sábado, 30 de setembro de 2006

  Vôo 1907 da Gol: os paradoxos tradicionais de uma cobertura online em ‘tempo real’

Para quem estava em Marte nas últimas 15 horas, o vôo 1907 da Gol partiu de Manaus, ontem, por volta das14h da tarde, e tinha pouso previsto para às 18h em Brasília. Mas o avião caiu no meio do caminho, depois de bater em pleno vôo com um avião menor (aliás, a colisão no ar é uma mera hipótese, nada está confirmado ainda). O avião menor, um jato Legacy da Embraer, mesmo com parte da asa e a cauda destruídas, conseguiu fazer um pouso forçado. Ninguém se feriu. Já os passageiros e tripulantes do Boeing 737-800 da Gol não tiveram a mesma sorte: o avião caiu no meio da floresta amazônica. É altamente provável que os 155 passageiros e tripulantes do vôo da Gol tenham morrido – o que torna este, pelo elevado número de vítimas, o maior acidente da história da aviação civil brasileira.
Desde ontem às 22h, quando a companhia liberou as primeiras informações de que o avião teria desaparecido, vários veículos vinham fazendo a cobertura do caso ao vivo. Emissoras de rádio e programas de televisão liberavam fatos não confirmados de tempos em tempos, como uma forma de manter as pessoas informadas. Na Internet também. A diferença é que na web a informação errada fica armazenada, e pode ser consultada mais tarde. Os equívocos ficam mais evidentes, portanto. E as burradas permanecem no ar por toda uma eternidade.
Isso decorre de uma das características do jornalismo online (a memória, manifestada pela possibilidade de criar banco dados com as informações prestadas em tempo real). Combinada com a busca da velocidade, exigida e possibilitada pelo meio online, o resultado pode ser desastroso (como se não bastasse o fato de que a queda do avião por si só já ter sido um desastre). Outras características do jornalismo na web incluem a interatividade, a hipertextualidade, a multimidialidade, as possibilidades de participação e personalização, etc.
Um caso bem pontual para ilustrar o que estou tentando dizer: esta notícia da Folha Online, posta no ar às 17h11 de hoje, apresenta aspectos um tanto paradoxais. O título dá como confirmado que todos os passageiros estariam mortos. Mas o texto apresenta algumas ressalvas quanto à afirmação. Vários sites noticiaram o mesmo fato (tendência generalizada no jornalismo online: uns copiam dos outros, todos recorrem às mesmas fontes). A Agência Estado chegou a liberar uma nota com a correção da informação.
Ao longo do dia, pelo menos na Folha Online, quase todas as matérias traziam uma recapitulação dos fatos até então. Ótimo para quem estava tomando conhecimento pela primeira vez do fato. Terrível para quem estivesse acompanhando o desenrolar dos acontecimentos desde o princípio. Mesmo assim, não deixa de ser interessante o fato de que os sites tenham se esforçado em fazer a cobertura ao vivo do acontecimento, muitas vezes sendo até mais rápidos que a televisão na divulgação dos fatos (na Folha Online, por exemplo, há mais ou menos uma nova informação a cada 15 minutos). Parece que o jornalismo online está finalmente começando a se consolidar como um meio idôneo para a busca de informações em tempo real (apesar dos erros, apesar da velocidade, apesar de tudo). Já a aviação civil comercial brasileira...

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quarta-feira, 27 de setembro de 2006

  Eleições barulhentas

Haja paciência para aturar esses carros-som de campanha eleitoral que passam por aqui a cada dez minutos com o som a toda altura. Mal consegui ler alguma coisa hoje de tarde: era só baixar a cabeça para um novo jingle irritante começar a ser ouvido à distância. Tudo bem que a gente está a 4 dias das eleições, tudo bem que eu ainda não tenho um candidato a senador, mas barulho demais assim cansa! Depois ninguém entende o porquê da apatia generalizada das pessoas com relação à política nesse país! (:P)

Da lei 9.504/97, art. 39, parágrafo 3°:

O funcionamento de alto-falantes ou amplificadores de som, ressalvada a hipótese contemplada no parágrafo seguinte [comícios, que podem ser até meia-noite], somente é permitido entre as oito e as vinte e duas horas, sendo vedados a instalação e o uso daqueles equipamentos em distância inferior a duzentos metros:

I - das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, das sedes dos Tribunais Judiciais, e dos quartéis e outros estabelecimentos militares;

II - dos hospitais e casas de saúde;

III - das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros, quando em funcionamento.


Aposto que ninguém respeita isso :P
Ah! E no dia da eleição é proibido circular com carro-som!
Ó! Tem mais um se aproximando...

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  Não-lugares

Quando a gente estava voltando de Brasília no início do mês, nosso vôo teve uma conexão um tanto absurda em São Paulo. Descemos do avião, fomos levados de ônibus até uma porta a alguns metros de distância, e então fomos colocados em uma fila quilométrica diante de um pequenino balcão: aparentemente, todos ali faziam conexões pela mesma operadora, mas cada um perseguia um destino diferente. Enquanto esperávamos, começamos a falar sobre os professores da faculdade, e uma das pessoas que estava na fila comentou com nós que já tinha ouvido falar de um deles. Conversa vai, conversa vem, reclamamos da fila, do fato de que todos os aeroportos pareciam ser sempre iguais, e ela nos apresentou à noção de ‘não-lugares’. Estávamos em um aeroporto, numa fila, mas pouco importava a localização física daquele aeroporto: importava que estávamos num aeroporto, e, segundo as tendências de um mundo globalizado, os aeroportos das diferentes partes do mundo costumam ser cada vez mais iguais. Aquela situação, aquele aeroporto era um não-lugar. A moça chegou a nos falar o nome do autor e do livro que explicavam melhor a noção de não-lugar, mas antes que pudéssemos anotar ou algo do tipo, chegou nossa vez na fila, e cada um de nós tomou um rumo diferente, em aviões diferentes, para diferentes lugares (se bem que o avião em si é um não-lugar).
Passadas duas semanas, recordei essa história, e resolvi ir atrás do livro. Achei que bastaria digitar na Internet e o encontraria. Encontrei. Quer dizer, fiquei em dúvida. Há o livro “Não-lugares”, de Marc Augé (uma referência óbvia, portanto), mas também encontrei textos que atribuíam ao sociólogo francês Michel Maffesoli (a propósito, estou lendo “O tempo das tribos” desse autor, bem interessante) a criação do termo não-lugar. Alguém saberia me dizer se os não-lugares são antes apresentados em alguma obra de Maffesoli? Ou devo me basear apenas no Augé para entender o que é um não-lugar? :P

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segunda-feira, 25 de setembro de 2006

  Terrorismo como forma de comunicação de massa

Esses dias, estudando para a prova malévola de Direito Internacional Público, deparei-me com uma afirmação de um autor um tanto instigadora. Ele afirmava que o terrorismo seria um meio de comunicação de massa, pois o objetivo do terrorista (atingir as massas) é plenamente alcançado com os atos de terror que ele pratica. Concordo, em parte. Primeiro, o terrorismo está mais para uma forma de comunicação de massa, pois não se constitui em um meio em si. É uma forma de comunicação porque depende dos meios já existentes para ser propagada. Basicamente, a ação terrorista precisa ser de proporções tais para chamar a atenção da mídia (televisiva, impressa, radiofônica, blogueira). Ou seja, qualquer ação grandiosa, terrorista ou não, negativa ou não, pode ser considerada uma espécie de forma de comunicação de massa em potencial.
Mas também há outro lado nessa história. O terror atrai as pessoas. E ele só atinge as massas na medida em que é algo inusual, algo fora dos padrões normais do dia-a-dia (basicamente, fatores que se exige normalmente de um fato para que ele se transforme em notícia). Caminhamos em direção a uma espécie de “banalização do terror”. Com o passar do tempo, os simples atos terroristas de cada dia tenderão a deixar de ser tão extraordinários, e o potencial de atingir as massas será reservado a barbáries absurdamente gigantescas em lugares em que estas não costumam acontecer (como o ataque às torres gêmeas nos EUA, ou os ataques aos metrôs de Madri e Londres na Europa). Em suma, os ataques terroristas em países do Oriente já viraram rotina – e lá eles já perderam o potencial de se transformar em meio (forma) de comunicação de massa. Mas quando são realizados em outros lugares do globo, são, sim, instrumentos de comunicação de massa (o grupo terrorista que os pratica consegue, bem ou mal – mas geralmente causando muita dor e sofrimento –, chamar a atenção do mundo para a sua causa).

