quarta-feira, 23 de novembro de 2005

  Filme "Noiva Cadáver"

"A Noiva Cadáver", dos diretores Tim Burton e Mike Johnson, e com vozes de Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Emily Watson, é um filme de animação que consegue ser bastante divertido, ao mesmo tempo em que é absurdamente deprimente. O trunfo principal do filme é querer produzir escárnio a partir da morte: por um lado, sucumbe-se ao riso. Por outro, as imagens de esqueletos caricaturizados estão ali como que para lembrar "ei, você um dia vai ficar reduzido a isso"; da morte ninguém tem escapatória, por mais que dela se tente zombar.
A história se passa num vilarejo europeu do século XIX e é baseada num conto do folclore russo de um rapaz que sem querer propõe em casamento uma jovem morta pouco antes de seu casamento*. Uma parte interessante da história original que é meio deixada de lado pelo filme é a questão de o assassinato se dar por conta de uma onda de anti-semitismo que estava espalhada pelo mundo na época: na história original, a noiva cadáver fora morta a caminho do casamento por grupos que tentavam evitar a proliferação de judeus.
A atmosfera do desenho faz lembrar um filme antigo, com trechos musicais (e essa é a parte mais tediosa dos desenhos animados... :P), cenas em preto e branco, roupas de época, personagens caricaturais que ostentam títulos vagos de nobreza, e outras coisas do tipo. Mas talvez o que mais chame a atenção é que o filme foi de fato feito à moda antiga, com a técnica de stop-motion — aquela que é empregada para animar personagens feitos de massinha de modelar. Na verdade, de acordo com o CinePop, os bonecos do filme eram feitos de ferro e cobertos de silicone. Ao ver o desenho de forma atenta, quase dá para perceber nitidamente o avanço quadro a quadro das cenas.
No filme, há uma certa inversão de valores intencional. Enquanto o mundo dos vivos aparece como algo profundamente melancólico, em tons quase que exclusivamente cinzas, o mundo dos mortos se apresenta como o exato oposto: nele, há uma verdadeira explosão de cores, combinada com muita música, riso e alegria. A idéia a ser passada é a de que morrer talvez não seja tão ruim assim — e no filme, ao menos, os personagens mais divertidos são aqueles que já passaram desta para uma melhor. É muito fácil ser agradável e bem-humorado quando já se tem a solução para todos os problemas, pois a pessoa morta não tem que se preocupar com o maior problema da vida: permanecer vivo.
Se de cara eles eliminam a velha distinção entre ricos e pobres (pois há um novo rico que irá se casar com uma moça de uma família que está perdendo a riqueza), eles deixam a desejar na distinção tosca entre vivos e mortos. Aparentemente, mortos não podem casar com vivos, pois pertencem a mundos diferentes. Mas tudo bem, quem disse que todos devemos ser sempre iguais?
E é de uma façanha incrível conseguir fazer rir quase que naturalmente quando o olho da mocinha salta da órbita e no buraco vê-se uma larva falante, ou quando algum esqueleto se exalta e sem querer se desmonta ou perde um braço ou uma perna. Ou então numa situação um tanto mais inquietante, como quando o ancião sábio dos mortos simula coçar sua cabeça (crânio) e na verdade o que se vê é um osso fraturado sendo deslocado. Mas apesar do tom melancólico e do tema macabro, o filme consegue sim ser bastante divertido. Uma das sacadas mais geniais é sem dúvida o cãozinho Scraps, que surge de um irônico amontoado de ossos. Outro lance legal é a presença constante de borboletas, simbolizando transformação.
Por tudo isso, a gente é capaz de perdoar o final-clichê do filme -- até porque, na verdade, por grande parte da história, permanece a dúvida do que vai acontecer com o noivo (como nenhuma das duas mocinhas do filme é uma vilã, chega um ponto em que a gente se vê tão dividido quanto o personagem principal do filme...).

E o mais legal de tudo: a cópia que vi do filme era legendada! :D Viva os cinemas recentemente-civilizados de Pelotas!




* a frase foi intencionalmente construída tanto para significar que o rapaz estava prestes a se casar com outra moça, como que para dizer que a noiva-cadáver morrera pouco antes de seu próprio casamento :P mas acho que não ficou claro, por isso a ressalva...

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Comentários:

Anonymous Carol disse:
poww... vc n gostou das musiquinhas???? eu adorei!! hihihih adoro filme com musica! gostei do filme todo... e vc descreveu ele direitinho :)
eu so achei o filme mto rapido ¬¬ acaba num instante!! aff
bjos
 
Anonymous Carol - de novo :P disse:
"com musca" n :P musical ;)
 
Anonymous george disse:
eu nao curti a noiva cadaver
quero ver harry potter e o calice de fogo
vamos?
convida a alessa..
que tal?
beijo beijo gabizão
 


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