sábado, 31 de dezembro de 2005

  Último post de 2005

Título auto-explicativo.
Até 2006! :) _o/



  Feliz Ano Novo

A programação da TV aberta neste sábado tah sendo um verdadeiro suplício. Milhares de artistas se fazendo de simpático, todo mundo esquecendo as diferenças e desejando tudo de bom para todos no ano que se inicia, pessoas que se odeiam se desejando aquelas coisas clássicas (saúde, dinheiro, amor, paz, felicidade...) até para os inimigos, muitos tirando o tempo para rever o que aconteceu no ano que se finda em poucas horas (odeio retrospectivas!!!)... Ahhhh. ACABA LOGO, 2005! :P

Feliz Ano Novo para todos! :D
(e, apesar de tudo, também desejo a vocês todas aquelas mesmas baboseiras de sempre...)



quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

  Segundo extra

Já decidi o que fazer com o segundo extra de 2005: vou iniciar no 11 a contagem regressiva para 2006.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

  Oliver Twist

Finalmente terminei de ler Oliver Twist. Foi uma "tortura" (boa) de quase 20 dias, tentando encarar 515 paginazinhas de uma edição de bolso em inglês. Mas valeu a pena. Que venha logo o filme!
Só fiquei meio de cara com a revista Veja. Na edição de 16 de novembro, eles fizeram tudo conforme manda o figurino: falaram sobre o filme (do diretor Roman Polanski, em uma co-produção Inglaterra/França/Itália/República Checa em 2005), disseram alguma coisa sobre o livro (como a questão das workhouses da Inglaterra século XIX, em que as pessoas pobres eram submetidas a jornadas de trabalho intensas e abusivas em troca de comida e habitação) e sobre o autor (de como Dickens escrevia, de sua obra em geral, e coisas do tipo), e até criticaram as atuações e adaptações feitas pelo filme (como a questão de os personagens serem politicamente incorretos na versão impressa, mas perderem parte de sua liberdade de expressão na tela do cinema). Enfim, a crítica da revista foi perfeita: não contou nada de relevante que acontece no livro, mas ao mesmo tempo serviu para incentivar as pessoas a quererem ver o filme (no meu caso, a ler a obra). O problema ocorreu na edição de 21 de dezembro da revista. Numa reportagem aparentemente inocente sobre censura etária no Brasil, eles resolveram colocar exemplos de como ela às vezes acaba sendo arbitrária e/ou insuficiente. Um dos exemplos era o próprio filme Oliver Twist, que recebeu classificação de 14 anos, mesmo sendo um filme com grandes possibilidades de atrair o público infantil (o personagem principal é um menino). Mas a amabilíssima revista Veja resolveu colocar também o motivo da censura. E foi além: sabe-se lá por que cargas d'água eles decidiram que não bastaria simplesmente colocar "por conta das cenas de violência", e resolveram contar, com todas as letras, qual a cena que especificamente era o motivo da discórdia. O grande problema é que quando li essa reportagem eu ainda estava na metade do livro, e, de fato, a cena descrita na página da revista, acompanhada de uma foto do filme (que, ironicamente, nem mostra a mesma coisa!) só acontece bem no finalzinho do livro. Basicamente, a Veja contou não o final, mas o primeiro grande acontecimento em direção ao fim da obra. Grrr. Mas tudo bem. Um dia eu ainda me recupero desse trauma :) O livro não perdeu a graça mesmo assim; o lado ruim é que fiquei esperando a todo momento que a cena descrita pela revista fosse acontecer, e isso talvez tenha prejudicado um pouco o resultado final da leitura. Mas não é nada que em uns mil ou dois mil anos eu não vá superar naturalmente.
Okay. Li o livro, li a crítica. Pena que as chances do filme passar em algum dos cinemas a que tenho acesso (cidades do interior, cinemas decadentes) sejam remotamente mínimas.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2005

  Mundo paranóico

Os Estados Unidos querem construir um gigantesco muro separando a fronteira com o México.
(-- e eles não sabem que tudo o que é proibido é mais divertido?)



  Coisas de Ano Novo

Bem legal a campanha publicitária de ano novo da RBS TV. O comercial de fim de ano fala da percepção do tempo, e do quanto quando somos criança os dias parecem ser mais longos, porque tudo para nós é novo, e tudo o que é novo é saboreado até o máximo possível... :) Como não podia deixar de ser, o comercial tem cenas meigas e uma mensagem contundente. É bem típico para essa época, mas um tanto mais longo e criativo que os demais -- a mensagem que pretende passar é a que no ano novo devemos viver a aproveitar cada segundo (e assim o tempo parecerá passar mais lentamente :D). O negócio é fugir da rotina em 2006!

Particularmente, prefiro o feriado de ano novo ao de natal. Para o ano novo a gente cria expectativas -- que podem muito bem não se concretizar, mas elaborá-las já é suficiente para nos deixar feliz. A gente sempre espera que o ano seguinte seja "O" ano.... que seja aquele em que todos os nossos problemas irão se resolver, e todas as dificuldades serão sanadas (só porque mudou de ano!). As coisas podem até estar mal no ano que finda, mas todas nossas esperanças são depositadas no ano que chega... e basta essa esperança de que tudo vai melhorar para que de fato a gente sinta que tudo está melhorando :) Essa história de trocar de ano de tempos em tempos é verdadeiramente mágica. E no entanto, tudo é a mesma coisa, o que muda é o numerozinho ao final da data no topo da página :}

Enfim, desejo que todos aproveitem ao máximo cada um dos 31 milhões de segundos de 2006 :) E também que façam planos, mesmo que impossíveis, e que vivam de sonhos, mesmo intangíveis, pois só assim poderão avançar, curtir e aproveitar cada segundo do ano novo que inicia :D


P.S.: por falar em segundos, decidiram adicionar um segundo a mais nos relógios atômicos em 2005 (isso é feito de tempos em tempos, para ajustar o tempo humano ao tempo da Terra). E então, já decidiram o que vão fazer no segundo extra de 2005? :D




sábado, 24 de dezembro de 2005

  Final de ano

Todo final de ano é aquela velha melação de sempre; é aquele período do ano em que qualquer um vira seu velho amigo de infância. Todo indivíduo minimamente conhecido que você encontra na rua te deseja "um feliz natal e um próspero ano novo" (a clássica frase pronta de boas festas). E o entusiasmo é tanto que até alguém que você venha a conhecer nesta época vai te desejar tudo de bom no ano que se aproxima (para você e para sua família!). É um sentimento geral de otimismo tão contagiante que até entedia (-- que até enjoa!). E você então aguarda o ano novo com tanta expectativa que, dois ou três dias depois de ele efetivamente chegar, você se sente frustrada porque nada do que esperava realmente aconteceu (simplesmente o tempo passou, trocou-se de mês, e tudo continua no mesmo — você é a mesma; a única diferença é que precisa se acostumar a colocar o numerozinho 6 ao término das datas no canto superior direito das folhas do caderno). Isso também vale para os milhares de planos que você pretendia colocar em prática quando o novo ano começasse, mas, ao final do mesmo, percebe que não realizou nem a metade de tudo (isso quando lembra tê-los feito)!
Enfim, é por isso que não gosto do período de festas de final de ano. Mas não dá para ignorar que elas acontecem. Então, fiquem aí com algo tosco escrito enquanto eu aguardava a meia-noite para poder conectar (só para não dizerem que não falei nada sobre o fofíssimo espaço de tempo compreendido entre a chegada do Papai Noel e a retirada dos enfeites já em pleno ano novo).
Embora eu tenha me manifestado contra frases prontas... reservo-me no direito de, mesmo assim, desejar a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo! :P (existe outra maneira de dizer isso em menos ou melhores palavras? viva o clichê! \o/)

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Receita matemática para um Feliz Ano Novo

Some os momentos felizes
Multiplique as alegrias
Compartilhe as conquistas
Diminua as tristezas
Subtraia as adversidades.
Divida as tarefas
Redistribua os restos
Elimine as diferenças
Equacione as dificuldades
Eleve o amor à máxima potência!
Adicione bom humor na realização das tarefas do dia a dia
Fuja dos ângulos retos: celebre qualquer novo ângulo possível!
Ligue os pontos
Brinque com os polígonos
Invente novas formas geométricas
Sorria em ângulo aberto
Corra de A para B, corra de B para A, corra de B para C. Se cansar, crie novos caminhos: transforme catetos em hipotenusa!
Mantenha a quantidade de amigos na potência máxima
Encare o trabalho como um mínimo múltiplo comum:
A vida é um intervalo aberto
E seu limite é o infinito!

