domingo, 9 de dezembro de 2007

  Sentimento de pertença a um lugar

Em nosso dia-a-dia conturbado, por mais que a gente passe o tempo inteiro viajando, por mais que se fique alternando entre um lugar e outro, e por mais que os lugares pareçam todos iguais, há sempre um lugar que podemos chamar de “nosso lugar”. É aquele espaço ou ambiente para o qual sempre queremos voltar, não importa onde estejamos. É o lugar que consideramos como nosso “lar’.

Os navegadores de Internet – e muitas páginas da web - também se utilizam dessa metáfora, ao estabelecer como “Home” um lugar previamente definido por nós (no caso dos navegadores) ou pela organização (no caso dos sites). Supõe-se que o Home seja um lugar que nos agrade tanto que queiramos sempre voltar para lá.

Supostamente, o lugar de nossas origens, onde plantamos nossas raízes, deveria ser o lugar para onde sempre queremos voltar. Deveria. De tanto que passo o ano alternando entre duas cidades, cheguei a um ponto que já acho que não pertenço a lugar algum. Circulei pelas ruas de Bagé esta semana, e não encontrei sequer um rosto familiar. Os lugares já não são os mesmos, as pessoas já não são as mesmas, tudo é diferente, embora tudo permaneça igual. Até em casa da minha família – a mesma casa de antes – já não me parece um lar. Meu antigo quarto virou um lugar um tanto cavernoso, frio, inóspito. As paredes seguem no tom azul desmaiado – mas ao invés de acolhedoras, parecem que vão me sufocar. As camas são as mesmas, apesar de estarem em outra posição. Mas não são as minhas coisas que estão sobre a escrivaninha. Não são meus os livros que estão na estante. Aquele lugar não pertence mais a mim, não é mais meu lugar.

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Crise existencial suscitada por um formulário bobo de cadastro em um site. Lá tem o campo “Cidade”. Como preencher? De que cidade eu sou? Vale onde nasci, onde estou, ou onde passo a maior parte do ano?

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Update 10/12 – o Sérgio fez uma análise interessante via comentário: “Ou ainda pode ser fruto desse fenômeno que a psiquiatria moderna insiste em não analisar a depressão pós ano letivo.

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Comentários:

Anonymous oiticica disse:
A cidade que você sente ser seu lar. Embora não tenha imóvel no Rio de Janeiro, sou do Rio e da Grande Los Angeles, à qual me adaptei, a qual conheço muito bem, cujo jornal assino e leio. Passei exatamente metade da minha vida na Cidade Maravilhosa e a outra aqui nos EUA.
clique aqui
 
Anonymous Anônimo disse:
Jandré

é, é isso que é o vício acadêmico
'depressão' por causa do início das férias disfarçada de crise existencial


shsshhshss
 
Blogger Gabriela Zago disse:
É, é... também tem isso :P

Mas em seguida me acostumo ao ócio :D
 
Anonymous Sérgio Henrique Ribeiro da Silva disse:
Me passa coisa parecida, mas só no que diz respeito ao ir e vir de duas cidades. Baita verdade que o começo das férias sucinta toda sorte de crise existencial, as vezes aponta pra discussão da nossa origem, outras pra aquele número de telefone daquela(e) desgraçado(a) que quem sabe já tomou juízo ( tomou nada ! ) e tá listo e pronto pra receber uma segunda chance e o amor reflorescer nas férias.

E bobajada a parte, é um fenômeno muito menosprezado pela psiquiatria essa depressão que desencadeia essa crise nas férias, mas que nada! Só mais chateação...
Os exemplos são milhões.
Desconhecer as caras que eu conheceria naturalmente na rua, ir pra casa e não parecer casa nem a pau, faltar o sentimento de pertencer ao lugar mesmo, NUNCA saber ou dar uma balançada na hora de colocar "home" ou num formulário mesmo quando se coloca a procedência, fica uma sensação "de, tá coloco o que?". Mas eu gosto disso. Não, eu não sou um mega nômade hiper aventureiro nem nada, só não me acontece de me sentir típico de um lugar. Apesar de eu ser. Existe uma citação muito espertinha pra isso, alguém mais novo virou pra outro alguém, mais velho, dizendo " Ah mas e no teu tempo que era assim" o mais velho cortou e disse " Não sou de nenhum tempo, sou desse momento ". Se seguir anônima a citação roubo essa citação pra mim, mesmo sendo um fedelho de 22 anos e ter que esperar um tempo pra que realmente acreditem ter sido o cara por tras dessa mini-parabola. Mas o tempo e o lugar eu situo assim.
Existe em mim um bicho que caminha dentro de mim e me urra.... BUENOS AIRES..... enquanto eu passo meu ano acadêmico em Porto Alegre, verdade que não gostar nada de Porto Alegre ajuda.
Agora o bichinho me enche e aí sim causa um desconforto muito pesado em momentos como o começo de dezembro e junho, por exemplo.

No fim disso tudo o nosso lugar esteja por ser descoberto, e acho que tá muito ligado a quem está no lugar, a companhia, não me refiro a amores da vida nem nada. Não acho de verdade que alguém por ter sido parido numa terra necessariamente guarda ligações emocionais com ela.
No teu caso até pode ser Bagé ou Pelotas já que as duas tão se pegando a pau na tua consciência, e quem deixar a rival no chão durinha se sem movimento vai te ganhar de vez. Ou ainda pode ser fruto desse fenômeno que a psiquiatria moderna insiste em não analisar a depressão pós ano letivo.
Eu acho que muitas vezes o lugar te impõe algumas coisas, os meus posts gigantescos são pura consequência de eu ser hispânico e todo hispânico é prolixo pra burro.

Mas uma coisa nisso tudo é saudável, daqui a pouco o ócio vem aí mesmo! Não me chateia nada e enquanto eu não for banido de encher o saco aqui sigo postando sempre, por que dá uma valorizada no ócio de todo mundo. Gabriela escreve, o povo contesta, e no fim eu posso contestar a uma idéia de alguém coisa que eu amo de paixão.
 
Anonymous j. noronha disse:
Eu tenho esse problema às vezes, resolvo sempre com algumas cervejas ou umas doses de White Horse, hehe... Não falha nunca!
O Fim da Várzea
 


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