domingo, 9 de dezembro de 2007

  Wave Magazine


A Wave Magazine é uma revista eletrônica internacional mensal dedicada aos jovens. Escrita por jovens jornalistas e estudantes de jornalismo de diversos países do mundo, a proposta é abordar temas como Política, Sociedade e Economia a partir de uma perspectiva... ahm... jovem.

O projeto iniciou em novembro de 2006 a partir de um grupo de estudantes em parceria com a organização Word Youth Wave – Sérvia, de Belgrado. O presidente da organização é Marko Andrejić, um jovem sérvio estudante de jornalismo. Ele decidiu reunir um time internacional de jovens repórteres que tivessem interesse em escrever para a revista.

O público-alvo da publicação são jovens de todas as partes do mundo. No começo, Marko convidava seus amigos jornalistas a contribuírem com matérias especiais. Mas aos poucos ele foi sentindo a necessidade de contar com uma equipe específica para a produção de conteúdo para a revista.

Atualmente, um grupo no Yahoo funciona como “sala de redação” virtual para a revista. É lá que são discutidos temas como pautas e prazos. Marko é o editor-chefe da revista, e conta com uma equipe de jovens repórteres espalhada geograficamente. A revista está em busca de novos colaboradores. Tenho ajudado como free lancer, em textos sobre o Brasil – e aproveitado para aprimorar um pouco o inglês.

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Prometo que este é o último post de “auto-promoção” que faço neste blog. Já está ficando chato isso...

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

  Atlas de Jornalismo Online

Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, iniciou em seu blog uma espécie de Atlas sobre jornalismo online ao redor do mundo. A idéia é que pessoas de diferentes partes do mundo possam ajudar a completar um wiki que ter por objetivo mapear iniciativas interessantes que envolvam o jornalismo digital nas diferentes partes do globo -- meio que como uma forma fugir um pouco da visão norte-americanocêntrica que costuma predominar quando se fala em jornalismo online. Vale dar informações sobre sites tradicionais, sites colaborativos, ou até mesmo blogs. O formato da contribuição é livre. Os textos também serão publicados no blog.

Para dar início ao projeto, Paul postou um texto meu sobre o Brasil. Na verdade, cabe aqui fazer uma grande ressalva. O texto foi escrito em meados de setembro, na época em que o contatei para fazer uma entrevista para a disciplina de Jornalismo Digital – por isso as referências à campanha do Estadão ou ao lançamento do ZeroHora.com, coisas que hoje, mais de dois meses depois, podem parecer meio sem sentido. Ele pediu um texto sobre jornalismo online no Brasil, sem dar muitos detalhes. Só meses mais tarde, já como integrante do “OJB team”, é que fui saber da idéia do Atlas.

De qualquer modo, uma de minhas funções é tentar contatar pessoas de outros países para contribuir no wiki. Então fica o convite para quem quiser colaborar ou indicar alguém que possa colaborar, inclusive (e principalmente) para reescrever, substituir, ampliar ou fazer correções na entrada que já tem lá sobre jornalismo online no Brasil :)


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Em tempo: novos projetos estão por vir. E um deles tem muito a ver com este post do Nicolas...

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

  Todo mundo quer ser jornalista

Jornalismo é o curso mais concorrido da Fuvest no vestibular de 2008, com 41,63 candidatos por vaga. Em segundo lugar, vem Publicidade e Propaganda, com 41,02. Cursos tradicionais como Medicina e Direito só aparecem mais adiante na lista (respectivamente, nas posições #5 e #17). Sinal dos tempos? Todos querem ser jornalistas cidadãos ou blogueiros?

Em tempo: em números absolutos, Medicina e Direito ainda lideram em número de candidatos. Mas sofreram considerável queda em relação ao ano passado. São 2.722 candidatos ao curso de Jornalismo - contra 12.341 em Medicina. A discrepância na relação candidato/vaga se dá porque o número de vagas para Jornalismo é muitas vezes menor que para Medicina. De qualquer modo, chama a atenção a quantidade de pessoas preferindo uma área até então pouco comum, como é o caso da Comunicação Social.