Se for para chorar, que se chore em parcelas
Se for para sofrer, que se sofra em conjunto
Se for para amar, que esse amor seja elevado ao infinito
Se for para querer, que se queira de forma integral
Se for para aproveitar, que se aproveite ao máximo
Se for para somar, que se somem os momentos felizes
Se for para diminuir, que se diminuam as tristezas
Se for para dividir, que se divida o pão
Se for para subtrair, que se subtraiam as adversidades
Se for para adicionar, que se adicione paz ao mundo moderno
Se for para eliminar, que se eliminem os problemas
Se for para equacionar, que se equacionem as dificuldades
Se for para exceder, que o excesso se dê em saúde
Se for para perder, que se perca o medo
Se for para sobrar, que sobre dinheiro
Se for para faltar, que faltem momentos de tédio
Se for para acabar, que acabe log 0

Mas perceba que, embora existam sistemas indeterminados, ao menos nos sonhos, tudo é possível.




  A máxima de Occam

"Occam's (or Ockham's) razor is a principle attributed to the 14th century logician and Franciscan friar; William of Occam. Ockham was the village in the English county of Surrey where he was born.
The principle states that
"Entities should not be multiplied unnecessarily.""

Trata-se de um princípio científico que diz que quando há dois caminhos que levam a um mesmo resultado, o caminho mais simples é o que tem mais chances de ser o correto. É uma verdadeira lei da simplicidade, que pode ser aplicada a questões físicas como a relatividade (o caminho atingido por Einstein, por ser mais simples, parece mais correto que o de Lorenz).

Entretanto, deve ser usado como meio, e não como fim, na determinação de uma proposição científica ou filosófica.

"The law of parsimony is no substitute for insight, logic and the scientific method. It should never be relied upon to make or defend a conclusion. As arbiters of correctness only logical consistency and empirical evidence are absolute."


* Curiosidade (in)útil encontrada via StumbleUpon :)




quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

  Balanço geral dos últimos dias

Nesses dias que passei em Pelotas fui confundida várias vezes com vestibulanda. Também pudera, de domingo a terça aconteceu por lá o vestibular da UFPel, e, numa cidade minada de candidatos (nas ruas, nos bares, nas esquinas, em todos os lugares...), é natural que qualquer um com uma cara de adolescente perdido e cheio de espinhas na cara venha a ser confundido com um sofredor: da exceção faz-se a regra; essa é a grande tendência da humanidade. A confusão foi de vários tipos, desde uma inocente indagação "tu tá fazendo vestibular pra qual curso?", feita por uma companheira de espera (aliás, interminável) na fila do Circulu's, com o objetivo nítido de simplesmente puxar assunto; ao taxista de hoje, que, ao nos deslocar de casa até a rodoviária, perguntou o que a gente tinha achado da prova — e até brincou com o fato de que também não teria a mínima idéia de como tratar um frei, que era o destinatário da carta que deveria ser feita na redação do vestibular. O detalhe é que nessa pergunta ele incluiu a minha irmã mais velha, que também foi confundida com vestibulanda, apesar de já se formada e especializada (e mestranda!). Com tanto estresse de vestibular, até me senti bem por nunca ter passado por esse aperto. De certo modo, foi bom "passar sem querer" :P (embora seja ruim conviver com a dúvida eterna do "será que é isso mesmo que eu deveria estar fazendo?").
Mas o ápice da confusão ficou por conta da minha situação hoje de manhã. Saí de casa cedo, com a prova de português e redação da minha prima, para tirar um xerox (coisas da minha mãe...). Como eu já estava na rua, aproveitei para ir na biblioteca da faculdade pegar alguns livros para as férias (não que isso tenha algo a ver com a história, mas gostei da idéia de se poder pegar livros para ler nas férias — o ruim é que eu não tinha planejado o que pegar, e escolhi livrinhos pequenos, do tipo que termino de ler em dois tempos, e tudo volta ao mesmo tédio de sempre! bom, e é hora de fechar logo este parêntese, sob pena de não conseguir mais retomar o fio da história — se é que ela tem um fio, mas falar da existência ou não de um fio nesta história me faria ir muito longe no assunto; aliás, qual é o assunto mesmo? :P), e, aproveitando que já estava por perto, fui ao centro da cidade fazer parte das compras de Natal. Depois de andar a manhã inteira, de loja em loja, eu sem querer senti sede e resolvi — inocentemente — comprar uma garrafinha de água mineral. Agora, imaginem a cena: nas mãos, duas provas de vestibular (no caso, a mesma, em versão original e cópia), alguns livros empilhados, e uma garrafinha d'água a tiracolo... Perdi a conta do número de pessoas que parou para me perguntar se a prova de hoje tinha sido muito difícil! Foi bem engraçado. E dá-lhe explicar que era tudo um mal-entendido, e que de fato eu não era vestibulanda... Em uma das abordagens resolvi levar na brincadeira e até falei da redação, que tinha sido muito difícil, e que eu não sabia(saberia) como tratar um frei. Ainda bem que não pretendo ver essas pessoas nunca mais na minha vida :P Uma mentirinha boba dessas não faz mal a ninguém... :)
Entretanto, o mais legal de tudo foi voltar para casa num ônibus abarrotado de estudantes. Vestibulando é uma praga que se prolifera como gafanhoto! É incrível! E mesmo com o fato no mínimo curioso (mas esperado) de o ônibus das 14h conter apenas vestibulandos (eu e minha irmã éramos talvez as únicas exceções...) que se deslocavam de Pelotas a Bagé, mesmo assim, mesmo com todos os passageiros indo de um ponto a outro comum a todos, o ônibus não deixou de parar em Pinheiro Machado (a tradicional parada dos 10 minutos) e na Vila Operária de Candiota (o ônibus entrou na cidade, parou na rodoviária por menos de 30 segundos, e prosseguiu viagem — só pelo prazer de cumprir o roteiro pré-estabelecido). E, para completar, o ônibus não podia de ter deixado de entrar pelos fundos de Bagé (característico dos ônibus das horas pares), mesmo que nenhum indivíduo, nenhuma criatura, nenhum ser, tenha tomado a iniciativa de descer no meio do trajeto diferenciado que foi feito. Fizeram isso só para gastar gasolina mesmo. Só pelo prazer de desorientar todo mundo :P

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E a matrícula da faculdade (— a outra), para variar, foi uma verdadeira bagunça. Teve reajuste (embora, aparentemente, TUDO continue absolutamente igual) e a gente levou quase uma hora para fazê-la por conta da incompetência de certos professores (ou do sistema de informática da faculdade — porque faltava para todos uma nota, de uma matéria que é pré-requisito para outra que tentávamos nos matricular). Estou pensando seriamente em abandonar o módulo fechado. Semestre que vem vou ter 7 matérias (no anterior eram 5), e o valor a ser pago, considerando-se o acréscimo de matérias e o reajuste, sofrerá um aumento de cerca de 40%. Ensino ruim + mensalidade cara + bagunça na rematrícula. Só não fico de cara com a "Universidade Caótica de Pelotas" (ou CUPel, como preferir :P) porque gosto de Jornalismo e porque a biblioteca de lá empresta livros durante toda as férias :D




segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

  Faculdade(s)

