terça-feira, 7 de agosto de 2007

  Excesso de informação

Nos tempos pós-modernos (modernidade líquida, hiper-realidade, ou qualquer outra designação feliz de sua preferência), somos bombardeados cada vez mais por informação por todos os lados. Vivemos em uma verdadeira sociedade da informação, em que se informar é fundamental, em que a própria informação ocupa em nossas vidas papel semelhante ao que antes era ocupado pelo dinheiro. Hoje, quem tem informação tem poder.

Em um mundo assim, fica difícil se manter 100% informado. Somos forçados a escolher determinadas áreas sobre as quais se informar, e isso se baseia em nossos interesses, os quais estão diretamente ligados a nossas atividades diárias, as quais têm a ver com as pessoas com as quais convivemos (enfim...). O fato é que as informações relevantes precisam ser selecionadas, sob pena de ninguém conseguir se encontrar em meio a tanto caos informativo.

Nesse contexto, o papel de um jornalista (o jornalista clássico, de um jornal diário) é o de selecionar, dentre uma quantidade infinita de acontecimentos, quais os fatos que são (parecem ser, ou poderiam ser) os mais relevantes (para ele ou para o mundo?). Essa seleção vai necessariamente refletir uma certa subjetividade. Nem sempre a visão do próprio jornalista transparece nitidamente (exceto se se tratar de um blog jornalístico, ou de qualquer outra espécie de um jornal de um jornalista só), porque muitas vezes ele precisa se submeter a constrangimentos organizacionais. Ele segue as linhas gerais impostas pelo veículo sob pena de, não o fazendo, vir a perder seu emprego.

Só que na web fica um pouquinho mais complicado de se fazer essa seleção, porque a informação pode ser disponibilizada a todo e qualquer momento. Enquanto você está lendo estas linhas aqui, milhares de outros textos estão sendo adicionados à grande teia da internet no exato mesmo instante, aumentando, complexificando e complementando a rede de informações disponibilizadas online. Ao mesmo tempo, outras páginas também estão saindo do ar. A renovação é constante.

Com tanta informação no mundo, por que as pessoas estariam lendo exatamente este texto e não outro qualquer? Por que este blog e não outro dos milhões de blogs que a blogosfera oferece? Por que um blog e não um site? Porque uma página na internet e não uma página de revista? Por que uma revista e não um livro? Por que um livro e não uma bula de remédio? E por que é tão importante assim se informar, afinal? Por que buscamos o conhecimento?

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Comentários:

Anonymous vejo tudo e não morro disse:
Porque o conhecimento nos dá uma dimensão: a dimensão de que somos uma espécie, que tem História. E essa aventura no habitat Terra não começou ontem e nem acabará iminentemente amanhã. Se não tivéssemos a dimensão histórica das coisas, seria muito triste ter razão pra viver...
 
Blogger tiago disse:
hein? a tag é "amenidades"???? bom, eu imagino o que não passa pela tua cabeça quando tu resolve fazer questionamentos a sério!

a parte do porque esse e não aquele eu jogo praquilo que, afinal, é o motor subjetivo e que cada vez mais se estabalece como força da natureza: as afinidades eletivas. o individualismo tirou a vergonha de optar simplesmente pelo que se gosta. (teorizando, teorizando.)

no "porque buscamos o conhecimento", fica bem mais complicado, e dá pra voltar até Platão, né? acho que um questionamento válido, à luz dessa pré-pós-modernidade, é saber se queremos conhecer pelo Conhecível (ih, isso vai acabar ficando woodyallenesco) (erm, tudo fica, não? :P), digo, pelo objeto em si e o que ele desperta em nós, ou pela frênese (gênese + frenesi, te mete) de coabitar um espaço onde a informação é a moeda de valor mais alto, e a falta dela significa isolamento e penúria - sem falar em piadinhas dos colegas de trabalho, tão cool e descolados que são.

e mais do que isso, ainda tem toda a informação que nos atinge, que nos jogam na cara sem que a gente queira. isso é o pior. é sair na rua e se sentir público-alvo - tem sempre alguém tentando nos enquadrar e consumir, não? argh.

(papo de mesa de boteco, hein.)
 
Blogger Gabriela Zago disse:
Realmente... a escolha da tag não foi lá muito apropriada :P

Mas, assim, somos nós quem determinamos as informações que vamos receber? Ou isso meio que é determinado pelo contexto em que a gente vive? (tipo as estratégias publicitárias) Talvez também dê para se falar em um meio termo entre as duas coisas.

Aaaah, complexo demais! Não tem como sair desse caos informacional. O jeito é criar estratégias para amenizar o impacto do excesso de conteúdo! (tipo feeds... :P).
 
Blogger Lynz disse:
¿Por qué buscamos el conocimiento? No lo sé. Supongo que es la esencia del ser humano. Sin el conocimiento, de nada nos serviría nuestra mayor aptitud: la inteligencia. El conocimiento es el medio que nos permite evolucionar en este mundo y realizar nuevos avances en beneficio de toda la humanidad...

Me ha gustado el post, es muy interesante y me hace pensar ;)
 


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