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domingo, 11 de novembro de 2007

  Circulação da Folha

A Folha é o jornal de maior circulação do país. Segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) para setembro deste ano, são em média 307 mil exemplares diários. (Isso é considerado muito?) Produzir 307 mil exemplares não significa que apenas 307 mil pessoas leiam o jornal, até porque um mesmo jornal pode ser lido por mais de uma pessoa, por uma família inteira, e até por uma turma inteira de alunos (é mais ou menos o que acontece com a assinatura da Folha lá na ECOS). De qualquer modo, 307 mil parece um número baixo. Principalmente se se considerar que, em 1997, eram 530 mil exemplares, e, no ano 2000, 441 mil (ou seja, circulação em declínio). A tendência é mundial. Cai o número de leitores do impresso, aumentam os leitores do online. (Mas, se serve de consolo, o índice de circulação de impressos no Brasil despencou até 2004, e, desde então, tem tido uma lenta reabilitação, inclusive com crescimento, ainda que tímido).

Não encontrei índices de leitura de jornais online no Brasil. Mas, a título de comparação [tosca], o blog Pensar Enlouquece tem 1.945 assinantes via FeedBurner. O Cardoso tem 3.331 assinantes. Okay, mal chega a 1% do alcance da Folha, mas... é um número considerável, para uma mídia não massiva.

Essas e outras informações [exceto a comparação forçada com blogs] constam na reportagem sobre o perfil do leitor da Folha [também realizada em 1997 e 2000], publicada na edição de hoje da Folha de S. Paulo. A pesquisa Datafolha traz informações interessantes sobre os leitores do jornal – como o fato de que a maioria é assinante (91%), tem nível superior (68%) e pertence às classes A e B (90%).

Via Diagrama

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  Você pode fazer melhor que isso

“Você pode fazer melhor que isso” foi o mote da 15ª edição do Caça-Talentos (festival interno de laboratório da Escola de Comunicação Social da UCPel). Esta edição marcou a retomada do evento após um ano sem realização do concurso. Para inovar, os trabalhos ficaram expostos durante os quatro dias da Semana Integrada da Comunicação – ou seja, além de concorrer, os alunos tinham que dar a cara a tapa e deixar suas fotos, textos, produtos gráficos ou vídeos em exibição para os demais alunos da ECOS.

Ao todo, foram mais de 300 trabalhos inscritos, em 9 categorias e 70 subcategorias. Nem todas as subcategorias tiveram trabalhos inscritos (notavelmente, a categoria de Relações Públicas foi a que menos teve inscritos em suas subcategorias – o motivo: praticamente não há mais alunos de RP na faculdade, já que o curso foi extinto), mas as que tiveram, contaram com, em média, 3 trabalhos inscritos. O top top foi a subcategoria de Reportagem Impressa (categoria Jornalismo), com mais de 70 matérias inscritas. No outro extremo, subcategorias como Editorial de Moda (categoria Moda) e Pesquisa de Opinião (categoria Relações Públicas) tiveram apenas um inscrito.

Sexta-feira, após a premiação, os integrantes da equipe de apoio do evento ficaram discutindo se fazia sentido ou não o troféu da premiação [uma versão em madeira do bonequinho usado na divulgação do evento] vir com a frase “Você pode fazer melhor que isso”. Alguns disseram que deveria vir com a frase “Você fez melhor que isso”, e o problema lógico estaria resolvido. Mas, espera aí, só porque o aluno foi premiado em um festival interno de laboratório, isso por si só já significa que ele deu o melhor de si e fez o melhor trabalho do mundo? Pouco provável, não? Portanto, “você [ainda] pode fazer melhor que isso” é uma frase bastante apropriada para o troféu. Afinal, a idéia do prêmio não é a de servir de estímulo para que o aluno faça ainda melhor da próxima vez – e não para ratificar a idéia de que ele já fez o melhor possível?

Esta edição do evento teve várias falhas, em especial em termos de regulamento. Muitos trabalhos foram desclassificados por faltar requisitos formais, outros tantos deixaram de ser inscritos por falta de uma categoria adequada. Também houve falhas estruturais que fugiram do nosso controle, como a chuva que tomou conta do ginásio [local de realização da cerimônia de encerramento] e por pouco não colocou [literalmente] por água abaixo a exposição. Mas esses problemas ficam como lição para a próxima edição do evento. Mais legal do que participar (e levar dois prêmios coletivos), foi integrar a equipe de apoio e ver uma simples idéia se transformar em um [relativamente] grande evento. E, com certeza, ainda dá para fazer muito melhor que isso!