Em uma conversa com o George ontem no MSN meu sentimento de indignação com relação ao curso de Comunicação Social da UCPel só aumentou. Eu já achava ele bem ruizinho. Mas ao comentar a qualidade das matérias ministradas foi-nos possível constatar o quanto ele é de fato péssimo.
Até agora concluí 3 semestres do curso, mas tecnicamente foram apenas 2: meu 2° semestre foi completamente nulo! (TUDO o que aprendi nos 6 primeiros meses de aula deste ano pode-se resumir ao aprendizado de como revelar um filme preto e branco no escuro; o resto das matérias não serviram para nada, tem até a questão de Estética e História da Arte, em que a sensação que se tinha era a de ter colocado mil reais na lata do lixo — qualquer um teria aprendido bem mais comprando 10 livros bem bons sobre o assunto e usando as quatro horas semanais dedicadas à matéria para lê-los :P). No primeiro semestre até deu para aprender alguma coisa, pois ao chegar numa faculdade sem saber nada, qualquer coisa que se veja é lucro. E quanto ao terceiro, resolvi sintetizar abaixo as conclusões tiradas da conversa de ontem. Considerando-se que a fórmula ideal de uma matéria suficientemente boa seja A + B = C, sendo A, uma aula boa, B, avaliações difíceis, e C o resultado final; e A sendo composto da relação professor bom + matéria interessante, de todas as matérias analisadas, somente uma conseguiu ganhar a "nota máxima" (A + B = C), e mesmo assim, foi preciso desconsiderar certos detalhes que não vem ao caso falar. As demais matérias, sem citar nominalmente cada uma, mas que quem as faz ou fez pode perfeitamente deduzir quais sejam, poderiam ser avaliadas da seguinte forma:
Matéria 2 - A + D (professor bom + nada de avaliações)
Matéria 3 - A + E (professor bom + provas fáceis demais)
Matéria 4 - F + E (professor mais ou menos com o agravante de a matéria ser chata demais + provas fáceis demais)
Matéria 5 - G + B (aulas insuficientes + provas difíceis)
Ao fazer um levantamento do semestre, sem querer constatei que aprendi muito mais nos livros que li por conta própria do que em aula. Pena que não é possível se formar apenas lendo os livros da biblioteca :P
Hoje mais tarde vai ser realizada a rematrícula para o semestre que vem. Provavelmente ela virá acompanhada de um aumento exorbitante (só que a universidade às vezes "se esquece" de dar a contrapartida; sobem os preços, mas a qualidade do ensino continua sempre a mesma — quando não piora!).
Mas tudo bem. A culpa também é minha — ninguém mandou eu desistir de ir fazer Jornalismo em Santa Maria :P E também deveria procurar complementar cada vez mais aquilo que (não) aprendo em sala de aula com atividades extras (ler livros conta? :P).

Obs.: O Direito também não é uma oitava maravilha do mundo... :P As matérias de lá, usando a mesma classificação tosca e inútil, seriam duas A + B = C, duas F + B, uma A + E, e uma G + D. Só que lá os alunos conseguem salvar o curso, porque, apesar de tudo, estudam.
A meta para o ano que vem é procurar cada vez mais complementos à gradução, porque ficar só com o que é visto em aula é ter a certeza de se tornar um profissional horrível!

[talvez eu me arrependa e delete este post em seguida :P e desculpem pelo desabafo]

P.S.: As críticas se limitaram a questões de sala de aula. Se eu fosse falar da infra-estrutura da faculdade, então, a indignação só aumentaria!




domingo, 18 de dezembro de 2005

  Literatura brasileira

Fico impressionada com como as coisas são. Quando eu estava na escola, simplesmente odiava ter de ler aqueles livros longos e chatos, de períodos literários distantes ou obscuros. Agora que não tenho obrigação nehuma de lê-los, os livros parece que com o tempo deixaram de ser chatos, deixaram de ser distantes, deixaram de ser longos. Leio-os por pura distração num fim de semana, ou em qualquer momento, por puro divertimento. Por que as coisas são assim? Eu queria ter tido paciência de ler tudo isso na escola! -- Teria sido (bem) mais útil :P

O último livro que li foi "O Seminarista", de Bernardo Guimarães. Apesar do tom meloso e do excessivo apelo à religiosidade, a história é bem interessante :) Tem até uma daquelas cenas de egoísmo romântico, do tipo "eu não te quero, mas não quero que tu estejas com mais ninguém"!...:

"Morta de amor por ele, seria um anjo, que chamava para o céu. Viva nos braços de outro, é a serpente que o arrasta para o inferno."

Mas não é nada que prejudique o conjunto total da obra (afinal, é Romantismo!)! :P O final do livro é meio triste, mas nem por isso deixa de ser tremendamente lógico e divertido (é uma das únicas saídas possíveis!) :D

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

  Wikipedia

Os "web vândalos" seguem pondo em prova a credibilidade da enciclopédia online...
(entretanto, paradoxalmente, a revista Nature constatou que a qualidade da Wikipedia é quase similar à da Enciclopédia Britannica). Vá entender esse mundo virtual...




  Entediante

Existe a palavra entediante? O dicionário do Word (uau, grande autoridade!) acusa a existência apenas de tedioso como uma possível adjetivação à palavra tédio. Mas e o entediante? As duas palavras podem parecer, mas não significam a mesma coisa. A distinção é por vezes bastante sutil, mas, (ao menos para mim), entediante poderia ser dito de algo que tem por ação ou efeito provocar tédio. Tedioso, por sua vez, seria uma característica inerente a certas coisas, que faz com que elas, por si sós, representem o tédio. Assim, uma coisa tediosa não precisa necessariamente ser entediante; bem como algo entediante não necessita ser obrigatoriamente tedioso. Posso muito bem me entediar fazendo algo divertido, e, para mim, tal coisa terá sido entediante. Se, por outro lado, eu conseguir me divertir com uma coisa tediosa, quem sou eu para tachá-la de entediante? (seria esta a mesma distinção que se faz de juízo de valor e juízo de realidade? — o primeiro está na cabeça da pessoa que vê a coisa, enquanto que o outro está fora do ser que analisa o objeto: representa a opinião média acerca do assunto).

O pequeno grande dicionário Michaelis/Uol prefere simplificar as coisas, e dá para o singelo adjetivozinho tedioso uma definição que parece combinar mais com um verdadeiro entediante (mas que resume muito bem a intenção que ser quer manifestar tanto com um quanto com outro):

te.di.o.so adj. Que inspira ou causa tédio.

Por fim, para tentar provar minha teoria de que a palavra entediante existe, eis um gráfico toscamente produzido no MsPaint:


E então, este post é tedioso ou entediante? :P




quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

  De volta ao lar (doce lar)

Eu achava que a possibilidade de seca no Rio Grande do Sul era mito. Foi preciso encarar quase 3 horas de estrada para perceber o quanto a chuva faz falta. Da vegetação, o que não estava queimado, estava amarelo. O cenário era depressente (deprimente + depressivo; faz parte do meu plano malévolo de disseminar palavras bizarras no mundo!). Deu até pena das ovelhinhas errantes à procura de um lugarzinho ainda verde para poderem se alimentar (desde que passei a escrever sobre animaizinhos, meu grau de sensibilidade para com eles só tem aumentado... parece que tomo como minhas as dores dos bichinhos; mas considere que eu talvez esteja dramatizando um pouco a situação :P).
Os lindos verdes campos do pampa gaúcho estão em perigo... Nuvens, chovam!

A viagem de hoje foi de cabelos ao vento. É mais divertido viajar de janela aberta :) Isso me fez lembrar de algumas viagens atrás, no trajeto contrário (Pelotas-Bagé), quando o motorista do ônibus, antes de começar a viagem, dirigiu sua palavra aos "senhores passageiros", desejando-lhes(nos) uma boa viagem. Ao concluir seu "discurso obrigatório", ele ainda fez uma piadinha (quase) sem graça: "o ar condicionado de hoje é o ar condicionado de deus", erguendo aos mãos e olhando para cima. O motorista estava se referindo àqueles tetos solares (se é que podem ser chamados assim; os tetos solares dos carros de luxo que me perdoem!) do ônibus, que no momento estavam abertos. Mas suas palavras também podiam ser traduzidas como uma verdadeira devoção a deus. Nada como um discurso ambíguo :)

Bom, e sigo sem saber o que exatamente postar por aqui. Se meu blog fosse uma redação de vestibular, eu provavelmente rodaria por excesso de fuga ao tema :P




  Notícias felizes

Já pensou como seria um jornal que só tivesse notícias boas? Essa é a proposta do site HappyNews.com. Lá só entra notícia feliz, o que o torna ideal para quem está cansado das tragédias do dia-a-dia :P
Fiz um tour geral lá pelo site, e encontrei até uma notícia falando de blogs :)
Pena que não dá para abrir mão de ter de se informar sobre as notícias ruins :/ A idéia é bacana, mas, infelizmente, a vida é feita de coisas boas e ruins (se não fosse o mal, o que seria do bem? :P)...



quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

  Tédio

Esta foi a primeira madrugada em férias em que sucumbi ao tédio e fiquei apertando a tecla "Stumble!" várias vezes.
Algumas constatações:

