sexta-feira, 23 de setembro de 2005

  O crucifixo e a corrupção

Leitura prévia: reportagem sobre a proposta de um juiz gaúcho de se retirar os crucifixos dos tribunais.

---

A respeito dos argumentos utilizados no artigo "O crucifixo e a democracia", da ZH de 20/09/05, ao menos um deles é falacioso. Está certo que uma pesquisa realizada por uma revista de circulação nacional tenha relatado que 99% dos brasileiros crêem em um deus, e isso é suficiente para legitimar a invocação divina no preâmbulo constitucional. Mas é importante verificar também o quanto desse total, além de crer em um deus cristão, seja de um credo que tenha por prerrogativa a adoração de imagens. Pode ser que eu acredite em um deus, mas isso não quer dizer que a imagem de um crucifixo necessariamente signifique algo para mim. E é aí que reside a controvérsia.
Não é o caso de instaurar o caos no país, propondo a eliminação total de crucifixos das salas de audiência, ou a abolição dos feriados religiosos nacionais. Seria oportuno, talvez, repensar o papel de um crucifixo. Será que as pessoas de outros credos (ou sem credo) realmente sentem-se intimidadas diante de um crucifixo numa sala de audiência? Ou não seria mera questão de significação: se o crucifixo não significa nada para mim, tanto faz a presença dele ou não em um órgão público. Posso não acreditar nas autoridades judiciais. E, nesse caso, a presença delas no julgamento não fará qualquer diferença na hora de prestar um depoimento.
Assim, não há por que exagerar e dizer que a proposta de retirada do símbolo do cristianismo dos espaços públicos seja um "sutil ataque a nossa débil democracia já tão golpeada". É simplesmente uma questão tão irrelevante quanto discutir se a cor do sabonete do banheiro do Congresso pode influenciar na tomada de decisões. Há maiores preocupações que merecem a atenção nacional no momento. Deixemos a questão do crucifixo para tempos de "paz".
Mesmo assim, não deixa de ser interessante notar como a instabilidade nacional é tanta que um mero assunto pontual acabe chamando a atenção da mídia, gerando discussão e opiniões contraditórias, a ponto de o referido advogado ter afirmado que "o ataque ao crucifixo é um insulto a este povo e a esta sociedade que legitimam o poder." Talvez o ataque não seja tão insultante. Mas esteja sendo encarado como tal por conta da instabilidade no país. Falar dele é uma excelente válvula de escape para quem anda cansado de falar sobre os escândalos maiores do poder. Se a questão do crucifixo é um afronta à sociedade, o que dizer então da corrupção deflagrada que tem ocorrido a nível nacional?


flickr
   

 feed

receba as atualizações do blog por e-mail



categorias academicismos
amenidades
blogs
direito
filmes
google
internet
livros
memes
mídia
orkut
politiquês
querido diário
stumbles
tecnologia


sobre
about me
del.icio.us
flickr
last.fm
orkut
43metas
nano novel
textos
flog
stumbleupon
Gilmore Girls





blogroll
animaizinhos toscos
argamassa
ariadne celinne
atmosfera
bereteando
blog de lynz
blog del ciervo ermitaño
direito de espernear
direito e chips
dossiê alex primo
efervescendo
enfim
every flower is perfect
garotas zipadas
giseleh.com
grande abóbora
hedonismos
il est communiqué
jornalismo de resistência
jornalismo na web 2.0
lavinciesca
marmota
novos ares
pensamentos insanos
rafael gimenes.net
reversus
sententia
universo anárquico
vidacurta.net
vejo tudo e não morro
w1zard.com


arquivo
Agosto 2005
Setembro 2005
Outubro 2005
Novembro 2005
Dezembro 2005
Janeiro 2006
Fevereiro 2006
Março 2006
Abril 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Agosto 2006
Setembro 2006
Outubro 2006
Novembro 2006
Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Março 2007
Abril 2007
Maio 2007
Junho 2007
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007
Outubro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007


etc.










Save the Net

Stumble Upon Toolbar

Creative Commons License

Official NaNoWriMo 2006 Winner