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Em tempo: fiquei imaginando como seria um festival de laboratório no curso de Direito. Várias peças jurídicas expostas. Prêmios para melhor Recurso (subcategorias Agravo e Apelação), melhor Petição Inicial (Penal, Cível e Trabalhista), melhor Contestação, melhor Lei em Tese, melhor Parecer e melhor Defesa Oral (subcategoria especial para os metidos a advogado, para aqueles colegas que vão à aula de terno só para parecerem mais inteligentes). Chato, muito chato.

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sábado, 10 de novembro de 2007

  O que é jornalismo?

Estou em busca de uma definição de jornalismo que contemple o que se faz/o que se pode fazer no Twitter. Basicamente, é preciso partir da idéia de que o jornalismo é uma prática, e não um produto; de que é uma forma de agir diante dos fatos, e não necessariamente algo que advém da qualidade intrínseca a um determinado ser humano (ou seja: não só jornalistas podem fazer jornalismo; e basta haver fato novo, que se estará diante de jornalismo).

De acordo com a Wikipedia, o “Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações”. Opa. Uma leitura apressada permite concluir que apenas jornalistas profissionais fazem jornalismo (“atividade profissional”). E os blogueiros, e os cidadãos repórteres, e todo o resto? O que eles fazem? “Blogam”? Alguém que envia atualizações sobre os incêndios na Califórnia no Twitter, faz o quê? “Twitta?”

Mais adiante, no mesmo “verbete”, a massa de anônimos do wiki faz a ressalva de que “Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais”. E nesse caso, é preciso ser jornalista profissional? Ou qualquer um que colete, redija, edite e publique dados sobre fatos atuais exerce jornalismo? E se o evento não necessariamente for atual, permanece sendo jornalismo??? Não bastaria que o fato contivesse a idéia de ‘novo’ no sentido de que aquele fato, daquela forma, pelo menos naquele veículo, ainda não foi transmitido?

Não dá para simplesmente definir o jornalismo pela linguagem, pelo caráter de novidade, independente de quem escreva, e independente de onde se veicule (desde que haja uma publicidade, ou potencial de publicização, mínima – como nos blogs)? É realmente preciso ser jornalista para fazer jornalismo, ou basta haver coleta, redação, edição e publicação, como na segunda parte da definição da Wikipedia? E, nesses casos, uma pessoa comum (não-jornalista; embora isso não queira dizer que os jornalistas sejam especiais, ou estejam em uma categoria superior) que reporta fatos em seu blog – ou, pior, em um microblog - pode, efetivamente, fazer jornalismo?

Ou, como disse Paul Bradshaw, referindo-se ao jornalismo cidadão, por que importa tanto se a gente chama isso ou não de jornalismo?

Talvez seja mais fácil admitir que a complexidade e mutabilidade do jornalismo não cabem em uma definição estática e simplista...

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domingo, 28 de outubro de 2007

  Um rio de notícias

Baseado na idéia de que as pessoas que procuram notícias na Internet querem novidades (‘news’) e não velharias (‘olds’), Dave Winer, um dos precursores da tecnologia RSS, criou o formato por ele denominado de “rio de notícias” (newsriver). Nesse formato, as notícias são dispostas em ordem cronológica inversa. Há um link para a matéria, seguido de um brevíssimo resumo do acontecimento. Fatos de mais de 24 horas atrás são removidos da página. O resultado é um rio de notícias, em que as informações mais atuais aparecem no topo da página. Pense no Twitter (de acordo com Winer, “um grande rio com todas as pessoas que você segue”). Pense em um “minuto a minuto” que cubra todos os fatos do dia.

Doc Searls (um dos autores do The Cluetrain Manifesto) fez um texto em seu blog elogiando a idéia de Winer. Para ele, “Notícias são um rio, e não um lago. São ativas, e não estáticas. Trata-se do que está acontecendo, e não do que aconteceu. Ou não apenas do que aconteceu”.