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  Antígona (ou Direitos Humanos, parte 2)

Antígona – E tu, irmã, se isso te apraz, és livre para ficar com os vivos, desonrar os mortos e desprezar as leis divinas.
Ismênia – Não! Não as desprezo. Só não me acho forte o bastante para desobedecer as leis da cidade” (“Édipo Rei. Antígona”, Sófocles, Martin Claret, págs. 85 e 86)

A tragédia de Antígona tem muito a ver com a luta pelos direitos humanos. A jovem perde a vida lutando para que seu irmão tivesse direito a uma sepultura, mesmo que isso contrariasse a vontade do rei.

Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinices são filhos de Édipo (aquele do complexo) e Jocasta. A história de Édipo é importante para entender a de Antígona. Na versão contada por Sófocles (496 a 406 a.c., um dos grandes expoentes da tragédia grega), Édipo torna-se rei após matar o rei anterior, Laio (que era seu pai, mas ele não sabia disso). O assassinato ocorre logo após Édipo descobrir o enigma da Esfinge (“Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia, e três à noite? Pare o mouse aqui em cima para saber a resposta :P) e eliminá-la. Por conta disso, ele é cultuado como herói e assume o lugar do rei que foi morto por ele (mas ninguém sabia quem tinha sido o assassino, Édipo também ignorava que tivesse matado o pai/rei). Então, Édipo, sem saber, casou com sua mãe, e com ela teve quatro filhos (que poderiam ser também seus irmãos; a mãe era ao mesmo tempo avó dos seus filhos!). Quando ele fica sabendo dessa confusão toda, decide furar seus olhos, e Jocasta se mata. É mais ou menos por aí que termina a história narrada em “Édipo Rei”.

Mas, de certa forma, parece que a estirpe toda estava condenada a sofrer com a infelicidade. Os filhos homens de Édipo, Etéocles e Polinices, se envolvem em um confronto, lutando em lados opostos, e por fim um mata o outro ao mesmo tempo usando lanças. Com o desaparecimento (ou morte) de Édipo e de seus dois filhos homens, o próximo na linha para assumir o trono é Creonte, irmão de Jocasta. Creonte torna-se rei, e um de seus primeiros editos proíbe que Polinices tenha direito a uma sepultura. Antígona, irmã dos dois rapazes, filha de Édipo e sobrinha de Creonte (que história confusa!) se revolta contra isso, e decide defender o direito de o irmão ser enterrado. Para ela, a lei divina estaria acima da lei do homem. Creonte, que apesar de rei era tio de Antígona, não perdoa a sobrinha e condena-a por violar a ordem real.

Embora os direitos humanos não sejam propriamente “leis divinas”, eles estariam acima da vontade de um soberano. Ao defender o direito de o irmão ter uma sepultura, Antígona estava defendendo o direito de um homem de ser enterrado, apesar da existência de uma lei real em sentido contrário. Ela estava afirmando a existência de direitos essenciais, que estariam acima de qualquer ordenamento jurídico, direitos esses que deveriam ser respeitados independente do que dissesse qualquer soberano, independente da vontade de qualquer rei. Exceto pela origem divina, é mais ou menos esse o fundamento que hoje se aplica aos direitos humanos. A natureza humana se sobrepõe às criações culturais que dela derivam, e alguns direitos básicos precisam ser assegurados mesmo a despeito do que manda a lei (embora seja preferível que esses direitos mínimos a serem protegidos estejam sempre postivados/previstos em lei).

Bom, e o final da história? Antígona era noiva (e prima) de Hêmon, filho de Creonte. Hêmon tenta fazer o pai mudar de idéia, mas alega que o faz não porque Antígona é sua noiva, mas porque acha realmente injusto o que ele está fazendo com a memória de seu primo. Além disso, toda a população está do lado de Antígona. O rei não dá ouvidos ao filho nem ao povo (“E caberá ao povo impor-me as leis que devo promulgar?”), manda que Antígona seja presa numa caverna para morrer por lá, e mantém a proibição de que Polinices seja enterrado. Mais tarde, porém, um sábio adivinho cego o aconselha a revogar a ordem (“Para que matar, pela segunda vez, a quem já não vive?”) e salvar Antígona, pois, do contrário coisas terríveis lhe aconteceriam. Creonte, assustado, decide mudar de idéia, mas já era tarde demais. Não só Antígona já tinha morrido, como também Hêmon, filho do rei, se mata ao ver que sua noiva está morta, e Eurídice, esposa de Creonte, também se mata ao saber que seu filho morreu. Tragédia completa, portanto. De toda a família, só sobra Ismênia.




Isso se chama expiação de culpa: eu tinha que ter lido Antígona para a aula de Direitos Humanos que não assisti quando fui para Brasília (na véspera do feriado de independência). Como eu não ia assistir à aula, não li o livro na data certa. Mas depois bateu um sentimento de culpa básico, e resolvi pegá-lo na biblioteca (da outra faculdade, mas isso não vem ao caso) para dar uma olhada. A edição que loquei (verbo bizarro; é assim mesmo que se diz?) é de bolso, da Martin Claret, e vem com a história de Édipo Rei junto, além de uma penca de apêndices e explicações adicionais. Vale a pena. A história é muito interessante :) Pena que não li antes... E pena que perdi a aula de discussões sobre a leitura!

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domingo, 24 de setembro de 2006

  Perfil dos candidatos

Dica da ZH dominical:

Os sites Políticos do Brasil e Transparência Brasil propõem-se a mostrar o perfil de alguns dos candidatos das eleições de 1° de outubro. É interessante para quem ainda não se decidiu – e até para quem já se decidiu em quem votar, para ter certeza da escolha.

Faltando pouco mais de uma semana para as eleições, sexta-feira foi a primeira vez que me deram na rua um santinho de um candidato à presidência. Guardei, para ter acesso às propostas. Parece que o pessoal dos partidos acaba insistindo demais na campanha dos candidatos à deputado estadual e federal (mais próximos das realidades locais, portanto) e deixa de lado as campanhas para governador e presidente. Afinal, qual a vantagem direta de um diretório local de um partido qualquer em divulgar as propostas de campanha de um candidato à presidência da República? Os resultados ficam bem mais fáceis de serem medidos ao se fazer campanha pelos candidatos com raízes locais...