- Algumas tirinhas podem ser interessantes.
- Uma idéia simples pode dar certo.
- E se multiplicar.
- Mais de uma vez.
- E é incrível a quantidade de coisas que se pode fazer com o Google :)

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

  Anencefalia

Que confusão essa história de transplante de órgãos de feto anencéfalo. Primeiro, liberaram. Depois houveram certas barreiras. Por fim, venceram-se os obstáculos, nasceu a criança, mas o coração do doador era muito pequeno e ficou tudo na mesma.
A questão da liberação ou não do transplante é meio controversa. Alguns alegam que isso poderia estimular a "produção em massa" de bebês anencéfalos (mais quem seria tão cruel, por exemplo, ao ponto de privar uma mulher de ácido fólico -- a ausência ou deficiência de tal ácido é apontada como uma das causas da anencefalia em fetos). Outros defendem que os órgãos de um bebê sem a mínima chance de (sobre)viver (por conta da falta de cérebro) poderiam ser usados para salvar uma outra vida, (bem) mais viável.
E tem também a questão de autorizar ou não o aborto nesses casos...
O que parece mais justo seria deixar a própria mãe decidir se leva ou não a gravidez de anencéfalo até o final (por questões psicológicas, se não houver riscos, é preferível que se leve até o fim -- pois é melhor ter tido um filho, que morreu, do que nunca ter tido um filho, e talvez viver com o sentimento de que o tenha matado). E, então, tendo optado por levar até o fim a gravidez, a própria família do bebê deveria poder optar se doa os órgãos ou não. É o que parece ter sido o ocorrido na família do suposto doador no caso recente (pena que não deu certo). Mas o transplante segue autorizado. Assim que nascer um bebê com coração compatível, o pequeno Arthur poderá ainda ser salvo :)


[E por que será que eu (ainda) me importo com isso? Vai saber... Meu blog tá ficando cada vez mais chato mesmo... :P]




domingo, 11 de dezembro de 2005

  Preocupação infundada

E se eu rodar no psicotécnico amanhã? :P



sábado, 10 de dezembro de 2005

  O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

O homem que confundiu sua mulher com um chapéu Em "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu", o neurologista anglo-americano Oliver Sacks transforma relatos clínicos de seus pacientes em verdadeiros ensaios literários. Com sua narrativa, o médico-autor consegue ir muito além do mero registro científico de distúrbios cerebrais, o que transforma sua obra num verdadeiro tratado sobre a convivência humana. Os personagens ali retratados são representados como figuras verdadeiramente humanas, que, apesar de seus problemas neurológicos, ainda encontram uma maneira de viver (nem que seja uma vida "humeana", aquela em que viver é acumular sensações).
É o caso dos irmãos gêmeos que desenvolveram um espetacular raciocínio numérico, e se divertiam pensando em números primos de várias dezenas. No entanto, com desenvolvimento mental retardado, eram incapazes de efetuar as mais simples operações matemáticas. Situação semelhante é a vivida pelo simpático dr. P, cujo caso serve de título à obra. Músico respeitadíssimo, ele era incapaz de reconhecer rostos humanos. Embora sua visão fosse normal, ele sofria de agnosia visual: o que lhe faltavam era a capacidade de associar o que via ao que aquilo significava. Ele não percebia os objetos pelo que são, mas por suas características. Ao invés de raciocinar por analogia, como fazem as pessoas "normais", seu cérebro operava por deduções. E, preso a um mundo abstrato de características aparentemente dissociadas a suas significações, ele confundia não só a cabeça de sua mulher com seu chapéu, como também o próprio pé com o sapato. Outros casos interessantes são o da mulher que perdeu a propriocepção (espécie de sexto sentido, aquele que é formado pela associação das sensações que nos permitem manter o equilíbrio); o do cara que perdeu sua memória até uma certa data, e para ele, desde então, literalmente, todo dia era um novo dia; o do rapaz que perdeu o olfato, e com o tempo passou a viver da memória que tinha dos cheiros; além de alguns casos de pessoas que sentem dores em membros amputados ("fantasmas").

Os relatos do livro introduzem personagens aparentemente fantásticos, mas que, por mais inusitado que possa parecer, são representantes da vida real, possuem problemas reais, que exigem soluções reais, e estão ali para nos fazer aprender um pouco mais sobre a necessária convivência humana. Cada ser humano é diferente do outro, e todos têm seu potencial a desenvolver. Ninguém é perfeito. Certas pessoas nunca poderão fazer certas coisas, mas não custa nada tentar melhorar... E é essa a mensagem que o livro tenta nos passar. Há casos difíceis, mas nada é tão impossível que não se possa encontrar uma saída.

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  Word of the Year

"Podcast" foi eleita a "palavra do ano" do Oxford Dictionary e constará na edição online do mesmo a partir de 2006. A definição será algo como "a digital recording of a radio broadcast or similar program, made available on the internet for downloading to a personal audio player." ("gravação digital de uma transmissão de rádio ou programa similar, disponibilizada na Internet para download em um player de áudio", conforme a tradução do Informe Econômico, da Zero Hora de 09/12/05)




  Léo, o leão

A historinha de hoje ("Léo, o leão") foi postada no http://animaizinhostoscos.blogspot.com. Lá, pretendo dar continuidade ao meu projeto paralelo de férias: aprender a descrever personagens. E, enquanto isso, a "programação" deste blog voltará ao normal :)



  Protesto divertido

Em Biritiba Mirim-SP, por conta da proibição de construir novos cemitérios (89% da área da cidade fica dentro de áreas de proteção de mananciais), o prefeito teve de encontrar uma saída inusitada: encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal estabelecendo que é proibido morrer na cidade. E o mais absurdo de tudo: os infratores deverão responder por seus atos! Para garantir a aplicação da lei, o projeto estatui que “Os munícipes deverão cuidar da saúde para não falecer”. (Não seria mais simples apelar para a construção de túmulos acima do solo? :P)

Esse é só mais um exemplo escracho da hemorragia legislativa do Brasil. E também representa uma nova função do Legislativo: chamar a atenção. Ainda bem que estados e municípios não podem criar sanções penais! (Embora fosse ser divertido poder punir os infratores da lei da proibição da morte com, sei lá, pena de morte? — condenar a permanecer vivo ia ser meio tosco; ordenar a ressurreição, então, nem se fala...).




sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

  O flamingo diferente

[Da série: "Amores impossíveis"; outra historinha envolvendo um animalzinho toscamente antropomorfizado e um romance absurdo... :P]