Um “rio de notícias” não serviria para todo e qualquer tipo de notícias. Ainda haveria a necessidade de se produzir matérias completas sobre determinados fatos. A idéia é usar o modelo de rio apenas para notícias do estilo atualização contínua, para fatos recentes, enfim, para acontecimentos ‘novos’.

De acordo com Betsy Devine, “Sim, é claro que os leitores também querem matérias bem escritas com análises cuidadosas. Mas quando nós estamos ansiosos para saber o que está acontecendo agora, nós não queremos essa informação em ritmo mais lento e misturada com um monte de outras coisas que não nos interessa”

Para entender a idéia de Winer na prática:
Experimente abrir o NYTimesRiver em um navegador de celular. Você terá apenas as novidades do dia, e nada mais. O público-alvo é bastante específico: pessoas que querem saber o que está acontecendo agora, e apenas isso.

Também dá para navegar por palavras-chave. Da mais popular à menos freqüente. Basta parar o mouse em cima dos numerozinhos para saber o título da notícia. A lista de palavras-chave é atualizada de hora em hora, e renovada uma vez por dia (“After all this is news, not olds”...).

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sábado, 27 de outubro de 2007

  Restrição à circulação de veículos impressos gratuitos

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), decidiu rever a medida que passou a vigorar na semana passada na capital paulista proibindo a circulação de determinados tipos de publicações gratuitas nas ruas da cidade. Pela redação original da lei, já em vigor, estaria proibida a circulação de veículos impressos gratuitos que tivessem menos de 80% de conteúdo jornalístico. O objetivo seria impedir a distribuição excessiva de anúncios publicitários.

A medida foi altamente criticada, inclusive por vereadores. O motivo? Tanto a Constituição Federal quanto a Lei de Imprensa asseguram a liberdade de informação. Além disso, exigir no mínimo 80% de conteúdo jornalístico de uma publicação restringiria enormemente a circulação de pequenos jornais de bairros, sustentados muitas vezes por intensa publicidade.

Como a intenção original ao se promulgar a lei era a de intensificar a proibição à distribuição de panfletos (proibidos em São Paulo desde 2002) e regular a distribuição de jornais, a medida será revista nos próximos dias.

De qualquer modo, é algo um tanto absurdo o poder Executivo pretender, por meio de uma lei municipal, legislar acerca de como deve ser realizada a distribuição de conteúdo de uma publicação impressa. Pareceria menos insano (embora igualmente absurdo) restringir em termos de conteúdo (censura explícita), do que adotar medidas que cerceiam absolutamente qualquer tentativa de expressão.

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A alteração proposta pretende substituir o atual §2° do artigo 26 da Lei Municipal n° 14.517 de 16 de outubro de 2007, de

§ 2º. Excetua-se da vedação estabelecida no “caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e publicações contendo, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de matéria jornalística, nos termos a serem definidos em regulamentação própria.


para

§ 2º. Considerando o disposto no inciso IX do artigo 5º da Constituição Federal, excetua-se da vedação estabelecida no "caput" deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na Lei Federal nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967"


A título de curiosidade, o inciso IX do artigo 5° da Constituição Federal diz que ”é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Dentre os requisitos estabelecidos pela Lei Federal n° 5.250/67 (Lei de Imprensa) para a circulação de jornais, está a obrigatoriedade de registro.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

  Proteção ao sigilo de fontes de blogueiros e jornalistas

A Casa dos Representantes dos EUA aprovou, por 398 votos a 21, o projeto de lei federal conhecido como “Ato de Livre Circulação de Informação” [Free Flow of Information Act, FFIA]. Esse é apenas um dos passos para a aprovação da lei (que, na fase final, precisará ainda ser aceita pelo presidente Bush, bastante resistente ao Ato). Mas a esmagadora diferença na votação traz indícios de que a preocupação com a liberdade de informação não é de poucos.

O FFIA estabelece, dentre outras coisas, que os jornalistas têm direito a preservar suas fontes, e, por isso, não devem ser obrigados a revelá-las sem que haja um motivo relevante [e após um devido processo legal, que assegure contraditório e ampla defesa]. Mas o interessante do documento é que ele traz uma definição bastante ampla de jornalismo, o que permite até mesmo estender a proteção a blogueiros profissionais.