Como não costumo ver televisão, e os santinhos distribuídos costumam ser de candidatos pouco atrativos (do contrário, sequer precisariam distribuir santinhos :P – conclusão absurda, mas a quantidade de barulho produzida pelo candidato é inversamente proporcional à possibilidade de eleição do mesmo), ainda não sei em quem votar (sim, eu sei que estamos a uma semana das eleições). Meu único acesso é pelo You Tube. Somente os vídeos mais bizarros estão por lá. Esses sites sugeridos pela ZH (e apesar de ser num cantinho escondido da página, provavelmente um calhau, talvez porque não tinham o que colocar para preencher a diagramação da página) caíram como uma luva para saber um pouco mais sobre os candidatos. Não têm as propostas deles Mas apresentam um perfil bastante interessante da maior parte dos candidatos.

No Transparência Brasil dá até para ver se o nome do candidato saiu em algum jornal associado a escândalos de corrupção. O que eu pretendo(pretendia) votar saiu sim. Não como diretamente envolvido, mas como um dos deputados que votou pelo fim de uma das CPIs que investigava alguns dos envolvidos em algum desses escândalos que depois que passam a gente até esquece o nome o.0 Esse site só tem o perfil de deputados federais. Mas é bem completo.

No outro site, Políticos do Brasil, é um pouco mais difícil de encontrar os candidatos. Ao menos quando tentei, ele não aceitou minha superposição de critérios de busca, e procurou apenas com base em um deles. O resultado era ultramegapowergigantesco, e foi difícil localizar exatamente o candidato que eu queria. Ele apresenta dados mais genéricos dos candidatos (como estado civil, idade, cidade de nascimento... etc.). Mas o diferencial é apresentar uma versão simplificada da declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral :) E também apresenta todos os candidatos em disputa a todos os cargos (deputado estadual, deputado federal, senadores, presidentes...). Uma dica: a listagem é feita pelo “nome de fantasia” dos candidatos. Perdi muito tempo indo em direção à letra errada :P

Ah, a presença do número do CPF dos candidatos, em ambos os sites, se justifica para que o eleitor possa verificar a situação do candidato junto ao site da Receita Federal. É quase uma perseguição, uma invasão na vida do candidato: um verdadeiro Orkut eleitoral. Mas como serão eles quem governarão nosso país a partir de 2007, acho que até uma quebra do sigilo bancário se justificaria :P (a mera declaração de bens não parece ser suficiente).

Enfim, já temos uma transparência parcial, e estamos rumando a uma transparência total :) Mas estou de cara porque na rua ainda não me deram nenhum santinho de candidato a governador do estado...

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  Direitos Humanos, parte 1

Em termos gerais, os direitos humanos seriam o patamar mínimo de direitos que deveriam ser assegurados a todos os seres de modo que eles possam ser chamados de “seres humanos”. Assim, fazem parte do rol de direitos humanos direitos que de certa forma seriam inerentes à natureza humana, aquelas garantias que a todos deveriam ser asseguradas para que se tenha uma vida justa.

Costuma-se dividir os direitos humanos em três categorias, conforme o tempo histórico em que a proteção desses direitos começou a ser defendida, com qual direito fundamental protegido pela Revolução Francesa esses direitos se relacionam, e também com base no nível de proteção subjetiva (meramente individual, social, difusos). Assim, há os direitos de primeira geração, baseados no ideal de liberdade, que defendem direitos inerentes ao indivíduo, como os direitos sociais e políticos. Num segundo nível, tem-se a igualdade, e os direitos sociais e coletivos, que dizem respeito a direitos que deveriam ser garantidos a todos em igual quantidade, como educação, saúde, etc. Por fim, há os direitos ditos difusos, aos quais fica difícil determinar um destinatário específico. Baseiam-se no ideal de fraternidade da Revolução Francesa e são direitos que pertencem a todos sem distinção, como o direito à paz, o direito ao bem comum, o direito de comunicação...

Embora essa divisão seja bastante difundida, não se convém conceber os direitos humanos como atributos separáveis. Uma das características principais desses direitos é a indivisibilidade. Considerá-los de forma fragmentada só contribui para fragilizá-los. Outra característica diz respeito à interdependência desses direitos. Ora, é impossível assegurar a liberdade se não houver igualdade, e vice-versa. Um direito depende do outro para que seja plenamente considerado. Por fim, os direitos humanos também são (ou deveriam ser) universais, ou seja, devem ser considerados como um todo, e valem a qualquer tempo em qualquer lugar. A universalidade inevitavelmente esbarra no relativismo cultural: como conceber um patamar mínimo de direitos a serem protegidos em qualquer lugar, quando se vive em um mundo com culturas e povos tão díspares? Esse é um dos desafios da disciplina dos Direitos Humanos. Em especial, da Proteção Internacional dos Direitos Humanos – assunto para um próximo post :P

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quinta-feira, 21 de setembro de 2006

 

A (estranha) percepção da passagem do tempo

Parece que quanto mais o tempo passa, mais rápido parece ele passar. E o pior de tudo é que há uma explicação lógica e possível para tal. Há quem diga que quando somos crianças a gente sente que tem mais tempo porque tudo para nós é novo. Cada nova experiência é aproveitada até os últimos instantes, até deixar de ser novidade, e isso nos faz ter a sensação de que o tempo está demorando para passar (já que cada ato é uma novidade, e temos toda aquela ânsia de querer aprender como desempenhar a tarefa nova de forma adequada).

Com o passar do tempo, as novidades em potencial começam a diminuir em nossas vidas. A escola se torna repetitiva. Até as festas, em um determinado momento, tornam-se repetitivas. Tudo o que é repetitivo leva à monotonia. E a monotonia nos faz pensar que o tempo não passa: se arrasta.

O inverso também pode ocorrer: nos enchemos com tanta tarefa que a gente nem sente o tempo passar; ele simplesmente passa, independentemente de nossa vontade.

De um jeito ou de outro, aquele aspecto de novidade que permeia as nossas vidas nos anos iniciais vai aos poucos se esvaindo, e, sem a idéia de ineditismo, nossas ações se tornam repetitivas, monótonas e aceleradas. Tudo igual, sempre.

Um dos grandes motivos para nos fazer achar que o tempo passa mais rápido quando crescemos é a inevitável aceleração decorrente da automatização das tarefas do dia-a-dia. Há um sem fim de coisas que fazemos automaticamente e só muito raramente paramos para pensar se realmente foram feitas. Voltamos do elevador até a porta para nos certificar de que a fechadura foi trancada. Retornamos à cozinha horas após o jantar só para ter certeza de que o forno foi desligado.

Essa automatização deriva do aprendizado. Enquanto aprendemos alguma coisa, ela é novidade, e, portanto, sujeita a uma passagem do tempo mais leve, mais sutil. Depois que a coisa já está devidamente aprendida, e se temos que repetir a tarefa seguidamente, ela será feita quase que automaticamente. Repetição mecânica. Eliminação total da criatividade. É mais fácil seguir a mesma técnica de sempre, aquela fórmula que já deu certo, do que (tentar) inovar a todo momento. (A culpa é nossa, por mero comodismo?)