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      Nas águas pantanosas de um lago qualquer de uma ilha perdida no meio do Oceano Pacífico vivia Fred, um rapaz meio retraído, bastante tímido, e com tendências à introversão. Na verdade, Fred era um flamingo autista, que vivia fechado em si mesmo, em um mundo próprio, onde as coisas adquiriam significações peculiares. O motivo de tamanha retração devia-se ao fato de que Fred era um pouco diferente dos demais: enquanto seus companheiros era todos brancos ou rosa (conforme a intensidade e a qualidade de suas plumagens), Fred era completamente verde.
      Como se não bastasse o fato já suficientemente embaraçoso de ser gago, Fred ainda precisava conviver com as piadinhas de mau gosto dos outros. Como uma forma de defesa, ele se fechava cada vez mais em si mesmo. Mas mesmo assim a opinião alheia ainda lhe atingia de certa forma (impossível mostrar-se indiferente à existência dos demais!). Ele vivia num constante sentimento de inferioridade, provocado pelas insinuações traiçoeiras de que era seguidamente alvo. Com o tempo, passou simplesmente a negar todos em bloco, e a se afastar das pessoas.
      Até que um dia o flamingo se apaixonou por um gerador de energia eólica solitário, estrategicamente posicionado ao lado do lago onde vivia. De início, Fred mostrou-se tímido, e tinha vergonha até de olhar para a turbina. Mas dentro de si borbulhava uma fervente paixão. Fred achava bastante sexy o murmurinho abafado emitido pelas pás de vento. Mas era só ele se pôr a pensar na turbina que algum peixe engraçadinho saltava no lago e exclamava:
      — Ei, Fred, não está maduro ainda!? — E todo o lago caía na gargalhada.
      Num instante, toda a confiança em si mesmo que vinha reunindo com seus pensamentos amorosos se esvaía... E ele voltava a ter pensamentos negativistas. Nessas horas, ele desejava conhecer Alice, para poder escapar para um mundo onde o absurdo fosse o normal, a exceção a regra, o particular o geral. Mas como nem só de induções era feita a vida, era preciso voltar e encarar o mundo real, e uma grande válvula de escape encontrada por Fred era pensar nas lindas pás de seu grande amor.
      Em um dia particularmente tranqüilo, Fred tomou coragem de convidar o gerador para sair. Não obteve resposta (só "uma dura e fria indiferença", como descreveu em seu diário imaginário na ocasião) e se sentiu profundamente amargurado. Inicialmente, colocou a culpa da rejeição na diferença de altura entre os dois. E sentiu-se baixinho, ridiculamente baixinho. Depois percebeu que talvez a turbina, que parecia tão diferente, fosse de fato igual aos demais, e não merecesse sua (com)paixão. Ele sofria de amor. Durante dias, Fred olhava para a turbina e esforçava-se por sentir ódio (mas e o que é o ódio, senão uma forma invertida e absurda de amor?).
      Fred não tinha com quem conversar. Os outros flamingos o excluíam porque ele era diferente — "o esquisitão do lago", diziam. E então Fred travava longos discursos com sua própria consciência, como uma forma de suprir todos os diálogos acalorados que nunca teve. Ele também criava amigos imaginários, conforme a conveniência. Quase todos eram flamingos como ele, mas de cores diferentes, e que o achavam "descolado" por ser verde.
      Em seu mundo, o flamingo verde seguia sendo diferente dos demais, mas era um diferente bom, difícil de explicar. Ele se sentia único, especial, diferente de no mundo real, no qual ele era constantemente zoado pela aparência por animaizinhos superficiais, incapazes de ir além do que está diante de suas vistas; incapazes de perceber que ali dentro, apesar da carcaça verde desengonçada, havia um cara sensível, um cara legal... Bastaria uma oportunidade!
      Às vezes Fred desejava ser um avestruz, para poder enterrar a cabeça na água e ficar com ela por lá, indefinidamente, sem sentir a necessidade de respirar; em outras oportunidades, desejava que tivesse a capa de invisibilidade de Harry Potter, para simplesmente poder viver sem ser incomodado (antes ser transparente do que verde — mas o importante para ele era o ser). Para esse flamingo simples, bastava que estivesse vivo para ser feliz. Prova disso é que Fred sonhava com um mundo em que todos os flamingos fossem coloridos, de todas as cores do círculo de Newton (se ele não gostasse de si mesmo, sonharia simplesmente em ser rosa). Mas ele preferia que o mundo melhorasse, que as pessoas mudassem, e que o preconceito acabasse. Ele era esperto o suficiente para saber que o problema não estava nele, e sim nos demais.
      Um dia, cansado de sua vida patética e infeliz, Fred tomou coragem e abordou sua paixão impossível outra vez. Não obteve resposta, mas estava disposto a arriscar. Reuniu forças sabe-se lá de onde, e partiu para cima da turbina: queria possuí-la à força; necessitava de amor. Agarrou-se a seu amor em movimento. Por alguns instantes, ele e as pás se confundiram, numa psicodélica mistura de verde desbotado com branco metálico. Vermelho, verde e branco. Vermelho, muito vermelho. Sangue. Respingos de sangue por todo o lago: Fred morreu enquanto girava nas pás eólicas — frenético de amor, até o último suspiro.
      Ao menos uma ilusão ele fora capaz de manter a vida toda... Morrera pela crença na possibilidade de um mundo melhor. E ninguém imaginaria que, afora todas as questões já consagradas do impacto ambiental da energia eólica, ela ainda fosse provocar o suicídio passional de um flamingo autista...




  Incidente no aeroporto dos EUA

Isso tudo é paranóia por conta do terrorismo?

"O porta-voz não quis comentar relatos de que até dez tiros teriam sido disparados nem informações de que Alpizar sofria de problemas mentais." (Folha Online, 08/12/05)

"As autoridades, porém, disseram que não há qualquer indício de que o incidente tenha associação com terrorismo. O mais provável é que o passageiro sofresse de algum tipo de distúrbio psicológico." (Conesul News, 08/12/05)

Parece que a ordem agora é matar primeiro, verificar depois...
(...falando nisso, lembram do Jean Charles?)




quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

  Tadeu, o tamanduá

      Tadeu era um rapazote desengonçado. Ele tinha um corpo alongado, porém seus braços e pernas eram muito curtos, e contrastavam com o esquisito lombo gordo e esticado. Seus olhos eram cor-de-mel, e brilhavam sem cessar. Sua pele era de um tom incerto, entre o terra e o acizentado. Já não tinha mais dentes, e sua boca era grande e afunilada. Tadeu era um tamanduá, embora quase sempre lhe faltasse consciência disso.
      Às vezes Tadeu acordava, via o sol brilhando lá no alto, e pensava que ele mesmo fosse sol. E então saía a pular pela floresta, com seus braços e tromba estendidos, inutilmente tentando copiar o esplendor inimitável dos raios solares. Se passasse por um lago, via seu reflexo na água, e logo deixava de ser sol. Mas antes que pudesse assumir sua identidade tamanduá, Tadeu via uma pedra, achava que a pedra era ele e que ele era a pedra, e ficava imóvel o resto do dia na beira do lago, até que alguma boa alma passasse por ali e desfizesse o equívoco. E assim eram seus dias, com a variante de que às vezes acordava sentindo-se nuvem (para o caso de dias nublados), e não raras vezes sentia-se chuva (embora tivesse um instinto de sobrevivência aguçado e levasse pouco tempo para perceber que não deveria se jogar precipício abaixo).

      Lili, por sua vez, era uma jovem como todas as outras: tinha lábios carnudos e perigosos, um corpo escultural, com cinturinha fininha, bumbum arrebitado e nariz empinado. Para preservar um corpo desses, Lili vivia de dieta, e por isso só comia alimentos naturais ("tudo em nome de uma vida saudável", dizia). Ela adorava passar batom vermelho em seus lábios bifurcados, e até pareceria uma adolescente normal, exceto pelo fato de que era uma formiga — e uma formiga adolescente bastante sonhadora.
      Lili era apaixonada por Tadeu. Não bastasse a impossibilidade metafísica de um romance entre os dois (a donzela e seu predador natural), havia também uma enorme diferença de tamanhos (sem falar na inquestionável incompatibilidade de gênios). Mas como toda garota apaixonada, ela não percebia os defeitos, e só tinha olhos para as qualidades de seu amor. Tadeu gostava da natureza, como ela. Ele era meio desengonçado, como ela. Ele gostava de cavar buracos, como ela. O que poderia dar errado? Lili achava meigo o jeitinho meio perdidão de Tadeu, e adorava quando o encontrava parado no bosque, fingindo ser o pasto ou uma árvore. Assim ela podia observá-lo por inteiro, e admirar sua beleza sem ser incomodada. Ela odiava o fato de que seus semelhantes não passassem de uma mera aglomeração de três bolinhas de massa corpórea, enquanto que Tadeu era aquele ser maravilhoso, de corpo íntegro e contínuo. Ela contava para as amigas de seus delírios juvenis, e todas suspiravam em uníssono. Como são patéticas as jovens apaixonadas!

      Pois, bem, tudo começou quando Lili, a formiga operária, e Tadeu, o tamanduá sui generis, viram-se pela primeira vez (sim, fora amor à primeira vista!). Um dia, ao ver uma formiga (Lili, Lili!), Tadeu achou que fosse uma delas, e tentou entrar no formigueiro. O resultado foi catastrófico, pois aqueles que não foram esmagados pelas patas do desastrado tamanduá, morreram pisoteados na hora em que todas as formigas tentaram fugir ao mesmo tempo, em pânico, com medo de serem devoradas (nem todos sabiam que Tadeu era tantã). E ainda teve uma meia dúzia que se suicidou: antes a morte digna, que morrer nas garras (na tromba) de um horripilante predador.

      Mas Lili achou tudo isso muito "fofo", e, desde então, suspirava pelos cantos. Toda vez que via Tadeu, ora se fingido de ponte, ora agindo como um leão, a menina percebia que era com aquele tonto mesmo que queria passar todos os dias de sua vida.

