sexta-feira, 1 de setembro de 2006

  Eleições vazias

A cada dois anos é sempre a mesma coisa. Mudam os candidatos, mudam os cargos que estão sendo disputados, muda o motivo das eleições. Mas o discurso é sempre o mesmo.
O diferencial deste ano fica por conta das frases-clichê anticorrupção. Temas como renovação ética e mudança política têm proliferado na propaganda eleitoral gratuita pela televisão e pelo rádio. E o que mais chama a atenção é que esses termos são usados não só pelos candidatos de partidos que fazem oposição ao governo, mas também de partidos que já estão no poder!
Enfim, a crise política é generalizada. Entretanto, o problema é que o uso excessivo dessas palavras esvazia-as de sentido. Além disso, desvia-se do destaque necessário às propostas (partidárias) que realmente valham a pena e que precisam ser feitas. Afinal, os candidatos estão lá para serem eleitos para administrar o país. Apesar das aparências, não se trata de um festival para escolher quem tem a melhor campanha.
Todo mundo espera que os próximos candidatos no mínimo pretendam ser diferentes do atuais ocupantes dos cargos públicos eletivos que estão em jogo (principalmente com relação aos candidatos a deputado federal e deputado estadual, por conta dos recentes escândalos de corrupção). Do contrário, não haveria necessidade de renovação. Mas e o que eles pretendem fazer para mudar a situação?
Ao contrário do que diz a máxima de Maquiavel, talvez os fins não justifiquem os meios. Ou até poderiam justificar. Mas que meios seriam esses?
Com o tempo curto na televisão, poucos candidatos apresentam suas propostas (fins), e o modo como pretendem realizá-las (meios). A preferência parece ser por chamar a atenção, da melhor forma possível. A nova lógica é vencer as eleições (fim), destacando-se da massa de candidatos iguais de forma criativa (meio). Depois de eleito é que o candidato vai pensar em seu programa governo, em seu comprometimento com a população. Se não der certo, é só mudar de partido...
Assim, o que se vê são campanhas vazias de sentido. Os candidatos fingem que estão em campanha eleitoral. Os eleitores fingem que compram as suas idéias. O resultado disso tudo é que parece que o objetivo dos candidatos passou a ser simplesmente vencer a eleição. Não é mudar o país. Depois ninguém entende por que as pesquisas mostram que as pessoas não se lembram em quem votaram nas últimas eleições. Falta comprometimento político nesse país. Falta conscientização. Faltam verdadeiros partidos políticos, pautados por idéias basilares e comprometidos com princípios éticos.

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Comentários:

Anonymous rafaelgimenes disse:
compartilho do mesmo ponto de vista.
e as musiquinhas? maior toscas,
cade os planos de governo
os kras so querem meter o pau!
foda eu vou anular tudo acho
peróba neles
 
Blogger Edison disse:
A política no Brasil parece não dar certo talvez por ser uma das únicas coisas onde não há influência do capitalismo. (Daí a corrupção.)

Faço uma analogia com uma empresa que investe em planejamento estratégico e o segue cautelosamente, pois qualquer passo em falso significa um prejuízo imenso que pode quebrar a empresa.

Na política, o salário é fixo, não há patrão, se quiser, nem precisa comparecer no local de trabalho e só se planeja depois de dados os primeiros passos (o plano de governo depois da eleição, como vc disse).
"Se não der certo, que se dane! Pepino pro meu sucessor. O Brasil já tá quebrado mesmo."
 
Anonymous rodrigo disse:
Como disse a socióloga e professora do ICH, Profa. Ellis Radmann (acho que é assim que se escreve) o momento é de frustração profunda com a classe política, mas como reação o eleitorado está refletindo mais sobre a escolha do candidato, o que é saudável para a democracia. Excelente post.
 
Blogger A czarina das quinquilharias disse:
é verdade, e todos eles falam exatamente a mesma coisa...
 
Anonymous carol disse:
adorei o texto :)
bi, vc sabe colocar em palavras mesmo as coisas... ta otimo

E EU ODEIO POLÍTICA ¬¬
 


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