Será que se chegará a um ponto em que a criação intelectual também será assim? E a produção de notícias? Sempre os mesmos fatos, sempre as mesmas perguntas a serem respondidas na notícia (o quê, quem, a quem, onde, quando, por quê, como, e o que isso tem a ver com a minha vida?), sempre as mesmas tragédias, sempre os mesmos crimes (quem veio primeiro: o crime ou a lei que o determina?), sempre os mesmos eventos (apenas com periodicidades variadas), sempre os mesmos fait divers. Sempre os mesmos temas, sempre as mesmas postagens, sempre os mesmos comentários, sempre os mesmos blogs. Anulação total da subjetividade? Estamos todos condenados a nos tornar máquinas de repetição, programadas para não ter sentimentos, porque sentimento implica em novidade, e novidade faz o tempo passar mais devagar? Estamos condenados a fazer sempre as mesmas coisas? A repetir os erros do passado? A viver sempre igual e de forma cada vez mais rápida?

Com o tempo passando lentamente, apreciamos mais a vida. Mas não produzimos. Produzir implica necessariamente em acelerar. Somente com a exigência da velocidade chega-se à alienação. E somente com a alienação é que se produz. Ciclo vicioso, cadeia sem fim.

Assim, cada vez mais o tempo nos impõe novas tarefas repetitivas, de modo que não sobre tempo para sentir. Também não sobra tempo para ver o tempo passar. E o resultado disso tudo é uma total insatisfação com o ritmo da vida. Estamos condenados a viver entre este e o próximo deadline? Estamos condenados a ser eternos escravos do tempo?

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quarta-feira, 20 de setembro de 2006

  Dia do gaúcho



Em 20 de setembro comemora-se o Dia do Gaúcho. A data assinala o início da Revolução Farroupilha em 1835. No conflito, que durou 10 anos, forças do governo imperial enfrentaram os rebeldes rio-grandenses (os quais receberam o apelido pejorativo de "farrapos"). Apesar da luta, a vitória foi do governo imperial - mesmo com a fundada tentativa de cisão, o Rio Grande do Sul permanece até hoje fazendo parte do Brasil :P Mas as idéias republicadas não foram totalmente abolidas: 44 anos mais tarde o Brasil se tornaria uma República :)
Para saber mais sobre a data, clique aqui.



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RESOLUÇÃO BLOGAL - RB Nº 001, DE 19 DE SETEMBRO DE 2006

Dispõe sobre o Regulamento Geral para o agendamento de provas e trabalhos de graduandos em duas universidades.


A Diretoria Blogal Ius Communicatio, doravante DBIC, no uso da atribuição que lhe confere o art. 1° do Estatuto Deste Blog, aprovado pelo Post n° 001, de 4 de agosto de 2005; considerando a necessidade de modificação nos procedimentos comumente adotados na marcação de avaliações em universidades, que falham em considerar potenciais graduandos em mais de uma instituição ao mesmo tempo, e com vistas a preservar a saúde e o bem estar deste tipo de estudante; adota a seguinte Resolução e eu, Diretora-Presidente, determino a sua publicação:


Art. 1º Aprovar o Regulamento Geral para o agendamento de provas, trabalhos e afins para estudantes que detenham matrícula em mais de uma instituição de Ensino Superior ao mesmo tempo, em Anexo a esta Resolução.

Art. 2° Suspender a obrigatoriedade de postagens blogais em caráter diário durante o período descumprimento das medidas disciplinadas pelo referido Regulamento.

Art. 3° Revogar eventuais Regulamentos conflitantes que estejam em vigor em qualquer lugar do Brasil, dentro e fora do âmbito de atuação da DBIC.

Publique-se. Registre-se. Cumpra-se.

Anexo:

Regulamento Geral:

1. Fica terminantemente proibido agendar provas em mais de uma instituição durante o mesmo período para alunos que façam mais de um curso superior ao mesmo tempo.

2. As semanas de provas deverão ser separadas entre si por um período mínimo de 10 (dez) dias, incluídos aí os fins de semana, totalizando pelo menos 3 (três) dias sem aulas no período (sábados, domingos e feriados, salvo no caso de instituições que permitam a realização de aulas aos sábados).

3. A averiguação da compatibilidade temporal deverá ser feita pela instituição, de ofício, ou pelas partes, com amplo poder de fiscalização, para o caso de ameaça de descumprimento do disposto neste Regulamento Geral.

4. A prova da realização de duas faculdades poderá ser exigida a qualquer tempo do estudante, e será feita mediante a apresentação do atestado de matrícula, ou a partir da cara de sono do agente (para o caso de se estar em período de realização de avaliações em uma das instituições).

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domingo, 17 de setembro de 2006