      Lili começou, então, a seguir os passos de Tadeu, na esperança de que um dia ele a notasse (novamente). Ela nem se importava com a possibilidade de Tadeu confundir-se com ela: o que importava era que percebesse a sua existência.

      Em uma de suas andanças, Lili encontrou Waltz, o feiticeiro da floresta. Ele era um esquilo senil, mas muito esperto, que detinha conhecimentos de feitiçaria suficientes para transformar qualquer um no que quer que fosse. Muitos consideravam sua existência um verdadeiro mito, pois ninguém nunca o vira — ou então quem o encontrasse tratava muito bem de esconder o fato. Lili aproveitou a oportunidade para pedir alguns conselhos. Pediu ao sábio Waltz, o qual andava com o auxílio de uma bengala e usava pesados óculos de grau, que tornasse possível seu amor com o tamanduá. O esquilo pensou um pouco, coçou a cabeça, deu três ciscadas no chão, abriu uma noz que tinha no bolso e a saboreou tranqüilamente. Lili percebeu que ele tinha memória curta, e precisou repetir umas cem vezes o que queria, até que Waltz tomasse alguma providência. Foi preciso ter paciência com aquele velhote. Mas, por fim, Lili conseguiu o que queria: Waltz providenciou-lhe uma pílula de encolhimento, que dizia ser capaz de reduzir qualquer indivíduo ao mínimo de compactação possível, sem que perdesse sua essência. A formiga acreditou nas palavras do sábio, não tanto por ele ser quem fosse, mas pelo fato de que tudo aquilo estava escrito em um pesado livro empoeirado — o que reduzia os riscos de ser um mero devaneio de um velho gagá. Lili não ia arriscar ter de carregar uma rodela branca vinte vezes mais pesada que ela, para no fim descobrir que não surtiria efeito algum. Sua jovialidade impaciente exigia a certeza de que tudo daria certo.

      Com muita dificuldade, Lili conseguiu chegar em casa antes do anoitecer. Como o tamanduá morava não muito longe dali, contou com a ajuda de algumas de suas fiéis amigas para transportar o comprimido até a toca de Tadeu, que, felizmente, já se encontrava dormindo. Elas depositaram cuidadosamente a mercadoria próxima de sua tromba, e se retiraram em silêncio (embora a vontade de Lili fosse a de permanecer ali, indefinidamente, a admirar a beleza do tamanduá). No dia seguinte, Tadeu acordou e a primeira coisa que viu foi o comprimido. Acreditou ser o comprimido, e enrolou-se o tanto quanto pôde. Marcos, o macaco amigável, que por acaso passava por ali, resolveu espiar se Tadeu já tinha acordado e presenciou a bizarra cena de um tamanduá contorcionista. Marcos então chamou a atenção do amigo e, ao trazê-lo de volta a si ("você é um tamanduá... vamos! reaja!", apresentando-lhe um espelho que trazia consigo) percebeu a existência do pequenino comprimido branco. Como não soubesse do que se tratava, sugeriu que o amigo o tomasse. E então Tadeu tomou o comprimido, mas não sem antes Marcos ter sofrido para convencê-lo de que Tadeu não era ele, que Marcos era outra pessoa, e que tamanduás não eram macacos, nem macacos, tamanduás. Assim que Marcos foi embora, Tadeu começou a sentir umas pontadas estranhas, algumas dores abdominais, e, em seguida, estava tão pequeno quanto um alfinete de patinhas e tromba. Estava meio transtornado, com a vista embaçada (achou por um momento que ele era de fato um borrão, tentou agir como um, mas não recordava como um borrão devia ser e voltou a ser tamanduá... mas daí já era tarde, pois naquele momento ele podia ser tudo, menos um tamanduá!). De volta a sua natureza tamanduá, decidiu-se por perseguir formigas. Andou, andou, e acabou chegando ao formigueiro.

      Enfim, Tadeu, o tamanduá, ficou do tamanho de uma formiga — e desde então ele é a formiga mais estranha do formigueiro. Lili achou sem graça tê-lo do seu tamanho, e se apaixonou pela força e garra de Léo, o leão (uma jovem necessita de amores impossíveis!). Tadeu, que desde a ingestão do comprimido mágico só enxerga formigas, crê fielmente ser uma delas. E ninguém consegue tirar essa certeza de sua cabeça... (ou da delas...).

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[inspirado no personagem Gurdulu de O cavaleiro inexistente :P]




quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

  Aleatoriedades

Decidi considerar hoje meu primeiro dia oficial de férias (não que os outros não tenham sido dias, ou que não tenham ocorrido antes...).

Poltronas verde-claro e verde-escuro alternadas em zigue-zague e cortinas de um tom indeciso entre o azul molhado e o verde adocicado. A constatação: é o ônibus mais bizarro em que já estive.

Viagem tranqüila: viagem sem graça. Preferia aquelas em que as crianças não param de gritar, os adultos não param de conversar, e todo o resto finge que tolera; tudo em nome da tal da con-vivência humana.

Sem distrações, tive de sabotar a leitura de "O cavaleiro inexistente", de Italo Calvino, sob pena de ler o livro inteiro em uma única baforada — os livros bons não deveriam terminar nunca.

Em cada curva furiosa do ônibus na estrada, os trequinhos (palavra-curinga) de colocar os pés dos bancos adjacentes desocupados balançavam sozinhos: fantasmas viajantes?

Chegada em Bagé na hora certa. Esses ônibus das 14h estão cada vez mais civilizados — mais uns tempos e estarão até dando bom dia, e dizendo obrigado!

Depois de uma abstinência de, sei lá, 6 meses de televisão, decidi me auto-flagelar com 6 horas de programação direta — Viva a TV a cabo!

(Na falta de um bloquinho de papel, tomei nota no bloco de notas do Palm mesmo!)

Alguém mais já sentiu a necessidade de ter duas tevês, uma para cada olho? :P

"Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when september ends"

Música legal. Banda legal. Clipe deprimente (depressivo? — "depressente").

Controle sobre o controle remoto; controle sobre o mundo: trocar de país é tão simples quanto vestir um pijama ou tomar um copo d'água.

Cicatriz coçando.. cada vez me identifico mais com o chato do Harry Potter (— o personagem).

Malhação é sempre a mesma coisa. E eu ainda me surpreendo com isso.

Atuações péssimas, uso constante de lugares-comuns, clichês em demasia... Preciso dizer de que novela se trata? (Ou não seriam todas a mesma coisa?)

Assim que o fato de eu estar em férias deixar de ser uma GRANDE novidade, a programação do blog voltará ao normal (*ufa!*).

Eu sempre fui mais das terças de limão que das quintas de moranga (sabe como é... quinta-feira, dia de Gilmore Girls...). E a Sony, sutilmente, ainda mantém essa lacunosa classificação... (Por que não há frutas ou legumes para os outros dia da semana?)

Desisti de ver o segundo CSI: era muita carnificina para um só dia!




terça-feira, 6 de dezembro de 2005

  Férias, apesar

Pensando bem, é legal estar em férias (caso em algum momento eu tenha transparecido algum traço de desilusão ao postar aqui no blog). Posso aproveitar para ler qualquer bobagem, sem me preocupar em ter de me informar sobre a matéria da prova do dia seguinte. Posso comer um monte de coisa-barra-sujar um monte de louça (paranóia!?), sem ter de me preocupar em lavar tudo isso depois. Posso dormir às 2h (como sempre fiz), sem necessariamente ter de acordar às 7h no dia seguinte (vulgo 'mesmo dia'; também conhecido como 'mas eu ainda nem dormi...'). Posso passar um dia inteiro sem fazer absolutamente nada, e sem me sentir culpada por isso. Posso passear com o cachorro [!] (durante as aulas não há cachorros para passear). Posso interromper uma frase no meio e simplesmente alegar que. Posso perder algumas horas do dia indignada com o fato de que cada vez mais se esteja cada vez mais comemorando cada vez mais cedo o cada vez mais Natal. Enfim, isso tudo é para dizer que, estando em férias, tudo é possível. Tempo há de sobra. Disposição, idem. (Mas o que falta mesmo, e que talvez faça toda a diferença, é a tal da rotina. Que falta faz a maldita imbecilidade do dia-a-dia!)