O documento protege quem exerce atividades de jornalismo de forma remunerada. Jornalismo, de acordo com o documento, significa reunir, preparar, coletar, fotografar, gravar, editar, publicar, reportar, ou publicar notícias ou informação de interesse local, nacional ou internacional, ou outro assunto de interesse público. Com essa redação, a atividade de probloggers que se utilizam de fontes para produzir a informação poderia ser enquadrada como ‘jornalismo’.

O assunto abre precedentes para discussões interessantes – faz repensar o que é o jornalismo (processo ou produto? atividade meio ou atividade fim?), e até que ponto o que fazem [uma parte dos] blogueiros e jornalistas se assemelha. Um blogueiro pode exercer jornalismo, assim como um jornalista não precisa necessariamente exercer a atividade jornalística. Um blogueiro que se utiliza de técnicas de jornalismo para produzir sua informação [ou então: um ‘cidadão jornalista’ que escreve uma matéria para um site colaborativo] é, efetivamente, apenas um blogueiro? Ou estaria mais para o lado de um jornalista? Jornalista é apenas quem possui o registro, mesmo que não produza nada, ou também quem exerce a atividade jornalística, mesmo sem ter registro? Para essas questões, toda e qualquer tentativa de definição legal se mostra insuficiente...

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

  Estadão erra, de novo

Não bastasse a grande perda para a dramaturgia brasileira, o Estadão acabou matando Paulo Autran antes do tempo. Pouco depois das 11h da manhã, uma nota no site informava a morte do ator. A notícia foi removida, e mais tarde, às 16h10, com a morte confirmada, o assunto voltou à pauta do veículo.

Nada mal para um jornal que em agosto publicou como verdade uma notícia estapafúrdia. Depois nós é que somos os macacos...

Via André Deak.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

  Empregos Jornalísticos 2.0

Você é um estudante de jornalismo que não vê perspectiva de futuro porque as redações estão lotadas, há profissionais demais no mercado, e ainda por cima você acha que o jornalismo enquanto arte (aquele que você gostaria de exercer) já morreu? Seus problemas acabaram. Com a nova safra de empregos jornalísticos 2.0 que vêm surgindo, há novas funções para todos os gostos. De estagiário em blog (neste aqui ainda tem vaga) a editor de palavras-chave. E, no ritmo que as coisas andam na web, é bem provável que o emprego que você vai ter quando se formar ainda nem tenha sido criado. É esperar para ver.

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Em tempo: vocês conhecem algum blogueiro que esteja à procura de uma estagiária? :P

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sábado, 6 de outubro de 2007

  Afinal, o que é uma notícia?

Notícia é um fato novo, de interesse comum para uma determinada sociedade, transmitido de forma unilateral por profissionais (jornalistas) para leigos (público em geral). Essa definição clássica e tradicional de uma notícia pode ser aplicada ao que acontece atualmente na produção de notícias na Internet? Não é preciso pensar nem por três segundos para perceber que não, terminantemente não!! A começar pelo fato de que a fronteira entre ‘emissão’ e ‘recepção’ encontra-se cada vez mais nebulosa.

É com base nessas modificações provocadas pela Internet que Jeremy Wagstaffy (colunista de tecnologia do Wall Street Journal Asia) escreveu em sua coluna que não há mais notícias, ou pelo menos não como tradicionalmente a conhecemos. No lugar, temos apenas informação. Alguns dos pontos abordados em “The Future of News”:

# O leitor não é mais apenas um consumidor. Ele também produz conteúdo (jornalismo cidadão, Wikipedia, social bookmarking).

# A interconexão em rede (Internet, celulares de terceira geração) faz com que modifiquemos nossa forma de receber notícias. Podemos ficar sabendo dos fatos por familiares, amigos, em blogs, ou por jornais.

# Há informações que são consideradas notícias para muita gente. Mas, em geral, a noção do que é notícia varia para cada pessoa.

# Com o acesso facilitado às informações, cresce o interesse por notícias de caráter hiperlocal.

# Há ainda o que o Wagstaffy chama de notícias “hiper-hiperlocais”, como, por exemplo, acompanhar as atualizações nos status dos amigos pelo Facebook para saber o que eles estão fazendo no momento.