  Direito das Obrigações

Direito Civil em versão simplificada

Obrigações é o ramo do Direito Civil que estuda as relações entre indivíduos que se constituem na promessa por parte de um de cumprir uma determinada tarefa para o outro. Uma obrigação ocorre quando alguém se obriga a dar (entregar), fazer ou não fazer algo para alguém.
Assim, quando alguém cria um blog, essa pessoa se compromete a postar nele com uma determinada freqüência. A obrigação é de postar. Trata-se de uma obrigação de fazer algo. Nesse caso, a obrigação será considerada natural, porque não é juridicamente protegida (as obrigações juridicamente protegidas são aquelas reguladas por lei e que tratam de bens socialmente relevantes - exemplo absurdo: a compra e venda de um grão de arroz não terá respaldo jurídico, a menos que se trate do último grão de arroz sobre a face da Terra :P). As obrigações naturais, em geral, não dispõem de garantias para o seu cumprimento. O "devedor" (aquele que deve fazer, não fazer, ou entregar a coisa) a cumprirá apenas com base em deveres morais e na boa fé.
Mas, no tocante às obrigações protegidas pelo Direito, a lei prevê várias formas possíveis de extinção dessas obrigações. A mais comum é o pagamento. O pagamento aqui deve ser entendido em sentido lato, desvinculado da noção financeira que normalmente lhe é atribuída. Assim, por exemplo, se a obrigação for de fazer algo, o pagamento (ou adimplemento, mas, por que complicar o que já é complexo com um termo rebuscado e difícil?) ocorrerá quando a coisa tiver sido feita. Um pintor contratado para pintar uma casa terá sua obrigação concluída quando tiver pintado a casa (oh!). Entretanto, nem sempre a obrigação se encerra com o pagamento simples. Muitas vezes a pessoa se obriga a fazer ou dar algo, mas algum tempo depois percebe que não terá condições de cumprir. E por isso o Código Civil prevê outras formas de extinção das obrigações. Assim, as obrigações podem ser "extintas" de forma indireta. Duas das formas indiretas de extinção da obrigação são a Dação em Pagamento e a Novação (existem muitas outras, mas só essas duas fazem parte do conteúdo da minha prova de amanhã :P).
A Dação em Pagamento ocorre quando o devedor propõe-se a pagar a obrigação de outra forma que não a decidida no nomento de celebração do contrato. Para tanto, requer o consentimento expresso do credor (aquele que vai receber o pagamento). Essa forma de extinção da obrigação é comum quando o devedor encontra-se insolvente (ou seja, quando já deveria ter pago a sua dívida, mas por algum motivo acabou perdendo o prazo). Não vale substituir a coisa a ser feita ou entregue por quantia em dinheiro (porque nesse caso se estaria simplesmente "comprando" a dívida). Para que haja dação, a pessoa tem que dar algo no lugar do objeto original da obrigação, com o fim de quitar especificamente aquela dívida. Por exemplo, o credor pode concordar em receber uma bicicleta ao invés de um patinete, se o cara que ia entregar o patinete não entregou no tempo previsto porque a fábrica de patinetes parou de fabricá-los. O devedor oferece a bicicleta, com a intenção de pagar sua dívida (o tal do animus solvendi, não entendo por que se usam palavras latinas confusas e ambíguas para coisas tão simples), e, se o credor concordar, finda-se a dívida com a entrega da bicicleta o/ :D
Já a Novação, outra forma indireta de extinção das obrigações, ocorre quando devedor (aquele que deve) e credor (aquele a quem é devido) substituem a obrigação anterior por outra diferente, seja por modificação no objeto da obrigação, seja por mudança num dos sujeitos da relação (como pelo ingresso de um novo credor ou novo devedor no lugar dos credores/devedores já existentes). Na novação, o que ocorre é uma extinção da obrigação anterior, mas a obrigação de pagar irá persistir. No mesmo exemplo do patinete e da bicicleta, ocorreria novação se o cara que ia entregar o patinete, antes de vencer a dívida, perguntasse ao cara que ia receber o brinquedo se ele não aceitaria receber uma bicicleta no lugar, mas a bicicleta só seria entregue no momento em que a obrigação tivesse de ser cumprida. O cara do patinete poderia ter, sei lá, combinado de entregar o meio de transporte ao amigo se ele vencesse uma determinada corrida de motocicleta. Antes da corrida, ele se propõe a mudar o objeto da obrigação (ao invés de patinete, será uma bicicleta). Em nenhum momento anterior tinha sido cogitada essa hipótese de trocar o patinete pela bicicleta. Daí pode-se dizer que a obrigação de entregar o patinete desaparece completamente (é extinta, de forma indireta) e nasce uma nova obrigação: a de entregar a bicicleta. Assim como na dação, a novação também requer uma intenção específica. Só que na novação o que se exige é a intenção de novar, o intuito de criar uma nova obrigação (o tal do animus novandi).
Essas formas de extinção indireta das obrigações não devem ser confundidas com as possibilidades de transmissão de obrigações. A Transmissão de Obrigação ocorre quando um crédito (algo por receber, não apenas dinheiro: se um pintor marcou de pintar as paredes de sua casa, você tem um "crédito" a receber: a pintura), um débito (o mesmo pintor que lhe proporcionará o crédito da pintura terá para si um débito: pintar), ou os dois juntos, são transmitidos de uma pessoa para outra.
A Cessão de Crédito ocorre quando o que se tem por receber é transferido para outra pessoa. Trata-se da mudança do "credor" da obrigação. Generalizando, seira se o cara desistisse da pintura, mas, como ele já pagou o pintor, ele então passa o direito à pintura para um amigo seu que também precisa ter sua casa pintada (mas se bem que aí as casas deveriam ser exatamente iguais, sob pena de enriquecimento ilícito por parte do amigo que vai receber a pintura, às custas da exploração do pobre e coitado pintor que já recebeu antecipadamente para pintar bem menos parede na outra casa... meu exemplo não é lá muito feliz :P). A cessão de crédito pode ser feita de forma gratuita (o credor original, o cedente, confere o direito de receber a coisa ao amigo, o cessionário, sem que ele precise pagar pelo serviço), ou onerosa (nesse caso, o carinha que tinha originalmente contratado o pintor poderia "vender" o direito de receber a pintura para o amigo). Por fim, a cessão de crédito independe da concordância do devedor, porque pra ele, ao menos teoricamente, tanto faz para quem ele vai ter que cumprir a obrigação. Ele só terá que ser avisado, em tempo razoável, para que saiba para quem deverá pagar a sua obrigação. Alguém tem que se lembrar de dizer pro coitado do pintor que ele não vai mais pintar a casa do cara que pagou ele, mas a casa do amigo. De preferência, antes de ele ter começado a pintura :P
Também pode ocorrer a cessão de débito, mais conhecida como Assunção de Dívida. Nesse caso, a mudança subjetiva ocorre na figura do devedor. O assuntor é aquele que assume a dívida de outro. Não parece ser algo lá muito divertido assumir para sí a dívida de outra pessoa, mas a lei regula isso mesmo assim. Nesse caso, o credor tem que concordar com a substituição, obrigatoriamente (pelo menos no caso de delegação liberatória, conforme exposto abaixo). Ele pode não concordar, por exemplo, que o seu devedor, conhecido por sempre cumprir suas obrigações, seja substituído pelo maior caloteiro da cidade. A assunção de dívidas pode se dar de quatro formas: pela expromissão liberatória (nesse caso, o novo devedor negocia diretamente com o credor, e o devedor anterior vai ser meio que chutado para fora da relação, permanecendo só o novo devedor que assumir o seu lugar), pela expromissão cumulativa (o credor negocia com o novo devedor, mas decide manter o velho devedor junto com o novo, como uma forma de ter duas chances de que a obrigação vai ser cumprida), por delegação liberatória (o velho devedor negocia com o novo devedor, e no fim os dois concordam que o novo substituirá o primeiro: o velho devedor se livra da obrigação!) ou por delegação cumulativa (os dois devedores, tanto o anterior quanto o novo, optam por respondem pela dívida, de forma subsidiária/complementar).
Por fim, embora não seja regulado pela lei brasileira, há ainda o instituto da Cessão de posição contratual (ou cessão de contrato, mas essa versão deixa maiores margens à duvida). Os autores que tratam do assunto no Brasil baseiam-se nas legislações portuguesa, alemã e italiana. Ela ocorre quando o cedente (aquele que cede :P), com a concordância da outra parte, transfere sua posição no contrato para um terceiro (cessionário). Diferentemente da cessão de crédito, na cessão de posição contratual são transferidos ao terceiro tudo o que diz respeito à obrigação. O novo integrante se responsabiliza pelo contrato inteiro, e não apenas por uma parte das obrigações nele dispostas (na verdade, ainda não entendi direito a diferença entre cessão de contrato e cessão de débito, então, na dúvida, melhor encerrar o post por aqui mesmo e voltar a se dedicar à tarefa árdua de tentar compreender a linguagem rebuscada dos livros de Direito...).

Bom, espero que este post tenha contribuído para que as outras pessoas compreendam o quanto uma simples obrigação pode ser mega complexa. Da próxima vez que vocês forem assumir uma obrigação de fazer algo, pensem nas implicações por trás do que vocês estão concordando em fazer. Antes de fazer uma promessa, pensem na panóplia de conseqüências que o seu descumprimento poderá ensejar. E só concordem em se obrigar a fazer algo depois de pesar todas as possíveis conseqüências :) Antes de fazer bobagem, pensem nos coitados dos estudantes de Direito que passam horas debruçados sobre livros tentando entender todas as possíveis conseqüências do descumprimento de uma obrigação, sem ao menos saber as aplicações práticas que isso poderá ter em suas vidas :P

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sábado, 16 de setembro de 2006

  Saldo de leituras do dia

A prova que tenho segunda-feira é de Direito Civil. Mas hoje, até agora, li o jornal inteiro (Zero Hora, minha leitura diária desde 2003), 30 páginas de um livro de Jornalismo (Teorias do Jornalismo, de Nelson Traquina, muito bom, comprei lá no Intercom), 15 páginas de um livro de ficção (Admirável Mundo Novo, ganhei de aniversário, mas ainda não tive tempo de terminar), e, ah sim, 5 páginas do Manual de Direito Civil (a matéria é muito chata!! aaaa). O emocionante post sobre Dação/Novação/Cessão/Assunção ficará para amanhã.