  3 motivos para ler Barthes

1. Comecei a leitura de "Aula", de Roland Barthes, anotando as frases que mais me chamavam a atenção...

"A língua implica uma relação fatal de alienação." (p. 13)

"Mas língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer." (p. 14)

"Hoje creio realmente que, sob a pertinência que aqui se escolheu, língua e discurso são indivisos, pois eles deslizam segundo o mesmo eixo de poder." (p. 31)

(...mas em seguida interrompi as notas, antes que tivesse copiado o livro inteiro, só em frases :P)

O livro é uma transcrição da aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária do Colégio de França, dada por Barthes em 7 de janeiro de 1977, e foi publicada logo em seguida com o singelo e des-pretensioso título de "Leçon". Trata-se de uma das obras mais polêmicas do autor, tamanha a crítica que ele faz da presença inarredável do Poder de qualquer discurso que se faça. O tom polido e educado que se espera de um professor em seu primeiro dia de aula é intercalado por uma fina ironia e uma crítica ferrenha ao Sistema. Para R.B., a importância da Literatura estaria no fato de que ela exerce uma espécie de "função utópica" (por se tratar de um discurso [[teoricamente] vindo de fora do poder).

"A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa." (p. 19)



2. Outro livrinho (em tamanho) bastante interessante de Roland Barthes é "O Prazer do Texto". Nele, o autor discorre caoticamente acerca do relacionamento do leitor com a obra que lê, e das duas diferentes maneiras de se saborear uma leitura: o prazer e o gozo.

"Quem suporta sem nenhuma vergonha a contradição? Ora este contra-herói existe: é o leitor de texto, no momento em que se entrega a seu prazer." (p. 8)

"O prazer é dizível, a fruição [o gozo] não o é." (p. 31)

"O enfado não está longe da fruição: é a fruição vista das margens do prazer." (p. 36)

"E, perdido no meio do texto (não atrás dele ao modo de um deus de maquinaria) há sempre o outro, o autor." (p. 38)

O escritor é como "o morto do bridge: necessário ao sentido (ao combate), mas ele mesmo privado de sentido fixo." (p. 48)



3. Durante todo o tempo em que li "Roland Barthes por Roland Barthes" fiquei imaginando como seria se ele estivesse vivo e tivesse um blog... O livro é uma espécie de anti-autobiografia, difícil de descrever. É uma espécie de colagem de fragmentos escritos ao longo de alguns anos da vida do escritor, alguns falando de aspectos pessoais, outros falando de sua obra. Chega a ser bizarro vê-lo escrevendo sobre si mesmo ora em terceira, ora em primeira pessoa: como se assumindo aquilo que disse, logo depois de atribuir a si mesmo aquilo que está prestes a dizer.

"Mas eu nunca me pareci com isto!
— Como é que você sabe? Que é este "você" com o qual você se pareceria ou não? Onde tomá-lo? Segundo que padrão morfológico ou expressivo? Onde está seu corpo de verdade?"
(p. 42, ao lado de duas fotos, em duas épocas diferentes de sua vida)

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domingo, 4 de dezembro de 2005

  Dá para confiar na Wikipedia?

"Still, the question of Wikipedia, as of so much of what you find online, is: Can you trust it?"

Confie desconfiando. Ao menos é essa a mensagem que tenta passar o artigo "Snared in the Web of a Wikipedia Liar" do Week in Review no NY Times de hoje...
O texto fala do caso de John Seigenthaler, ex-editor do The Tennessean e do USAToday (espero que os dados já tenham sido corrigidos :P), que tinha falsas informações atribuídas a ele (como suspeita de envolvimento no assassinato de Kennedy!) em um artigo da Wikipedia.

"The case triggered extensive debate on the Internet over the value and reliability of Wikipedia, and more broadly, over the nature of online information."

Para solucionar o problema, os responsáveis pelo site estão pensando em lançar um review machanism, no qual os visitantes pudessem dar uma nota para os artigos, baseados em um critério de confiabilidade das informações prestadas. Parece ser útil :)
O caso também envolve questões legais, já que a postagem errônea na Wikipedia foi anônima (e até daria para chegar ao autor original das alterações no artigo, mas isso iria contra a tal da liberdade de expressão na web...)

Confira também: a opinião do próprio envolvido no caso em um editorial do USAToday




sábado, 3 de dezembro de 2005

  Desmaterializando o mundo

Zero Hora, 02/12/05, página 3:

Abraço virtual

Vem aí a jaqueta que transmite a sensação de toque pela Internet. Na mesma linha, pesquisadores já pensam em produzir pijamas infantis que serviriam para dar abraços virtuais. A roupa wireless recebe comando a partir de um computador e seria um achado para os pais que viajam muito.
Num teste com animais, alterações na pressão e na temperatura promovidas pela roupa faziam eles se sentirem como se estivessem sendo tocados.



Qual é o próximo passo? Sabor virtual? Ou um computador que chora enquanto seu dono, impávido, mostra-se completamente indiferente?
Haverá um tempo em que os cientistas se trancarão em seus laboratórios, enquanto os ratinhos sairão felizes a perambular pelo universo... E os seres humanos passarão a viver em cubículos de meio metro quadrado, desprovidos de qualquer recurso material, não mais necessitando dos outros para (sobre)viver: basta ter uma jaqueta, para sentir emoções falsamente verdadeiras, e um computador conectado à internet, para que possa se comunicar com o mundo. O resto é supérfluo.
Não duvido de mais nada (se é que em algum momento cheguei a duvidar de qualquer coisa).

Mas tudo bem. Apesar de tudo, a idéia do toque virtual ainda é interessante.
E há inúmeras possibilidades de uso para o equipamento, não só para pais relapsos e seus filhinhos de pijama sozinhos em casa antes de ir para cama (que cena meiga de se imaginar!!)... Se for um daqueles pijamas clássicos de listrinhas e touquinha combinando haverá, enfim, algum resquício de sensibilidade...




  ACD - parte 2

Texto do dia: "Análise de Discurso Crítica: do modelo tridimensional à articulação entre práticas sociais" (Resende e Sebba)

"A Análise de Discurso Crítica (ADC), disciplina com amplo escopo de aplicação, constitui modelo teórico-metodológico aberto ao tratamento de diversas práticas na vida social."

O modelo tridimensional a que se refere o título foi proposto por Fairclough, na obra "Discurso e mudança social". De acordo com esse modelo, há três enfoques a se considerar na ACD: texto, prática discursiva e prática social (um englobando o outro, sendo a prática social aquele que engloba tudo). A análise do texto envolve questões como vocabulário, gramática, coesão e estrutura textual. A prática discursiva compreende a produção, distribuição, consumo do texto, contexto, força, coerência e a intertextualidade. Por fim, a prática social corresponde à ideologia e à hegemonia.
Halliday propõe três funções da linguagem que atuam nos textos: ideacional, interpessoal e textual. Num primeiro momento, Fairclough subdivide a função interpessoal em funções indentitária e relacional. Mais recentemente, o mesmo autor propôs uma articulação entre as funções de Halliday e os conceitos de gênero, discurso e estilo, sugerindo, no lugar das funções, três tipos de significados: o significado acional (espécie de fusão das funções relacional e textual; trata dos gêneros), o significado representacional (correspondente ao ideacional no modelo anterior; esfera dos discursos) e o significado identificacional (estilos). E assim, modernamente [?], a prática social se daria numa relação dialética e indissociável entre esses três significados, e a ACD teria por função a tentativa de desarticular as estruturas de dominação, desmascarando a ideologia por trás dos discursos [!].

"O discurso é compreendido como um elemento da prática social, modo de ação sobre o mundo e a sociedade. O discurso, então, é socialmente constitutivo - por meio do discurso se constituem estruturas sociais - e constituído socialmente - os discursos variam segundo os domínios sociais em que são gerados, de acordo com as ordens de discurso a que se filiam."

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Obs.: Não sei se entendi o texto direito. Mas a saga pela compreensão do que é a Análise Crítica do Discurso continua... Ainda tenho bastante tempo (leia-se 'férias inteiras pela frente') para tentar entender o que é, exatamente, a tal da ACD (ou ADC... há um plano malévolo no universo que almeja a confundir todos nós...)...