# O significado do que é notícia sempre foi diferente para jornalistas e não-jornalistas. Na Internet, isso se potencializa.

# Agora que as pessoas têm acesso direto às informações, elas estão mostrando o que realmente interessa a elas, o que revela a existência de nichos de audiência, e abre espaço para veículos de informação sobre assuntos especializados (ressaltando o poder da cauda longa).

Em suma,

What we're seeing is that people get their news from whoever can help them answer the question they're asking. We want the headlines, we go to CNN. But the rest of the time, "news" is for us just part of a much bigger search for information, to stay informed.”


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E então, o que seria uma notícia no século XXI? Informações transmitidas em escala global por pessoas comuns via celular, como no caso dos monges budistas nas ruas de Mianmar? Informações sobre seus amigos no Facebook? Saber quando vai ser o festival de bandas da escola do seu bairro? Apenas o que diz a CNN e as outras empresas jornalísticas? As matérias mais votadas no Digg? Aquilo que a sua mãe ouviu no cabeleireiro e apresenta como novidade? Ou tudo isso e mais um pouco?

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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

  US Candidate Match Game

O USAToday elaborou um jogo interativo (ou seria apenas um infográfico mais elaborado?) para apresentar aos seus leitores algumas das propostas dos candidatos à presidência dos Estados Unidos. A idéia é a pessoa responder um quiz indicando como se posiciona diante de determinadas questões polêmicas, como aquecimento global, guerra no Iraque e casamento entre pessoas do mesmo sexo, e o sistema indicar qual dos candidatos possui um perfil mais parecido com o seu. Interessante para aprender mais sobre os candidatos. Interessante como uma forma criativa de newsgaming. Meio catastrófico como jogo na prática – uma posição extremada já é capaz de determinar quem deveria ser o seu “candidato”.

Para mim, deu Dennis Kucinich, um democrata.

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No mesmo sentido, há o jogo “Presidential Pong”, da CNN. Bem mais elaborado, bem mais divertido – mas no estilo “mais jogo, menos informação”.

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Tem até a categoria de “tabloid games” – como no jogo The Prision Life: Paris.

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Em tempo: notícias com informações apresentadas na forma de jogos seriam o próximo passo da evolução da prática de construção de infográficos interativos?

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terça-feira, 25 de setembro de 2007

  Como ser um bom estudante de jornalismo

Assim como não dá para devolver o Brasil para os índios e refundar o país, também não dá para começar a faculdade de novo, só para fazer tudo direitinho na segunda tentativa. Na maior parte das vezes, a gente aprende errando. Entretanto, aprender por tentativa e erro gera algo extra que os outros tipos de aprendizagem não permitem: o desejo de nunca mais errar.

Mas, para quem ainda está começando – ou para quem, como eu, ainda tem um semestre e meio pela frente para tentar fazer melhor – vale a pena ler as dicas de Paul Bradshaw sobre como ser um estudante de jornalismo. Em versão sintetizada, as dicas seriam:

1. Leia notícias
2. Esqueça que você tem uma opinião
3. Saiba a diferença entre notícia e matéria
4. Faça contatos
5. Tenha uma vida
6. Não fique sentado esperando por uma resposta por e-mail
7. Aprenda a escrever certo
8. Esteja aberto a novas experiências
9. Leia livros
10. Saiba o que você quer ao sair disso – e corra atrás

No mesmo sentido, post de hoje no eCuaderno com conselhos para alunos de um novo curso. Dentre os conselhos, está o de “especializar-se em assuntos, e não em meios”. E “começar um blog”. Como se trata de um curso sobre informação, no post há ainda um divertido vídeo para ilustrar o impacto da tecnologia na gestão da informação. Vale a pena assistir.

(Via Ponto Media)

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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

  Um ano de G1

O portal de notícias na Internet da Globo, o G1, completou um ano no dia 18 de setembro. Como uma forma de marcar a passagem da data, o portal tem publicado uma série de especiais sobre o primeiro ano do site. Há notícias que destacam as principais coberturas desse último ano (ótimo para recapitular o que foi notícia nos últimos meses, e também para constatar que o tempo passa), as notícias mais bizarras, as grandes disputas tecnológicas, as principais inovações do G1 nesse primeiro ano (algumas das grandes sacadas do portal são a presença marcante de infográficos, o grande número de vídeos para ilustrar as matérias, a possibilidade de comentários em [algumas das] notícias, e o canal de participação do leitor), e até uma matéria que explica, em detalhes, como são feitos os infográficos do G1.