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  Rede social total

Esses tempos fiquei pensando em como seria bom se houvesse uma espécie de rede social na Internet capaz de armazenar todas as informações quanto a livros, filmes, músicas, espetáculos, eventos e comidas que, conforme o caso, a gente já leu, viu, ouviu ou comeu na vida. Uma espécie de inventário de todas as informações que inevitavelmente se perdem nos caminhos tortuosos da memória, como título do livro, data de leitura, origem da obra (se comprada, alugada, tomada de empréstimo) e algumas linhas com nossas impressões sobre a leitura. Uma verdadeira extensão de nossos pensamentos, algo que ampliaria nossa capacidade de armazenar e reter informações para muito além do que já é possível atualmente.
Obviamente que já é possível, com as ferramentas que se tem, fazer algo análogo em qualquer computador comum. Entretanto, o grande diferencial estaria nas potencialidades abertas pela interação propiciada pela Internet. Assim, a parte divertida da história seria a possibilidade de interagir e conhecer pessoas que tenham lido os mesmos livros que você, ou que tenham detestado a mesma marca de comida congelada. Verdadeiras comunidades de gostos poderiam ser formadas. Daria até para explorar o recurso das tags, e dividir os produtos por palavras-chave ou categorias. Uma rede social virtual assim concebida seria capaz até mesmo de localizar pessoas que tivessem exatamente os mesmos gostos e colocá-las em contato, quebrando o mito de que não existem duas pessoas exatamente iguais em todo o mundo (ou então sugerir, baseado no que a pessoa tem lido ou escutado recentemente, 'amigos' em potencial com gostos afins).
Como recursos adicionais, poderia ser possível também que cada ficha de livro viesse acompanhada de um link para realizar a sua compra, e indicações das bibliotecas mais próximas onde seja possível locá-lo. As fichas poderiam estar todas prontas, na Internet (caso algum livro ainda não a possua, bastaria criá-la, em sistema wiki, e a partir daí todos usariam a mesma ficha), com alguns dados fixos (título da obra, editora, autor, etc.), e outros completáveis pelo leitor (se gostou ou não do livro, eventuais críticas que queira acrescentar, quando leu, como tomou conhecimento da existência do livro, e se recomendaria ou não a leitura). Também poderia vir com listas de empresas perto da sua casa que possuam o produto à venda, e comparações entre os preços que esse produto constuma apresentar em cada um desses estabelecimentos. Os próprios estabelecimentos poderiam ser objeto de inclusão no inventário de dados, e as pessoas poderiam dizer se já foram lá, e se gostaram do atendimento e do serviço, recomendando ou não a compra nesses lugares.
Enfim, basicamente, no site seria possível opinar sobre tudo. Também seria possível armazenar informações sobre tudo o que se viu, leu, sentiu ou comprou durante toda uma vida. Mas a função principal seria a de colocar em contato pessoas com os mesmos gostos :)

A idéia é tão boa que já existe algo parecido: www.allconsuming.net. Não tem todos os recursos aqui imaginados, mas o site consegue cumprir com boa parte deles. A ferramenta não parece ser muito popular, nem tem um visual lá muito atrativo... Mas, se combinado com o 43things, o 43people e o 43places, dos mesmos proprietários, já preenche parcialmente o requisito de ser uma rede social total.
Outra possibilidade é considerar todas as ferramentas do Google como um continuum. Desse modo, só faltaria a possibilidade de integrar todas as ferramentas numa só, porque praticamente todo o resto já pode ser feito :P

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  Por uma reformulação dos cursos de Direito

Um professor meu sugeriu dia desses (impossível ser mais vaga; mas eu realmente não lembro quem disse isso...) que o curso de Direito deveria ser diferente. Ao invés de obrigar o aluno a ficar 5 ou 6 anos na universidade aprendendo sobre absolutamente tudo que envolva lei, justiça e poder público, deveria ser dada ao aluno a possibilidade de escolher qual a ênfase que ele quer dar aos seus estudos. Seria mais ou menos o que ocorre com o curso de Comunicação Social: passa-se algum tempo aprendendo as matérias gerais do curso, aquelas que no começo ninguém dá valor, mas que depois se mostram de suma importância (como Sociologia, Filosofia, História, Psicologia, Antropologia, etc.), seguidas de algumas noções gerais sobre cada ramo do Direito (noções de Civil, Penal, Processo, Finanças e Tributos, Trabalho, Comércio). Após essa introdução geral, o aluno poderia escolher sua ênfase. A divisão tanto poderia ser simplesmente dicotômica (Direito Público X Direito Privado), como altamente especializada (Direito Penal, Direito Civil, Direito Processual Trabalhista, Direito Tributário, etc.). Ao término do curso, o bacharel só poderia atuar em sua área de especialização jurídica. Essa nova sistemática resolveria inúmeros problemas. Primeiro, formaria profissionais com bem mais conhecimento em suas áreas. Além disso, evitaria o excesso de advogados em determinados campos jurídicos (a escolha da ênfase do curso poderia ser feita já no vestibular, com número limitado de vagas para cada área). Sem falar no fim dos advogados generalistas (aqueles que se propõem a atuar em todas as áreas ao mesmo tempo – será mesmo possível que alguém saiba de tudo um pouco?).
No curso de Comunicação Social (ao menos no que eu faço) ocorre algo análogo. Nos primeiros três semestres, os alunos de todas as habilitações assistem juntos às aulas. Noções gerais de comunicação são dosadas com matérias gerais típicas dos cursos das Ciências Sociais (Sociologia, Economia, Ciência Política, etc.). A partir do quarto semestre, os alunos são divididos em duas turmas, e os que querem Publicidade e Propaganda passarão a ter matérias que tratem especificamente do assunto (ou, mesmo que sejam matérias genéricas, elas terão uma ênfase na Publicidade por conta da escolha dos alunos), e os que fazem Jornalismo passarão a ver apenas tópicos relacionados ao curso de interesse. (Tem ainda alguns alunos remanescentes da época em que a faculdade ofertava o curso de Relações Públicas, que precisam assistir aulas ora com a Publicidade, ora com o Jornalismo, mas esses são um caso à parte :P) A escolha da habilitação é feita no vestibular. Mas nada impede que o aluno se apaixone pela outra opção no decorrer do curso. Nesse caso, se houver vagas, ele pode solicitar a mudança de habilitação. Ou então, pode ser feliz e fazer as duas ao mesmo tempo :) O que importa é que o Jornalista não pode atuar na área do Publicitário, e vice-versa. A formação só permite atuar na habilitação escolhida.
Resumo da ópera: talvez o Direito seria bem melhor se seguisse essa sistemática adotada pela Comunicação (e por vários outros cursos). Não parece ser nada divertido ter de encarar, à força, as cinco cadeiras anuais de Direito Civil (já passei por uma, estou na segunda, e não agüento mais!). Se fosse possível, eu deletaria tranqüilamente o Direito Privado da minha formação. Não me interesso por nada que que não envolva o Estado ou o Poder Público num dos pólos da relação. Nesse sentido, Penal, Processo, Internacional Público e Constitucional parecem ser bem mais divertidos :P Mas vou precisar passar o fim de semana inteiro lendo sobre tópicos mega desinteressantes como Dação em Pagamento, Novação, Cessão de Débito ou Assunção de Dívida. Yay. Leve vingança: mais tarde postarei aqui uma breve introdução sobre cada um desses assuntos :)

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quinta-feira, 14 de setembro de 2006

  Sorte do dia

Eis uma sorte do dia bem... apropriada para um dia de chuva:

Today's fortune:
When winter comes heaven will rain success on you

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  Chuva

ATENÇÃO. O post a seguir é completamente inútil. Leitura não recomendada para aqueles que procuram conteúdo (nesse caso, pule para o post seguinte, ou consulte o arquivo. Na pior das hipóteses, vale apelar para o blogroll também).