  Férias, afinal

Estou em férias.
Ainda não me decidi se isso é bom ou ruim. Ao mesmo tempo que eu não agüentava mais viver entre uma prova final e outra (e isso realmente é complicado quando se faz mais de 10 matérias), também não gosto de ficar parada e não ter nada para fazer.
Vou esperar o desenrolar dos dias. Acho que tédio profundo, assim, extremado, só lá pelo dia 15 de dezembro :P até lá ainda tenho muito livro para ler, muita série para ver, muito post para escrever, e muito filme que ainda quero assistir :)
Semana que vem vou para Bagé, entregar-me ao mais profundo ócio. Aqui ao menos exerço algum resquício atividade física ao praticar descongelamento de alimentos, arremesso de embalagem de papelão ao lixo, levantamento de garfo e lavagem de pratos (meus esportes favoritos). Lá posso me dar ao luxo de não fazer absolutamente nada, e ainda me entediar com isso.

"Metas" de férias:
- ler
- ler
- ler
- ler
- ver seriados (saudades da TV a cabo...)
- providenciar uma sobrevida ao The Gilmore Girls BR (ou enterrá-lo de vez, o que se mostrar mais conveniente em uma ou duas semanas de férias)
- ler
- ler
- fazer uma lista decente de metas (e efetivamente cumpri-las)
- ler


P.S.: Ainda resta a ínfima possibilidade remotamente quase nula de eu ter pego exame em Direito Penal... é a única matéria que não tenho a nota final... torçam para eu ter tirado ao menos 7,0 na prova de hoje! \o/



sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

  Ma français est trés bizarre

Seguindo a doutrina da comunidade homônima do orkut, e com base nas minhas parcas aulinhas do idioma, eis um....

Guia prático para falar francês em 3 minutos:

Regras gerais

     Na hora de ler uma palavra, desconfie de todas as vogais, desconfie de todos os acentos (desconfie de tudo!). Onde está acentuado, não acentue. Onde há u, leia i. Onde há i, leia a. Se for e, leia i. Duvide de toda e qualquer vogal, SEMPRE. No término das palavras, ignore a leitura de toda consoante que parecer que está sobrando na história (exemplo: petit -- a palavra indiscutivelmente termina no i; est -- o s e o t finais são meras letrinhas simpáticas que acompanham o e onde quer que ele vá)... E, o mais importante de tudo: faça o biquinho. (Como fazê-lo? Simples... engane os outros fingindo que vai dizer um u, faça toda a inflexão vocal de u, mas no fim, diga i...).
     Outra regra interessante é a dos esses.. Onde você acha que não tem s, tem s... e onde é bem provável que tenha, não há... O s do final de uma palavra é tão inútil que, se fosse humano, seria a alegria da psicanálise.
     Entretanto, a desbanalização do som do s sofre uma exceção. Os franceses são fanáticos por juntar uma palavra na outra, sempre que possível (quando a anterior termina por consoante impronunciável e a seguinte começa por vogal). Então, diante de uma palavra iniciada por vogal, a letra s, que seria uma espécie de Valdemort potterniano (aquele-que-não-é-nomeado), perde temporariamente seu caráter de planta pequena que não fala (mudinha) e faz elisão com a palavra seguinte.. Aí originam-se construções toscas, como "vous êtes" (vuzéti -- aliás, preste atenção no caráter falacioso do acento da palavra...). Quando ocorre um encontro de vogal ao final de pronome com vogal no começo de verbo ou palavra, os franceses entram em pânico, e tratam de eliminar uma das vogais, o que dá origem, por exemplo, à construção "j'aime" (vide explicação infra) e ao felicíssimo "l'été" ('o verão' -- ou 'o extraterrestre', como preferir :P).

Casos particulares

     O questionamento "Qu'est ce que c'est?", além de ser um verdadeiro desperdício de letras (tinta, pixels, inflexões vocais, impulsos luminosos, caracteres, bytes, ou o que você preferir), é também uma frase muito útil (mas qual o sentido de tanta parafernália textual para perguntar simplesmente "o que é isto?"). Para pronunciar a expressão, aliás, vale a regra de ouro que diz que toda consoante sobrando no final da palavra é inútil (a pronúncia ficaria algo tosco como... "quêsquecê?").
     E se alguém quiser te intimidar com um quêsquecê, não tenha dúvidas: a melhor saída é sempre dizer que não sabe "Je ne sais pas" (genecepá)... Na pior das hipóteses, apele para o "je ne parle pas français" (geneparlepá-francê).
     Quêsquecê? Genecepá! Geneparlepá-francê!
      (O que é isto? Não sei! Eu não falo francês!)

     Para dizer allemand, imagine-se engolindo um alemão (tanto faz se em francês ou português). Sua pronúncia sairá tanto mais perto do real quanto mais você for capaz de pronunciar a palavra engolindo-a.

     Contar de 1 a 100 é muito fácil. Você só precisa saber os números de um a dezesseis, e as dezenas do vinte ao sessenta. Un, deux, trois, quatre, cinq, six, sept, huit, neuf, dix, onze, douze, treize, quatorze, quinze, seize... vingt, trente, quarante, cinquante, soixante. O resto você inventa. E é capaz de parecer bem mais verossímil que na realidade! Abuse dos hífens. 88, por exemplo, se diz "quatre-vingt-huit" (sim, isso mesmo, "quatro vintes" oito!). Exercício: como se diz 99?
a) quatre-vingt-dix-neuf ("quatro vintes" dezenove)
b) trois-trente-neuf ("três trintas" nove)
c) novante-neuf (noventa nove)
d) trois-trente-trois-trois ("três trintas" "três três")
e) deux-quarante-dix-neuf ("dois quarentas" dezenove)

     Há palavras que, ao serem pronunciadas, colocam a pessoa em situação tremendamente embaraçosa. Um exemplo menos leve é falar sobre o "lac Titicaca" (observação: é uma proparoxítona!). Outra situação bizarra é usar o pronome 'pornográfico' "nous" (nós) (considere a existência da eliminação compulsória de toda consoante que esteja sobrando no final de uma palavra, combinada com a regra de que todo s é inútil... isso sem falar que "ou" = ú)
     Brincadeira de primeiro grau: repita j'aime várias vezes seguidas (hihihi). Tanto faz se com a pronúncia certa ou a errada (em francês, a pronúncia é bastante similar com a da sigla da montadora de carros "GM").

Considerações finais

Parabéns! Agora você está apto a dizer que ama tudo (GM), a contar de 1 a 99 e a pronunciar coisas vagas e toscas, como allemand, lac titicaca, e petit -- não que com isso não seja válida a frase "GM un petit allemand du lac titicaca"... E se ao perguntar "quêsquecê", você obter como resposta "genecepá", não adianta nem querer mandar a pessoa a "la mer" (lá mér...), porque mer é mar... :P

--
(brincadeiras à parte... vai dizer que o francês não é um idioma toscamente afrescalhado? :P)

P.S.: para caso alguém leve a sério esta bobagem toda, a resposta do "exercício" é a letra a)




quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

  ACD - parte 1

Objetivo: entender Análise Crítica do Discurso
Método: Google :P
Para começar: "Análise Crítica do Discurso: Enquadramento Histórico" (de Carlos A. M. Gouveia Flul)

"A linguagem faz parte da sociedade, é uma prática social e, como tal, é um dos mecanismos pelos quais a sociedade se reproduz e auto-regula."

No artigo, o autor discorre acerca das origens da Análise Crítica do Discurso, que provavelmente surgiu como um desdobramento da Lingüística Crítica, e teve portanto a mesma origem da Semiótica Social. Na verdade, as três são bastante semelhantes: todas consideram a ideologia como uma presença marcante e indissociável do discurso, tanto a determiná-la, quanto a ser determinado por ela.

"Mas as diferenças entre a linguística crítica, a ACD e a semiótica social ultrapassam tal facto, pois sobretudo reflectem, por um lado, diversos estádios de desenvolvimento de uma mesma teoria e, por outro, aplicação dos mesmos princípios metodológicos, à luz de pressupostos teóricos semelhantes, a diferentes objectos de estudo."

A grande questão é determinar se as três correntes são no fundo a mesma coisa, se uma é parte da outra, ou se todas são independentes... (na minha opinião, pareceria mais lógico, embora desconsiderando as origens históricas, colocar a ACD dentro da LC, e esta dentro da semiótica social).

Bom, enfim, o texto é bem interessante, mas não ajudou quase nada no objetivo de entender o que é a Análise Crítica do Discurso :P

Amanhã a busca continua :)


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