Não costumo ler sempre o G1 (embora assine o feed de Tecnologia do site) - mas é inegável o quanto eles parecem se preocupar em produzir conteúdo voltado para a Internet (em termos de linguagem e recursos multimídias). É um dos poucos sites que fazem isso hoje em dia, infelizmente. Deveria ser a regra geral.

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domingo, 23 de setembro de 2007

  A insurreição no Brasil, há 114 anos atrás

Em setembro de 1893, um artigo do New York Times comentava a queda da monarquia no Brasil e os primeiros anos da República. O artigo, em uma página de jornal entupida de texto (bem ao estilo da época), trazia ainda um mapa do Brasil, para ajudar os norte-americanos a compreender a localização daquele novo país recém-descolonizado. Histórico. Interessantíssimo. E acessível gratuitamente via arquivo do New York Times na web - todas as edições do jornal, de 1851 a 2007, estão disponíveis na íntegra na Internet. Os textos publicados até 1922 (e que estão em domínio público) podem ser lidos gratuitamente, em pdf. Para os demais, é preciso pagar pelo acesso. Dá para ficar horas e horas perdido em leituras sobre o passado.

(Via GJol)

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sábado, 22 de setembro de 2007

  Jornalismo em 20 palavras



É possível contar uma notícia completa em apenas 20 palavras? Essa é a proposta do 20palabras.com, projeto dos jornalistas argentinos Dario Gallo e Pablo Mancini, no qual 20 jornalistas (presença cabalística do número 20?) enviam as atualizações pela web ou por dispositivos móveis, se possível a partir do próprio local do acontecimento. O resultado são notícias curtas, informativas, publicadas em estilo blog (das mais atuais para as mais antigas), para serem lidas preferencialmente em dispositivos móveis, e que servem como ponto de partida para conhecer os fatos que acontecem no mundo. Útil para não se perder por aí com tanto caos informacional.

Há três critérios de hierarquização das notícias: cronológico (coluna principal), editorial (coluna Esenciales 20P) e por popularidade (nuvem de tags, com os temas mais falados do dia).

O site conta ainda com blogs, podcast, e permite comentários nas notícias.

Em tempo: os comentários podem exceder 20 palavras.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

  Notícia online


Pirâmide invertida, pirâmide deitada, news diamond... afinal, qual o modelo ideal para uma notícia na internet? Há, de fato, um modelo ideal, ou seria possível lidar com uma verdadeira multiplicidade de opções - algo como... cada tipo de fato requeriria um tipo de texto, que, por sua vez, seguiria um modelo diferente?

A idéia do news diamond parece interessante. E ainda inclui o Twitter (ali no topo, no 'Alert', como primeiro passo de uma notícia na internet).



(Via André Deak. Via GJol. Via Online Journalism Blog)

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

  Jornalismo wiki e o futuro do jornalismo online

Há algum tempo atrás, Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, iniciou uma página em formato wiki para escrever um artigo sobre jornalismo wiki. No dia 13 de setembro, o resultado final foi apresentado na Future of Newspaper Conference, na Cardiff University, Inglaterra. O artigo delinea as principais possibilidades de utilização da ferramenta wiki para a produção jornalística (com ou sem a participação dos leitores).

Aproveitando o assunto, fiz algumas perguntas por e-mail para autor, sobre jornalismo wiki e o futuro do jornalismo online, em uma entrevista para a disciplina de Jornalismo Digital. O resultado pode ser conferido no meu blog de aula (em português), ou no próprio blog de Paul Bradshaw (em inglês).

--

Em tempo: normalmente, uma jornalista de verdade não precisaria pedir isso... mas... se alguém notar algum deslize grave na tradução, favor noticiá-lo via comentário. É a primeira vez que tento fazer algo do tipo, e erros costumam fazer parte do processo de aprendizagem :)

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