Devia ser proibido chover três dias seguidos. Chuva de vez em quando é bom. Mas chuva constante por um longo período de tempo entedia. (Ainda mais quando as chuvas se concentram no fatídico período do ano em que as semanas de provas das duas faculdades coincidem).
Há quem argumente a velha piada que diz que é impossível chover dois dias seguidos porque sempre haverá uma noite no meio (terrível, mas não fui eu quem inventei; a piada existe independentemente da minha (falta de) humor em dias de chuva). Adotando-se uma concepção ampla de dia, algo como “espaço de tempo compreendido entre 00h e 24”, ou período entre a hora de acordar até a hora de ir dormir (ou qualquer outra definição que se prefira), é possível sim chover três dias seguidos. O que se esqueceram de verificar é se as pessoas agüentam tanta água caindo do céu durante todos esses dias...
(E por que será que as pessoas sempre falam do tempo quando não possuem outro assunto sobre o qual falar? – ex.: conversas convencionalmente forçadas com desconhecidos em elevador ou bate-papos ocasionais em filas de banco.)

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segunda-feira, 11 de setembro de 2006

  Intercom 2006

Gostei muito de ter participado do meu primeiro (de muitos que ainda virão) Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Apesar de a princípio parecer caótico (com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo) o evento foi muito bem organizado. O evento deste ano foi em Brasília, nos dias 6, 7, 8 e 9 de setembro. O tema era “Comunicação e Estado”. Ano que vem o Intercom será em Santos-SP, e terá como tema as novas tecnologias.
Como ainda não tenho uma única área de interesse, circulei por vários lugares diferentes: passei um bom tempo no NP de Tecnologias da Informação e da Comunicação (a palestra do prof. Alex Primo da Ufrgs foi muito boa, valeu pelo Congresso inteiro), uma tarde no seminário de temas livres em comunicação sobre Comunicação e Discurso (tinha um trabalho sobre o discurso da Igreja Universal que era realmente muito interessante). No último dia de evento, participei do Intercom Júnior, que é uma versão paralela do evento exclusiva para a apresentação de trabalhos de estudantes de graduação (vale apresentar TCC, pesquisa de iniciação científica, trabalhos de pesquisa desenvolvidos em cadeiras da faculdade, enfim, qualquer coisa... desde que se faça uma versão artigo-científico-de-até-15-páginas para a inscrição e que se tenha um professor orientador). O que me surpreendeu foi o nível dos trabalhos no Intercom Júnior. Ao menos na nossa sala, todos os trabalhos apresentados possuíam uma qualidade semelhante, não havia trabalhos nem absurdamente maravilhosos nem trabalhos totalmente terríveis. Todos eram igualmente bons. Os organizadores do evento também procuraram separar os trabalhos por afinidade temática. A nossa sala era interessante, porque todos os trabalhos lidavam com o conceito de notícia e/ou criticavam o jornalismo do jeito que estava sendo feito. O nosso trabalho*, de certa forma, fazia as duas coisas.
Infelizmente, não pude ver o trabalho de mais ninguém lá da faculdade*, ou porque era no mesmo horário do nosso, ou porque era impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Os trabalhos de colegas nas seções vespertinas do Intercom Júnior, por exemplo, não puderam ser vistos porque nosso vôo de volta era um pouco antes do final do congresso (era mais barato voltar antes). Também não foi possível assistir à palestra da Raquel Recuero, nossa orientadora – porque era exatamente no mesmo horário da nossa apresentação.
Saí de lá com ainda mais vontade de permanecer o máximo de tempo possível na vida acadêmica. Pretendo fazer mestrado, doutorado, dar aulas, pesquisar, enfim... tudo o que for possível. Antes ainda preciso me decidir para qual curso irei me dedicar. Infelizmente, não dá para “levar à sério” os dois. Estou cada vez mais inclinada para o campo do Jornalismo. Mas, paradoxalmente, cada vez mais me envolvo em atividades jurídicas. Depois de passar fora quase uma semana inteira (a sensação era de que eu estava em Brasília há bem mais tempo, tendo em vista a quantidade de coisas que a gente conseguiu fazer em apenas cinco dias!), amanhã volto ao “mundo real”. Tenho pelo menos 4 provas esta semana. Há pelo menos 3 trabalhos para serem entregues. Preciso voltar ao meu estágio burocrático-alienante-repetitivo (mas altamente instrutivo) de furar, colar, anexar no processo e passar a fase no computador, e também ir atrás de informações sobre o projeto de extensão do Direito que provavelmente deve ter começado enquanto eu não estava aqui. Enfim, a vida continua... Para chegar a um mestrado, preciso antes terminar ao menos uma das duas faculdades :P

* Links adicionais: notícia do site da UCPel evidenciando a produção científica da Escola de Comunicação
Trabalho “A produção de notícias online na era da globalização

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quinta-feira, 7 de setembro de 2006

  Vida de camelo

Brasília é uma cidade bem legal. Mas acho que esqueceram de nos avisar que aqui estava muito muito muito quente. Talvez o problema tenha sido recorrer a fontes pouco seguras para obter essa informação (consultamos os próprios residentes de Brasília e eles acham que 20°C é é frio...). Mas passar calor é bom, principalmente considerando-se o fato de que lá em Pelotas estava menos de 5°C no dia que a gente saiu. Pena que sábado a gente tem que voltar.
Além disso, o ar daqui é seco. Muito seco. E a combinação de ar seco + calor faz com que a gente sinta sede o tempo inteiro. (Pelotas é uma das cidades mais úmidas do Brasil, aí está mais um ponto de total contradição entre de onde vim e onde estou).
Brasília é uma cidade planejada. E embora ela tenha crescido para muito além do plano original, tudo segue mais ou menos obedecendo o padrão original. Não é só a cidade que se divide em setores Sul, Norte (as asas do avião; a cidade foi projetada no formato de um aeroplano), subdivisões Leste e Oeste, mas também todos os outros lugares possuem divisões semelhantes (como nos shoppings, também divididos em duas metades Norte/Sul), ou a própria UnB (de onde estou postando), cujo prédio principal se divide em Sul, Centro e Norte. Além da divisão por direcionamento, há também a divisão dos estabelecimentos por setores. Aí há setores de hotéis (superquadras nas quais para onde quer que se olhe só se enxergam hotéis, há pelo menos um setor só para hotéis em cada uma das asas), setores de clubes, setores comerciais, setores de farmácias... tudo organizado de forma patética e metódica. É estranho, mas ao mesmo tempo é divertido. Apesar de absurdo é perfeitamente lógico. O bom é que assim fica difícil de se perder por aqui.

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segunda-feira, 4 de setembro de 2006

  Maldito caixa eletrônico!!

