quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

  Formas de interagir com o mundo

Há diversas formas das quais um ser humano pode se utilizar para interagir com as coisas, com outras pessoas, enfim, com o mundo. A interação é tão importante que é dela que depende todo nosso conhecimento de mundo. Aprendemos a lidar com as situações difíceis a partir do relato da experiência dos mais velhos, ou compreendemos fenômenos complicados a partir da leitura de um livro.

O ser humano não nasce pronto. Ele precisa interagir com o mundo para aprender a se defender e a se alimentar, por exemplo. Um ser humano leva cerca de dez anos para poder começar a se tornar independente.

Segundo John B. Thompson (em “A Mídia e a Modernidade”), há três formas de interação que permitem o intercâmbio de símbolos (que serão convertidos em conhecimento) entre as pessoas. Primeiro, há a interação face a face, que ocorre entre indivíduos, sem que haja qualquer objeto entre eles. Um segundo nível de interação é a interação mediada, que ocorre quando dois seres humanos interagem com a ajuda de um meio (assim são as conversas pelo telefone, ou a troca de cartas pelo correio). Até mais ou menos o século XIX, tudo o que aprendíamos decorria dessas duas formas básicas de interação.

Entretanto, com o desenvolvimento da mídia impressa, as coisas começaram a mudar. Ao invés de compreendermos o mundo através de interações face a face, ou de interações mediadas com outros indivíduos, aprendemos cada vez mais a partir dos meios de comunicação de massa. O tipo de interação que acontece nesses meios é denominado por Thompson de “quase-interação mediada”. Quase, na medida em que, diferentemente de uma comunicação por telefone, por exemplo, nos meios de comunicação de massa, como na televisão, a transmissão de informação ocorre numa via unilateral. O espectador recebe um grande fluxo de informação, mas participa muito pouco (ou quase nada). Além disso, ele precisa aprender a controlar o excesso de informação, criando estratégias como buscar opiniões consagradas ou de amigos para fazer suas escolhas ou interagindo com outros fãs dos mesmos programas.

Assim, a interação que ocorre nos meios de comunicação de massa não é uma interação mediada propriamente dita porque a pessoa não interage com outra pessoa. Mas não deixa de ser uma forma de intercâmbio simbólico e um instrumento de aprendizagem no sentido de que se recebem informações, que serão processadas, assim como se faz com as informações recebidas numa troca face a face. Dada a larga difusão dos meios de comunicação de massa, o autor diz que nossa “mundanidade” (sentimento de adaptação ao mundo) é cada vez mais mediada – nossa percepção de mundo depende cada vez mais da mediação de formas simbólicas, e não exclusivamente de interações face a face.

A divisão do autor foi feita considerando o nível do desenvolvimento dos meios de comunicação até o começo da década de 90. Ou seja, em sua obra, Thompson praticamente não se refere à Internet.

A forma de interação na rede mundial de computador é um tanto peculiar. O meio, dependendo da situação, tanto pode ser tanto um-um, quanto um-todos, ou todos-todos. No primeiro caso, trata-se de uma forma diferenciada de interação mediada. No segundo, pode-se dizer que há uma quase-interação mediada. Assim, se visito um blog produzido por uma única pessoa, a forma de interação será “um-todos” (há um produtor, e uma audiência, apesar de curta). Se estabeleço um diálogo com outra pessoa (o autor do blog, por exemplo) numa caixa de comentários, a interação muda para o formato “um-um”, ou “alguns-alguns”. Mas a blogosfera considerada como um todo, com todas as suas inter-relações possíveis, pode ser compreendida como um modelo “todos-todos”, visto que, ao menos em tese, todo mundo pode interagir com todo mundo. Nesse caso, a forma de interação seria “interação mediada” pura e simples, ou um modelo especial de “quase-interação mediada”?

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