos qualidade para ser reproduzível em qualquer computador. Mas fora essas pequenas limitações, a RCTV segue transmitindo, e isso é o que importa. E os milhares de acessos que os vídeos já tiveram até então apenas confirmam que não há limites para a inventividade humana...
Agora só falta Chávez dar uma de juiz-brasileiro-que-não-entende-como-funciona-a-internet e proibir o acesso ao YouTube inteiro para tentar evitar que as pessoas assistam a um único vídeo (qualquer semelhança com o caso Cicarelli não terá sido mera coincidência).

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

  Relação entre pensamento, linguagem e cultura

Does the Language I Speak Influence the Way I Think?”, de Betty Birner, procura defender a idéia de que não é propriamente a língua que falamos que define o modo como pensamos, mas sim que a cultura, o pensamento e a linguagem se inter-relacionam de tal forma que um interfere no outro, e o conjunto dos três irá determinar como pensamos.

Para a autora, nada impede que se possa pensar em algo mesmo que não se tenha uma palavra específica para designar isso. Ao mesmo tempo, o fato de não se ter uma palavra para designar algo pode significar que, culturalmente, o povo que criou aquela língua não sentiu a necessidade de criar essa palavra porque não pensava no que ela significa. É mais ou menos assim: só porque os outros idiomas não têm a palavra saudade, isso não quer dizer que as pessoas que vivam em outros contextos culturais que não o Brasil não sintam saudades umas das outras. Elas apenas não possuem uma palavra para nomear esse sentimento; mas ele existe. Ou melhor, a existência ou não desse sentimento vai depender da cultura. E dá para sentir e pensar em saudade mesmo sem se ter uma palavra específica.

Da mesma forma, a gente aprende a agrupar objetos semelhantes em grupos, mas o que é considerado similar em um idioma vai depender de aspectos culturais, o que faz com que esses grupos de elementos variem de idioma para idioma. Essas diferenças na divisão da realidade em categorias provocam diferenças na forma de pensamento (e pensar diferente leva a uma cultura diferente, que por sua vez leva a uma linguagem distinta – acho que já deu para entender isso :P). Um dos exemplos citados no texto é a divisão do dia em horas, minutos e segundos. Isso cria em nós a ilusão de que o tempo é algo que pode ser fragmentado e compartimentalizado, com se as divisões do tempo fossem ‘coisas’ a serem preenchidas. Em outras culturas, o tempo não é dividido da mesma forma (a linguagem o trata com algo sucessivo e contínuo).

E sabe aquela história de que os esquimós teriam dezenas, ou até centenas de palavras para se referir à neve? Isso também decorreria da cultura – para eles, é relevante saber distinguir entre os tipos de neve, porque eles convivem o tempo todo com isso. Mas até esse mito pode ser desconstruído a partir de uma análise mais atenta do processo de formação de palavras da linguagem esquimó (na verdade, o que para eles é uma palavra, para nós seria a combinação de duas ou três, o que no fundo reforça a idéia de que linguagem, cultura e pensamento dependem um do outro).

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  Enade

Se for para levar ao pé da letra a interpretação do resultado das notas do ENADE, eu praticamente posso dizer que estudo Direito na UFRGS e Jornalismo na PUCRS. Ao menos as notas da UFPel e da UCPel são iguaizinhas às das universidades e cursos equivalentes de POA. Nada como poder estudar no comodismo de uma cidade média mas sem perder para a qualidade do ensino da cidade grande... :)
(Mas como não é só pelas notas dos alunos que se determina a qualidade de uma instituição de ensino, ainda falta o resultado da avaliação in loco para determinar a média final de cada curso...)

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