Dirigi-me a um caixa eletrônico agora de tarde com três propósitos: 1) verificar meu saldo; 2) tirar uma quantia considerável de dinheiro para a viagem; 3) regularizar a situação do meu CPF antes de viajar (sempre esqueço de fazer as cruéis e aparentemente sem sentido declarações de isento pela Internet...). Chegando lá (chamar de “lá” é um pouco de exagero: o caixa fica a duas quadras daqui de casa), deparei-me com uma fila gigantesca. Nunca tinha visto uma fila tão grande assim para um simples caixa eletrônico no meio de uma universidade, mas deduzi que se tratassem de pessoas que buscavam pagar alguma conta ou algo do tipo (hoje é dia 4; as contas geralmente vencem dia 5... as mensalidades da universidade vencem dia 6... é perfeitamente lógico). Depois de esperar meia hora, eis que eu era a segunda da fila. Primeiro, o carinha imediatamente atrás de mim sai indignado porque a moça diante do caixa disse que o saque não estava disponível (faltava dinheiro na máquina). Okay, ainda posso cumprir dois dos meus objetivos. Permaneço na fila. Logo depois, aparece o rapaz do banco para fazer a reposição do dinheiro. Ele pergunta se eu pretendia fazer saque, digo que não, e ele permite que eu continue na fila. Outras pessoas atrás de mim desistem de esperar. A moça na minha frente levou uma eternidade para digitar os números do código de barras da conta que ela queria pagar (quem mandou não imprimir direito o boleto!). Ela tentava, tentava, e só dava erro. Minha paciência só diminuía. A do rapaz do banco também. Quando a moça finalmente desistiu, o rapaz do banco tomou o cartão da minha mão, colocou na máquina, e perguntou o que eu queria fazer. Fiquei com medo, não consegui pensar direito, mas acho que disse que pretendia regularizar meu CPF. Ele tentou abrir para mim essa opção, e me deixou na tela de digitar os dados. Bom, ver o saldo poderia ficar para depois, pensei. Ao menos o CPF poderia ser regularizado. Comecei a digitar os números, com pressa, e quando fui colocar os dígitos do título de eleitor, eis que vem a indignação: a tecla zero não estava funcionando. E eu ia precisar de muitos zeros para preencher aquele campo! O rapaz simplesmente disse “sinto muito”, tirou meu cartão da maquininha e começou a operação de reabastecê-la de dinheiro. Previsão de término: pelo menos uns 30 minutos. Resultado: não vi meu saldo, não saquei dinheiro, não regularizei meu CPF. Ou melhor, fiz a declaração de isento convencional pelo site da Receita, e a julgar pela ausência de mensagens de erros, eles aceitaram o processo, mesmo eu estando irregular por não ter “declarado” nada no ano passado. Em outras palavras: minha ida até o caixa eletrônico foi completamente inútil. Eu nem precisava ter saído de casa hoje... Humpft.

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domingo, 3 de setembro de 2006

  7 de setembro em Brasília

(Quase) tudo pronto para ir para Brasília. Passagens aéreas compradas, mala preparada, bagagem de mão planejada... Só falta terminar de preparar a apresentação (e tomar coragem para apresentar), providenciar o trecho rodoviário Pelotas-POA-Pelotas, fazer os trabalhos de Redação e Assessoria de Imprensa (para amanhã!), terminar de ler dois livros e entregar pelo menos três nas bibliotecas das faculdades. Minha segunda-feira não vai ser nada divertida.
Pretendo tentar postar de lá, algo tipo um diário de bordo da viagem. Pretendo. Não sei se vou ter acesso a computadores.
Mas se não der, domingo que vem estarei de volta, e farei um mega post falando sobre tudo o que vi lá em Brasília :)
Se der tempo, ainda posto alguma coisa amanhã.

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sábado, 2 de setembro de 2006

  “O Grito” vale 2 milhões de M&M’s

Na semana passada, a Masterfoods*, empresa norte-americana que fabrica os chocolates coloridos M&M’s, lançou uma promoção absurda (mas criativa) para divulgar a nova versão dos chocolates, os M&M’s dark. A tarefa proposta era simples: quem encontrasse o quadro “O Grito”, de Edvard Munch, levaria 2 milhões de bolinhas da nova versão do chocolate (o equivalente a cerca de 40 mil embalagens de M&M’s, com valor total aproximado de U$22 mil).
“O Grito” e “Madona”, obras de Munch, ambas de 1893, haviam sido roubadas no dia 22 de agosto de 2004. Dois homens armados invadiram o Museu Munch, em Oslo (capital da Noruega), e levaram as pinturas na frente de dezenas de turistas.
A promoção do M&M’s foi lançada dois anos depois do roubo, no dia 22 de agosto de 2006. Bizarro ou não, o quadro foi encontrado pouco tempo depois do lançamento da campanha. As duas pinturas de Munch foram recuperadas pela polícia norueguesa nesta quinta-feira, 31 de agosto. A polícia norueguesa ainda não se manifestou a respeito da recompensa.
A pergunta que não quer calar: será que os policiais noruegueses só foram atrás do quadro porque queriam os 2 milhões de confeitos? :P
A Masterfoods prometeu que vai honrar seu compromisso: dará 2 milhões de confeitos na versão dark para a polícia norueguesa. Mas a entrega do prêmio ficará condicionada à comprovação da autenticidade da obra.

* Masterfoods: braço corporativo para as operações de alimentos, lanches e rações da Mars Incorporated, a Masterfoods é uma das líderes mundiais na fabricação de alimentos. Algumas de suas marcas mais famosas são M&M’s (oh!), Snickers, Uncle Ben's, Pedigree e Whiskas.

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sexta-feira, 1 de setembro de 2006

  Eleições vazias

A cada dois anos é sempre a mesma coisa. Mudam os candidatos, mudam os cargos que estão sendo disputados, muda o motivo das eleições. Mas o discurso é sempre o mesmo.
O diferencial deste ano fica por conta das frases-clichê anticorrupção. Temas como renovação ética e mudança política têm proliferado na propaganda eleitoral gratuita pela televisão e pelo rádio. E o que mais chama a atenção é que esses termos são usados não só pelos candidatos de partidos que fazem oposição ao governo, mas também de partidos que já estão no poder!
Enfim, a crise política é generalizada. Entretanto, o problema é que o uso excessivo dessas palavras esvazia-as de sentido. Além disso, desvia-se do destaque necessário às propostas (partidárias) que realmente valham a pena e que precisam ser feitas. Afinal, os candidatos estão lá para serem eleitos para administrar o país. Apesar das aparências, não se trata de um festival para escolher quem tem a melhor campanha.
Todo mundo espera que os próximos candidatos no mínimo pretendam ser diferentes do atuais ocupantes dos cargos públicos eletivos que estão em jogo (principalmente com relação aos candidatos a deputado federal e deputado estadual, por conta dos recentes escândalos de corrupção). Do contrário, não haveria necessidade de renovação. Mas e o que eles pretendem fazer para mudar a situação?
Ao contrário do que diz a máxima de Maquiavel, talvez os fins não justifiquem os meios. Ou até poderiam justificar. Mas que meios seriam esses?
Com o tempo curto na televisão, poucos candidatos apresentam suas propostas (fins), e o modo como pretendem realizá-las (meios). A preferência parece ser por chamar a atenção, da melhor forma possível. A nova lógica é vencer as eleições (fim), destacando-se da massa de candidatos iguais de forma criativa (meio). Depois de eleito é que o candidato vai pensar em seu programa governo, em seu comprometimento com a população. Se não der certo, é só mudar de partido...
Assim, o que se vê são campanhas vazias de sentido. Os candidatos fingem que estão em campanha eleitoral. Os eleitores fingem que compram as suas idéias. O resultado disso tudo é que parece que o objetivo dos candidatos passou a ser simplesmente vencer a eleição. Não é mudar o país. Depois ninguém entende por que as pesquisas mostram que as pessoas não se lembram em quem votaram nas últimas eleições. Falta comprometimento político nesse país. Falta conscientização. Faltam verdadeiros partidos políticos, pautados por idéias basilares e comprometidos com princípios éticos.

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