domingo, 24 de junho de 2007

  Sentir-se estranha em um lugar antes familiar

Hoje passei por um daqueles momentos em que tudo o que a gente mais quer é ter o manto de invisibilidade de Harry Potter à mão, ou então poder cavar um buraco e enterrar o pescoço dentro da terra.

Fui a uma reunião do Lions com meu pai. Fazia tempo que eu não ia. Eu tinha belas recordações de infância de outras reuniões que fui, algo bucólico, e até um pouco romântico. Os pais levavam seus filhos às reuniões, e a gente ficava correndo e brincando pelos campos da Associação Rural de Bagé. Era divertido. Só que hoje antes de sair de casa eu não me dei conta de um detalhezinho importante: eu cresci. E foi só depois que cheguei lá que percebi isso.

É mais ou menos assim: fui em busca de recordações da infância, mas acabei chegando a um lugar estranho em que a minha presença contribuía para diminuir drasticamente a média de idade de todo o povo lá presente. Algo como: grande demais para brincar com crianças (e, dessa vez, nem tinha crianças), mas pequena demais para interagir com os mais velhos (ou melhor: eles é que não queriam levar a sério alguém com metade da idade deles!).

Era um daqueles lugares em que a gente chega, dá uma olhada ao redor, e tudo o que quer fazer é encontrar uma cadeira bem no cantinho, sentar lá, e torcer para ninguém notar a nossa presença.

Poderia ser pior. Sim, poderia. E foi. O prato principal era churrasco. E eu odeio carne vermelha.

Concentrei-me na tarefa de tornar-me invisível (algo como o que Hiro faria em uma situação semelhante, exceto pelo fato de que eu tinha o tempo todo a consciência de que não conseguiria quebrar a barreira do espaço-tempo), e até consegui dominar a tarefa de passar despercebida por boa parte do tempo (sim, sentei numa cadeira em um cantinho). Mas na hora do almoço em si não tive como me esconder. Fui obrigada a sentar a uma mesa. E todo mundo que passava por mim perguntava por que eu não tinha um suculento prato de carne na minha frente. Foi aí que comecei a chamar atenção, não por fazer algo, mas por não fazer o que todo mundo estava fazendo. “Nem uma saladinha?”.

Levantei-me e peguei um pedaço de pão. Por alguns instantes, tive paz. Mas assim que terminou meu pedaço de trigo processado, as reclamações voltaram. “É por isso que é tão magrinha...”

Servi-me de sobremesa. “Isso, tem que comer para ficar forte”. Mas assim que terminei, voltaram as críticas. “Não vai repetir? É muito pouco doce para uma menininha saudável”.

Fora isso, até que consegui me divertir bastante em um almoço de comemoração do aniversário de alguns associados, e também de um casal que recentemente virou avô. Saí de lá sabendo todas as dicas possíveis do que pode contribuir para aumentar a pressão sangüínea. Bebida alcoólica demais é ruim para a pressão. Churrasco malpassado, também. Carne salgada demais, então, vixi, melhor passar longe. Só não entendi direito a situação do doce, porque embora todos estivessem preocupados com a pressão sangüínea na hora de servir-se de carne, todo mundo abusou do doce. Será que também os mais velhos empregam a lógica do “tomar coca-cola light com torta de chocolate anula as calorias do doce”?

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Comentários:

Blogger Lynz disse:
Es gracioso que llames más la atención por hacer nada que por hacer algo :D

Me ha gustado eso del trigo procesado como sinónimo de pan xDD
 
Blogger w1zard disse:
tão surpreendente como seus antigos posts no fotolog é essa revelação de não gostar de carne vermelha. é estranho, mas acho que todo mundo acha que todo baiano é louco por um acarajé e se surpreende quando um gaúcho diz que não gosta de churrasco. =/
 
Anonymous marcus disse:
Tu vai pra Bagé e espera comer o quê num almoço? Foie gras? =)

Mas falando sério, eu sou seguidor da Regra dos 15 Anos: algo que tu te lembra, como um filme, um lugar ou até mesmo pessoas, era muito legal e divertido antes de tu ter 15 anos e tu passou um tempo sem ter contato com esta coisa? Nunca mais assista este filme, vá a este lugar ou encontre estas pessoas. A decepção é certa.
 
Blogger Gabriela Zago disse:
Hehe, gostei da regra dos 15 anos. Vou passar a segui-la :P

E, realmente, esperar algo diferente de churrasco no almoço de uma cidade em que o vice-prefeito despacha de um trailler estacionado na praça ia ser um pouquinho demais...
 


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